26 de novembro de 2018

Aborto, Inquisição e revisionismo na Enciclopédia Britânica


Aborto, Inquisição e revisionismo na Enciclopédia Britânica

Um século de contrastes. Enquanto o marxismo cultural é predominante na moderna Enciclopédia Britânica, o conservadorismo era predominante na Enciclopédia Britânica de 1911

Julio Severo
A Enciclopédia Britânica tem sido uma fonte de informação favorita no movimento de educação escolar em casa (homeschooling) nos Estados Unidos. Aliás, por mais de um século, as longas fileiras imponentes de volumes da Enciclopédia Britânica têm sido uma presença importante nas prateleiras de muitos homens e mulheres instruídos.
Entretanto, o movimento de educação escolar em casa e cristãos conservadores nos Estados Unidos não usam qualquer Enciclopédia Britânica. Eles usam sua melhor edição: a 11ª edição, publicada em 1911. É altamente apreciada pelo seu valor conservador.
Edições modernas da Enciclopédia Britânica não são conservadoras. Por exemplo, a Enciclopédia Britânica de 2015 diz, em seu verbete “Aborto”:
Abortos induzidos podem ser realizados por razões que se enquadram em quatro categorias gerais: para preservar a vida ou o bem-estar físico ou mental da mãe; para impedir a conclusão de uma gravidez resultante de estupro ou incesto; para impedir o nascimento de uma criança com deformidade grave, deficiência mental ou anormalidade genética; ou para evitar um parto por razões sociais ou econômicas (como a extrema juventude da mulher grávida ou os recursos dolorosamente escassos da unidade familiar). Por algumas definições, abortos realizados para preservar o bem-estar da mulher ou em casos de estupro ou incesto são abortos terapêuticos ou justificáveis.
Existem numerosas técnicas médicas para realizar abortos. Durante o primeiro trimestre (até cerca de 12 semanas após a concepção), a aspiração, a sucção ou a curetagem do endométrio pode ser usada para remover o conteúdo do útero. Na aspiração endometrial, um tubo fino e flexível é introduzido no canal cervical (o colo do útero) e depois suga o revestimento do útero (o endométrio) por meio de uma bomba elétrica.
No procedimento relacionado, porém ligeiramente mais difícil, conhecido como dilatação e evacuação (também chamado de curetagem por aspiração ou curetagem a vácuo), o canal cervical é alargado por meio da inserção de uma série de dilatadores de metal enquanto a paciente está sob anestesia. Em seguida, um tubo rígido de sucção é inserido no útero para evacuar o seu conteúdo. Quando, no lugar da sucção, uma ferramenta metálica fina chamada cureta é usada para raspar (em vez de aspirar) o conteúdo do útero, o procedimento é chamado de dilatação e curetagem. Quando combinado com a dilatação, tanto a evacuação quanto a curetagem podem ser usadas até a 16ª semana de gestação.
Entre 12 e 19 semanas, a injeção de uma solução salina pode ser usada para desencadear contrações uterinas; alternativamente, a administração de injeções e supositórios de prostaglandinas ou outro método pode ser usada para induzir contrações, mas essas substâncias podem causar efeitos colaterais graves. A histerectomia, a remoção cirúrgica do conteúdo uterino, pode ser usada durante o segundo trimestre ou depois. Em geral, quanto mais avançada a gravidez, maior o risco para a mulher de mortalidade ou complicações graves após um aborto.
No final do século 20 foi descoberto um novo método de aborto induzido que usa a droga RU 486 (mifepristona), um esteroide artificial que está intimamente relacionado ao hormônio anticoncepcional norethnidrone. A RU 486 funciona bloqueando a ação do hormônio progesterona, que é necessário para sustentar o desenvolvimento de um óvulo fertilizado. Quando ingerido dentro de semanas da concepção, a RU 486 efetivamente ativa o ciclo menstrual e expulsa o óvulo fertilizado do útero.
Em essência, a Enciclopédia Britânica de 2015 é pró-aborto. Essa é a razão pela qual, em questões éticas e morais, o movimento de educação escolar em casa a evita.
