9 de julho de 2018

Cessacionismo: Apostasia Sistemática


Cessacionismo: Apostasia Sistemática

Vincent Cheung
Poderíamos escrever um livro inteiro sobre como a maldita heresia do cessacionismo perverte todas as doutrinas da fé cristã. Precisaríamos escrever outro livro a mais para detalhar o dano incalculável que esse ensinamento demoníaco infligiu à igreja através da história e, de fato, em toda a humanidade.
Aqui, nada mais faremos do que considerar brevemente como o cessacionismo se relaciona com um resumo da teologia dogmática cristã. Como estabeleci os itens abaixo em vários lugares, apenas os apresentarei em lista e presumirei que eles são compreendidos. Não sejamos bebês espirituais, mas rapidamente nos lembremos e apliquemos o que aprendemos.
Alguns desses erros são cometidos não apenas por cessacionistas, mas por categorias mais gerais daqueles que se dizem cristãos, aos quais chamamos de pessoas descrentes ou sem fé. Apesar de nos referirmos apenas aos cessacionistas por uma questão de conveniência, todas as pessoas sem fé são culpadas de muitos dos itens abaixo. 

Bibliologia

Quando se trata da inspiração das Escrituras, a formulação evangélica coloca muita ênfase nos apóstolos, e o cessacionista explora isso para defender sua causa. Expliquei como essa formulação é defeituosa e força o próprio evangélico a um canto, pois exige que ele invente uma teoria após outra para abordar os problemas gerados. Deus é o autor das Escrituras, e isso não ajuda o cessacionismo, porque Deus ainda vive.
Então os cessacionistas dizem que o cessacionismo vem da suficiência das Escrituras, mas Paulo disse a Timóteo que as Escrituras que ele tinha — o Antigo Testamento — já eram suficientes. Assim, a Bíblia completa não é apenas suficiente, mas mais do que suficiente — isso revela outra falha na formulação evangélica. Em todo caso, se o cessacionismo deriva da suficiência das Escrituras, então o cessacionismo deve declarar que todo o Novo Testamento é desnecessário e fraudulento. A Bíblia é suficiente para construir fé para produzir milagres. E é suficiente para condenar o cessacionista.
E então os cessacionistas dizem que o cessacionismo é resultado da irrevocabilidade das Escrituras, ou da conclusão das Escrituras. Contudo, os dons do Espírito não escreveram as Escrituras, mas Deus as escreveu — as Escrituras vieram de seu próprio fôlego — e ele ainda vive. Se a conclusão das Escrituras fez com que a habilidade de escrever as Escrituras cessasse, então deve significar que a conclusão das Escrituras destruiu o próprio Deus, já que ele é a única habilidade de escrever as Escrituras. Portanto, o cessacionista não pode nem mesmo ser um teísta, muito menos um cristão. A Bíblia é a palavra final sobre o assunto, que Deus promete bênçãos sobrenaturais e manda o ministério de milagres.
O cessacionista também subverte a clareza das Escrituras, pois ele proíbe a fé direta nas palavras da Bíblia. Em vez disso, ele impõe uma estrutura artificial nas Escrituras, juntamente com várias palavras fantasiosas e teorias estranhas sobre os propósitos de Deus, a fim de torcer as palavras de Deus além de todo reconhecimento, de modo que ele possa justificar sua incredulidade e falta de poder.
O cessacionista afirma defender a doutrina de que as Escrituras são suficientes e finais, mas ele rejeita o que essas Escrituras finais e suficientes dizem. Como Jesus disse: “Por que vocês me chamam de ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que digo a vocês?” Cuidado! Essas mesmas Escrituras também são suficientes para declarar a condenação final daqueles que persistem na incredulidade. Isso ficou claro na carta aos Hebreus, entre outros lugares. De que adianta declarar a suficiência das Escrituras, se você não acredita nelas? De que vale declarar a irrevocabilidade da Bíblia, se você não lhe obedece? Por que você declara a clareza das Escrituras, se distorce o que ela diz? O único efeito é autocondenação.

