25 de janeiro de 2019

Steve Bannon e Olavo de Carvalho juntos: dois ocultistas promovendo um “conservadorismo” ocultista


Steve Bannon e Olavo de Carvalho juntos: dois ocultistas promovendo um “conservadorismo” ocultista

Julio Severo
Quinta-feira passada, Steve Bannon visitou Olavo de Carvalho em sua casa. Os adeptos de Carvalho no Brasil comemoraram essa visita como evidência de que ele está se aproximando da Casa Branca, porque eles acham que Bannon está muito próximo de Trump.
Olavo de Carvalho visitindo Steve Bannon
E na última sexta-feira, Carvalho visitou Bannon em sua casa. E novamente os adeptos de Carvalho no Brasil comemoraram essa visita como evidência de que ele está se aproximando da Casa Branca, porque eles acham que Bannon está muito próximo de Trump.
Steve Bannon visitindo Olavo de Carvalho
O que Bannon e Carvalho têm em comum? Tradicionalismo. Mais especificamente, o tradicionalismo do ocultista islâmico René Guénon, admirado por Bannon e Carvalho.
Carvalho está realmente se aproximando de Trump ao se aproximar de Bannon? O que Trump tem a ver com Bannon? De acordo com o próprio Trump, nada. Trump disse:
Steve Bannon não tem nada a ver comigo ou com minha presidência. Quando foi demitido, ele não só perdeu o emprego, ele perdeu também a cabeça. Steve era um funcionário que trabalhava para mim depois de eu já ter ganhado a indicação ao derrotar dezessete candidatos…
Agora que ele está sozinho, Steve está aprendendo que ganhar não é tão fácil quanto eu faço parecer. Steve teve muito pouco a ver com nossa vitória histórica… Steve não representa minha base, ele só está nisso para se autopromover.
Steve finge estar em guerra com a mídia, que ele chama de partido de oposição, mas ele passava seu tempo na Casa Branca vazando informações falsas para a mídia para se fazer parecer mais importante do que ele era. Essa é a única coisa que ele faz bem. Steve raramente estava em uma reunião frente a frente comigo e só finge ter tido influência para enganar algumas pessoas sem acesso e que não entendem, pessoas a quem ele ajudou a escrever livros fajutos.
Essa é a carta oficial de Trump sobre Bannon publicada no ano passado. Em resumo, com sua experiência, Trump definiu Bannon como um oportunista traiçoeiro.
Com a minha experiência, posso fazer o que Trump fez e também definir Carvalho como um oportunista traiçoeiro. Não há outra definição adequada para Bannon e Carvalho. Não há outra definição adequada para os guenonianos e outros ocultistas.
Embora Carvalho e Bannon se retratem como “católicos,” suas atividades e ideias traem suas aparências católicas. Mas não traem sua natureza guenoniana.
Quando Carvalho visitou Bannon em sua casa, o jantar começou com a tradicional oração cristã “Pai Nosso.” As fotos das reuniões foram feitas por Josias Teófilo, que em sua conta no Twitter disse:
“Grande momento do jantar na Breitbart Embassy foi quando Steve Bannon (que é católico) pediu para Olavo de Carvalho fazer uma prece antes da refeição, e Olavo começou a rezar um Pai Nosso, ao que foi seguido por todos. Fiz essa foto abaixo nesse momento.”
Teófilo é tão alienado quanto os outros adeptos de Carvalho, os quais acham que Bannon está próximo de Trump. Teófilo acha que a casa de Bannon ainda é sede da Breitbart, a qual realmente era no passado. Mas depois que Trump expulsou Bannon, o Breitbart também se livrou dele.
A oração “Pai Nosso” é evidência de que Bannon e Carvalho são cristãos? A oração “Pai Nosso” é sinal de que aqueles que a rezam são cristãos? Não no Brasil. O Brasil é a maior nação católica do mundo e seu catolicismo é sincrético. Em seu sincretismo, os católicos brasileiros vão à missa católica no domingo e vão a rituais abertamente e não tão abertamente satânicos em outros dias.
O médium espírita brasileiro “João de Deus” também rezava frequentemente o “Pai Nosso,” como confirmado por uma de suas vítimas sexuais no jornal brasileiro Metropoles em uma reportagem intitulada “João de Deus rezava o Pai Nosso cheio de más intenções.” Anos atrás ele foi louvado por Oprah Winfrey e agora ele se tornou um caso de polícia enquanto mais de 500 mulheres, até o momento, relatam que foram vítimas de seus abusos sexuais.