Em contraste, a Enciclopédia Britânica de 1911, amada por educadores e alunos de homeschooling, diz em seu verbete "Aborto":
Entre as raças selvagens primitivas, o aborto é praticado em muito menor extensão do que o infanticídio, que oferece uma maneira mais simples de se livrar de filhos inconveniente. Mas é comum entre os índios americanos, assim como na China, no Camboja e na Índia.
Em todos os países da Europa, provocar aborto é agora punível com penas de prisão mais ou menos longas.
É agora legalmente crime em todos os estados dos Estados Unidos.
Em essência, a Enciclopédia Britânica de 1911 não é pró-aborto. Essa é a razão pela qual, em questões éticas e morais, o movimento de educação escolar em casa a adora.
Objetividade, razão e ética na Enciclopédia Britânica de 1911 foram derrotadas pelas edições modernas e politicamente corretas da Enciclopédia Britânica. O revisionismo pró-aborto prevaleceu.
Em um artigo intitulado “Wikipedia Ou Enciclopédia Britânica: Qual Tem Mais Tendenciosidade?” publicado pela revista Forbes, o autor Michael Blanding reconhece que tópicos da moderna Enciclopédia Britânica “podem ser bastante subjetivos ou até mesmo controversos.”
“Se você ler 100 palavras de um artigo da Wikipédia e 100 palavras de um [artigo] da Enciclopédia Britânica, você não encontrará diferença significativa na tendenciosidade,” diz o artigo. Ou seja, na ideologia de esquerda a Enciclopédia Britânica e Wikipédia são essencialmente iguais.
No artigo intitulado “Corrupção de uma Venerável Marca,” publicado pela revista National Review, o autor Matthew J. Franck diz que “a Enciclopédia Britânica se rebaixa” e que “A este ritmo, os editores da Enciclopédia Britânica parecem determinados a fazer com que a Wikipédia pareça boa. É uma triste ‘declension’ [decadência].” Declension, de acordo com o Dicionário Oxford de Inglês, é um termo inglês arcaico que significa “uma condição de declínio ou deterioração moral.”
Tratar o aborto como um sério problema legal digno de ser proibido e criminalizado (conforme apresentado pela Enciclopédia Britânica de 1911) para uma questão médica legalmente permitida por praticamente qualquer motivo (como apresentado pela Enciclopédia Britânica de 2015) é pura ‘declension’ ou decadência.
Mas a deterioração moral na Enciclopédia Britânica não é evidente apenas no aborto. A Inquisição é outro exemplo.
A Enciclopédia Britânica de 2015 diz, em seu verbete “Inquisição”:
Todas as inquisições institucionais funcionavam em sigilo, exceto por aparições públicas rigorosamente regulamentadas. Seu sigilo permitiu que aqueles que se opunham a elas especulassem e frequentemente inventassem ficções dramáticas de suas atividades secretas, produzindo muitos dos mitos sobre inquisições que são encontrados na literatura europeia do século XVI até o presente.
Enquanto as edições passadas da Enciclopédia Britânica abordavam “A Inquisição,” a Enciclopédia Britânica de 2015 fala sobre “inquisições,” como de costume na perspectiva revisionista. Aliás, um dos principais autores do artigo sobre “inquisições” na Enciclopédia Britânica de 2015 é o notório escritor revisionista Edward Peters. Se a moderna Enciclopédia Britânica pode ser revisionista sobre o aborto, por que não também sobre a Inquisição?
O revisionismo é um conceito essencialmente socialista. O Dicionário Oxford de Inglês, em seu verbete “Revisionismo,” diz:
“s. [substantivo] frequentemente DEPRECIATIVO é uma política de revisão ou modificação, especialmente do marxismo sobre princípios evolucionistas socialistas (ao invés de revolucionários) ou pluralistas. A teoria ou prática de revisar.”
Antes da tendência revisionista politicamente correta, o que a Enciclopédia Britânica de 1911 dizia sobre a Inquisição? O historiador Toby Green definiu a Inquisição no próprio título de seu livro, “Inquisição: O Reinado do Medo” (Editora Objetiva, 2012). E a Enciclopédia Britânica de 1911 definiu-a como “reinado de terror,” dizendo sobre a cruzada contra os albigenses, criada por inquisidores: “Essas execuções em massa certamente criaram um precedente definitivo para a repressão violenta.”
