3 de agosto de 2018

Guerra perpétua: uma ocupação profissional criminosa para políticos, banqueiros e aproveitadores de guerra


Guerra perpétua: uma ocupação profissional criminosa para políticos, banqueiros e aproveitadores de guerra

Rev. Chuck Baldwin
Após as invasões americanas do Iraque e do Afeganistão em 2003, eu disse: “Dê todo apoio às tropas, porque nossos filhos alistados nunca mais vão voltar para casa.” E isso foi antes de eu saber sobre o plano do Pentágono de lançar sete guerras contra sete nações do Oriente Médio.
Em 2007, o general Wesley Clark disse que após os atentados de 11 de setembro de 2001, os EUA planejavam lançar sete guerras contra sete países do Oriente Médio: Iraque, Síria, Líbia, Líbano, Somália, Sudão e Irã. Suponho que o Afeganistão já fosse considerado o lar eterno dos militares americanos, e acho que o país do Níger, no norte da África, foi lançado como item extra. E suponho, também, que o Pentágono não leve em consideração a assistência militar dos EUA à guerra da Arábia Saudita contra o Iêmen.
Escrevendo para o site ZeroHedge.com, Tyler Durden informa:
O fato é que todos esses países, com exceção do Irã, foram alvo de agressões diretas ou indiretas e pressão política dos EUA e seus satélites. Existem forças militares dos EUA que permanecem estacionadas em alguns deles até hoje.
Em 2008, a empresa RAND Corporation divulgou um longo estudo sobre a “longa guerra” dos EUA. O estudo foi chamado “Desdobrando do Futuro da Longa Guerra: Motivações, Perspectivas e Implicações para o Exército dos EUA.” O relatório começou:
Os Estados Unidos estão atualmente envolvidos em uma campanha militar que tem sido caracterizada como a “longa guerra.” A longa guerra tem sido descrita por alguns como uma luta épica contra adversários empenhados em formar um mundo islâmico unificado para suplantar o domínio ocidental, enquanto outros a descrevem mais especificamente como uma extensão da guerra contra o terrorismo. Mas, embora os estrategistas, líderes militares e acadêmicos tenham oferecido numerosas definições da longa guerra, nenhum consenso foi alcançado sobre esse termo ou suas implicações para os Estados Unidos. Para entender os impactos que essa longa guerra terá sobre o Exército dos EUA e sobre as forças dos EUA em geral, é necessário entender mais precisamente o que é a longa guerra e como ela pode se desdobrar nos próximos anos.
Mas, senhoras e senhores, os EUA não estão envolvida em uma longa guerra; estão engajado em uma guerra perpétua (interminável e eterna).
Como Durden observa em seu relatório, “Guerra é Negócio.”
Em 16 de abril de 2018, foi divulgada a notícia de que alguns senadores dos EUA estavam preparando uma nova lei de autorização de guerra. Seus autores são os senadores Bob Corker, R-Tenn. e Tim Kaine, D-Va. e seus co-patrocinadores incluem os senadores Chris Coons, D-Del.; Jeff Flake, R-Ariz.; Bill Nelson, D-Fla. e Todd Young, R-Ind. O projeto regulamentaria o poder do presidente de pressionar as forças armadas dos EUA para atuações. Mas se alguém se incomodar em examinar um pouco todo o trabalho feito pelos fornecedores da área de defesa militar e as decisões políticas relacionadas às operações de combate, pode-se ver rapidamente que existe uma conexão clara entre os dois. Portanto, tais restrições podem ser não apenas políticas por natureza, mas também direcionadas a interesses comerciais. Ambos os ataques com mísseis americanos na Síria (abril de 2017 e abril de 2018) usaram mísseis Tomahawk, fabricados pela empresa norte-americana Raytheon. Em abril de 2017, quando os EUA atacaram uma base aérea síria (disparando 59 mísseis de cruzeiro Tomahawk), as ações da Raytheon na Bolsa de Valores subiram 3% antes de reduzir seu ganho pela metade, mas fecharam acima de sua média móvel de 50 dias e um ponto de compra de base fixa de 152,68. Isso colocou as ações de volta na esfera de compra. As ações de outros fornecedores do Pentágono, como Lockheed Martin, Northrop Grumman e Boeing, também subiram. Curiosamente, depois de 11 de abril de 2018, as ações da Raytheon começaram se elevar, subindo de US$ 219 por ação para um máximo de US$ 228 até 17 de abril. E isso apesar do fato de que a maior parte dos Tomahawks aterrissou longe do alvo.