Teologia

A natureza de Deus é operar milagres. Isso é evidente em toda a Bíblia. Como está escrito: Quem entre os deuses é como tu, ó SENHOR? Quem é como tu — majestoso em santidade, estupendo em glória, operando maravilhas?” Seria ridículo afirmar que Deus ainda é majestoso em santidade, estupendo em glória, mas que ele não está mais fazendo maravilhas. Não tem nada a ver com a história da redenção ou com a conclusão das Escrituras — é da sua natureza fazer milagres. A questão não é quando é, mas o que ele é.
Deus realiza milagres muitas vezes não para provar a si mesmo ou para se revelar, ou para autenticar novas revelações, mas para cumprir suas antigas promessas e antigas revelações. Ele faz milagres porque ele é fiel à sua palavra. Aliás, a maioria dos milagres é realizada nessa base. O cessacionista distorce tanto a natureza das Escrituras quanto a natureza de Deus.
Deus é soberano. Ele soberanamente faz promessas, e então ele sempre soberanamente mantém suas promessas. No entanto, para o cessacionista, mesmo quando Deus prometeu algo, ele pode não fazê-lo, porque “Deus é soberano.” Isso é o que eles dizem aos cristãos que oram de acordo com as palavras das Escrituras. “Deus é soberano,” de modo que independentemente do que a Bíblia diga, cada oração ainda é decidida caso a caso. Em outras palavras, cada promessa na Bíblia se torna totalmente sem sentido. Assim, o cessacionista faz de Deus um mentiroso soberano, um soberano violador da aliança. Isso é blasfêmia. É uma das muitas ofensas dignas de excomunhão cometidas por todo cessacionista.
A Bíblia nos orienta a não esquecer seus benefícios, e declara que Deus é aquele que perdoa todos os nossos pecados e cura todas as nossas doenças. Se temos fé para que ele nos perdoe, então é claro que ele nos perdoa. Embora o perdão e a cura sejam fornecidos na mesma base, o cessacionista costuma dizer que, mesmo quando temos fé para Deus nos curar, ainda assim ele pode não nos curar. Então, o cessacionista introduz uma contradição dentro do relato bíblico da natureza de Deus e da natureza da redenção, e ele não tem base para afirmar que Deus sempre perdoará alguém que tem fé, de modo que a própria base dele para a salvação é destruída.
Jesus declarou que aqueles que creem nele realizariam as mesmas obras que ele e obras ainda maiores do que ele fez. Ele explicou que Deus é quem realizaria essas obras, para que ele fosse glorificado. O cessacionista não permite isso e, portanto, insiste numa versão fundamentalmente diferente de como Deus opera.

Cristologia

A Bíblia diz que Jesus levou nossas enfermidades e levou nossas doenças. Quem tem fé deve ser liberto da doença, assim como qualquer pessoa que tem fé deve ser liberta do pecado. Se tivermos alguma dificuldade, devemos nos examinar e não mudar a doutrina. As duas bênçãos são asseguradas e fornecidas na mesma base, de modo que afirmar uma exige que a pessoa afirme a outra, e negar uma exige que a pessoa negue também a outra. O cessacionista rejeita, assim, a expiação e anula sua própria alegação de que é salvo.
A Bíblia diz que os discípulos curavam os doentes e expulsavam demônios no nome de Jesus. A doutrina do evangelho é que Deus ressuscitou Jesus dos mortos e assentou-o à destra do Altíssimo, para que todo ser no céu, na terra e debaixo da terra se curvasse a esse nome. Aliás, esse nome foi eficaz em realizar milagres antes mesmo da ressurreição de Cristo. Assim, o cessacionista rejeita a autoridade do nome de Jesus e considera-o como abaixo do que era até mesmo antes da ressurreição de Cristo.
Pedro disse que o homem aleijado foi curado “pela fé no nome de Jesus,” mas também disse que “não há outro nome debaixo do céu dado aos homens pelo qual devemos ser salvos.” O apóstolo pregou o mesmo nome para salvação da mesma forma e no mesmo contexto em que ele o pregou e usou para realizar um milagre de cura. Se o nome de Jesus pode salvar hoje, então o nome de Jesus pode curar hoje. Se o nome de Jesus não cura hoje, então em que base podemos acreditar que ele salva hoje? É o mesmo nome. Assim, o cessacionista rejeita o único nome pelo qual ele deve ser salvo. Não há outro caminho, mas ele rejeita o único caminho.
Quando Jesus declarou que aqueles que creem nele realizariam as mesmas obras que ele realizava e obras ainda maiores do que ele fazia, ele também disse que é ele quem as realizaria. Ele disse: “Qualquer um que tem fé em mim fará o que eu tenho feito. Ele fará coisas ainda maiores do que essas… Você pode me pedir qualquer coisa em meu nome e eu farei.” Já que o cessacionista nega o ministério de milagres, ele também abole um aspecto inteiro do ministério pós-ressurreição e atual de Jesus Cristo.
A Bíblia diz que Jesus é aquele que realiza o batismo no Espírito Santo, e que esse batismo dota seus discípulos com “poder do alto,” o mesmo poder que Jesus tinha quando ele andava na terra e fazia milagres. Já que o cessacionista nega que Jesus agora concede poder de operar milagres àqueles discípulos que recebem pela fé, ele rejeita o ministério de Jesus como o batizador.
Assim, o cessacionista faz um ataque total à doutrina de Cristo, desde sua autoridade pré-ressurreição até sua autoridade pós-ressurreição, e desde sua obra de expiação até sua obra de mediador, realizador de milagres e batizador. Esse último item, claro, também se torna um ataque à doutrina do Espírito Santo.

