26 de junho de 2018

Quem é Nikki Haley?


Quem é Nikki Haley?

Julio Severo
A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, tirou os Estados Unidos do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Seu argumento é que esse conselho tem um viés anti-Israel. Sua decisão foi absolutamente correta. Na verdade, os Estados Unidos deveriam ter tomado essa decisão há muitas décadas.
Nikki Haley
Mas Haley não estava certa ao acrescentar a Síria ao seu argumento dizendo que esse conselho aprovou mais resoluções neste ano condenando Israel do que a Síria — querendo dizer que a Síria merece ser alvo especial de ataques na ONU.
Por que ela selecionou a Síria, que não é membro desse conselho, e não escolheu a Arábia Saudita, que é membro desse conselho?
Se o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas está votando sistematicamente contra Israel, é porque seu membro saudita e outros membros radicais querem isso.
Desde 2011, a Síria tem sido vítima das ações militares do governo dos EUA, primeiro sob Obama e agora sob o Presidente Donald Trump. O grande pecado sírio é não estar alinhado aos interesses dos EUA. A Arábia Saudita não foi selecionada para ser atacada por Haley porque, apesar de ser uma patrocinadora do terrorismo islâmico mundial, está alinhada aos interesses dos EUA. Então culpe um inimigo dos EUA (Síria) pelo ódio anti-Israel de um aliado dos EUA (Arábia Saudita) na ONU!
Entretanto, esta não é a primeira vez que os EUA e a Arábia Saudita têm interesses alinhados. Quando o presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt, criou a ONU em 1945, ele assegurou à Arábia Saudita que não permitiria a criação de Israel. Assim, o criador da ONU — Roosevelt — não queria a criação de Israel, porque ele tinha em mente os interesses sauditas. Se a ONU hoje se opõe a Israel para servir aos interesses sauditas, está fazendo apenas a vontade de seu criador.
Se Haley fosse embaixadora dos EUA sob o criador da ONU, ele a elogiaria por não ter selecionado a Arábia Saudita para ser atacada. Mas ele certamente a demitiria por se opor aos interesses sauditas no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas contra Israel.
Foi um grande passo tirar os EUA desse conselho. No entanto, seria um passo muito mais necessário repudiar sua criação perversa. Os EUA não podem negar sua própria paternidade sobre a ONU, mas podem e devem repudiar sua criação e denunciar Roosevelt.
De qualquer forma, Haley teria problemas se tentasse se opor aos interesses sauditas anti-israelenses em um governo Roosevelt.
Mas mesmo no governo Trump, os interesses dela nem sempre estão alinhados a Trump.
Em abril passado, Haley se envolveu em uma briga pública depois que o assessor de Trump, Larry Kudlow, sugeriu que ela teve alguma “confusão momentânea” em relação às sanções americanas contra a Rússia. Haley respondeu: “Com todo o respeito, não me confundo.”
Ela apoia o aumento das sanções anti-Rússia que Obama havia iniciado. Ela queria mais sanções anti-Rússia num momento em que Trump não queria, e deu confusão.
Haley, de 46 anos, é embaixadora na ONU desde 27 de janeiro de 2017.
Há outras coisas que você precisa saber sobre Haley.
Ela foi nomeada uma das 100 pessoas mais influentes na revista Time em 2016. Então, se ela é tão importante, você precisa conhecê-la melhor, porque se há uma mulher que pode alcançar a presidência dos EUA, é ela.
Quando assumiu o cargo em 2011, Haley se tornou a primeira governadora do sexo feminino da Carolina do Sul. A republicana também foi a primeira representante de uma minoria a ocupar esse cargo. Ela foi endossada por Mitt Romney, o candidato presidencial republicano de 2012. Romney foi o primeiro governador a aprovar o “casamento” homossexual em Massachusetts. Mas Haley não é culpada pelos liberais republicanos que a apoiam.
Ela deveria ser culpada pelo que ela mesma tem feito. E, com todo o respeito a ela, acho que ela realmente fica confusa.
