1 de junho de 2019

Ministério da Educação é fundamental para Bolsonaro, mas ele confessou que escolheu cegamente ministro desastroso da Educação por influência de Rasputin


Ministério da Educação é fundamental para Bolsonaro, mas ele confessou que escolheu cegamente ministro desastroso da Educação por influência de Rasputin

Julio Severo
Apesar de dizer que o MEC é fundamental, o Presidente Jair Bolsonaro confessou à revista Veja que a escolha do ministro da Educação Ricardo Vélez foi feita no escuro, sem nenhuma triagem e sem nenhuma consideração técnica:
“Errei no começo quando indiquei Ricardo Vélez como ministro. Foi uma indicação do Olavo de Carvalho? Foi, não vou negar. Ele teve interesse, é boa pessoa. Depois liguei para ele: ‘Olavo, você conhecia o Vélez de onde?’. ‘Ah, de publicações.’ ‘Pô, Olavo, você namorou pela internet?’ disse a ele.”
Bolsonaro admitiu para a revista Veja que a nomeação de Vélez foi um erro. Na verdade, foi um fracasso monumental que poderia ter sido facilmente evitado se Bolsonaro, em vez de fazer escolhas numa dependência cega e submissa a um homem apelidado de “Rasputin de Bolsonaro,” tivesse aplicado em primeiro lugar requisitos técnicos profissionais e éticos.
Quem é que não viu que Vélez foi um fracasso? Demorou para Bolsonaro ver o que todos já estavam vendo.
Bolsonaro confiou, no escuro, na indicação de Olavo de Carvalho, o tal Rasputin. Por sua vez, Rasputin se esquivou, como é seu hábito, de assumir qualquer responsabilidade pelo fracasso, respondendo evasivamente para Bolsonaro que conheceu Vélez somente através de publicações. Ele só assume glórias — de outros. Fracassos pessoais? Ele não assume nenhum.
Eu também conheço Vélez por publicações. Li posts do blog dele de anos. O que vi? Um homem contra o PT. Mas mais que isso. Vi sem nenhuma dificuldade um homem elogiando a esquerdista Hillary Clinton e fazendo críticas e oposição a Donald Trump.
Tais posturas radicais não estão nas entrelinhas. Estão em vários artigos de Vélez, inclusive bem à vista nos próprios títulos. Até um míope crônico conseguiria ler.
Até eu, que sou um mero escritor evangélico conservador sem nenhuma pretensão de ser o maior filósofo do Brasil, sabia que Vélez era despreparado. Em novembro de 2018, mais de um mês antes de sua posse, alertei publicamente que Vélez não estava em condições de ser ministro da Educação. Alertei neste artigo: “Novo ministro da Educação: hostil ao socialismo e Trump, amistoso com Bolsonaro e Hillary.”
Se Bolsonaro tivesse lido o blog de Vélez, ele teria visto tudinho. Mas ele não se deu ao trabalho de ler, e isso lhe deu imensa dor de cabeça. Confiar no escuro em oportunistas dá dor de cabeça. Chamo Rasputin de oportunista porque ele tem perfil semelhante ao perfil de Steve Bannon — que poderíamos chamar de versão americana de Olavo de Carvalho —, que Trump expulsou da Casa Branca por oportunismo.
Se Bolsonaro tivesse lido meu blog, ele teria se poupado de muitos problemas no Ministério da Educação. Mas ele preferiu confiar no escuro em Rasputin. E deu no que deu.
Rasputin se gaba de ser um homem de filosofia, letras e cultura. Ele se gaba de ler muito e de entender melhor do que todos os outros. Ele se gaba também de ver perigos antes de qualquer um. Sendo assim, no padrão dele, se até eu, um mero leitor mortal, vi, como é que ele não viu o Vélez claramente pró-Hillary e contra Trump? Como é que ele não enxergou que isso era um prenúncio de fracasso e desastre — que de fato acabaram acontecendo?
E mesmo assim Rasputin indicou Vélez para Bolsonaro, trazendo como consequência imenso prejuízo ao Brasil por causa da falta de responsabilidade de quem indicou e de quem aceitou cegamente a indicação.
Para quem se julga o mestre máximo da cultura e filosofia, a indicação fracassada dele no Ministério da Educação é prova de que ele não entende tanto quanto alega entender. De doutrinação, ele entende bastante. De manipulação de um presidente e seus filhos, ele entende enormemente, pois só um presidente manipulado, depois de ver com os próprios olhos o fracasso escancarado de Rasputin para o Ministério da Educação, logo em seguida lhe concede a condecoração mais elevada do governo brasileiro.
Só no Brasil desastre e fracasso rendem condecoração. Parece que quanto maior o fracasso, maior é a condecoração. E foi o que aconteceu no caso de Rasputin: Saiu da própria confusão criada por ele ileso, impune e fartamente premiado.
Só um cego daria tal condecoração. Só um manipulado faria isso. E ele fez mais que isso: para tentar remediar o estrago da indicação de Rasputin, Bolsonaro nomeia outra indicação de Rasputin, conforme mostrado no meu artigo “Ministro da Educação Abraham Weintraub e seu socialismo de direita ou estatismo de direita”. Talvez ele tenha feito isso para provar, sem a menor sombra de dúvida, que ele está apaixonado por Rasputin — fato plenamente observável que dispensa atestado científico.
Tenho de confessar que votei num cego e manipulado e agora tenho a obrigação de orar e cobrar dele todos os dias de seu governo, até que ele consiga se libertar desse estado deplorável de cegueira e manipulação.
Quando ele deixar esse estado, ele vai dizer surpreso consigo mesmo:
“Confiei cegamente no cara. Nomeei o homem indicado por ele, e foi um desastre para o Ministério da Educação, que é tão importante para mim e para o Brasil. Foi um desastre para meu governo e para o Brasil. E depois recompenso o desastre dando a maior condecoração para o cara responsável por tudo isso? Meu Deus, onde é que eu estava com a cabeça para fazer isso?”
Com informações do Antagonista.
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Um comentário :

J. SSousa disse...

E o erro continua. Escolheu outro olavete p substituir o anterior. Olha o tamanho da bagunça.