A Enciclopédia Britânica a definiu:
A INQUISIÇÃO (Lat. Inquisitio, investigação), o nome dado à jurisdição eclesiástica que tratava tanto na Idade Média quanto nos tempos modernos da detecção e punição de hereges e de todas as pessoas culpadas de qualquer ofensa à ortodoxia católica.
Trechos aleatórios da Enciclopédia Britânica de 1911 mostram:
A punição de morte por fogo era muito mais empregada pelos espanhóis do que pela inquisição medieval; cerca de 2.000 pessoas foram queimadas na época de Torquemada.
[Nos anos de 1700], um grande número de [judeus] foi denunciado, enviado às galés, ou queimado por terem retornado à sua religião ancestral, com a mais frágil evidência, tal como… abster-se de carne de porco.
Durante os séculos XVI e XVII, a Inquisição na Espanha foi dirigida contra o protestantismo. O inquisidor-geral Fernando de Valdés, arcebispo de Sevilha, pediu ao papa que condenasse os luteranos a serem queimados, mesmo que não fossem apóstatas ou desejassem se reconciliar [com a Igreja Católica], enquanto em 1560 três protestantes estrangeiros, dois ingleses e um francês, foram queimados em desacato a todas as leis internacionais. Mas a Reforma nunca teve adeptos suficientes na Espanha para ocupar a atenção da Inquisição por muito tempo.
Um número incontável de… homens e mulheres, clérigos e leigos… pereceram nas fogueiras ou nas masmorras da Inquisição.
Mateo Pascual, professor de teologia em Alcala, que em uma palestra pública expressou dúvida quanto ao purgatório, sofreu prisão e confisco de seus bens.
Em 1521, a Inquisição assumiu a responsabilidade de examinar livros suspeitos de heresia luterana.
Em 1558, a pena de morte e o confisco de propriedade foram decretados contra qualquer livreiro ou indivíduo que mantivesse em sua posse livros condenados. A censura dos livros acabou sendo abolida em 1812.
os inquisidores… faziam o papel de ditadores absolutos, queimando pessoas na fogueira, atacando tanto os vivos quanto os mortos, confiscando suas propriedades e terras, e cercando os habitantes das cidades e do país em uma rede de suspeitas e denúncias.
Já em 1210 massacres de judeus ocorriam sob a inspiração de Arnold de Narbonne, o representante papal.
Em 1278 [o papa] Nicolau IV ordenou ao general dos dominicanos que enviasse frades a todas as partes do reino [da Espanha] para trabalhar para converter os judeus e elaborasse listas dos que se recusassem a ser batizados.
No século XIV, os massacres aumentaram, e durante o ano de 1391 cidades inteiras foram destruídas por fogo e espada, enquanto em Valência onze mil batismos forçados aconteceram.
No século XV, a perseguição continuou da mesma maneira; só se pode dizer que os anos de 1449, 1462, 1470, 1473 foram marcados pelo maior derramamento de sangue.
O imperador Frederico II definiu sua jurisprudência mais claramente: de 1220 a 1239, apoiado pelo papa Honório III e, acima de tudo, pelo [papa] Gregório IX, ele estabeleceu contra os hereges do Império em geral uma legislação em que a pena de morte, o banimento e o confisco de propriedade foram formulados de maneira tão clara que, a partir de então, seria incontestável.
O papa não mais hesitou no princípio ou no grau de repressão.
Mulheres, crianças ou escravos podiam ser testemunhas da acusação, mas não da defesa, e há casos em que as testemunhas tinham apenas dez anos de idade.
Nenhuma testemunha podia se recusar a fornecer evidências [contra os indivíduos acusados], sob pena de ser considerada culpada de heresia.
O próximo passo era a tortura de testemunhas, uma prática que era deixada a critério dos inquisidores.
Além disso, todas as confissões ou depoimentos extorquidos na câmara de tortura tinham de ser posteriormente confirmados “por livre vontade.” A confissão era sempre considerada voluntária. O procedimento obviamente não era litigioso; qualquer advogado que defendesse o acusado teria sido considerado culpado de heresia.
