6 de maio de 2019

Olavista compara Bolsonaro com Jesus Cristo depois que Bolsonaro deu a Olavo de Carvalho a condecoração mais elevada do governo brasileiro


Olavista compara Bolsonaro com Jesus Cristo depois que Bolsonaro deu a Olavo de Carvalho a condecoração mais elevada do governo brasileiro

Julio Severo
Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores indicado por Olavo de Carvalho, parece ter ficado tão emocionado com uma condecoração que o Presidente Jair Bolsonaro deu ao seu “mestre” que apenas três dias depois da homenagem, numa cerimônia do Instituto Rio Branco, ele chorou em seu discurso ao comparar Bolsonaro com Jesus Cristo. Ele disse:
“A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular do edifício. A pedra que a imprensa rejeitou e que os intelectuais rejeitaram; que os artistas rejeitaram e que os autoproclamados especialistas rejeitaram, ela tornou-se a pedra angular do edifício, o edifício do novo Brasil.”
A declaração de Ernesto, embora adaptada, é uma referência à passagem da Bíblia em Atos 11:4, que diz: “Esse Jesus, pedra que foi desprezada por vós, edificadores, tornou-se a pedra angular.”
Já que Bolsonaro permitiu que o olavista Ernesto elevasse seu “mestre” Olavo às maiores alturas governamentais, em gratidão profunda Ernesto elevou Bolsonaro às mais elevadas alturas celestiais.
Enquanto Carvalho, reconhecido como Rasputin de Bolsonaro, xinga os militares e outros membros do governo sem parar, eis que Bolsonaro o agraciou com a mais elevada condecoração do governo brasileiro: o grau Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco.
Pelo nome de aparência maçônica, Carvalho nunca rejeitaria tal homenagem, que soa tão esotérica quanto ele.
Os militares, que já estavam aborrecidos com os xingamentos de Carvalho, ficaram ainda mais descontentes ao verem o xingador sendo premiado pelo homem que devia defender seu governo e as Forças Armadas e condenar diretamente o xingador.
Várias são as explicações para a condecoração. Uma delas é que a intenção do presidente foi tentar “apaziguar” a briga entre olavistas e militares dentro do governo. De nada adiantou. Carvalho, que é um imigrante autoexilado nos EUA há mais de 13 anos, continuou xingando os militares como se nada tivesse acontecido. Em 4 de maio de 2019, quatro dias depois de receber a condecoração, Carvalho disse que o General Carlos Alberto dos “Santos Cruz é apenas uma bosta engomada.” Outros militares também foram xingados de qualificativos não menos sujos.
Entre suas ações honrosas, o General Santos Cruz, que é hoje Ministro-Chefe da Secretaria de Governo, combateu grupos terroristas islâmicos entre a República do Congo e Uganda. Talvez, já tendo participado de grupos ocultistas islâmicos e ganho prêmio da ditadura islâmica da Arábia Saudita por uma biografia de Maomé que ele escreveu, Carvalho, que já decorou o Corão em árabe, se sentiu ofendido com as ações militares de Santos Cruz contra muçulmanos.
Pode ser que a revolta e xingamentos de Carvalho contra os militares sejam porque durante o governo militar, que prendia indivíduos envolvidos em subversão comunista, ele e sua atual esposa foram presos. Embora os registros da prisão de Carvalho contenham a informação de que ele estava envolvido em atividades sexuais imorais numa tariqa islâmica, fontes ligadas aos militares informam que todas as outras informações sobre ele desapareceram misteriosamente.
Outra explicação vem dos olavistas, que dizem que a homenagem dada por Bolsonaro é um “reconhecimento à contribuição singular que o Olavo deu para a criação do movimento conservador, que tornou possível o declínio da esquerda e a própria vitória dele (Bolsonaro).” Bolsonaro teria então dado a condecoração máxima para mostrar aos olavistas dentro do governo que o guru deles tem prestígio máximo do presidente.
No entanto, a visão olavista que retrata Carvalho como “salvador” vai contra a realidade. J.R. Guzzo, jornalista da revista Veja, disse em um tuíte de 13 de janeiro de 2019:
“O fato puro, simples e sem enfeites, é o seguinte: os evangélicos são hoje a maior força anti-esquerda do Brasil. São mais fortes, mais numerosos e mais ativos que as três Forças Armadas juntas. Nunca houve isso. A esquerda não tem a menor ideia de como ganhar essa parada.”
Ao ser perguntado por jornalistas sobre suas razões para condecorar seu Rasputin, Bolsonaro se esquivou dizendo: “Quando eu assinei a relação, eu não vi quem era de esquerda ou de direita. Se bem que houve um filtro do Itamaraty e não vetamos nenhum nome. Passou pelo filtro e eu não vetei ninguém.”
