13 de maio de 2019

Steve Bannon move católicos conservadores para abraçar seu “conservadorismo” para se opor ao Papa Francisco


Steve Bannon move católicos conservadores para abraçar seu “conservadorismo” para se opor ao Papa Francisco

Julio Severo
“Bannon aconselhou o próprio Salvini que o papa atual é uma espécie de inimigo. Ele sugeriu, com certeza, atacar frontalmente” o papa em 2016, disse o jornal britânico The Guardian em uma reportagem de abril de 2019.
O conflito entre o político italiano católico Matteo Salvini e o Papa Francisco é por causa da imigração islâmica. Como muitos católicos não estão satisfeitos com essa imigração, eles, inclusive Salvini, se uniram a Stephen K. Bannon (Steve Bannon) e sua postura contra a imigração.
O discurso de Bannon certamente atrairá apoio conservador porque ele apela para a necessidade de uma coalizão cristã mundial contra os males do socialismo, do ateísmo e do islamismo. Ele disse:
“Estamos nos primeiros estágios de um conflito mundial. Se não nos unirmos como parceiros, com outros em outros países… [então] esse conflito só vai metastatizar.”
Bannon está semeando sua insurreição tradicionalista contra o papado, aliando-se com os críticos de Francisco tanto dentro do catolicismo quanto fora dele, construindo efetivamente uma frente tradicionalista cristã que abrange várias denominações.
De acordo com a própria confissão de Bannon, ele sabe como explorar abertamente a raiva e o ressentimento como uma estratégia para atrair a colaboração de diversos movimentos conservadores. Sua manobra está funcionando. Uma reportagem da NBCNews intitulada “Steve Bannon e ultraconservadores dos EUA miram no Papa Francisco” identificou Bannon como a eminência parda de alguma forma por trás dos católicos conservadores que se queixam abertamente de heresias no papa. E com uma reportagem intitulada “Reportagem da NBC sobre ‘católicos ultraconservadores’ difama Steve Bannon e antiglobalistas,” LifeSiteNews, o maior site católico pró-vida no mundo, defendeu Bannon e os queixosos católicos.
A mensagem católica, pró-família e pró-vida de Bannon se identifica com os católicos conservadores — inclusive o italiano Salvini e o húngaro Viktor Orbán. Com a ajuda deles, ele está finalizando os preparativos para a abertura de uma academia tradicionalista, em um monastério em montanhas não muito longe do Vaticano. A Academia do Ocidente Judaico-Cristão, afirmou Bannon, servirá de incubadora para líderes nacionalistas do futuro.
A questão é que os católicos conservadores veem Bannon como um bom católico tentando ajudar a Igreja Católica a ser mais tradicionalista, embora ele mesmo, como católico, tenha se divorciado três vezes. Só um divórcio é inaceitável para um verdadeiro católico tradicionalista. Mas o divórcio não é seu maior problema. E as raízes reais do tradicionalismo de Bannon não são católicas.
Há um livro que revela a espiritualidade tenebrosa de Bannon. No livro “Barganha do Diabo: Steve Bannon, Donald Trump e a Invasão da Presidência” (Penguin Publishing Group, 2017), o escritor Joshua Green, que pessoalmente entrevistou Bannon e Trump, argumentou que encontrou as “origens secretas e estranhas da fantasia nacionalista de Steve Bannon,” e o segredo é que Bannon é inspirado por várias fontes ocultistas.
Green explicou que quando Bannon era jovem, ele era “um autodidata voraz” e “embarcou no que descreveu como ‘um estudo sistemático das religiões mundiais,’” acrescentando: “Começando pela história da Igreja Católica Romana… ele avançou para o misticismo cristão e daí para a metafísica oriental… A leitura de Bannon acabou levando-o à obra de René Guénon, um ocultista e metafísico francês do início do século XX que foi criado como católico romano, praticou a maçonaria e mais tarde se tornou um muçulmano sufi.”
De acordo com Green, Bannon tem um “profundo interesse no misticismo cristão e no hinduísmo esotérico” e um “fascínio especial por Guénon.”