Na prática, passar [o acusado] para as autoridades seculares era equivalente a uma sentença de morte e de morte por fogo. O dominicano Jacob Sprenger, superior de sua ordem na Alemanha (1494) e inquisidor, não hesita em falar das vítimas ‘quas incinerari fecimus’ (“a quem nós [inquisidores] queimamos até virar cinzas”).
A Inquisição preferia extrair sua fonte de renda da heresia.
Logo o papado conseguiu ganhar uma parte dos saques, mesmo fora dos estados da Igreja [Católica], como é mostrado pelas bulas ‘ad extirpanda’ do [papa] Inocêncio IV e [o papa] Alexandre IV, e daí em diante os inquisidores tiveram, em proporções variadas, um interesse direto nesses saques.
Na Espanha essa divisão só se aplicava à propriedade do clero e vassalos da Igreja [Católica], mas na França, Itália e Alemanha, a propriedade de todos os condenados por heresia era repartida entre as autoridades seculares e eclesiásticas.
No começo eles tentaram uma concessão; as infelizes vítimas tinham de pagar o dobro, ao papa e à Inquisição. Mas o pagamento ao papa era realizado pela Inquisição para reduzir muito a sua própria parte da propriedade confiscada, e a luta continuou ao longo da primeira metade do século 16, a Cúria finalmente triunfando, graças à energia do [papa] Paulo III.
Além disso, esse sistema de confiscos em grande escala podia levar, em um único dia, uma família à total miséria, de modo que todas as transações estavam sujeitas a riscos assombrosos.
Mas é inegável que [a Inquisição] frequentemente tendia a constituir um estado dentro do estado. Na época de seu maior poder, os inquisidores não pagavam impostos e não davam conta dos confiscos que efetuavam; eles reivindicavam para si e para seus agentes o direito de portar armas, e é bem sabido que seus adversários declarados, ou mesmo aqueles que os culpavam em alguns aspectos, eram, sem falta, processados por heresia.
A [Inquisição] permitia ao acusado um advogado escolhido dentre os membros ou familiares do Santo Ofício; esse privilégio era obviamente ilusório, pois o advogado era escolhido e pago pelo tribunal e só podia entrevistar o acusado na presença de um inquisidor e de um secretário.
Napoleão, em sua entrada em Madri (dezembro de 1808), imediatamente suprimiu a Inquisição.
Em 1816, o papa aboliu a tortura em todos os tribunais da Inquisição.
A Igreja [Católica] era originalmente contrária à tortura, e a lei canônica não admitia confissões extorquidas por esse meio; mas pela bula ‘Ad extirpanda’ (1252) [o papa] Inocêncio IV aprovou seu uso para descobrir heresias, e [o papa] Urbano IV confirmou esse uso, que teve sua origem na legislação secular (cf. o Código Veronese de 1228, e a Constituição Siciliana de Frederico II em 1231).
São João Crisóstomo considerava que um herege deveria ser privado da liberdade de expressão e que as assembleias organizadas por hereges deveriam ser dissolvidas, mas declarou que “condenar um herege à morte seria introduzir na terra um crime inexpiável.”
Um esforço para sanear a Inquisição seria semelhante a um esforço para sanear o aborto legal. Isso é exatamente o que a moderna Enciclopédia Britânica fez!
Por que um site pró-vida defende o revisionismo da Inquisição? Cristãos que defendem a Inquisição são como cristãos que defendem o aborto e cristãos que defendem o aborto são como cristãos que defendem a Inquisição.
No entanto, é exatamente isso o que LifeSiteNews, o maior site católico pró-vida do mundo, vem fazendo.
LifeSiteNews publicou um artigo intitulado “Desmentindo os mitos anticristãos sobre a Inquisição Espanhola,” de Joseph Pearce. Esse título é malicioso porque as crueldades, torturas e execuções da Inquisição nunca foram ‘mitos,” e é completamente anticristão tratar a Inquisição como um “mito,” assim como é anticristão tratar o Holocausto nazista contra os judeus como “mito.” A propósito, tanto a Inquisição quanto o Holocausto preferencialmente torturaram e mataram judeus.
