9 de outubro de 2018

Ocupados em propagandas para Bolsonaro e não tão ocupados para si mesmos, menos de 50 por cento dos membros da bancada evangélica são reeleitos


Ocupados em propagandas para Bolsonaro e não tão ocupados para si mesmos, menos de 50 por cento dos membros da bancada evangélica são reeleitos

Julio Severo
Que existe uma onda evangélica conservadora enorme que está impactando as eleições no Brasil é fato reconhecido internacionalmente. Mas essa onda parece não ter ajudado muito a Frente Parlamentar Evangélica (FPE), e a culpa principal não está nos evangélicos. Está nos próprios parlamentares evangélicos.
De acordo com o portal Terra, “Dos 82 deputados ativos na bancada, 37 foram reeleitos como deputados federais, ou seja, 45%.” Isto é, menos da metade da FPE foi reeleita.
Não faltaram eleitores evangélicos para eleger ou reeleger candidatos evangélicos. O que foi que aconteceu então?
Magno Malta pode ser um exemplo que explique a redução drástica da bancada evangélica. Ele não foi reeleito. O que mais se via era Magno fazendo campanha não para si mesmo, mas para Jair Bolsonaro. O que eu mesmo testemunhei foi Magno fazendo muitas campanhas para Bolsonaro. Não o vi fazendo uma única campanha para si.
Talvez Magno tivesse pensado que com a enorme onda evangélica, ele estava dispensado de se preocupar consigo como se sua votação estivesse garantida e como se todo evangélico já tivesse consciência de que deveria votar nele. Ele e outros resolveram gastar suas principais energias em Bolsonaro.
Contudo, Magno e outros ficaram chocados com o resultado. Eles baixaram a guarda, embarcando numa campanha em abundância em prol de Bolsonaro. Resultado: Bolsonaro ganhou votos evangélicos em abundância e eles perderam por falta de votos!
A bancada evangélica estará assim sub-representada num eventual governo de Bolsonaro. Embora Bolsonaro não vá presumivelmente avançar a agenda radical do aborto e do homossexualismo, não se sabe com absoluta certeza o que ocorrerá.
A bancada evangélica sempre serviu como o principal freio moral para os excessos imorais do governo. Tal freio nunca é desnecessário.
Não haverá tal freio moral com a mesma força como antes. Caberá então à população evangélica, a principal responsável pela eleição de Bolsonaro, a responsabilidade de ser tal freio, cobrando dele deslizes, negligências e irresponsabilidades em questões como aborto, agenda gay, Israel, etc.
Talvez Silas Malafaia tenha de fazer o papel de bancada evangélica, sendo um freio moral profético no próximo governo. Como Magno, ele também trabalhou muito para mover a onda evangélica para votar em Bolsonaro. Agora, ele precisa representar profeticamente essa onda evangélica como um freio e incentivo moral no próximo governo.
Não foi errado Magno e outros parlamentares evangélicos se ocuparem em campanhas por Bolsonaro. Mas foi errado acharem que eles podiam relaxar suas campanhas em prol de suas próprias candidaturas confiando que a onda evangélica lhes garantiria automaticamente os votos para se reelegerem.
Não sei o que Bolsonaro, depois de eleito, fará por Magno e outros que orientaram a enorme onda evangélica conservadora a votar nele. Mas eu, no lugar de Bolsonaro, honraria cada um deles.
E na próxima vez, que eles não baixem a guarda, confiando que a população evangélica tem a obrigação automática de elegê-los. Talvez o povo evangélico também sentisse que a reeleição deles estava garantida, preferindo então dar uma oportunidade para candidatos ligados ao partido de Bolsonaro. O voto evangélico foi assim, de certo modo, desperdiçado, sendo canalizado em abundância para Bolsonaro e seu partido e não sobrando muito para a bancada evangélica.
Na próxima vez, que os candidatos evangélicos façam suas campanhas como se não houvesse garantias. A perda da reeleição deles foi desnecessária.
Se campanhas não fossem necessárias, eles não as teriam feito por Bolsonaro. Graças à forte campanha deles por Bolsonaro, ele foi votado em massa pela enorme onda evangélica — ganhando Bolsonaro e de quebra candidatos do partido dele. Graças à campanha fraca deles por si mesmos, não sobrou muito para a Frente Parlamentar Evangélica.
O poder da enorme onda evangélica foi assim canalizado para Bolsonaro e seu partido, mas não para a bancada evangélica. Resta agora esperar para ver se Bolsonaro e seu partido corresponderão a tal sacrifício.
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