16 de março de 2019

Steve Bannon, expulso por Trump por vazamento de informações e autopromoção, será o convidado especial de Jair Bolsonaro na véspera da reunião do presidente brasileiro com o Presidente Trump na Casa Branca


Steve Bannon, expulso por Trump por vazamento de informações e autopromoção, será o convidado especial de Jair Bolsonaro na véspera da reunião do presidente brasileiro com o Presidente Trump na Casa Branca

Julio Severo
Steve Bannon, ex-assessor da Casa Branca que foi expulso pelo Presidente Donald Trump por vazar informações confidenciais e autopromoção, será o convidado especial de Jair Bolsonaro para um jantar oficial na segunda-feira, na véspera da reunião do presidente brasileiro com Trump na Casa Branca.
Bannon, que tem assessorado Eduardo, filho de Bolsonaro, estará entre um grupo de convidados de direita que se juntarão a Bolsonaro em jantar para o evento exclusivo na residência do embaixador brasileiro.
Bolsonaro estará em Washington na próxima semana, onde se encontrará com Trump no Salão Oval. Suas discussões incluirão comércio, crime transnacional e a restauração da democracia na Venezuela.
Bolsonaro não fez segredo de seu desejo de estabelecer laços estreitos com os Estados Unidos. O conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton, e outros funcionários de Trump levantaram a possibilidade de um acordo de livre comércio entre as duas nações.
Trump demitiu Bannon em 2017. Em sua carta pública sobre a demissão, Trump disse:
Steve Bannon não tem nada a ver comigo ou com minha presidência. Quando foi demitido, ele não só perdeu o emprego, ele perdeu também a cabeça…
Steve teve muito pouco a ver com nossa vitória histórica… Steve não representa minha base, ele só está nisso para se autopromover.
Steve finge estar em guerra com a mídia, que ele chama de partido de oposição, mas ele passava seu tempo na Casa Branca vazando informações falsas para a mídia para se fazer parecer mais importante do que ele era. Essa é a única coisa que ele faz bem. Steve raramente estava em uma reunião frente a frente comigo e só finge ter tido influência para enganar algumas pessoas sem acesso e que não entendem, pessoas a quem ele ajudou a escrever livros fajutos.
Bannon, como convidado especial de Bolsonaro na embaixada brasileira em Washington, provocou a manchete da revista Veja “Jantar de Bolsonaro com Bannon nos EUA é bofetada no governo de Trump,” em uma reportagem que disse “A inclusão de Bannon entre os convivas do jantar na embaixada é uma quebra de protocolo com o país anfitrião.”
Bolsonaro deveria se colocar no lugar de Trump. Será que ele acharia respeitoso se Trump, em uma viagem oficial ao Brasil para se encontrar com ele, se encontrasse primeiro com um homem demitido por Bolsonaro por vazar informações confidenciais e autopromoção?
De acordo com a Veja, o evento exclusivo de Bolsonaro para Bannon acontecerá sob a influência do astrólogo Olavo de Carvalho, que há 15 anos é um imigrante autoexilado nos EUA, e Eduardo Bolsonaro.
Bannon e Carvalho tiveram dois encontros em janeiro passado. Ambos têm o mesmo histórico: Eles foram inspirados por René Guénon, um ocultista islâmico que fundou a Escola Tradicionalista para promover o conservadorismo esotérico e combater o marxismo. Bannon, Carvalho e Guénon vieram do mesmo histórico católico.
Depois de ser demitido por Trump, Bannon criou um movimento para influenciar direitistas na Europa e na América Latina. Ele teve seu primeiro encontro público com Eduardo Bolsonaro em agosto de 2018. Quando perguntado pela imprensa internacional, Jair Bolsonaro negou qualquer vínculo com Bannon.
No final de novembro, os dois se encontraram novamente: Eduardo Bolsonaro participou da festa de aniversário de Bannon.
E em janeiro passado, Bannon escolheu Eduardo como diretor de seu movimento no Brasil e na América Latina. “O Movimento tem a honra de receber Eduardo Bolsonaro como um parceiro ilustre e o Brasil como um aliado-chave na América do Sul,” disse Bannon.
Como parte de seu esforço para expandir seu movimento e estabelecer uma base estratégica para a visita de Bolsonaro aos EUA, Bannon está impulsionando Carvalho convidando oficialmente as pessoas para um hotel em Washington DC, em 16 de março, para a exibição do filme de Carvalho, que tem várias características da Nova Era. Seu filme foi lançado oficialmente nos Estados Unidos em 2017, mas não houve público americano disposto a assisti-lo.
O encontro de Bolsonaro com Bannon não é apenas incômodo para Trump, que teve problemas e conflitos com Bannon. É também incômodo para os evangélicos brasileiros, que tiveram grande influência na vitória de Bolsonaro, mas agora eles têm apenas de observar Bolsonaro dando oportunidades e espaço para Carvalho e suas “indicações” — às custas dos evangélicos. Agora eles terão de observar Bannon obtendo também espaço para tais privilégios — novamente, às custas dos evangélicos?
Menos espaço para os evangélicos significa apenas uma coisa: mais espaço para a influência de Carvalho e Bannon.
Resta ver o que Trump e os líderes evangélicos vão pensar sobre Carvalho e Bannon, dois adeptos de um ocultista islâmico, obtendo exclusividade de Bolsonaro.
Com informações da McClatchyDC, PR Newswire e Veja.
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