Green explicou que “Guénon desenvolveu uma filosofia muitas vezes mencionada como ‘tradicionalismo,’ uma forma de antimodernismo com conotações precisas. Guénon era um tradicionalista ‘primitivo,’ um crente na ideia de que certas religiões antigas, inclusive a Vedanta Hindu, o Sufismo e o Catolicismo medieval, eram repositórios de verdades espirituais comuns, reveladas nas primeiras eras do mundo, que estavam sendo destruídas com o surgimento da modernidade secular no Ocidente.”
Green disse que “O sentido antimodernista da filosofia de Guénon atraiu vários seguidores notáveis” e “O mais notório deles foi Júlio Evola,” que “aliara-se a Benito Mussolini, e suas ideias se tornaram a base da teoria racial fascista; mais tarde… as ideias de Evola ganharam força na Alemanha nazista.”
De acordo com Green:
“Os temas comuns do colapso da civilização ocidental e a perda do espírito transcendente em livros como ‘A crise do Mundo Moderno’ de Guénon (1927) e ‘A Revolta contra o Mundo Moderno’ (1934) de Evola atraíram o interesse de Bannon para o tradicionalismo (embora ele também foi muito atraído pelos seus aspectos espirituais, citando o livro de Guénon de 1925, ‘O Homem e Sua Transformação Conforme a Vedanta’, como ‘uma descoberta que mudou minha vida.’) Bannon… trouxe ao tradicionalismo de Guénon uma forte dose de pensamento social católico.”
Ele ficou tão alarmado com o estado da Igreja Católica que, em 2013, Bannon iniciou suas atividades em Roma e realizou uma reunião no Vaticano com o cardeal Raymond Burke, em um esforço para apoiar os tradicionalistas católicos marginalizados pelo Papa Francisco. Green explicou os esforços de Bannon para infundir o tradicionalismo de Guénon na Igreja Católica:
“Expondo essa visão em uma conferência de 2014 no Vaticano, Bannon uniu Guénon, Evola e seu próprio pânico racial-religioso para lançar suas crenças no contexto histórico.”
Bannon buscou trazer o tradicionalismo de Guénon entre os católicos ultraconservadores de todo o mundo. Green disse:
“Onde quer que ele pudesse, ele se alinhou com políticos e causas comprometidas em derrubar seu edifício globalista: católicos conservadores como Burke, Nigel Farage e UKIP, Frente Nacional de Marine Le Pen, Geert Wilders e o Partido pela Liberdade.”
As ideias de Guénon são mais bem-sucedidas entre católicos. O Brasil, a maior nação católica do mundo, tem uma legião de adeptos de Guénon.
Não eram apenas os católicos que Bannon estava usando. De acordo com Green:
“No verão de 2016, Bannon descreveu Trump como um ‘instrumento bruto para nós.’”
Trump nunca foi capaz de ver a espiritualidade escura que guia Bannon. Como então Trump foi capaz de escapar de suas armadilhas? Segundo Green:
“A queda de Bannon de sua exaltada condição como principal conselheiro de Trump não foi o resultado de uma disputa política, mas consequência da irritação de Trump de que o perfil de Bannon tinha vindo a rivalizar com o próprio perfil dele. Trump foi ficando irado com a noção popular de que Bannon era o único que estava comandando todo o espetáculo — que ele era, como dizia uma infame capa da revista Time, ‘O Grande Manipulador’…  “Você tem de lembrar, ele não esteve envolvido em minha campanha até muito tarde,’ disse Trump ao jonral New York Post. ‘Eu sou meu próprio estrategista.’”
Além disso, Trump é cercado por muitos conselheiros evangélicos que oram regularmente com ele. Então a oração e o Deus das respostas libertaram Trump de Bannon.
Trump demitiu Bannon em uma época em que ele estava sendo chamado de “Rasputin de Trump.” Trump o demitiu em um momento em que até mesmo a imprensa secular estava vendo o ocultismo de Bannon, com um site secular publicando um artigo muito claro intitulado “A era Trump está se transformando em uma era de ouro para intelectuais fascistas esotéricos.”
Intelectuais fascistas esotéricos — isso resume adeptos de Guenon influenciando governos hoje.
