11 de outubro de 2018

Revista americana Foreign Policy acusa que campanha de propaganda de Jair Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil, foi inspirada diretamente de manual nazista


Revista americana Foreign Policy acusa que campanha de propaganda de Jair Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil, foi inspirada diretamente de manual nazista

Julio Severo
Em uma reportagem intitulada “Jair Bolsonaro’s Model Isn’t Berlusconi. It’s Goebbels” (O modelo de Jair Bolsonaro não é Berlusconi. É Goebbels), Foreign Policy, uma revista especializada dos EUA com sede em Washington D.C., disse: “O líder brasileiro de extrema direita não é apenas mais um populista conservador. Sua campanha de propaganda se inspirou diretamente em manual nazista.”
Jair Bolsonaro
“Ele quer que criminosos sejam sumariamente fuzilados em vez de serem julgados em tribunais. Ele apresenta os povos indígenas como ‘parasitas’ e também defende formas discriminatórias, eugenicamente planejadas, de controle da natalidade. Bolsonaro alertou sobre o perigo representado pelos refugiados do Haiti, África e Oriente Médio, chamando-os de ‘a escória da humanidade,’” disse Foreign Policy, que acrescentou: “Nessas e outras declarações, o vocabulário de Bolsonaro lembra a retórica por trás das políticas nazistas de perseguição e vitimização.”
Aliás, o termo “nazista” aparece surpreendentemente 34 vezes na reportagem de Foreign Policy sobre Bolsonaro. Foreign Policy disse:
No Brasil e em outros lugares, populistas de direita estão cada vez mais agindo como nazistas e, ao mesmo tempo, repudiando esse legado nazista ou até mesmo culpando a esquerda por isso. Para os membros pós-fascistas do movimento direitista alt-right, agir como um nazista e acusar seu adversário de ser isso não é contradição. Aliás, a ideia de um nazismo esquerdista é um mito político que tem como base direta os métodos da propaganda nazista.
Segundo direitistas brasileiros e negadores do Holocausto, é a esquerda que ameaça reviver o nazismo. Isto é, naturalmente, uma falsidade que vem diretamente do manual nazista. Os fascistas sempre negam o que são e atribuem suas próprias características e sua própria política totalitária aos seus inimigos.
Embora Hitler tivesse acusado o judaísmo de ser o poder por trás dos Estados Unidos e da Rússia e dissesse que os judeus queriam começar uma guerra e exterminar os alemães, foi ele quem iniciou a Segunda Guerra Mundial e exterminou os judeus europeus. Os fascistas sempre substituíram a realidade por fantasias ideológicas. É por isso que Bolsonaro apresenta os líderes da esquerda como imitadores modernos de Hitler, quando na verdade ele é o único candidato próximo ao Führer em estilo e substância.
O que a reportagem não explicou é como Bolsonaro pode ser nazista se ele é o único candidato que prometeu transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, enquanto os outros candidatos prometeram melhores relações com os palestinos, que atacam os judeus como os nazistas atacavam. Será que ser pró-Israel significa ser nazista? Se assim for, Bolsonaro se encaixa nessa acusação. Eu também.
A reportagem foi escrita pelo escritor judeu Federico Finchelstein, que tem livros publicados sobre fascismo, antissemitismo, o Holocausto e história judaica.
Discordo da visão radical do sr. Finchelstein. Qual é a natureza ideológica da revista Foreign Policy para publicar essa reportagem radical?
Provavelmente neocon. Os neocons adoram bater, xingar e atacar a Rússia e o presidente russo Vladimir Putin. Foreign Policy tem, não por acaso, várias reportagens tratando Putin do mesmo jeito que tratou Bolsonaro.
Em sua reportagem “Putin quer Deus (ou Pelo Menos a Igreja) do Seu Lado,” Foreign Policy disse: “Nos últimos anos, o presidente russo Vladimir Putin abraçou aspectos dessa ideologia imperial cristã, exigindo que as autoridades estatais leiam alguns dos filósofos cristãos que surgiram no crepúsculo do Império Russo.”
Foreign Policy acrescentou: “A nova defesa russa dos chamados valores tradicionais, como a homofobia e a oposição ao feminismo e ao secularismo, recebeu um impulso forte da Igreja Cristã Ortodoxa — e de simpatizantes de extrema-direita no Ocidente.”
Em sua reportagem contra Bolsonaro, Foreign Policy argumentou que ele também tem valores tradicionais, como a homofobia e a oposição ao feminismo e ao secularismo.
Como todos os neoconservadores fazem, Foreign Policy reclama repetidamente sobre as tentativas de Trump de fazer amizade com Putin e a Rússia como aliados necessários contra o terrorismo islâmico.
A crítica de Foreign Policy, usando um autor judeu, a Bolsonaro é injustificada. Se Bolsonaro é tão radical como retratam os especialistas de Foreign Policy em Washington D.C., o que são seus inimigos? Fernando Haddad, que enfrenta Bolsonaro nas eleições brasileiras, é membro do Partido dos Trabalhadores, um partido socialista que arruinou o Brasil. O ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva, estrela do Partido dos Trabalhadores, está cumprindo uma longa pena de prisão por corrupção.
Haddad e seus companheiros socialistas buscam a promoção do aborto, do socialismo e da homossexualidade. Aliás, Haddad é o autor do infame “kit gay,” um material para homossexualizar crianças em idade escolar.
Foreign Policy disse em sua reportagem anti-Bolsonaro, “Bolsonaro, que também é conhecido como o Trump brasileiro, está sendo aconselhado por Steve Bannon em sua campanha.”