O principal filtro do Itamaraty, que é o ministério das Relações Exteriores, é seu diretor, Ernesto Araújo, olavista que é tão dedicado nos estudos do Rasputin que absorveu uma das maiores referências literárias recomendadas por ele: o ocultista islâmico René Guénon, que fundou a Escola Tradicionalista para combater o marxismo. O maior discípulo de Guénon foi Julius Evola, que assessorou o fascismo italiano e o nazismo alemão. Tanto Guénon quanto Evola são citados de forma positiva por Araújo como base de seu “conservadorismo.”
Deixar então nas mãos de Araújo a decisão de aprovar o nome de Carvalho na condecoração mais elevada do governo brasileiro é a mesma coisa que deixar nas mãos de um petista a decisão de aprovar o nome de Lula. O resultado é o mesmo. Guiados pelo fanatismo ideológico, os adeptos elevam seus mestres às alturas.
Além de Carvalho, 35 pessoas que ocupam cargos governamentais elevados receberam a distinção de Grã-Cruz. Mas chamou a atenção que Carvalho foi o único a não atender aos critérios que constam do mesmo regulamento citado pelo Itamaraty. Segundo a norma, podem ser agraciados com esse título no quadro suplementar da Ordem o presidente da República, o vice, os presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado e do Supremo Tribunal Federal, além de ministros de Estado, governadores, almirantes, marechais, generais, tenentes-brigadeiros, embaixadores estrangeiros e outras personalidades de hierarquia equivalente.
Talvez, sem que ninguém saiba, Carvalho já ocupe um cargo na condição secreta que ele mais gosta: na condição esotérica e ocultista. Essa é a mesma condição do Rasputin original, que influenciou negativamente o czar conservador e direitista da Rússia que, de tão cego de paixão por seu “conselheiro,” acabou deixando seu governo fraco para as investidas dos comunistas.
Líder do partido de Bolsonaro na Câmara, o deputado Delegado Waldir (PSL-GO) mostrou também descontentamento com a condecoração para agradar aos olavistas no governo. Ele disse sobre Carvalho: “Pra mim é um louco varrido, um macumbeiro, feiticeiro, um astrólogo. É tudo isso. Uma pessoa que ataca o meu partido ataca os meus parlamentares, ataca o meu governo, tendo indicado dois ministros? Então fecha a boca.”
Além da homenagem polêmica a Carvalho, Bolsonaro também condecorou dois de seus filhos com a Ordem do Rio Branco.
Foi um choque ver os filhos de Bolsonaro também sendo homenageados. Mas paixão de pai por filhos é às vezes invencível. Contudo, o que explicar a homenagem a Carvalho, que não atendeu aos critérios legítimos da condecoração?
Bolsonaro diz que admira o Presidente Donald Trump dos Estados Unidos, mas essa admiração parece não ir muito longe. Trump não se apaixonou por Steve Bannon, adepto de Guénon. Em vez de condecorações, Trump o chamou de oportunista e o expulsou da Casa Branca. Hoje, Bannon é persona non grata no governo americano.
Em contraste, Bolsonaro se apaixonou por Olavo de Carvalho, também adepto de Guénon. Em vez de chamá-lo de oportunista e expulsar a influência dele do governo, Bolsonaro o condecorou com a ordem máxima, só dada a homens em cargos elevados. Mas paixão é paixão: Faz o impossível pelo amado.
Hoje, Bannon e Carvalho são amigos e aliados. A diferença é que enquanto Bannon — o “Olavo americano” — tem o total desprezo de Trump, Olavo — o “Bannon brasileiro” — tem a total paixão de Bolsonaro, que prefere ficar em silêncio vergonhoso enquanto seu Rasputin xinga vários membros de seu governo.
O Rasputin xinga também os evangélicos, que foram a principal base de apoio eleitoral de Bolsonaro. Quando Eduardo Bolsonaro deslumbradamente disse que “sem Olavo, não haveria a eleição de Jair Bolsonaro,” o televangelista Silas Malafaia, o líder evangélico mais importante do Brasil, disse que tal afirmação é simplesmente ridícula.
Malafaia acrescentou: “Se dependesse de Olavo de Carvalho nem para vereador Bolsonaro conseguiria vencer. No voto para presidente, Bolsonaro teve dos evangélicos mais de 11 milhões de votos em relação ao que Haddad recebeu dos evangélicos.”
Nem eu, como escritor evangélico com histórico de décadas de luta pró-vida, tenho escapado dos xingamentos e ameaças de Carvalho, que se sente tão próximo de Bolsonaro que pediu publicamente para que a Polícia Federal me investigue sob a alegação de que minhas denúncias contra ele envolvendo a Inquisição e ocultismo são conluios pagos pelo governo russo que ameaçam segurança nacional.