Durden conclui então:
Considerando que o sistema político dos EUA é baseado nos “triângulos de ferro” — os interesses cruzados de corporações, funcionários do governo e grupos de interesse especial — é improvável que qualquer decisão verdadeiramente sensata seja tomada nos EUA com relação ao uso das forças armadas que tornaria possível resolver conflitos por meio da diplomacia. Os interesses do complexo militar-industrial americano são claramente mais urgentes do que os interesses das organizações especializadas em negociações e consultas. A guerra (ou, para usar a retórica oficial: “operações militares no exterior”) será longa, perpétua e lucrativa para os muitos participantes envolvidos.
Veja a reportagem aqui:
Em seu livro clássico “War Is A Racket” (A Guerra É Uma Ocupação Criminosa), Smedley Butler, Major-Brigadeiro dos Fuzileiros Navais (que foi duas vezes condecorado com a Medalha de Honra do Congresso), disse:
É possivelmente o mais antigo, facilmente o mais lucrativo, certamente o mais cruel. É o único de âmbito internacional. É o único em que os lucros são calculados em dólares e as perdas em vidas.
Uma ocupação profissional criminosa é melhor descrita, creio eu, como algo que não é o que parece para a maioria das pessoas. Apenas um pequeno grupo “interno” sabe do que se trata. É conduzida em benefício dos poucos, às custas dos muitos. Agumas pessoas fazem enormes fortunas com guerras.
O general Butler continuou:
Todos nós somos instigados a odiar o Japão e ir para a guerra — uma guerra que pode muito bem nos custar dezenas de bilhões de dólares, centenas de milhares de vidas de americanas e muitas outras centenas de milhares de homens fisicamente mutiladas e mentalmente desequilibrados.
É claro que, para essa perda, haveria um lucro compensador — fortunas seriam feitas. Milhões e bilhões de dólares seriam empilhados. Por alguns. Fabricantes de munições. Banqueiros. Construtores navais. Intermediários. Especuladores. Eles se sairiam bem.
Sim, eles estão se preparando para outra guerra [Segunda Guerra Mundial]. Por que eles não deveriam? Rende dividendos altos.
Mas que lucro isso dá aos homens que são mortos? Que lucro isso dá às suas mães e irmãs, suas esposas e seus namorados? Que lucro isso dá a seus filhos?
Que lucro isso dá a alguém, exceto os poucos a quem a guerra significa enormes lucros?
Sim, e que lucro isso dá aos EUA?
Veja o exemplo dos EUA. Até 1898 os EUA não possuíam um território fora do continente da América do Norte. Naquela época a dívida nacional dos EUA era um pouco mais de US$ 1.000.000.000. Então os EUA adquiriram uma “mentalidade internacional.” Os americanos se esqueceram, ou se desviaram, do conselho do Pai dos EUA. Os EUA se esqueceram da advertência de George Washington sobre “alianças emaranhadoras.” Os EUA foram para a guerra. Os EUA adquiriram território no exterior. No final do período da Guerra Mundial, como resultado direto da intromissão americana nos assuntos internacionais, a dívida nacional dos EUA saltou para mais de US$ 25.000.000.000. O saldo comercial total favorável durante o período de vinte e cinco anos foi de cerca de US$ 24.000.000.000. Portanto, na base da pura contabilidade, os EUA estão um pouco atrás de ano para ano, e esse comércio exterior bem poderia ter sido dos EUA sem as guerras.