Bannon é um católico tradicional com um profundo interesse no misticismo e no esoterismo, especialmente em um obscuro esoterista francês chamado René Guénon — um feiticeiro antimarxista. Em resumo, Bannon é um adepto da Nova Era.
Embora o presidente Trump tivesse Bannon como um de seus conselheiros, Trump o expulsou como um oportunista e traidor, e ele desenvolveu uma profunda hostilidade para com ele, especialmente depois que Bannon colaborou no livro anti-Trump “Fire and Fury” (Fogo e Fúria), escrito pelo escritor de esquerda Michael Wolff.
Hoje, Trump não quer nada com Bannon. Então, por que Bolsonaro quer?
Embora as acusações de Foreign Policy contra a Bolsonaro tenham sido exageradas, na verdade existem indivíduos extremistas entre seus seguidores. Esses extremistas já foram denunciados por seu candidato a vice-presidente. Esses extremistas defendem a ideia bizarra de que os crimes da Inquisição contra judeus e protestantes são mentiras e mitos, e que, na verdade, a Inquisição era um tribunal de misericórdia.
Se Foreign Policy tivesse dirigido suas críticas apenas a tais defensores da Inquisição, eu teria entendido, porque Finchelstein, como judeu, tem todo o direito de condenar o que a Inquisição fez aos judeus. Mas Foreign Policy não os atacou. Atacou Bolsonaro.
Embora Bolsonaro não tenha defendido essa ideia bizarra, mesmo assim ele tem recomendado seu mais proeminente defensor no Brasil, Olavo de Carvalho, que por sinal também é, como Bannon, um velho adepto e promotor de René Guénon. Carvalho é o tradutor para o português de um dos livros de Guénon, autor de vários livros ocultistas e autor de muitos comentários contra os evangélicos, inclusive a infame declaração: “As igrejas evangélicas fizeram mais mal ao Brasil do que a esquerda inteira.”
Não sei se Bolsonaro vai fazer com esses dois adeptos “católicos” de Guénon o que Trump fez com Bannon: expulsão.
Entretanto, a vitória de Bolsonaro não depende deles. Como reconhecido até mesmo pela grande mídia americana, a maior chance de o Bolsonaro católico conquistar a presidência do Brasil são os evangélicos.
Como o Brasil é o maior país católico do mundo, com 60% dos brasileiros se identificando como católicos, Bolsonaro deveria ser o candidato deles e ter uma vitória muito fácil. Mas o catolicismo brasileiro está empesteado de teologia da libertação. Por isso, cabe a uma minoria de evangélicos brasileiros, que são esmagadoramente pentecostais e neopentecostais, defender valores conservadores.
Bolsonaro certamente não é o melhor homem que os evangélicos gostariam para representá-los na presidência do Brasil. Mas com um candidato socialista pronto para persegui-los e promover o aborto, o socialismo e a homossexualidade, nenhuma outra opção restou para os evangélicos.
Assim, os evangélicos são a melhor chance para Bolsanaro, que eles escolheram por causa de pura falta de opção. Eu mesmo o escolhi, por suas promessas de legalizar a educação escolar em casa (tradicionalmente criminalizada no Brasil) e revogar as leis de controle de armas em um Brasil cuja cultura católica sempre foi anti-armas nas mãos de pessoas comuns. A cultura católica é tão forte que tanto Bolsonaro quanto seu adversário socialista são católicos.
É um sinal muito bom que neocons em Washington D.C. estejam se opondo a Bolsonaro. Mas é um péssimo sinal que ele esteja sendo aconselhado por adeptos de Guénon. E um deles, Carvalho, é tão neocon e anti-Rússia quanto é Foreign Policy.
Foreign Policy é apenas uma mídia neocon de notícias falsas de Washington D.C. Foreign Policy tornou-se alvo de riso por causa de uma reportagem judaica que não ataca o fervor pró-inquisição entre extremistas católicos de direita no Brasil, mas rotula como “nazista” um candidato que prometeu mudar a embaixada brasileira para Jerusalém. Afinal, quanto de “nazista” há nessa mudança?
O que Bolsonaro vai fazer para dissipar as acusações ridículas de que ele é “nazista”? Ele vai suavizar nas questões do aborto, socialismo e homossexualidade? Ou ele está usando essas questões controversas apenas para atrair o poderoso voto evangélico conservador?
Há algo que Foreign Policy não mencionou. O nazismo estava imerso no ocultismo — o que os evangélicos chamam de Nova Era. Nesse sentido, há algumas coisas “nazistas” entre os seguidores de Bolsonaro, da mesma forma que havia o mesmo problema no círculo de Trump. Contudo, Trump resolveu esse problema removendo o esotérico e cercando-se de pregadores evangélicos e neopentecostais como seus conselheiros.
Se Bolsonaro for inteligente, ele não vai expulsar ou suavizar em posições conservadoras contra o aborto, o socialismo e a homossexualidade para agradar à mídia de notícias falsas. Ele vai expulsar exatamente o que Trump expulsou: os oportunistas e traidores.
O que posso dizer é que se Foreign Policy e Federico Finchelstein conhecerem Bolsonaro mais de perto sem seu preconceito neocon, eles definitivamente não condenarão a ele, mas aos adeptos dele que defendem a Inquisição. Esses eles chamarão merecidamente de nazistas, pois tanto a Inquisição quanto o nazismo perseguiam, torturavam e matavam judeus. E eles elogiarão as posturas pró-Israel de Bolsonaro, inclusive sua promessa de transferir a embaixada brasileira para Jerusalém. Não há nada mais judaico, e nada menos nazista, do que isso.
Leitura recomendada:
Leitura recomendada sobre a Inquisição:

2 comentários :

Marlus Eduardo Pugsley disse...

Julio, sempre preciso nos comentários.Já compartilhei com alguns amigos.

Unknown disse...

Como podem ver, não é somente no Brasil que a grande midia está moralmente apodrecida.