Pneumatologia

O cessacionismo rejeita o ensino da Bíblia de que o batismo no Espírito Santo é distinguível da obra do Espírito na regeneração. E o cessacionismo rejeita o ensino da Bíblia sobre o que esse batismo no Espírito Santo deve produzir. Na Bíblia, quando o Espírito Santo vem sobre uma pessoa, isso resulta em milagres e profecias. A Bíblia afirma repetida e explicitamente que isso é o que o batismo no Espírito Santo pretende produzir. O cessacionista rejeita isso, mas reduz a operação do Espírito no crente a um mero poder moral, talvez resultando em santidade, perseverança e coisas semelhantes.
Pedro pregou esse batismo de poder milagroso como o evangelho, soando como se receber o perdão do pecado é em si um meio para um fim —receber o Espírito Santo para obter poder. Ele disse: “Arrependam-se e sejam batizados cada um de vocês no nome de Jesus Cristo para o perdão dos seus pecados, e vocês receberão o dom do Espírito Santo.” Ele não disse: “Creia em Jesus para ter perdão de seus pecados, e você receberá o dom da vida eterna.” Mas ele disse: “Creia em Jesus para ter o perdão dos pecados, e você receberá o dom do Espírito Santo.”
O que ele quis dizer com o dom do Espírito Santo? Ele especificou que ele se referiu ao que Joel disse: “Nos últimos dias, Deus diz, derramarei meu Espírito sobre todas as pessoas. Seus filhos e filhas profetizarão, seus jovens terão visões, seus velhos sonharão. Mesmo em meus servos, tanto homens quanto mulheres, derramarei meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão.” Em outras palavras, Pedro disse: “Creia em Jesus para ter perdão dos pecados e você receberá profecias, visões, sonhos e assim por diante.” Assim, o cessacionista abole não apenas um aspecto importante da obra do Espírito Santo, mas abole o próprio evangelho apostólico.
O cessacionista rejeita os dons do Espírito. Contudo, a Bíblia promete e ordena o aumento e a expansão de poderes miraculosos, inclusive os dons do Espírito (os dons representam apenas uma entre várias maneiras de realizar ou receber milagres). Portanto, o cessacionista rejeita além disso a obra do Espírito e também o que significa ser um cristão. Muitas vezes, o Espírito foi praticamente reduzido a uma influência moral, mas ele é muito mais que isso. Em iniquidade, o cessacionista suprime o Espírito e colhe dentro de seu próprio espírito, corpo e sociedade os resultados de sua incredulidade.
Jesus disse: “Você receberá poder quando o Espírito Santo vier sobre você, e então você será minha testemunha.” Como o cessacionista rejeita esse poder, ele não apenas desafia a pneumatologia bíblica, mas também a missiologia bíblica. O cessacionista faz com que sua doutrina e credo oficial, muitas vezes até mesmo um teste de ortodoxia, rejeite a Grande Comissão como Jesus a projetou.
O cessacionista também rejeita o que Jesus quis dizer com a blasfêmia contra o Espírito Santo. Alguns cessacionistas têm realmente cometido esse pecado imperdoável e, já que eles alteraram e relaxaram seu significado, também aumentaram a probabilidade de que outras pessoas cometessem o pecado. Assim, eles são responsáveis não apenas por sua própria blasfêmia imperdoável, mas também pela blasfêmia e condenação de outras pessoas.