Teria sido muito mais barato (para não dizer mais seguro) para a maioria dos americanos que pagam as contas ficarem de fora dos emaranhamentos estrangeiros. Para muito poucos, essa ocupação profissional criminosa, como o contrabando ilegal e outros crimes organizados do submundo, trazem lucros extravagantes, mas o custo das operações é sempre transferido para as pessoas — que não lucram.
Ele continuou:
Na [Primeira] Guerra Mundial, os EUA usaram propaganda para fazer os rapazes aceitarem o alistamento. Eles eram levados a se sentir envergonhados se não se juntassem ao exército.
Tão cruel era essa propaganda de guerra que até Deus era introduzido nela. Com poucas exceções, os pastores americanos se uniam no clamor para matar, matar e matar. Para matar os alemães. Deus está do lado dos EUA… é Sua vontade que os alemães sejam mortos.
E na Alemanha, os bons pastores pediam aos alemães que matassem os aliados… para agradar ao mesmo Deus. Isso fazia parte da propaganda geral, construída para tornar as pessoas conscientes da guerra e conscientes de assassinatos.
Ouça Butler novamente:
Olhando para o passado, Woodrow Wilson foi reeleito presidente em 1916 em uma plataforma que dizia que ele “manteve os EUA fora da guerra” e na promessa implícita de que ele iria “manter os EUA fora da guerra.” No entanto, cinco meses depois, ele pediu ao Congresso para declarar guerra à Alemanha.
Nesse intervalo de cinco meses, as pessoas não foram perguntadas se haviam mudado de ideia. Os 4.000.000 de jovens que vestiram uniformes e marcharam ou partiram de navio não foram perguntados se queriam sair para sofrer e morrer.
Então, o que fez com que o governo dos EUA mudasse de ideia tão de repente?
Dinheiro.
O livro do general Smedley Butler, “War Is A Racket” (A Guerra É Uma Ocupação Criminosa) está disponível em inglês aqui:
Contudo, não só existem motivações monetárias para a guerra, mas também motivações políticas. Banqueiros e comerciantes de guerra não são os únicos que lucram muito durante a guerra, os chefes de estado também lucram. Aliás, nada tende a tornar um presidente ou primeiro-ministro mais popular do que a guerra. Os Estados Unidos… são excelentes exemplos.
… Assim que Trump bombardeou a Síria e ameaçou entrar em guerra com a Coréia do Norte e o Irã, seus números de aprovação começaram a subir.
Muito parecido com Woodrow Wilson, que ganhou a reeleição com a promessa de manter os EUA fora da guerra, Donald Trump fez a mesma coisa. E assim como Wilson, assim que Trump ganhou a eleição, ele começou a promover guerra. Wilson levou os EUA para a Primeira Guerra Mundial. Trump está fazendo todas as aberturas para levar os americanos para a Terceira Guerra Mundial.
O ciclo nunca acaba: os candidatos vencem as eleições denunciando a guerra, mas freqüentemente permanecem no cargo iniciando guerras. Nada sufoca a dissidência pública como a guerra. Como ex-fanfarrão da FOX News e répobro em geral, Bill O’Reilly, gritou: “É nosso dever, como americanos fiéis, calar a boca quando a luta começar.”
Sim, quando a luta começa, não há mais pensamento e não mais raciocínio. Quando a luta começa, os amantes da paz são subitamente reduzidos ao status de aliados antipatrióticos dos inimigos. Quando a luta começa, o governo constitucional cessa de existir, assim como a moralidade, a ética e, é claro, a verdade. Quando a luta começa, as repúblicas são transformadas em monarquias e os cidadãos são transformados em suditos. Realmente não importa quem é o inimigo, contanto que haja um inimigo. Então, a luta nunca deve parar.
Smedley Butler estava certo: a guerra é uma ocupação profissional criminosa! É uma ocupação profissional criminosa para o benefício de políticos, banqueiros e aproveitadores de guerra. E agora, ninguém está administrando melhor essa ocupação do que Donald Trump.
Traduzido e editado por Julio Severo do original em inglês de Chuck Baldwin: Perpetual War: A Racket For Politicians, Bankers And War Profiteers
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