Portanto, se LifeSiteNews trata a Inquisição como um “mito,” isso não é diferente do que os muçulmanos fazem com seu próprio genocídio contra os cristãos. O site islâmico Islamicity tem um artigo intitulado “Desvendando a verdade do mito do ‘genocídio armênio’” que diz:
“A controvérsia em torno do chamado genocídio armênio foi mais uma vez provocada por um indivíduo não menos importante do que o próprio papa católico Francisco quando o chamou de ‘o primeiro genocídio do século 20.’ O ministro das Relações Exteriores turco Mevlut Cavusoglu criticou veementemente o comentário do papa. ‘Não dá para aceitar a declaração do papa, que está longe da realidade legal e histórica,’ ele tuitou.”
Assim como os muçulmanos não aceitam o que eles fizeram com os cristãos, LifeSiteNews não aceita o que a Inquisição católica fez com os judeus e protestantes.
É significativo que na Espanha os judeus, que frequentemente eram perseguidos pela Inquisição, eram chamados de “marranos” — termo espanhol que significa porco.
O artigo de LifeSiteNews mencionou a referência do Presidente Obama à Inquisição no Café da Manhã de Oração Nacional em Washington DC em 2016, explorando-a em favor do revisionismo histórico, que é geralmente amado e usado pela esquerda.
Em resposta, cito Franklin Graham, conselheiro conservador de Trump que disse:
“Hoje, no Café da Manhã de Oração Nacional, o presidente insinuou que o que o ISIS está fazendo é equivalente ao que aconteceu há mais de mil anos durante as Cruzadas e a Inquisição. Sr. Presidente, muitas pessoas na história usaram o nome de Jesus Cristo para fazer coisas más para realizar seus próprios desejos. Mas Jesus ensinou paz, amor e perdão. Ele veio para dar Sua vida pelos pecados da humanidade, não para tirar a vida. Maomé, ao contrário, era um guerreiro e matou muitas pessoas inocentes. Os verdadeiros seguidores de Cristo imitam a Cristo — os verdadeiros seguidores de Maomé imitam Maomé.”
Defesa do revisionismo histórico da Inquisição é compatível com a mentalidade esquerdista, mas incompatível com princípios pró-vida. Concordo com Graham: a Inquisição imitou Maomé e seu espírito violento.
Em outro artigo, intitulado “Refutando falsidades anticatólicas,” LifeSiteNews disse:
“A Inquisição Espanhola, por exemplo, sofreu literalmente com uma publicidade muito ruim. Entre as primeiras obras produzidas pelas primeiras gráficas da Holanda protestante e da Inglaterra protestante estavam centenas de relatos falsos da Inquisição matando dezenas de milhares de judeus, mouros e protestantes. Historiadores ruins desde então inflaram a contagem de mortos…”
Se a Inquisição “sofreu” — a visão lunática é sempre que o opressor, não suas vítimas, “sofreu” — “publicidade muito ruim,” e quanto ao aborto na Enciclopédia Britânica de 1911? E quanto ao socialismo e ao nazismo? Eles também sofreram “publicidade muito ruim”? Na perspectiva de ativistas pró-aborto, socialistas e nazistas, o aborto, o socialismo e o nazismo sofreram “publicidade muito ruim.”
LifeSiteNews faz parecer que a Holanda protestante e a Inglaterra protestante foram exclusivamente responsáveis por “relatos falsos da Inquisição matando dezenas de milhares de judeus, mouros e protestantes.” LifeSiteNews exclui o fato de que, mesmo que não houvesse protestantes no mundo, há séculos há escritores e historiadores judeus independentes registrando a tortura e morte de milhares de judeus sob a Inquisição.
O pai do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem uma enorme obra de 1.500 páginas intitulada “As Origens da Inquisição,” publicada em 1995 nos EUA. LifeSiteNews acha que o livro de Netanyahu é “má publicidade” para fazer a Inquisição sofrer? Se eu queimar esse livro, isso reduzirá o “sofrimento” da Inquisição e seus defensores e revisionistas? LifeSiteNews acha que o livro de Netanyahu foi influenciado pelos “relatos falsos” da Inquisição feitos pela Holanda protestante e a Inglaterra protestante, em vez de relatos históricos judaicos independentes?
Se LifeSiteNews alega que “historiadores ruins inflaram a contagem de mortos,” Netanyahu é um “historiador ruim” que inflou a contagem de mortes de vítimas judias? Os historiadores que denunciam o aborto, o socialismo e o nazismo são também “historiadores ruins” que inflaram a contagem de mortes de suas vítimas?