Antropologia e Soteriologia

A natureza do homem como espírito e feito à imagem de Deus, especialmente alguém que renasceu, traz certas implicações para operações espirituais e milagrosas. O cessacionista não sabe ou não aceita o que a Bíblia ensina sobre a natureza espiritual do homem. Então Tiago, no contexto da fé e oração, escreveu que Elias era um homem como nós, e pela fé e oração ele realizou milagres que controlavam a natureza. A Bíblia não diz que eu preciso ser como um profeta para fazer milagres, porque diz que um profeta que fazia milagres era como eu. O cessacionista não sabe o que significa ser um ser humano, ou o que significa quando um ser humano tem fé.
Jesus é a videira, eu sou o galho, e sem ele não posso fazer nada. Mas não estou sem ele. Estou ligado a ele e extraio vida e poder dele. Não sou Jesus, mas o fato de eu não ser Jesus garante que posso fazer as mesmas obras que ele fez e ainda maiores do que ele fez, porque ele disse que “quem tem fé” nele poderia fazer essas coisas — não ele, mas quem tem fé nele. E, claro, então ele é aquele que faz essas coisas através daquele que tem fé. Eu não preciso ser um Deus, ou um apóstolo ou um profeta para fazer milagres. Eu só preciso ser um ser humano — um homem que tenha fé em Jesus Cristo.
Quando se trata da doutrina do pecado, o cessacionista frequentemente fala de arrependimento, pecado e indignidade, mas ele se recusa a se arrepender de sua própria incredulidade. Ele não adverte as pessoas sobre a incredulidade para com os milagres, os dons do Espírito e os benefícios do evangelho; ao contrário, ele promove a descrença em relação a essas coisas. Assim, o cessacionista mostra que ele tem consciência do pecado, mas ele não permite que a Bíblia defina o pecado. Ele abraça o principal pecado da incredulidade por si mesmo, e ele promove o pecado da incredulidade para os outros. Ele ainda não aprendeu a primeira lição sobre o pecado, mas ele ecoa a serpente, o diabo, que disse: “Deus realmente disse?”
Quanto à soteriologia, já cobrimos alguns itens que também poderiam estar sob essa doutrina. O cessacionista rejeita a expiação como é ensinada na Bíblia, que essa obra de Cristo provê tanto perdão quanto cura, entre outras coisas, e que elas estão disponíveis no presente pela fé. Ele nega que Jesus Cristo salva o homem todo. Tenha em mente que o Espírito Santo também é dado com base na redenção. Na aplicação da redenção, o cessacionista rejeita o ensino da Bíblia sobre o batismo do Espírito Santo, confundindo-o e fundindo-o com outros itens à força, para que ele possa suprimir inteiramente seu verdadeiro propósito e poder.