Entretanto, o que muitos católicos tradicionalistas estão vendo em Bannon não é ocultismo, esoterismo e Guénon. Eles estão vendo “conservadorismo” e “posturas contra a imigração islâmica.” Entre Bannon e o Papa Francisco, eles preferem Bannon. A escolha deles não é muito diferente das escolhas dos católicos na Alemanha nazista, que estava inundada de partidos e políticos comunistas de todos os tipos, e a única esperança antimarxista era o católico nominal Adolf Hitler.
Hitler também estava envolvido no ocultismo, mas os eleitores católicos alemães desesperados não olhavam para isso. Eles olhavam apenas para sua postura contra o marxismo.
Ainda que hoje direitistas católicos bem-intencionados tenham acusado o nazismo e o fascismo de serem de esquerda, uma das principais influências nesses movimentos foi Julius Evola, o mais proeminente discípulo de Guénon. Tanto Evola quanto Guénon eram antimarxistas. Aliás, Evola era para os movimentos populistas nazistas e fascistas da década de 1930 o que Bannon é hoje para os movimentos populistas na Europa. Portanto, não é surpresa que Bannon tenha louvado Evola e Guénon no Vaticano.
Evola foi o autor de manuais de direita, inclusive o “Manual para Jovens Direitistas.” Ele também foi o autor de vários livros ocultistas, inclusive “Introdução à Magia: Rituais e Técnicas Práticas para os Bruxos.”
Apesar disso, os católicos tradicionalistas que amam as posturas anti-imigração de Bannon estão tendo dificuldade em conectar os pontos. E tradicionalistas guenonianos, inclusive Bannon, estão explorando essa fraqueza católica. Talvez Francisco, que não está vendo o perigo da imigração islâmica, esteja vendo o perigo do populismo bannoniano, porque ele disse que “o crescente populismo na Europa pode levar à eleição de líderes como Hitler.” Se o populismo fez isso através de Evola na década de 1930, por que não hoje através de revolucionários que louvam Evola e seu mestre Guénon?
Por sua vez, Bannon está tirando proveito dos escândalos sexuais na Igreja Católica e usando-os contra Francisco, alegando que Francisco administrou mal vários escândalos de abuso sexual e dizendo que o papa não está tratando a questão com seriedade suficiente. Tal discurso é suficiente para atrair os católicos tradicionalistas para o lado de Bannon. Está funcionando.
Católicos conservadores como o cardeal Raymond Burke se juntaram a Bannon. Burke e Bannon teriam se encontrado no Vaticano em 2014 na mesma conferência em que Bannon louvou abertamente os fascistas esotéricos Evola e Guénon.
Agora Burke e Bannon estão trabalhando juntos em um projeto polêmico na Itália para restaurar um monastério cartusiano e torná-lo o centro de um movimento político e cultural na Europa. O monastério é a sede do Instituto Dignitatis Humanae (Instituto da Dignidade Humana), dirigido por Benjamin Harnwell.
Em janeiro de 2017, Bannon tornou-se patrono do instituto, cujo presidente honorário é o cardeal Burke.
Burke é presidente do conselho de assessores do Instituto. Outros católicos também são membros do conselho, inclusive Dom Eugenio Romagnuolo O.Cist., Cardeal Renato Raffaele Martino, Mons. Roberto de Odorico e o abade Eugenio Romagnuolo.
Em 1947, o prior do monastério foi morto a tiros em suas câmaras com afrescos. Uma investigação levou ao desmonte do monastério e os monges foram dispersos pelos quatro cantos da Itália. “O motivo oficial foi dinheiro, mas talvez [tenha sido] algo homossexual,” disse Bannon.
Assim, o monastério que teve um fim suspeito terá um renascimento suspeito, com líderes católicos dispostos a tudo, inclusive aliança com ocultistas, para se opor a Francisco.
O envolvimento crescente de Bannon com o Instituto demonstra como o seu envolvimento na Europa se estende para além da política eleitoral para uma iniciativa para construir uma facção populista dentro da Igreja Católica. De acordo com Harnwell, Bannon está ajudando a preparar o curso para um programa de treinamento para ativistas e líderes políticos católicos conservadores.