Ele fazia suas operações espíritas e abusos sexuais nas dependências de sua organização, chamada “Casa Dom Inácio de Loyola,” um nome distintamente católico, assim como “João de Deus” é um nome católico. Assim, em um Brasil católico sincrético, onde um médium espírita estupra centenas de mulheres, nomes católicos e o “Pai Nosso” não são evidência de Cristianismo real. Pelo contrário, são evidências de que os ocultistas sabem usar nomes e práticas católicas para enganar os ingênuos.
“João de Deus,” que foi louvado por dois presidentes brasileiros e muitas celebridades brasileiras, sabia rezar o “Pai Nosso” e abusar de meninas e mulheres ao mesmo tempo.
Os presidentes brasileiros, que são tradicionalmente católicos, e as celebridades brasileiras tradicionalmente valorizam os ocultistas. Todos eles têm seu ocultista “católico” favorito.
Vulnerabilidade ao sincretismo é parte da cultura católica brasileira. Aliás, é impossível entender o catolicismo brasileiro sem entender o sincretismo. O próprio Josias Teófilo é um adepto da teosofia, que é uma mistura de filosofia e ocultismo. Ele produziu o filme “O Jardim das Aflições,” cuja estreia em Nova Iorque em 2017 não atraiu a presença do público americano. O filme é um esforço para oferecer um culto cinematográfico à personalidade de Carvalho.
Então, quando Teófilo disse que o jantar de Bannon com Carvalho “é a Nova Era,” ele disse exatamente o que ele queria dizer. Teosofia e todo tipo de filosofia ocultista são parte integrante do movimento ocultista que veio a ser conhecido como Nova Era.
Bannon não é o único adepto de Guénon nos EUA em contato com Carvalho. Wolfgang Smith é outro contato. Todos eles têm em comum uma aparência “católica” e são adeptos de Guénon, que também havia sido católico, mas se converteu ao esoterismo islâmico.
Portanto, ninguém mais qualificado para definir suas reuniões como Nova Era do que Teófilo.
A Nova Era, com sua capa de tradicionalismo, está hipnotizando líderes católicos e sequestrando movimentos conservadores e nacionalistas em todo o mundo.
Jair Bolsonaro, o novo presidente brasileiro, é um exemplo. Segundo a imprensa americana, brasileira e israelense, sua vitória foi especialmente graças aos evangélicos — um fenômeno que também aconteceu na eleição de Trump. Mas Bolsonaro está hipnotizado. Ele e seus filhos propagandeiam Carvalho como vital para sua eleição, como só os adeptos de uma seita estranha poderiam fazer, embora alguns adeptos de Carvalho tenham admitido publicamente que a atual onda conservadora no Brasil é evangélica.
J.R. Guzzo, jornalista da revista Veja, disse em um tuíte de 13 de janeiro de 2019:
“O fato puro, simples e sem enfeites, é o seguinte: os evangelicos são hoje a maior força anti-esquerda do Brasil. São mais fortes, mais numerosos e mais ativos que as três Forças Armadas juntas. Nunca houve isso. A esquerda não tem a menor ideia de como ganhar essa parada.”
Guzzo é admirador de Carvalho. Mas nos casos em que a admiração é superada pela adesão cega, tudo o que os adeptos podem ver é Carvalho como “o homem que salvou o Brasil”. Isso poderia também ter acontecido nos EUA com Bannon, mas Trump foi capaz de ver na hora que Bannon era um oportunista traiçoeiro. O que está impedindo que Bolsonaro alcance o nível de discernimento de Trump?
Enquanto Bolsonaro e muitos outros católicos são incapazes de ver os oportunistas traiçoeiros que estão sequestrando movimentos conservadores e nacionalistas em todo o mundo, vamos comparar algumas características que tornam os adeptos de Guénon tão traiçoeiros e oportunistas. Especificamente, vamos comparar Bannon, chamado por Trump de oportunista traiçoeiro, com Carvalho, para ver se eles são diferentes.
O livro “Barganha do Diabo: Steve Bannon, Donald Trump e a Invasão da Presidência” (Penguin Publishing Group, 2017), do escritor Joshua Green, pode nos dar algumas dicas.