Eclesiologia

Paulo escreveu que assim como o corpo é um e tem muitos membros, assim é com Cristo. Então, no contexto dos dons espirituais, ele disse que uma parte do corpo não pode dizer à outra: “Não tenho necessidade de você!” Os dons miraculosos são fortes e necessários? Então, esperamos que eles permaneçam. Mas e se os dons miraculosos parecerem fracos e desnecessários? O apóstolo respondeu: “Pelo contrário, as partes do corpo que parecem mais fracas são indispensáveis.” De qualquer ângulo que olhemos para essa questão, se a cura é um dom do Espírito, ninguém pode dizer a esse dom ou a alguém que o use “Não tenho necessidade de você!” Da mesma forma, se a profecia é um dom do Espírito, se as línguas são um dom do Espírito, se os milagres são um dom do Espírito, ninguém pode dizer: “Não preciso de vocês!” Entretanto, exceto pelo curto período após a ressurreição de Cristo, o cessacionista diz dos dons do Espírito e daqueles que tinham os ministérios desses dons — para o passado, presente e futuro — “Não tenho necessidade de vocês!” Ele esbofeteia o Espírito ao longo dos séculos. Assim, o cessacionista comete o erro dos coríntios — em proporções históricas.
O apóstolo disse: “deseje de todo o coração profetizar e não proíba falar em línguas,” mas o cessacionista proíbe profetizar e detesta de todo o coração falar em línguas. O apóstolo disse que os crentes podem todos falar em profecia, um por um, mas o cessacionista diz que os crentes nunca podem falar em profecia. O apóstolo disse: “Não apague o Espírito. Não despreze as profecias.” O cessacionista faz o oposto. O apóstolo disse: “Quando vocês se reúnem, todos têm um hino, ou uma palavra de instrução, uma revelação, uma língua ou uma interpretação.” Mas o cessacionista declara que ninguém pode ter uma revelação, ninguém pode ter uma língua, e ninguém pode ter uma interpretação. Isto é mesmo uma igreja cristã? A igreja cessacionista nunca alcança o mandato apostólico do que um culto da igreja deve ser e fazer. Ela alega ser uma igreja, mas não se comporta como uma igreja.
A igreja cessacionista não mantém a ordem da igreja. Ordem adequada da igreja não significa apenas parar as coisas erradas, mas também promover as coisas certas. Nós não reprimimos falsas doutrinas removendo toda a pregação da igreja. Isso não seria ordem da igreja, mas apostasia. Não seria proteger a igreja, mas destruir a igreja. Da mesma forma, a ordem da igreja regula a operação dos dons do Espírito. Se ela proíbe os dons do Espírito, não é mais a ordem da igreja, mas apostasia.
E quanto à disciplina na igreja? Na Bíblia, a igreja poderia se reunir para entregar um membro pecador a Satanás “para a destruição da carne,” mas você precisa de poder espiritual para fazer isso. Hoje em dia, o membro excomungado provavelmente se tornará mais feliz e saudável, porque ele não precisa mais ouvir esses sermões deprimentes sobre doença! Há mais cura no mundo do que na igreja.
E quanto à ordenação? Como o Espírito disse: “Separe para mim Barnabé e Saulo.” Mas agora temos apenas ambição humana, educação humana e depois uma comissão humana. Paulo escreveu a Timóteo: “Não negligencie o dom que você tem, o qual lhe foi dado por profecia, quando o conselho de anciãos impôs as mãos sobre você.” O quê, o dom? O quê, por profecia? Mas agora temos diplomas e certificados. Qualquer cessacionista é verdadeiramente ordenado? Talvez ele possa ser “legalmente” ordenado, como diz o credo — isto é, de acordo com a lei religiosa humana — mas ele não é espiritualmente e poderosamente ordenado.

Escatologia

A Bíblia diz que os dons do Espírito são como sentir o gosto dos “poderes da era vindoura.” Portanto, dizer que nós já saímos da era dos dons do Espírito só pode significar que estamos vivendo na “era vindoura.” Isso não é apenas escatologia falsa, mas também deve significar que nós — inclusive os cessacionistas, se forem crentes — deveríamos ter poderes ainda mais fortes do que os demonstrados pelos dons do Espírito. Se os dons do Espírito são apenas como sentir um gosto, e já saímos desse estágio, então deveríamos estar agora com a medida completa dos poderes sobrenaturais. Deveríamos estar experimentando um bilhão de vezes mais os poderes demonstrados pelos apóstolos. Se não estamos na “era vindoura,” então ainda estamos vivendo no tempo em que podemos sentir o gosto “dos poderes da era vindoura,” de modo que deveríamos ter os dons do Espírito.
Em outro lugar, a Bíblia diz que os dons do Espírito cessarão quando os poderes que eles representam se tornarem tão amplos e comuns em nossa experiência que os dons seriam como coisas de crianças. Se eu vejo “num espelho vagamente” com os dons do Espírito agora, eu então verei “face a face.” Se eu sei em parte agora, então “eu saberei completamente, assim como sou conhecido.” Se posso fazer algo como um milagre agora pelos dons do Espírito, então quando os dons do Espírito cessarem, farei isso e muito mais como uma habilidade natural, e isso não seria mais um milagre para mim. Eu não precisaria da operação de milagres para andar sobre as águas se isso se tornasse minha capacidade inerente andar sobre as águas.
Se os dons do Espírito cessaram, então já estamos nesse estágio. Mas já que não estamos nesse estágio, é falsa escatologia dizer que os dons do Espírito cessaram. O cessacionista frequentemente acusa as pessoas de ensinar o triunfalismo. Isso geralmente é uma afirmação falsa, e a doutrina cessacionista é pior. Do ponto de vista da escatologia bíblica, o cessacionismo é o triunfalismo sem o triunfo. É a doutrina de um perdedor supremo.