Em 2015, Haley assinou um projeto de lei para remover uma bandeira confederada que estava na sede do governo, aderindo às exigências dos esquerdistas no estado que viam a bandeira conservadora como um símbolo de ódio. Ela ficou do lado dos esquerdistas contra os conservadores. Ela fez exatamente o que governadores esquerdistas fizeram em outros estados.
“Esta bandeira, embora parte integrante do nosso passado, não representa o futuro do nosso grande estado,” disse Haley na época. Eu posso entender sua falta de raízes nessa questão porque, apesar de ter nascido e crescido na Carolina do Sul, as verdadeiras raízes de Haley têm origem em seus pais imigrantes indianos. A bandeira confederada ou outro símbolo conservador dos EUA não tem parte integrante no passado dela.
“Para destruir um povo, você deve cortar suas raízes,” escreveu Alexander Solzhenitsyn, o laureado russo que passou oito anos em um campo de trabalhos forçados soviético por sua oposição ao sistema marxista. Ele fez essa declaração a respeito dos esforços dos soviéticos para separar o povo russo de sua história, incluindo sua história cristã.
Haley não fez a mesma coisa?
Até onde sei, os confederados têm boas tradições. Cerca de 10.000 confederados se mudaram para o Brasil após o fim da Guerra Civil em 1865 e eles, que eram evangélicos, fundaram escolas e pregaram o Evangelho no Brasil. Eles foram a inspiração direta para o governo brasileiro criar o primeiro sistema de escolas públicas. Antes dos confederados, os pobres não tinham acesso à escolarização e educação no Brasil. Se os pobres brasileiros têm hoje alguma educação, é graças ao confederado. Isso não é uma boa tradição? Se Haley não vê dessa maneira, o que há em sua mente?
Nikki Haley
Mesmo sendo cristã, Haley diz que ainda honra a religião sikh de sua família.
Ela se casou em duas cerimônias. Uma cerimônia foi realizada em uma igreja metodista e outra foi uma cerimônia sikh.
Haley frequenta uma igreja metodista. Mas ela disse ao jornal New York Times em um perfil de 2010 que ela às vezes frequentava os cultos sikhs, já que ela foi criada nessa religião.
A religião sikh, que é uma combinação dos conceitos do hinduísmo e do islamismo sufi, acredita na reencarnação.
O fundador do sikhismo, Guru Nanak, ensinava que deus (Vahiguru) já está dentro de cada pessoa, mas pode ser acessado e conhecido apenas pela contemplação. Muito parecido com coisas da Nova Era.
Em seu livro The Public Encyclopedia of Apologetics (Enciclopédia Pública de Apologética), o autor Ed Hindson disse: “Como o sikhismo está em completa contradição com o Cristianismo, a lista de discordâncias entre o sikhismo e o Cristianismo é longa. O sikhismo nega a encarnação, a Trindade e a Bíblia. O sikhismo defende a reencarnação e nega a realidade do pecado. Até mesmo a natureza de Deus como Criador não criado não é a mesma.”
Nikki Haley
Então, se um cristão não pode ser adepto do sikhismo ao mesmo tempo, o que Haley está fazendo indo aos cultos sikhs? Com todo o respeito a Haley, acho que ela está confusa sobre assuntos espirituais.
Não sei o que Haley chama de Cristianismo, mas Cristianismo com a religião sikh é uma mistura estranha, fogo estranho e jugo desigual.
Se ela acabar chegando à presidência dos EUA, sua espiritualidade cristã/sikh (na verdade, doente) misturada vai deixá-la mais confusa, pois se o corpo de um cristão é o templo do Espírito Santo, como esse templo pode compartilhar suas dependências com os espíritos (demônios) do sikhismo?
Nikki Haley
Se ela não conseguiu respeitar as raízes conservadoras da Carolina do Sul e, em vez disso, respeitou os queixumes dos esquerdistas, o que uma possível presidente Haley poderia fazer com as raízes conservadoras nacionais dos EUA quando confrontada com a pressão esquerdista?