“Barganha do Diabo” disse sobre Bannon: “Embora mal seja um conservador social moralizador, ele se opôs amargamente ao liberalismo secular invadindo a cultura.”
Não diferente de Carvalho, conhecido por sua boca suja, que argumenta que a homossexualidade é natural. Sua “oposição” à agenda homossexual é uma ideia estranha de que, assim como a homossexualidade não pode ser imposta, o sexo masculino/feminino também não pode ser imposto.
“Barganha do Diabo” disse: “Bannon… trouxe ao tradicionalismo de Guénon uma forte dose de pensamento social católico.”
Não diferente de Carvalho, que tem misturado sua experiência com o tradicionalismo de Guénon com uma forte dose de pensamento católico.
“Barganha do Diabo” disse que Bannon lançou “um esforço para apoiar os tradicionalistas católicos marginalizados pelo novo papa.”
Não diferente de Carvalho, que tem tido sucesso em atrair para o seu movimento católicos tradicionalistas marginalizados pelo Papa Francisco.
“Barganha do Diabo” disse: “Expondo essa visão em uma conferência de 2014 no Vaticano, Bannon uniu Guénon, Evola.”
Não diferente de Carvalho, que tem unido as ideias de Guénon e outros ocultistas tradicionalistas entre os católicos tradicionais.
“Barganha do Diabo” disse: “No verão de 2016, Bannon descreveu Trump como um ‘instrumento bruto para nós.’”
Não diferente de Carvalho, que tem usado Bolsonaro e seus filhos como um instrumento bruto para seu próprio movimento.
“Barganha do Diabo” disse: “Trump também revelou seu próprio apelido para a ideologia nacionalista (e de extrema direita) de Bannon: ‘esquerda alternativa,’ um refrão sobre o termo ‘direita alternativa.’”
Se Trump comparou a ideologia de Bannon como esquerdista, não é diferente do caso de Carvalho. Janaína Paschoal, um membro proeminente do partido de Bolsonaro, expressou preocupação com extremistas entre os seguidores de Bolsonaro, dizendo: “Não se ganha a eleição com pensamento único. E não se governa uma nação com pensamento único.” Ela já havia identificado esses extremistas quando disse: “Olavetes são tão imbecis coletivos como petistas, marxistas e outros istas. Acordem!”
“Barganha do Diabo” disse: “Bannon representava sua própria marca de catolicismo conservador.”
Não diferente de Carvalho, que também representa sua própria marca de catolicismo conservador.
“Barganha do Diabo” disse: “A resposta de Bannon ao surgimento da modernidade foi estabelecer um nacionalismo populista de direita contra ela.”
Não diferente de Carvalho, que lançou seu próprio nacionalismo populista de direita.
“Barganha do Diabo” disse: “Bannon prosperou no caos que criava e fazia tudo o que podia para espalhar esse caos.”
Não diferente de Carvalho, que tem prosperado no caos que cria e faz tudo o que pode para espalhar esse caos.
“Barganha do Diabo” disse sobre o fascínio de Bannon por Guénon: “Guénon desenvolveu uma filosofia muitas vezes mencionada como ‘tradicionalismo,’ uma forma de antimodernismo com conotações precisas. Guénon era um tradicionalista ‘primitivo,’ um crente na ideia de que certas religiões antigas, inclusive a Vedanta Hindu, o Sufismo e o Catolicismo medieval, eram repositórios de verdades espirituais comuns, reveladas nas primeiras eras do mundo, que estavam sendo destruídas com o surgimento da modernidade secular no Ocidente.”
Não diferente de Carvalho, que tem fascínio semelhante por Guénon e é um ávido defensor do catolicismo medieval. Aliás, ele é o mais proeminente defensor brasileiro do revisionismo da Inquisição, uma marca inconfundível do catolicismo medieval. Nesse sentido, como pode Bolsonaro conciliar um governo pró-Israel, para agradar à massa de seus eleitores evangélicos, se a postura pró-Inquisição de seu Rasputin é profundamente perturbadora, desonesta e maliciosa para os israelenses?
Enquanto Carvalho defende obscenamente a Inquisição argumentando que “Os condenados (menos de dez por ano em duas dúzias de países) morriam sufocados em poucos minutos, antes que as chamas os atingissem,” o pai do primeiro-ministro israelense Netanyahu tem um enorme livro de 1.500 páginas provando que milhares de vítimas judias inocentes morriam uma morte excruciante nas mesmas chamas. Israel concorda com Netanyahu. Como Israel poderia concordar com um lunático brasileiro?