Sem xingamentos e ameaças aos evangélicos, Steve Bannon foi chamado de oportunista, traidor e enxotado da Casa Branca, imagine então se o “Olavo americano” tivesse xingado os evangélicos americanos, que foram a principal base eleitoral de Trump!
Se os evangélicos foram fundamentais para a eleição de Trump, o que eles foram para Bolsonaro? De acordo com declaração gravada de Bolsonaro em março para a Rede de Televisão Cristã dos EUA, cujo dono é Pat Robertson, “os evangélicos foram fundamentais para a minha eleição.”
Por que então, em vez de chamar Carvalho de oportunista, traidor e enxotar a influência dele do governo — imitando assim a nobre atitude de Trump —, Bolsonaro premiou o oportunista que xinga militares, evangélicos e todos os que apoiaram a eleição dele? Por que incentivar um narcisista megalomaníaco mentiroso que quer a todo custo avançar o culto de sua personalidade?
Votei em Bolsonaro, mas prefiro ficar do lado de Trump no que se refere a dar aos adeptos de Guénon o que eles merecem. Dá para ficar do lado de Bolsonaro nessa paixão louca pelo Rasputin?
Foi essa mesma paixão louca que levou Ernesto Araújo a chamar Bolsonaro de “pedra angular” — título bíblico dado exclusivamente a Jesus Cristo.
Ao que tudo indica, Ernesto fez com Bolsonaro o que ele fez com Trump. Num artigo diplomático, ele louvou Trump como um modo estratégico de louvar a revolução guenoniana de Steve Bannon no governo Trump. Pode ser que o louvor dele a Bolsonaro seja um modo estratégico de louvar a revolução guenoniana de Olavo de Carvalho no governo de Bolsonaro.
Entretanto, a diferença é óbvia. Enquanto Bannon não tem nenhum espaço no governo Trump, Carvalho tem indicado seus adeptos para o governo Bolsonaro. Ele indicou o ministro das Relações Exteriores. Ele indicou o ministro da Educação anterior, que detestava Trump e amava Hillary Clinton. Ele indicou o atual ministro da Educação, que detesta e ama o socialismo ao mesmo tempo! Se há uma revolução guenoniana no governo brasileiro — cheia de confusões e caos —, não dá para dizer a mesma coisa do governo americano.
Tudo o que Bannon queria de Trump, e Trump nunca deu, Bolsonaro deu para Carvalho.
Se Bolsonaro está sendo usado por Carvalho e Bannon como “pedra angular” da revolução guenoniana no Brasil, não dá para dizer que eles conseguiram usar Trump como “pedra angular” da revolução guenoniana nos EUA.
Cristãos nunca comparam homens a quem eles admiram com Jesus Cristo. Eles nunca chamam meros homens mortais de “pedra angular,” messias ou salvador. Nunca.
Mas ocultistas, mesmo quando se consideram cristãos nominais, fazem isso e muito mais. Todo ocultista deturpa a Bíblia.
O resultado da ação ocultista de guenonianos foi que Bolsonaro recebeu uma homenagem que nenhum homem merece depois que ele deu ao Rasputin, por pura bajulação e paixão ideológica, uma homenagem que nenhum brasileiro sem cargo elevado merece.
Contudo, nesta altura, se Bolsonaro revogar a condecoração imerecida, olavistas não vão mais compará-lo com Jesus Cristo. Vão compará-lo com Satanás.
Seja como for, comparar homens com o Deus Jesus Cristo é uma porta aberta para Satanás trabalhar. Mas a especialidade de ocultistas não é exatamente essa, abrir portas para Satanás?
Até quando os olavistas vão comparar Bolsonaro com Jesus? Sabe-se que eles veem seu Rasputin como o “salvador do Brasil.” Mais cedo ou mais tarde, haverá um conflito de egos ou ideologias entre o “salvador do Brasil” e a “pedra angular.”
Com informações da revista Época e GospelPrime.
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4 comentários :

Alexandre disse...

Pelo que o Bolsonaro vem fazendo em relação aos que votaram nele, principalmente os evangélicos, diria que ele tá mais pra Judas Iscariotes.

J. SSousa disse...

Mais cedo ou mais tarde, haverá um conflito de egos ou ideologias entre o “salvador do Brasil” e a “pedra angular.”
Uma profecia?

Fábio Júnior disse...

Esse Steven Bannon é um jesuíta coadjutor, está no lado direito (tesis) na dialética hegeliana e o papa Francisco também jesuíta no lado esquerdo (antitesis) para chegar na sintesis (NOM).

Eliseu Antonio Gomes disse...

Eu ainda não consegui entender o que este tal de olavo de carvalho faz de tão importante para receber honrarias, eu só vejo nele atos que merecem manifestação de repúdios.