Um dos administradores do Instituto da Dignidade Humana é Austin Ruse, um crítico aberto do Papa Francisco, que também é um dos principais líderes do Congresso Mundial das Famílias e diretor do Centro Católico de Família e Direitos Humanos.
Não consigo entender como Ruse, que tem um ótimo trabalho pró-vida, está financeiramente envolvido no apoio de uma iniciativa de Bannon. Anos atrás ele questionou Scott Lively, que é um pastor pentecostal, e seu ativismo pró-família, dizendo que ele era uma invenção. Bannon, seu “O Movimento” e o Instituto da Dignidade Humana também não são uma invenção para atrair e ludibriar os bons católicos conservadores? Como pode Ruse “ver com perspicácia” problemas em Lively, mas nenhum problema em Bannon?
Enquanto algumas reformas são necessárias no monastério, a academia do Instituto da Dignidade Humana estará pronta para as primeiras aulas nos próximos meses.
De acordo com Bannon, um dos professores da faculdade será Olavo de Carvalho, um escritor brasileiro que propagandeia amplamente que a Inquisição era uma ficção inventada por protestantes. Como Bannon, Carvalho também foi, durante décadas, influenciado pelos escritos de Guénon, que é sua principal base antimarxista. Durante as décadas de 1970 e 1980, ele trabalhou como astrólogo profissional. Ele também era muçulmano, tendo recebido da Arábia Saudita um prêmio por uma biografia de Maomé que ele escreveu. Seu histórico é basicamente ocultista.
Assim como Bannon, Carvalho também está tendo enorme penetração entre os católicos — no Brasil. Carvalho, que é considerado o Rasputin do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, também tem propagandeado extensivamente, e tem doutrinado seus adeptos para propagandear extensivamente, que ele foi a figura principal por trás da vitória de Bolsonaro.
A autopropaganda de Carvalho de que ele foi o homem responsável pela vitória de Bolsonaro é contestada por Harnwel, que disse: “Os evangélicos ajudaram a eleger Bolsonaro presidente do Brasil. Após ser divulgado o resultado do primeiro turno, a primeira declaração dada pelo então candidato à presidência pelo PSL foi de agradecimento aos líderes evangélicos.”
Curiosamente, Harnwell, que disse que Bannnon é o padroreiro de seu instituto, reconhece que os evangélicos foram vitais para Bolsonaro e que, em sua primeira declaração após o primeiro turno, quando ele estava em extrema necessidade dos votos dos evangélicos, Bolsonaro agradeceu a eles. Mas Harnwell não mencionou que, imediatamente após o segundo turno, quando a vitória de Bolsonaro foi confirmada e ele não precisava mais depender dos evangélicos, em sua primeira declaração ele não agradeceu a nenhum líder evangélico. Ele agradeceu especificamente a um adepto de Guénon — Olavo de Carvalho.
Estranhamente, em uma entrevista em março para a Rede de Televisão Cristã de Pat Robertson, Bolsonaro disse que sua vitória foi graças aos evangélicos. No entanto, na prática, ele nomeou devotos de Carvalho para seu governo. O atual ministro das Relações Exteriores do Brasil se apresenta como um conservador católico, mas ele é um devoto assumido de Carvalho, Guénon e Evola.
Trump pôde ver o guenoniano Bannon (o Evola americano) como um oportunista, mas Bolsonaro não consegue ver o guenoniano Carvalho (o Evola brasileiro) como um oportunista. Ou talvez Bolsonaro esteja usando também algum oportunismo. Em sua reportagem intitulada “Bolsonaro do Brasil nega ligações com o estrategista Steve Bannon” em outubro passado, a Associated Press, que é o maior serviço noticioso internacional, disse: “O candidato presidencial Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira que sua campanha não tem ligações com o ex-estrategista Steve Bannon.”
Mas parece que Bolsonaro não está sendo transparente com seus eleitores. O parceiro de Bannon, Mischael Modrikamen, disse à revista brasileira Crusoé em maio de 2019: “Durante a campanha de Jair Bolsonaro, Steve Bannon deu conselhos para equipe do brasileiro.”