“Barganha do Diabo” disse sobre Bannon que ele era “um autodidata voraz” e “embarcou no que descreveu como ‘um estudo sistemático das religiões mundiais,’” acrescentando: “Começando pela história da Igreja Católica Romana… ele avançou para o misticismo cristão e daí para a metafísica oriental… A leitura de Bannon acabou levando-o à obra de René Guénon, um ocultista e metafísico francês do início do século XX que foi criado como católico romano, praticou a maçonaria e mais tarde se tornou um muçulmano sufi.”
Não diferente de Carvalho, que teve as mesmas experiências.
A diferença flagrante é que, embora Bannon tenha passado boa parte de sua vida ganhando dinheiro em Wall Street e Hollywood, Carvalho passou boa parte de sua vida ganhando dinheiro com aulas de astrologia. Com grande experiência em escrever livros ocultistas e dar aulas ocultistas, ele passou seus últimos anos dando aulas não credenciadas de “filosofia” — onde seus adeptos têm estudado por 2, 3, 7, 10 e mais anos, sempre pagando a mensalidade, mas sem esperança de um diploma oficial. Eles são mantidos mistificados por um curso interminável, que é na verdade um culto de adoração à mente de seu criador.
Enquanto Bannon estava na Casa Branca, a manchete de um jornal dos EUA disse: “A era Trump está se transformando em uma era de ouro para intelectuais fascistas esotéricos.” Essa profecia nunca se cumpriu porque Trump expulsou Bannon da Casa Branca.
Lema do fascismo italiano: Mussolini sempre tem razão
Entretanto, alguns jornais brasileiros poderiam com razão ter esta manchete: “A era Bolsonaro está se transformando em uma era de ouro para intelectuais fascistas esotéricos.” Fascista, no que se refere a Carvalho em seus conselhos a Bolsonaro, não é um título impróprio. Um dos lemas principais do fascismo era “Mussolini Tem Razão.” Curiosamente, um dos lemas principais de Carvalho, tediosamente repetido por seus adeptos, é “Olavo Tem Razão.” Por coincidência ou não, um dos conselheiros mais proeminentes de Mussolini era Julius Evola, um adepto de Guénon.
Nunca vi Trump com uma camiseta dizendo “Steve Bannon Tem Razão.” Mas lamentavelmente já vi Bolsonaro com uma camiseta dizendo “Olavo Tem Razão.” Um adepto de Guénon tem em Bolsonaro uma influência que ele não tem em Trump.
Em seu artigo intitulado “Steve Bannon Nunca Foi Muito Esperto,” Bill Scher perguntou: “Como alguém tão politicamente imprudente poderia ter uma reputação de gênio político? Bannon conseguira criar essa imagem graças a este truque simples: impressionar os repórteres com o fato de ler muitos livros.”
Essa é a mesma realidade em relação a Carvalho.
O jornal Daily Beast disse: “Bannon não se identifica como libertário; ele se auto-identifica como um ‘nacionalista’ de direita e anti-globalista, e libertários amplamente detestam Bannon. Mas Bannon já se chamou de ‘leninista,’ em estilo, se não substância ou ideologia.”
Não diferente de Carvalho, no que se refere a Lênin, que disse: “Lênin já sabia que, na política, quem xinga mais sempre leva vantagem.” Carvalho usa Lênin para justificar que seus comentários sujos diários e boca suja são apenas uma “estratégia” de Lênin.
Existem muitas contradições aparentes em Bannon: ele diz que é católico, mas tem um profundo fascínio pelo misticismo e pela metafísica oriental. Ele diz que é contra a invasão islâmica, mas admira muito René Guénon, um ocultista islâmico. Embora já tenha trabalhado no Goldman Sachs — um poderoso banco capitalista —, ele também se descreveu como um “leninista” que queria “destruir o Estado.” “Por um lado, ele critica o capitalismo com um fervor quase marxista; por outro lado, ele é conselheiro de um amigo magnata capitalista imobiliário,” disse Jake Romm, da Forward.
Não diferente de Carvalho, que tem contradições semelhantes, mas não no estilo alta classe de Bannon.
Ao mesmo tempo que Bannon elogia Guénon e outros ocultistas, ele diz que rejeita algumas de suas ideias extremas.