Ela não endossou Trump nas primárias do Partido Republicano em 2016. Aliás, ela o atacou. Ela insinuou críticas a Trump quando disse: “Durante tempos de ansiedade, pode ser tentador seguir o apelo da sirene das vozes mais raivosas. Precisamos resistir a essa tentação.” Trump, que entendeu a crítica “implícita,” respondeu: “Estou! Estou com muita raiva porque odeio o que está acontecendo com o nosso país.”
As manchetes diziam com precisão que, para Nikki Haley, qualquer republicano poderia ser candidato, menos Trump.
Haley endossou o senador da Flórida, Marco Rubio, que é um neoconservador que constantemente quer guerra com a Rússia. Ela tem os mesmos sentimentos neocons.
Trump disse em um tweet: “O povo da Carolina do Sul está envergonhado de Nikki Haley!”
Trump acabou colocando em seu governo Haley e o diretor do Instituto McCain — dois neocons ávidos. Ele fez exatamente o que ele condenou em 2016.
Hoje, como representante dos Estados Unidos na ONU, Haley tem usado sua posição para celebrar orgulho na sodomia (homossexualidade). Outros cristãos evangélicos no governo Trump estão fazendo a mesma celebração. O Secretário de Estado Mike Pompeo, que diz ser evangélico, declarou junho como mês homossexual, e Haley se juntou a ele dizendo:
“Nós nos juntamos aos nossos amigos LGBT em todo o mundo para celebrar o mês do Orgulho. Os Estados Unidos apoiam a comunidade LGBT em defender seus direitos humanos.”
Minha resposta pública para ela:
“Totalmente vergonhoso, Nikki! Você diz que é evangélica, mas está celebrando ‘orgulho’ na sodomia? Deus disse: ‘Não tenha relações sexuais com um homem como se faz com uma mulher; isso é abominação.’ (Levítico 18:22) Não existe orgulho em uma abominação.”
Nenhum cristão ou conservador real jamais defenderia a celebração da perversão homossexual.
Existem pontos positivos em Haley? Com certeza.
Haley diz que a ONU é inútil porque, sob o controle islâmico (inclusive saudita, embora ela não inclua especificamente os sauditas em seus ataques), é persistentemente anti-Israel. Concordo com ela. Contudo, como ela não consegue lembrar que, sob controle neocon, o governo dos EUA tem sido igualmente persistente em uma posição anti-Rússia, mesmo agora quando a Rússia é muito mais conservadora? Os EUA têm tratado a Rússia conservadora não muito diferente do que as nações muçulmanas tratam Israel.
Dá para entender Obama e suas sanções contra a Rússia, inclusive sua zombaria anti-Rússia. Mas não dá para entender como Haley, que alega ser conservadora, pode continuar com o comportamento porco de Obama contra uma Rússia que tem lutado contra o aborto e a agenda homossexual na ONU. Assim como ela fez com a bandeira confederada conservadora, ela está fazendo com a Rússia conservadora.
Dá para ela lembrar que ela usa sua posição na ONU para condenar a Síria, que tem sido vítima do ISIS, da al-Qaeda e tem sofrido uma violenta guerra civil provocada pelo governo dos EUA sob Obama, mas ela não condena a Arábia Saudita, que está apoiando diretamente a carnificina na Síria, que tem uma das comunidades cristãs mais antigas do mundo? Por que proteger a ditadura islâmica da Arábia Saudita e atacar sua vítima, a Síria? Ela não pode ser suficientemente compassiva para ouvir a antiga comunidade cristã síria, que em grande parte tem se oposto às decisões dela contra a Síria?
Dá para ela lembrar que o governo dos EUA tradicionalmente valoriza a Arábia Saudita acima de Israel? Aliás, em sua primeira viagem internacional, a primeira nação que Trump visitou não foi Israel. Foi a Arábia Saudita.
Dá para ela lembrar que a ONU não foi fundada por muçulmanos e sua sede não está na Arábia Saudita ou outra nação islâmica? A ONU, cuja sede fica em Nova Iorque, foi fundada pelo presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt, que também valorizava a Arábia Saudita acima de Israel. Portanto, não é de admirar que, seguindo os desejos de seu fundador americano, a ONU sempre tenha colocado a Arábia Saudita e seus desejos acima de Israel.