Por que Bolsonaro negou e escondeu suas conexões reais com Bannon durante sua campanha? O que é óbvio é que Bolsonaro está escondendo a atividade de Bannon no Brasil. Eu, como milhões de eleitores evangélicos de Bolsonaro, não estou vendo Bolsonaro dizer a verdade. E como evangélico tenho preocupações sobre o Evola americano e seu fascismo esotérico.
A questão real é: Bannon e Carvalho ajudaram a eleger Bolsonaro?
Escrevendo para a Oxford University Press (Imprensa da Universidade de Oxford), o escritor Mark Sedgwick disse sobre Trump e Bolsonaro:
Alguns apontam para semelhanças nos eleitorados que ajudaram os dois presidentes a chegar ao poder. Ficou famoso que 81% dos evangélicos brancos dos EUA votaram em Donald Trump em 2016, e também tem sido argumentado que Jair Bolsonaro deve sua presidência aos eleitores evangélicos brasileiros. Os evangélicos são um grupo cada vez mais importante no Brasil, onde a Igreja Católica continua a perder membros.
Bolsonaro, em contraste, chegou ao poder sem ajuda de Carvalho…
Embora os papéis de Bannon e Carvalho sejam um pouco diferentes, não é errado chamar Carvalho de “Bannon do Brasil.”
Então, os evangélicos brasileiros estão sendo ludibriados por um Bolsonaro ludibriado por dois Evolas para tornar o tradicionalismo guenoniano grande novamente? Eles foram ludibriados, mas não em massa, porque há algumas vozes evangélicas clamando no deserto. Em contraste, os católicos estão sendo ludibriados em massa pela mensagem tradicionalista do Evola brasileiro.
Dois Evolas, Bannon e Carvalho, transformaram o Brasil, através do governo Bolsonaro, em um grande laboratório revolucionário, sequestrando movimentos conservadores católicos e explorando a vitória política às custas de eleitores evangélicos.
Apesar de hoje Carvalho, com a propaganda de Bolsonaro, se apresentar como a força decisiva na vitória de Bolsonaro, Benjamin Harnwell disse sobre trazer evangélicos ao seu movimento guenoniano exatamente porque até ele, que está diretamente ligado a Bannon, sabe que os evangélicos, não Carvalho, foram tal força decisiva. Ele disse: “A aliança com os evangélicos pode ser a resposta que procuramos… Eu ficaria muito feliz em poder trabalhar estreitamente com os evangélicos… Veja, por exemplo, são os evangélicos que estão apoiando o governo Trump, são os evangélicos que são contra o aborto no Brasil… O catolicismo deixou o campo de batalha.”
Carvalho tem feito alguns esforços para usar e explorar alguns evangélicos brasileiros de baixo perfil, mas o televangelista Silas Malafaia, o líder evangélico mais proeminente do Brasil, o chamou de astrólogo recentemente.
Contudo, diferente de Bannon, que não tem tido apoio de Trump, mas apenas escárnio, Carvalho tem desfrutado do apoio inigualável de Bolsonaro, que está hipnotizado pelo novo Rasputin, assim como o Rasputin original gozava de apoio inigualável do hipnotizado czar russo. Recentemente, um ministro do governo brasileiro, que é um adepto de Carvalho, comparou Bolsonaro com Jesus Cristo depois que Bolsonaro deu a Carvalho o maior prêmio do governo brasileiro.
Nesse sentido, sou um grande fã de Trump, que chamou o “Olavo de Carvalho americano” (Steve Bannon) de oportunista. Vivendo como imigrante brasileiro autoexilado nos EUA há mais de 13 anos, Carvalho se retrata como vítima enquanto usa seu refúgio nos EUA para xingar, atacar e ameaçar suas verdadeiras vítimas. Eu sou uma das suas vítimas. Isso não é oportunismo?
Por causa de sua influência em Bolsonaro, Carvalho, que está com Bannon, conseguiu convencer Bolsonaro a tornar Bannon seu convidado especial em um jantar na embaixada brasileira em Washington em março. Então, nesse jantar especial, Bannon estava de um lado de Bolsonaro e Carvalho de outro, para mostrar a todos como esses dois Evolas são poderosos para ele e seu governo.