Não diferente de Carvalho, que ao mesmo tempo que elogia Guénon e outros ocultistas, ele diz que rejeita algumas de suas ideias extremistas.
Em seu artigo na revista National Review intitulado “Quem era Steve Bannon?” o autor Kevin D. Williamson disse que Trump disse que “A contribuição de Steve Bannon para sua ascensão e seu sucesso foi grosseiramente exagerada. Bannon posava de tantas coisas — magnata da mídia, agente político astuto e manipulador de olhos frios para o Trump playboy indisciplinado — mas o que ele realmente é é um amador rico com um talento para convencer outros amadores ricos de que ele é um visionário de pensamento profundo. Um desses ricos amadores foi Donald Trump.”
Carvalho tem as mesmas contradições, embora Bannon tivesse uma formação acadêmica real, enquanto Carvalho é autodidata.
No que se refere a conexões tradicionalistas ocultistas, Bolsonaro não está longe de Bannon. Ele tem sido propagandista do astrólogo brasileiro Olavo de Carvalho, que tem como fonte de “tradicionalismo” e “conservadorismo” Guénon, que aliás também é fonte de Bannon. Apesar de sua inspiração e envolvimento guenianos, Bannon e Carvalho igualmente se apresentam como “católicos tradicionalistas.” Dá para dizer que Carvalho é uma espécie de Bannon do terceiro mundo sem sofisticação.
Embora o católico Bolsonaro recebeu apoio em massa de evangélicos, que decidiram sua eleição, ele não tem conseguido se desligar do tradicionalismo guenoniano de Carvalho, enquanto Trump se desligou completamente do tradicionalismo guenoniano de Bannon.
Uma comparação entre Bannon e Carvalho é apropriada não apenas porque eles são espiritualisticamente semelhantes, mas também porque ambos têm algumas conexões com Bolsonaro. Carvalho tem sido amplamente recomendado por Bolsonaro. E Bannon está em contato com Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro Steve Bannon
Embora Carvalho não seja conhecido entre grupos católicos e evangélicos conservadores nos Estados Unidos, ele é conhecido entre os grupos americanos que seguem o tradicionalismo de René Guénon. Aliás, está em produção um documentário, do geocentrista Rick Delano, com tradicionalistas e Carvalho já foi entrevistado para o filme. Os outros tradicionalistas entrevistados são Wolfgang Smith (como Carvalho, um adepto católico de Guénon) e Seyyed Hossein Nasr (um adepto iraniano muçulmano de Guénon).
O encontro entre Bannon e Carvalho pode catapultar Carvalho à fama nacional, nos EUA, entre grupos tradicionalistas e ocultistas, mas não entre grupos conservadores cristãos.
Os adeptos de Guénon veem o “evangelicalismo americano conservador como uma aberração do catolicismo histórico.” Apesar de Bannon nunca ter expressado abertamente tal desdém pelo conservadorismo americano conservador, Carvalho expressou uma série de comentários desdenhosos contra os evangélicos, inclusive seu comentário mais recente dizendo: “As igrejas evangélicas fizeram mais mal ao Brasil do que a esquerda inteira.”
O medo de Carvalho é justificado: onde o evangelicalismo é forte, o guenonianismo é fraco. A forte influência evangélica sobre Trump foi decisiva para expulsar o guenonianismo da Casa Branca.
Com Trump, um guenoniano quase conseguiu um enorme poder político, mas com o Bolsonaro, um guenoniano está conseguindo isso. A última vez que um tradicionalista (outro termo para um guenoniano) chegou tão perto do poder político, diz o autor Mark Sedgwick, “foi Evola com Mussolini.”
O melhor tratamento para os guenonianos veio exatamente através da carta de Trump para Bannon. Vamos examiná-la.
Trump disse: “Steve Bannon não tem nada a ver comigo ou com minha presidência. Quando foi demitido, ele não só perdeu o emprego, ele perdeu também a cabeça. Steve era um funcionário que trabalhava para mim depois de eu já ter ganhado a indicação ao derrotar dezessete candidatos…”
Os guenonianos adoram se exaltar, mas Trump colocou Bannon em seu devido lugar: ele tinha sido apenas um funcionário. E para aqueles, especialmente os adeptos de Carvalho, que adoram dizer que a vitória de Trump foi graças a Bannon, as palavras de Trump são claras: “Steve Bannon não tem nada a ver comigo ou com minha presidência.” E Trump percebeu o óbvio sobre Bannon: “ele perdeu também a cabeça.”
