10 de junho de 2018

Trump realiza seu primeiro jantar de Ramadã na Casa Branca, provocando protestos de grupos muçulmanos


Trump realiza seu primeiro jantar de Ramadã na Casa Branca, provocando protestos de grupos muçulmanos

Embaixadores da Jordânia, Arábia Saudita, Catar e Iraque comparecem a jantar de Trump, que diz: “Iftar marca a união de familiares e amigos para celebrar a paz”

Amir Tibon
Comentário de Julio Severo: Ainda que em sua campanha eleitoral Trump tenha irado os muçulmanos quando prometeu restringir a imigração deles aos EUA, como presidente ele cumpriu isso só parcialmente. Agora só os muçulmanos que não são aliados da Arábia Saudita enfrentam restrições para entrar nos EUA. Os muçulmanos sauditas podem entrar à vontade, quando os ditadores sauditas não permitem igrejas cristãs em seu país. Mas o que me entristece mais é agora Trump celebrando um feriado islâmico dentro da Casa Branca. Ele está fazendo exatamente o que Obama fazia. Aliás, de acordo com o jornal israelense Haaretz, cuja reportagem está abaixo, a tradição de presidentes americanos fazerem esse jantar islâmico foi iniciado por Hillary Clinton. É então uma vergonha imensa Trump prosseguir essa tradição islâmica de Hillary. Ele está bajulando os muçulmanos. No ano passado, a Reforma protestante fez aniversário de 500 anos e os Estados Unidos, como a maior nação protestante do mundo, tinham a obrigação moral de celebrar essa data. Mas em vez disso Trump preferiu celebrar o Dia das Bruxas. O que dizer de um presidente “evangélico” que não celebra a Reforma protestante, mas celebra o Dia das Bruxas e agora celebra um feriado muçulmano iniciado por Hillary? Leia o artigo a seguir:
WASHINGTON, EUA — A Casa Branca organizou um jantar Iftar para o mês sagrado muçulmano do Ramadã na noite de quarta-feira, o primeiro evento desse tipo desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu o cargo.
Cerca de 50 convidados participaram do evento, formando uma multidão mista de autoridades do governo, embaixadores de países muçulmanos e muçulmanos americanos. Simultaneamente, dezenas de muçulmanos americanos protestaram contra Trump fora da Casa Branca, realizando seu próprio jantar alternativo Iftar no Lafayette Park.
Entre os que compareceram ao jantar estavam Trump, o vice-presidente Mike Pence, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e Jared Kushner, genro de Trump e assessor sênior. Trump sentou-se ao lado de Dina Kawar, embaixadora jordaniana nos EUA. Outros países árabes representados por seus embaixadores incluíram a Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Tunísia e Iraque.
Trump abriu o evento agradecendo “a comunidade muçulmana” nos EUA e elogiando o estado da economia dos EUA. Ele então disse que o Iftar marca a união de familiares e amigos para celebrar a paz” e que ele sentiu orgulho de visitar a Arábia Saudita no ano passado. A reza antes da refeição foi liderada pelo líder religioso islâmico Dawud Abdul-Aziz Agbere, que é tenente-coronel do Exército dos EUA. Ele participou do evento em uniforme militar e foi elogiado por Trump.
Líderes de grupos muçulmanos americanos, como a Sociedade Islâmica da América do Norte e o Conselho de Relações entre Americanos e Muçulmanos, criticaram o evento, que segundo eles incluía mais dignitários estrangeiros do que os muçulmanos americanos (a Casa Branca não divulgou uma lista completa dos participantes, uma política comum para eventos desse tipo.) Os manifestantes que estavam no lado de fora da Casa Branca manifestaram-se contra a “proibição muçulmana” de Trump e seus comentários contra os muçulmanos durante a campanha presidencial.
A Casa Branca realiza jantares Iftar anuais desde o tempo do governo Clinton. A tradição foi iniciada pela então primeira-dama Hillary Clinton e continuou nos governos de George W. Bush e Barack Obama. No ano passado, Trump escolheu romper com a tradição. Em vez de realizar um jantar, a Casa Branca divulgou uma declaração sobre o feriado islâmico que focava fortemente na ameaça do terrorismo, observando que os recentes ataques “reforçam nossa decisão de derrotar os terroristas e sua ideologia pervertida.”
A Casa Branca atingiu um tom consideravelmente mais caloroso no mês passado, quando divulgou um comunicado do presidente declarando “Ramadan Mubarak,” uma saudação comum no islamismo se referindo a um feriado abençoado. A declaração elogiou a Constituição por garantir que os muçulmanos possam guardar o feriado “sem restrições governamentais” e não mencionou o terrorismo.
“O Ramadã nos faz lembrar a riqueza que os muçulmanos acrescentam à grande variedade religiosa da vida americana,” disse o comunicado.
Traduzido por Julio Severo do jornal israelense Haaretz: Trump Hosts His First White House Ramadan Dinner, Sparking Protest From Muslim Groups
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