Mesmo morando nos EUA há anos, Carvalho não é conhecido nos principais círculos conservadores americanos. Mas seus adeptos estão trabalhando duro para propagandear o culto de sua personalidade nos EUA. O Instituto Acton, do Pe. Robert Sirico, publicou cerca de três artigos elogiando Carvalho. Os artigos foram de autoria de um adepto brasileiro de Carvalho.
O Instituto Acton e Robert Sirico são católicos muito tradicionalistas. A penetração de Bannon e Carvalho entre católicos tradicionalistas mostra como o tradicionalismo guenoniano tem um apelo formidável para os católicos tradicionalistas. Aliás, Bannon também prometeu divulgar Carvalho e suas ideias nos EUA.
Com Bannon e Carvalho no Instituto da Dignidade Humana, os futuros líderes católicos serão doutrinados e formados no tradicionalismo guenoniano, assim como Julius Evola (o Bannon ou o Carvalho da década de 1930) doutrinou nazistas e fascistas no tradicionalismo guenoniano.
Com exceção do Papa Francisco, que disse com razão que esse populismo (o tradicionalismo guenoniano) levará a um novo Hitler, poucos católicos tradicionalistas se importam com influências ocultistas em Bannon ou Carvalho. Em um recente relatório de Robert Moynihan, que discute questões dentro do Vaticano, ele tratou do Instituto da Dignidade Humana, o monastério e Bannon. Havia três grupos de católicos respondendo:
(1) Católicos que apoiam a iniciativa.
(2) católicos profundamente céticos ou opostos à iniciativa.
(3) Católicos que veem os esforços de Bannon como tentativas de restaurar a fé católica em uma Europa pós-cristã cada vez mais secularizada.
No segundo grupo, os católicos profundamente céticos ou opostos usaram meus artigos para questionar as conexões de Bannon e Carvalho com Guénon. Eles viram a iniciativa de Bannon como ocultista.
Fico feliz em ajudar os católicos a identificarem raízes ocultistas em movimentos supostamente “conservadores.” Desde a década de 1980, tive contato com o Pe. Paul Marx, o fundador de Human Life International (HLI), que era a maior organização católica pró-vida no mundo. Além de sua principal missão pró-vida, HLI também distribuia livros contra a Nova Era, inclusive livros evangélicos. Tenho estes livros ainda hoje e posso testificar o quão sério o Pe. Marx era contra a Nova Era.
O tradicionalismo guenoniano de Bannon e Carvalho é basicamente “conservadorismo” da Nova Era. É apenas o outro lado da mesma moeda ocultista. Se ele estivesse vivo hoje, o Pe. Marx provavelmente conseguiria identificar isso com facilidade.
Expulso e ridicularizado por Trump como um oportunista, Bannon provavelmente nunca mais será aceito entre os republicanos conservadores nos EUA, mas em vez disso ele se tornou uma eminência parda nos movimentos católicos dentro e fora da Igreja Católica. Nigel Farage, líder do Brexit que tem sido lisonjeado por Bannon, não tem vergonha de retribuir a Bannon: ele o chamou de “o maior pensador político e ativista no mundo ocidental hoje.”
Bannon tem também lisonjeado outros movimentos conservadores na Europa para receber deles lisonjas iguais. Todos os conservadores europeus enfeitiçados por Bannon não estão impressionados com suas credenciais, que nunca são mostradas. A única credencial usada para atrair conservadores europeus é que ele era “estrategista de Trump.” Assim, embora Bannon não o tenha ajudado, pela confissão de Trump, a vencer as eleições nos EUA, a fama de Trump está ajudando Bannon em sua revolução guenoniana.
Seu “O Movimento” tem sido popular entre católicos na Europa. Seu representante oficial para a América Latina é Eduardo Bolsonaro, filho do presidente brasileiro.
Como Bannon pretende ampliar “O Movimento”? Uma maneira é a intenção de Bannon de estabelecer o que ele chama de “Academia do Ocidente Judaico-Cristão” no monastério que ele pretende reutilizar como uma “escola de gladiadores para guerreiros culturais.”
Por trás do título cristão pomposo, há intenções ocultistas.