Tenho pena de qualquer presidente, especialmente de Bolsonaro, que se comporta ao contrário de Trump propagandeando guenonianos insinuando que eles têm tudo com ele e sua presidência. Guenonianos têm cabeças perdidas.
Trump disse sobre Bannon: “Agora que ele está sozinho, Steve está aprendendo que ganhar não é tão fácil quanto eu faço parecer. Steve teve muito pouco a ver com nossa vitória histórica… Steve não representa minha base, ele só está nisso para se autopromover.”
Trump tem razão. Agora que Bannon está sozinho, ele não está conseguindo nenhum progresso ou vitória política para si mesmo. Talvez ele esteja esperando que ligando-se a Carvalho ele possa fazer exatamente como Carvalho fez: surfar em Carvalho assim como Carvalho vem surfando na enorme onda evangélica conservadora no Brasil. Trump viu um guenoniano como um oportunista — um surfista que tira vantagem da influência dos outros. Bolsonaro, como um católico sincrético, tem tido muita dificuldade em discernir o seu próprio guenoniano, parecendo adorar deixar um oportunista surfar em sua fama.
Trump disse: “Steve finge estar em guerra com a mídia, que ele chama de partido de oposição, mas ele passava seu tempo na Casa Branca vazando informações falsas para a mídia para se fazer parecer mais importante do que ele era. Essa é a única coisa que ele faz bem. Steve raramente estava em uma reunião frente a frente comigo e só finge ter tido influência para enganar algumas pessoas sem acesso e que não entendem, pessoas a quem ele ajudou a escrever livros fajutos.”
Aqui, muito claramente, Trump descreve o guenoniano Bannon como um homem que finge estar em guerra com a mídia — assim como Carvalho faz ao atacar a mídia esquerdista, mas o tempo todo sendo entrevistado e promovido por ela. Eu poderia dizer que Carvalho segue o método de Bannon, mas isso não é verdade. Ambos seguem o método de Guenon de caos, contradições e subversão.
Trump disse que Bannon “passava seu tempo na Casa Branca vazando informações falsas para a mídia para se fazer parecer mais importante do que ele era. Essa é a única coisa que ele faz bem.” Enquanto os adeptos de Carvalho retratam Bannon como uma celebridade importante no movimento de direita, Trump retratou Bannon como produtor de notícias falsas para se exaltar. Os guenonianos fazem qualquer coisa para parecerem mais importantes do que são.
Trump disse que Bannon “só finge ter tido influência para enganar algumas pessoas sem acesso e que não entendem.” Ele descreveu perfeitamente os guenonianos.
Então, enquanto os adeptos de Carvalho no Brasil estão elogiando-o como se o seu encontro com Bannon fosse um grande evento conservador porque eles foram enganados e levados a acreditar que Trump se tornou presidente graças a Bannon, Trump mostrou exatamente quem é Bannon.
Trump tem tido muitas palavras amáveis para os evangélicos, reconhecido por ele como representando sua base real que lhe deu a vitória. E Trump deixou bem claro: “Steve não representa minha base.”
O que eu vejo? Bannon, em suas ideias e caráter guenonianos, é muito parecido com Carvalho.
Sobre as fotos em que Carvalho posa arrogantemente com Bannon, apenas um oportunista traiçoeiro poderia ter um prazer arrogante de estar com outro oportunista traiçoeiro, especialmente porque Bannon não foi apenas demitido da Casa Branca, mas ele foi descrito, pelo próprio presidente dos EUA, como um oportunista traiçoeiro. Eu teria um grande prazer em posar em uma foto com Trump, mas não com Bannon.
Eu gostaria que Bolsonaro fosse parecido com Trump — sem as pressões neocons sobre ele — para identificar e expulsar guenonianos.
Contudo, Bolsonaro do Brasil é muito diferente de Trump porque enquanto Bolsonaro é hipnotizado por um guenoniano, Trump não é. Talvez Trump pudesse convidar Bolsonaro e dar-lhe alguns conselhos sobre como identificar um oportunista guenoniano — uma redundância, é claro, mas não desnecessária, considerando como os guenonianos são capazes de enganar tantos católicos no Brasil, inclusive Bolsonaro e seus filhos.
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