19 de setembro de 2018

Evangélicos poderão colocar um candidato de direita na presidência do Brasil


Evangélicos poderão colocar um candidato de direita na presidência do Brasil

Julio Severo
As principais agências de notícias dos Estados Unidos estão tratando proeminentemente um tema nesta semana sobre o Brasil: a influência evangélica nas próximas eleições presidenciais.
Evangélicos levantando as mãos durante louvor na igreja de Silas Malafaia (foto da Associated Press/Leo Correa)
A Fox News, a Associated Press, o Washington Post, o Bloomberg e muitos outros jornais dos EUA estão informando sobre a influência política evangélica no Brasil.
Como a reportagem da Fox News e da Associated Press observou:
“O Brasil, um país profundamente religioso levemente maior que o território continental dos EUA, abriga o maior número de católicos do mundo — cerca de 123 milhões, segundo o último recenseamento de 2010. Mas os evangélicos estão crescendo e agora são 42 milhões, ou cerca de 20% da população total.”
Como neste mundo poderia uma minoria evangélica ter mais impacto político do que os católicos na maior nação católica do mundo? A primeira explicação, pelo menos para os evangélicos, está fora deste mundo. É espiritual.
Entretanto, há também outra explicação, que as reportagens não fornecem. A Igreja Católica está infestada há décadas pela Teologia da Libertação. Aliás, a mais importante organização católica do Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi fundada há cerca de 50 anos por Hélder Câmara, um notório adepto dessa teologia marxista. Ele era conhecido como “Cardeal Vermelho.”
Os católicos poderiam, por sua maioria absoluta e esmagadora, ter um impacto decisivo nas eleições no Brasil, mas o marxismo tem tido vantagem entre seus líderes e povo. A Teologia da Libertação aleijou o ativismo conservador na Igreja Católica brasileira. Por exemplo, o Partido dos Trabalhadores, o partido socialista que governou o Brasil por 13 anos arruinando a economia brasileira, foi criado por poderosos líderes da CNBB.
A reportagem da Fox News e da Associated Press disse:
“Os evangélicos já exercem grande influência na política nacional. A chamado ‘bancada evangélica’ no Congresso é formada por 87 deputados e três senadores, cerca de 15% de todos os legisladores federais. Seus votos foram fundamentais para o impeachment de 2016 e a expulsão da presidente Dilma Rousseff.”
A minoria evangélica tem sido vitoriosa porque está unida em suas posturas conservadoras contra o aborto e a agenda homossexual. A esmagadora maioria católica não tem essa união conservadora.
Um documento importante do Partido dos Trabalhadores elaborado em 2015 delineando estratégias para destruir a oposição afirmou explicitamente: “Desde a eleição de [um político da bancada evangélica], estamos sofrendo uma ofensiva da direita.” Esse documento de extrema-esquerda citou o político evangélico não menos que nove vezes, colocando-o como o maior perigo para toda a esquerda no Brasil. Nenhum outro nome aparece com tanto destaque quanto o nome dele. O nome de Jair Bolsonaro aparece uma única vez.
Ainda que o político evangélico pudesse ser um candidato melhor, esquemas do PT o derrubaram.
No entanto, embora seja católico, Bolsonaro tem recebido o apoio do mais proeminente líder evangélico no Brasil. A reportagem da Fox News e da Associated disse:
Silas Malafaia, um dos pastores mais influentes do Brasil, não vê nada de errado em tentar influenciar os votos dos membros de suas mais de 50 igrejas.
Durante uma recente entrevista à Associated Press, ele disse orgulhosamente que ele ajudou a eleger 25 deputados e cinco senadores. Seu próprio irmão é deputado estadual no Rio de Janeiro.
“Eu ajudo os candidatos a serem eleitos emprestando-lhes minha imagem e palavras,” disse Malafaia, que no púlpito e nas mídias sociais argumenta que candidatos de esquerda promovem “lixo moral” com posições liberais sobre o casamento gay e o aborto.