Em uma reportagem sobre Bannon, o jornal israelense Haaretz disse que evangélicos americanos estão despejando milhões de dólares em grupos religiosos europeus de direita ligados a Bannon. Os evangélicos americanos deveriam investigar isso porque milhões de dólares deveriam ser investidos em boas causas evangélicas, não em causas ocultistas.
Por que financiar causas ocultistas com dinheiro evangélico se há boas causas evangélicas em necessidade de apoio financeiro? Eu mesmo, com sete filhos, estou em extrema necessidade de tal apoio. Scott Lively, Peter LaBarbera e Mike Heath são outros evangélicos que merecem apoio financeiro em massa.
O Haaretz disse: “O movimento transatlântico que Bannon representa agora, não importa quão desajeitadamente ou quanto representa como resultado de suas relações públicas, está se juntando mundialmente com outros populistas de direita, especialmente os que se beneficiam do apoio crucial dos evangélicos de direita.”
Os evangélicos americanos precisam, o mais rapidamente possível, investigar como dinheiro evangélico americano está sendo canalizado para contatos de Bannon envolvidos na revolução guenoniana.
O Haaretz também comentou: “Bannon é uma massa de contradições, um auto-marqueteiro supremo e narcisista, cujas visões grandiosas são muitas vezes miragens ou histeria.”
Isso é uma característica guenoniana? Porque ao descrever Bannon, o Haaretz também descreveu, sem saber, Olavo de Carvalho, que é tão narcisista quanto Bannon.
O Haaretz acrescentou: “Creditar a Bannon sozinho pelos sucessos crescentes da cruzada política e religiosa da extrema direita europeia seria internalizar sua própria narrativa como o grande salvador da Europa…” Novamente, o Haaretz também sem saber descreveu Carvalho, que conhece os truques guenonianos. Ele repete tantas vezes para si mesmo e seus adeptos, fazendo-os repetir para si mesmos e para os outros, que ele salvou o Brasil que eles acabam internalizando tal narrativa.
Quando até o presidente brasileiro e seus filhos internalizaram tal narrativa, o problema não é pequeno. É enorme.
Graças a Deus, Trump não internalizou a narrativa guenoniana de Bannon.
Bannon está incessantemente construindo a oposição ao Papa Francisco através de seu Instituto da Dignidade Humana. Mas o que os católicos conservadores, inclusive Raymond Burke e Austin Ruse, não estão vendo é que a vitória de Bannon não será uma verdadeira vitória católica conservadora. Será o mesmo tipo de “vitória” que o Bannon ou o Carvalho da década de 1930 (Julius Evola) conseguiu ao inspirar e influenciar o avanço do fascismo e do nazismo.
Depois de Evola, esta é a primeira vez em que os devotos de Guénon tiram proveito de causas populistas para influenciar governos. Com o exemplo de Evola, Bannon e Carvalho tornaram-se eminências pardas em governos.
Ao tirar vantagem do medo do marxismo, Evola sabotou o verdadeiro conservadorismo. De maneira semelhante, o movimento de Bannon sabota o verdadeiro conservadorismo e o Cristianismo, que não tolera o ocultismo, seja em sua forma de ativismo político de esquerda ou de direita. Os verdadeiros cristãos conservadores têm a responsabilidade de sabotar a manobra ocultista do sabotador contra eles.
Há casos em que um remédio é pior do que uma doença. Embora o “conservadorismo” de Bannon seja apresentado como o “remédio” contra o socialismo do papa, não é um remédio de forma alguma. É tão maligno, prejudicial e mortal quanto o marxismo, porque o ocultismo, mesmo em sua forma de ativismo político, não é um remédio. É outra doença mortal.
Se os cristãos conservadores não conseguirem identificar e confrontar a onda de devotos de Guénon e seu tradicionalismo influenciando movimentos populistas e governos na Europa e no Brasil e encorajar os presidentes a se livrar deles, assim como Trump fez com Bannon, nossa era vai acabar realmente produzindo uma idade de ouro para intelectuais fascistas esotéricos.
Com informações de The Intercept, NBC News, Robert Moynihan Report, Haaretz, The Guardian e Financial Times.
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Um comentário :

Flávio disse...

Com o crescimento do tradicionalismo de Bannon os conservadores de verdade sofrerão, pois serão vistos como se fossem todos fascistas.