24 de novembro de 2018

Novo ministro da Educação: hostil ao socialismo e Trump, amistoso com Bolsonaro e Hillary


Novo ministro da Educação: hostil ao socialismo e Trump, amistoso com Bolsonaro e Hillary

Julio Severo
Entretanto, diferentemente de Trump, que tem dado prioridade aos seus conselheiros evangélicos e expulsou o “estrategista” Steve Bannon (um adepto do ocultista islâmico René Guénon, a quem Trump denominou basicamente de “oportunista”), Bolsonaro não tem dado prioridade aos conselheiros evangélicos. Ele tem dado prioridade a Olavo de Carvalho, um antigo propagandista de Guénon no Brasil. Bolsonaro se recusa a ver qualquer oportunismo nele.
Silas Malafaia, um televangelista da Assembleia de Deus que se tornou a mais proeminente personalidade evangélica do Brasil e mencionado na mídia dos EUA como responsável por liderar evangélicos brasileiros para apoiar Bolsonaro, recomendou esta semana como ministro da Educação no Brasil Guilherme Schelb, que é um evangélico e um especialista contra o marxismo e a ideologia de gênero. Schelb também foi apoiado pela Frente Parlamentar Evangélica no Congresso Nacional.
Carvalho recomendou o colombiano Ricardo Vélez Rodríguez.
Bolsonaro acolheu a recomendação de Carvalho.
Essa é a segunda grande recomendação de Carvalho que Bolsonaro aceitou. A primeira foi de Ernesto Araújo como ministro das Relações Exteriores, visto erroneamente como um “trumpista,” apesar de sua admiração por Trump ter como fonte o fato de ele ver infundadamente René Guénon e suas ideias ocultistas em Trump. Ele é um trumpista falsificado.
Vélez é também um trumpista?
Para quem, como eu, despreza o socialismo, Vélez tem vários artigos contra o socialismo e especificamente contra o Partido dos Trabalhadores, o partido socialista que governou o Brasil de 2003 a 2016.
Apenas algumas amostras, tiradas do blog pessoal de Vélez Rocinante:
* Em 2011, ele publicou seu artigo “O marxismo gramsciano, pano de fundo ideológico da reforma educacional petista.”
* Em 2014, ele publicou seu artigo “A mentalidade conservadora.”
* Em 2015, ele publicou seu artigo “A tradição conservadora brasileira,” onde na seção “Pensadores conservadores e tradicionalistas” ele menciona Olavo de Carvalho.
* Em 2016, ele publicou seu artigo “A esquizofrenia lulista.”
* Em 2016, ele publicou seu artigo “A herança maldita da Dilma: é necessário falar dela!”
* Em 2016, ele publicou seu artigo “A queda do farsante Lula.”
A boa notícia é que o Vélez tem sido amistoso com Bolsonaro e ele tem sido hostil a Lula e seu Partido dos Trabalhadores.
É óbvio que de 2011 a 2016 ele sistematicamente atacou o socialismo e o Partido dos Trabalhadores, que deu ao Brasil os ex-presidentes socialistas Luiz Inácio “Lula” da Silva, primeiramente eleito em 2002, e Dilma Rousseff, que levou impeachment em 2016.
Então, com essa “sólida base conservadora,” é muito estranho que em 2016 ele tenha dito, em seu artigo intitulado “O pior da América Latina chegou aos EUA com Trump” (publicado em 4 de novembro de 2016, na revista Amálgama) que
* nas atuais circunstâncias, com o doido Trump falando besteiras à torta e à direita, certamente Hillary, para os tradicionais republicanos, é um mal menor.
* Trump é um populista irresponsável.
* No caso da doença populista, parece que ela migrou da nossa combalida América Latina, onde nos últimos quinze anos se refestelou nos governos populistas dos Lulas, dos Kirchners, dos Chávez, dos Morales et caterva. Marca registrada da doença: a verborragia irresponsável de palanque que promete mundos e fundos, falando aos desempregados aquilo que eles querem ouvir, o oferecimento de milhões de empregos para amanhã, sem que intermedeiem muitos esforços e derrubando as incômodas leis de responsabilidade fiscal. Lula nisso foi mestre.
* Trump é um populista falastrão.
* A pregação do Trump não está isolada. A Rússia tem também o seu líder populista.
* É provável que Hillary ganhe a eleição presidencial. Será melhor para nós, no Brasil… Um populista na Casa Branca nos atrapalharia enormemente.
Em seu artigo intitulado Trump presidente: e agora?” publicado em 10 de novembro de 2016 em seu blog pessoal, Vélez disse:
* Trump presidente dos Estados Unidos: e agora?… Confesso que fiquei desapontado. Mais um populista no horizonte, depois que o Brasil se viu livre de Lula e a sua corja! É demais.
* fatídica eleição de Trump.
* o pesadelo Trump.
Desde 2016, Vélez mudou de ideia? Aparentemente, isso não é verdade. Em seu artigo de 2018, intitulado “Neopopulismos na Contemporaneidade: Estados Unidos, Rússia e China,” Vélez critica o neopopulismo de Trump e Putin. Mas não entendo por que ele incluiu a China, porque na China só existe comunismo. Nada mais.
Seu artigo dá proeminência positiva ao jornalista anti-Trump Michael Wolff.
Vélez disse:
O jornalista Michael Wolff… entrou na Casa Branca com a anuência do dono, entrevistou muita gente e publicou tudo quanto viu e ouviu no explosivo livro intitulado: Fire and Fury: Inside the Trump White House, que acaba de ser publicado no Brasil pela editora Objetiva com o título: Fogo e fúria — Por dentro da Casa Branca de Trump. De nada adiantaram os chiliques de Trump e a ameaça de que barraria a distribuição do livro.  O contestado ensaio de Wolff já vendeu mais de 2 milhões de exemplares e venderá ainda mais.