Malafaia tem sido explícito em seu apoio a Jair Bolsonaro, deputado de extrema direita e ex-capitão do Exército que prometeu reprimir o crime e erradicar a corrupção na política.
“No Brasil, precisamos de um macho como ele,” disse Malafaia, acrescentando que Bolsonaro “defenderá todos os valores e princípios da família cristã.”
No último final de semana, Malafaia visitou Bolsonaro no hospital, onde o candidato estava se recuperando após ser esfaqueado durante um evento de campanha em 6 de setembro.
“Deus é especialista em transformar caos em bênção,” disse Malafaia em um vídeo que ele postou no YouTube no quarto de hospital de Bolsonaro.
Nem sempre Bolsonaro era tão de direita como ele é hoje.
Em 2002, na primeira eleição de Lula, Bolsonaro chamou Lula de honesto e disse que votaria nele.
Em 1999, quando Bolsonaro foi questionado sobre o que achava de Hugo Chávez ser apoiado pelos comunistas, ele afirmou: “Ele não é anticomunista e eu também não sou. Na verdade, não tem nada mais próximo do comunismo do que o meio militar.”
Em 2002, Bolsonaro apoiou Aldo Rebelo, chefe do Partido Comunista do Brasil, para ministro da Defesa.
A única candidata evangélica nesta eleição presidencial brasileira é Marina Silva. Ela era uma católica ativamente envolvida na Teologia da Libertação, mas sua conversão não a libertou dessa teologia católica. Ela nunca mudou politicamente.
Bolsonaro parece ter mudado politicamente, e essa é a razão pela qual Silas Malafaia está mobilizando os evangélicos brasileiros para apoiar a ele, não Marina, na esperança de que ele “defenderá todos os valores e princípios da família cristã.”
Malafaia e outros líderes evangélicos estão preocupados com questões pró-vida e pró-família. Marina não tem essas preocupações.
Todas as manchetes americanas sobre o impacto político dos evangélicos no Brasil estão destacando Malafaia, mas esta não é a primeira vez que os holofotes dos EUA estão nele. Ele foi entrevistado de modo exclusivo pelo jornal The New York Times em 2011 numa manchete sugestiva intitulada “Líder evangélico ergue-se nas guerras culturais do Brasil.”
Talvez o único problema para Bolsonaro seja o radicalismo extremo em alguns de seus seguidores não-evangélicos. Seu companheiro de chapa, General Mourão, disse que há “um certo radicalismo nas ideias, até meio boçal” entre os apoiadores de Bolsonaro.
Ele estava falando em apoio de Janaína Paschoal, um membro proeminente do partido de Bolsonaro. Ela expressou preocupação com extremistas entre os seguidores de Bolsonaro, dizendo: “Não se ganha a eleição com pensamento único. E não se governa uma nação com pensamento único.” Ela já havia identificado esses extremistas quando disse: “Olavetes são tão imbecis coletivos como petistas, marxistas e outros istas. Acordem!”
Olavete é adepto do astrólogo brasileiro Olavo de Carvalho, que tem vivido como imigrante nos EUA há 15 anos. Ele disse recentemente: “As igrejas evangélicas fizeram mais mal ao Brasil do que a esquerda inteira.” Apesar de tão longo tempo nos EUA, ele nunca foi notado ou citado pela FoxNews ou outra grande agência de notícia dos EUA. Evidentemente, o público da maior nação evangélica do mundo ficaria surpreso se soubesse que ele é conhecido no Brasil por seus muitos ataques aos evangélicos e por sua defesa estridente do revisionismo da Inquisição, que torturava e matava judeus e protestantes.
Tal defesa está criando uma onda de radicais direitistas pró-Inquisição. A preocupação do General Mourão e Janaína parece se direcionar para tais extremistas.
Resta saber se o forte impacto dos evangélicos numa possível eleição de Bolsonaro acabará neutralizando a influência dos extremistas.
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