Para ajudar a Inquisição a não “sofrer,” devemos lhe dar apenas boa publicidade? Além disso, para ajudar os ativistas pró-aborto, os socialistas e os nazistas a não “sofrerem,” deveríamos dar apenas boa publicidade ao aborto, ao socialismo e ao nazismo?
A coleta de dados há 100 anos não era tão boa quanto é hoje. Turcos muçulmanos usam isso para dizer que o genocídio armênio, cometido por eles contra cerca de 1.500.000 cristãos há 100 anos, não foi genocídio e que os números eram muito pequenos. Católicos radicais usam a mesma conveniência e o tempo de 500 anos é realmente uma conveniência muito favorável a eles. Eles dizem a mesma coisa sobre a Inquisição, embora os registros históricos de judeus independentes mostrem que o que LifeSiteNews e outros católicos chamam de “mito” e “má publicidade” era na verdade um fato histórico.
Do ponto de vista turco muçulmano, falar de genocídio armênio é apenas “má publicidade” contra o islamismo ou a Turquia. Para eles, essa “má publicidade” faz a Turquia e o islamismo “sofrerem.” Assim, os católicos radicais não estão sozinhos em suas queixas de “má publicidade.”
Uma Igreja Católica pró-Inquisição não tem moral para denunciar o aborto. Mas a atual Igreja Católica não tem defendido a Inquisição. Apenas alguns de seus membros mais recalcitrantes fazem isso.
Como podem tais católicos recalcitrantes denunciar o aborto legal e sua tortura e morte de bebês inocentes se eles desculpam, minimizam e até mesmo defendem a mesma realidade na Inquisição?
Como evangélico pró-vida conservador, farei o que os educadores e alunos de homeschooling e outros conservadores dos EUA estão fazendo. Usarei a Enciclopédia Britânica de 1911 para defender uma postura conservadora em relação ao aborto e à Inquisição. Rejeito totalmente a moderna Enciclopédia Britânica e seu revisionismo do aborto e da Inquisição.
Mas como LifeSiteNews é pró-vida, deveria ser coerente. Se quiser a conservadora Enciclopédia Britânica de 1911 e sua postura pró-vida sobre o aborto, deveria aceitar sua postura conservadora sobre a Inquisição. Se prefere a moderna liberal Enciclopédia Britânica e seu revisionismo da Inquisição, deveria também aceitar sua posição revisionista em relação ao aborto. Basicamente, a moderna Enciclopédia Britânica vê a tortura e a morte do aborto e da Inquisição como igualmente “mitos.”
A Enciclopédia Britânica de 1911 é coerente em suas posturas conservadoras contra o aborto e a Inquisição.
A moderna Enciclopédia Britânica é coerente em suas posturas revisionistas, defendendo igualmente o aborto e a Inquisição.
LifeSiteNews não tem sido coerente; aceita o revisionismo da moderna Enciclopédia Britânica sobre a Inquisição, mas não sobre o aborto.
LifeSiteNews e a minoria de católicos recalcitrantes deveriam escolher a coerência que preferem: conservadora ou revisionista e liberal.
Ativistas pró-aborto usam milhões de explicações, estudos e pesquisas medíocres para desculpar, minimizar e defender o aborto. Católicos recalcitrantes deveriam parar de usar menos de uma dúzia de explicações, estudos e pesquisas revisionistas medíocres para desculpar, minimizar e defender a Inquisição.
A Conservapedia, uma “Wikipédia” conservadora de propriedade de um escritor católico, trata a Inquisição com muito mais realismo, e menos revisionismo, do que LifeSiteNews faz, não rotulando-a como um “mito” ou outro termo para esconder sua monstruosidade histórica.
Em temas éticos tão sérios como o aborto e a Inquisição, que envolvem os direitos humanos de um número incontável de vítimas inocentes que sofreram tortura e morte, a Enciclopédia Britânica de 1911, que está mergulhada no conservadorismo, é um guia muito melhor do que a moderna Enciclopédia Britânica, infectada pelo marxismo cultural e seu revisionismo.
Leitura recomendada sobre a Inquisição:

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