As revelações de Michael Wolf são bombásticas. Como frisou na entrevista dada à revista Veja (edição 2573 de 14 de março de 2018), de Trump pode-se esperar o oferecimento de qualquer produto midiático. A respeito, disse Wolf: “… Trump não lê absolutamente nada, nunca. E ele não escuta. Eis a questão: ele não gosta de pensar. É o pacote completo. Depois de um ano na Presidência, continuo certo de que ele não tem condições de ser presidente. Minha impressão, aliás, só piorou nesse período… Eu penso em Trump como um vendedor nato. Ele está tentando vender o governo dele à população, porém ninguém está querendo comprar até agora. Inclusive no trato com os membros da equipe ele é assim: se você não é mais útil, acaba virando apenas um produto em liquidação na prateleira do Trump. Mas o homem é profundamente enervante. Não é inteligente o bastante, não tem o conhecimento necessário para o cargo, nem é minimamente estável. Tudo é possível com Trump no poder. Ele é uma pessoa maluca. O presidente não confia em ninguém, é autodestrutivo e também não é confiável.”
Em relação à vida privada do Presidente americano, o jornalista frisa na entrevista: “Um dos traços centrais da vida de Trump é ser muito mulherengo e obsessivo. Uma das coisas que fazem a vida valer a pena para o presidente é levar mulheres de amigos para a cama.”
Vélez diz que a vida de Trump é marcada por “dissolução privada e mediocridade política.”
Então a má notícia é que Vélez tem sido hostil a Trump, e ele tem sido amistoso com a trapaceira Hillary Clinton.
Entre a trapaceira Hillary e Trump, não há dúvida para mim como um evangélico conservador: Trump é a única escolha. Vélez vê exatamente o contrário. Sua escolha de Hillary é irresponsável, porque ela está por trás de várias guerras e sofrimentos desnecessários.
Não vejo problemas no populismo ou neopopulismo de Trump, como condenado por Vélez. Em 2016, em seu populismo Trump condenou os neocons e suas guerras eternas. Esse é um populismo muito positivo.
Sou hostil ao neoconservadorismo, por causa de sua natureza belicista. Os neocons travam guerras desnecessárias não apenas contra outras nações, mas também contra os princípios originais dos fundadores dos EUA, que queriam que os EUA e seus militares se preocupassem apenas com as questões particulares dos EUA. Em contraste, os neoconservadores querem a intromissão militar dos EUA em todos os cantos do planeta, injetando guerras.
Apoiei o populismo antineocon de Trump em 2016. Essa é a razão pela qual hoje não posso apoiar sua traição ao seu próprio discurso antineocon de 2016.
Mas Vélez não menciona neocons ou neoconservadorismo. Ele apenas menciona Trump em seus sentimentos hostis. Ele condenou o Trump antineocon de 2016 e condena o Trump pró-neocon de 2018. Em resumo, ele é contra Trump em qualquer forma e jeito. E ele obviamente tem sentimentos melhores com relação à trapaceira Hillary Clinton, que sempre foi neocon.
Os ocultistas são muito confusos. Não sei se Vélez é ocultista, mas ele certamente tem conexões estreitas com Carvalho, que é um ocultista confuso.
Quando um ocultista confuso recomenda um amigo para ser ministro, e o presidente o recebe, desprezando uma recomendação evangélica, o que poderia resultar disso?
Bolsonaro se considera um conservador. Ele tem cerca de 30 anos de serviço no Congresso Nacional. Mas ele é incapaz de escolher por si mesmo conservadores para o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Educação. Ele é dependente de um imigrante brasileiro nos EUA que tem um longo histórico de astrologia e ocultismo. O astrólogo escolheu para Bolsonaro um colombiano que se vê como um conservador, mas não gosta de Trump e gosta de Hillary. Esse é um “conservadorismo” muito confuso, não é?
Nenhum conservador verdadeiro desprezaria Trump para gostar de Hillary. Mesmo assim, Vélez se apresenta como um “católico conservador.” Carvalho confirma que ele é isso. Bolsonaro acredita em Carvalho. E os brasileiros que votaram em Bolsonaro acreditam nele. É uma cadeia de confiança enganosa. Eu também votei nele, mas não sou enganado porque não votei nele para deus ou messias, e não fiz nenhum voto de nunca criticar seus erros.
Votei nele para ele agir como um conservador, não como um homem dependente de um Rasputin. Não votei nele para ser um mero intermediário de um Rasputin. Se ele não se comporta como um conservador confiante, é meu dever como um eleitor conservador fazê-lo prestar contas por suas ações.
Depois que Bolsonaro escolheu Ernesto Araújo e Ricardo Vélez como seus principais ministros, o jornal brasileiro O Globo disse que “Olavo de Carvalho se consolida como principal ‘mentor’ do presidente eleito Jair Bolsonaro.”
Carvalho é hoje para Bolsonaro o que Steve Bannon tentou ser para Trump. Mas Bannon não teve sucesso porque Trump foi esperto e viu seu oportunismo a tempo e o expulsou da Casa Branca.
Até agora, Bolsonaro não viu nada.
Vamos orar para que ele fique esperto a tempo.
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