17 de julho de 2018

Autoproclamado maior evento conservador da América Latina é realizado por grupo pró-maconha


Autoproclamado maior evento conservador da América Latina é realizado por grupo pró-maconha

Julio Severo
“No próximo dia 28 de julho será realizado na cidade de Foz do Iguaçu-PR o maior encontro da direita latino-americana de toda a história: a Cúpula Conservadora das Américas irá reunir lideranças políticas da direita de diferentes países latino-americanos e também dos Estados Unidos. O encontro está sendo organizado pelos deputados federais Eduardo Bolsonaro e Fernando Franscischini,” disse um site direitista brasileiro.
O que o site não disse é que, pelo nome pomposo, era de supor que a Cúpula Conservadora das Américas defendesse ideias conservadoras. No entanto, conforme consta no próprio site do evento, a Cúpula está sendo oficialmente realizada pela Fundação Indigo, que defende a legalização do uso medicinal e recreativo da maconha.
“A legalização do porte, distribuição e venda de maconha para fins medicinais e recreativos poderia solucionar vários problemas públicos brasileiros, como a superlotação de prisões, a existência de esquemas complexos e muito lucrativos de tráfico, a redução taxa de criminalidade e a redução do número de mortes causadas pelo tráfico e pela overdose com a utilização substâncias mais tóxicas,” defende a Fundação Índigo, que realiza a Cúpula Conservadora das Américas.
Quando você pensa em legalização das drogas, um dos grandes nomes que vêm à mente é George Soros, bilionário esquerdista engajado em várias frentes de combate contra o conservadorismo para liberalizar as drogas. Mas, numa reviravolta que faz recordar George Orwell, uma autoproclamada conferência conservadora está sendo realizada por uma entidade igualmente engajada na luta para liberalizar as drogas.
Não se sabe se Soros está de alguma maneira por trás da Cúpula Conservadora das Américas, mas o fato é que esse evento inaugura o primeiro conservadorismo movido por um grupo pró-maconha da história do Brasil.
Se a Cúpula Conservadora é a “cara” da direita brasileira, então essa direita está mais para a esquerda do que a fachada de sua propaganda.
O público internacional muitas vezes não entende o “conservadorismo” brasileiro. Por exemplo, Marina Silva, que era candidata a presidente do Brasil na eleição passada, foi retratada na imprensa americana como “conservadora,” embora ela não tenha nenhum ativismo contra o aborto e contra a agenda gay. Ela foi interpretada como conservadora meramente porque a maioria dos evangélicos brasileiros é conservadora e porque ela também é evangélica da Assembleia de Deus, mas muitos não notaram que ela veio do catolicismo e nunca largou da Teologia da Libertação de suas origens católicas. Fui um dos únicos conservadores brasileiros a denunciar em inglês que ela não é conservadora, mas esquerdista.
A Fundação Indigo é ligada ao PSL, partido de um dos palestrantes, Jair Bolsonaro, que é pré-candidato a presidente e está usando todas as plataformas possíveis para fazer propaganda de sua candidatura. Outro membro do PSL, Luciano Bivar, é a favor da legalização do aborto e da eutanásia. Fica então muito estranho e bizarro um partido político com um político pró-aborto realizar uma suposta maior conferência conservadora da história da América Latina.
Os nomes dos palestrantes escalados para a conferência são: Paulo Guede (Brasil), Carlos Gomez (Chile), Francisco Javier Leturia Infante (Chile), General Augusto Heleno Pereira (Brasil), Diego Pessi (Brasil), Olavo de Carvalho (Brasil), Príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança (Brasil), Roderick Navarro (Venezuela) e Jair Bolsonaro (Brasil).
Dos EUA, o palestrante se chama Orlando Gutierrez-Boronat, que não é um líder famoso nem nos EUA nem no Brasil.
Essencialmente, a Cúpula Conservadora das Américas é um evento politiqueiro realizado pela Fundação Indigo e por Eduardo, filho de Jair Bolsonaro, ambos extremamente políticos.
A presença de Olavo de Carvalho, o maior propagandista da Inquisição no Brasil, só ocorre porque ele é muito bajulado por Bolsonaro e é suspeito de ser o Rasputin dele. A presença dele só seria de estranhar num evento genuinamente conservador. Mas num evento politiqueiro e oportunista, o suposto direitismo dele fica muito bem encaixado.
Apesar dos esforços de Bolsonaro de engrandecer seu próprio movimento conservador movido por um grupo pró-maconha e bajular seu Rasputin com seu falso conservadorismo, “The Nation,” a revista mais antiga dos Estados Unidos, publicada desde 1865, disse em matéria especial no ano passado que a maior força conservadora antimarxista do Brasil são os evangélicos.
Um suposto direitista pró-Inquisição não é menos desconcertante e contraditório do que um evento supostamente conservador realizado por uma entidade política pró-maconha. Seja como for, Carvalho fuma sem parar e é um defensor radical do fumo.
Qualquer grupo conservador que promove tal evento mostra que interesses politiqueiros estão acima de uma genuína agenda conservadora.
Com informações de Gazeta do Povo.
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