Conclusão

Há mais doutrinas e categorias a serem consideradas, mas eu já tive de apressar as anteriores e desisti de itens que eu poderia ter discutido, mesmo combinando homem, pecado e salvação em uma seção. O que mais direi? Pois me faltaria o tempo para falar de como o cessacionismo corrompe a apologética, o aconselhamento, a ética, a política, a economia, a educação, o trabalho e a vida, e todos os aspectos do pensamento e da conduta cristã.
Para a apologética, o cessacionista rejeita o papel do Espírito em imaginar argumentos, recordar princípios, revelar segredos e realizar milagres. Como eu disse em nosso programa sobre Argumentação Cristã, “O Espírito Santo é o mestre teólogo, filósofo, examinador, parceiro profético, milagreiro… O fator que falta em todo curso de apologética cristã.”
Para o aconselhamento, o cessacionista nega a ajuda do Espírito em revelar corações e produzir respostas, e curar condições psicológicas que estão associadas a doenças físicas, como alguns casos de depressão. E quanto a expulsar demônios? Você está brincando? Isso é para o cinema. O cessacionista envia o diabo para os incrédulos tratarem, para que eles possam colocá-lo em uma camisa de força e entupi-lo de drogas.
Para a ética, o cessacionista impede que o Espírito mude os homossexuais e viciados em drogas através de poderes miraculosos. Alguns casos de aborto provocado — ou algumas desculpas para o aborto provocado — podem ser completamente eliminados mediante milagres de cura para os bebês em gestação, ou até mesmo apenas mediante a volta da mera doutrina da cura à discussão. Lembrando que não estamos apenas mirando o cessacionismo, mas todo tipo de incredulidade, algo como a ética do roubo e da pobreza deve ser tratado não apenas com princípios e mandamentos, mas também com a promessa de provisão material no evangelho.
Quanto ao modo como o cessacionismo corrompeu o engajamento da igreja com a cultura, as pessoas costumavam ter medo de Jesus por causa dos milagres feitos em seu nome: “Nenhum dos outros ousava se juntar a eles, mas o povo os considerava em alta estima” e “Eles todos foram tomados de medo, e o nome do Senhor Jesus era tido em alta honra.” Agora eles riem dele. A igreja está indignada e reage com política.
O cessacionismo redefiniu como a igreja se relaciona com o mundo, até mesmo como Deus se relaciona com o mundo. Veja! O Senhor disse: “Toda autoridade no céu e na terra me foi dada.” Que tipo de embaixador negocia com uma nação conquistada em seus termos? Não seria ele um traidor do rei? Ele não seria alguém que as pessoas cuspiriam, espancariam e chutariam? Mas o cessacionista traiu o Rei Jesus e seu edito, o evangelho.
O cessacionismo corrompe todo o sistema cristão da verdade e o modo inteiro de vida cristão. Ele ataca tudo sobre a fé cristã, não deixando nada sem tocar. É uma completa apostasia da fé cristã. É uma completa deserção do evangelho de Jesus Cristo. O resultado é uma religião diferente da que as Escrituras ensinam.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês de Vincent Cheung: Cessationism: A Systematic Apostasy
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