Assim como os muçulmanos anti-Israel (um pleonasmo) são uma ameaça na ONU, os neocons anti-Rússia (outro pleonasmo) são uma ameaça no governo dos EUA.
Se Haley consegue se dar bem com a Arábia Saudita, que proíbe o Cristianismo e a Bíblia e é a principal patrocinadora do terrorismo islâmico em todo o mundo, inclusive o ISIS, por que ela não consegue se dar bem com a Rússia conservadora, que não proíbe o Cristianismo e a Bíblia?
Se Haley acabar chegando à presidência dos EUA, sua ideologia cristã/neocon misturada vai deixá-la mais confusa, pois se Jesus Cristo nunca trabalhou para expandir os interesses militares do Império Romano, como a “cristã” Haley pode trabalhar pelos interesses militares dos neoconservadores? Que compatibilidade existe entre Jesus Cristo e neocons?
Jesus teve muitas oportunidades para apoiar os interesses militares do Império Romano e teve muitas oportunidades para induzir seus discípulos a apoiar os interesses militares do Império Romano. Mas ele não fez isso. Por que a “cristã” Haley está fazendo isso?
Se Trump pôde dizer no Twitter, “O povo da Carolina do Sul está envergonhado de Nikki Haley!” em 2016, a atitude dela hoje contra a bandeira confederada e a Rússia conservadora tem igualmente envergonhado os conservadores reais.
Acho que posso oferecer um conselho duro para ela e para Trump também, porque embora ele tenha desistido de seu discurso antineocon de 2016, eu continuo seguindo seu exemplo de antineocon. No entanto, no caso de Haley, ela nunca desistiu de suas posições pró-neocon.
Eu “cutuquei” Trump e Nikki Haley no Twitter:
Julio Severo para Trump: Por favor, torne os EUA independentes da Arábia Saudita e seus malditos petrodólares.
Julio Severo para Trump: Por favor, demita a neocon Nikki Haley. Contrate um conservador antineocon para denunciar a ditadura terrorista islâmica da Arábia Saudita. Haley não tem coragem de fazer isso.
Nikki Haley: RT @USUN: “É preciso muita coragem para o povo iraniano usar o poder de sua voz contra seu governo, especialmente quando esse governo tem uma longa história de assassinar seu próprio povo que ousa falar a verdade… as pessoas que amam a liberdade devem apoiar sua causa.”
Julio Severo: Ei, Nikki, você poderia incentivar a CIA a fazer uma revolução “popular” similar na Arábia Saudita?
Tenho certeza de que o que move Haley a apoiar Israel é sua fé cristã. Isso faz sentido.
Mas não tenho certeza do que a move a apoiar a violenta ditadura islâmica da Arábia Saudita e desconsiderar e até mesmo atacar as vítimas sauditas, inclusive a Síria. Isso não faz sentido. Certamente, não é sua fé cristã. Essa é sua fé neocon, e o neoconservadorismo envolve guerras incessantes para sustentar o complexo industrial militar em guerras que muitas vezes massacram os cristãos e produzem lucros, expandindo o imperialismo neocon e o islamismo sunita — o tipo de islamismo praticado na Arábia Saudita.
Eu também não tenho certeza do que a moveu a desconsiderar as tradições confederadas e a Rússia conservadora. Isso não faz sentido. Certamente, não é sua fé cristã. É o respeito dela pelos caprichos dos esquerdistas, que odeiam tanto o conservadorismo dos confederados quanto o conservadorismo da Rússia.
Se Haley pretende continuar usando o nome de Jesus, ela precisa saber que Deus é ciumento. A Bíblia diz:
“Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus. Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes?” (Tiago 4: 4-5 NVI)
Isso pode significar: “Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o sikhismo e o neoconservadorismo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do sikhismo e do neoconservadorismo, faz-se inimigo de Deus.” Ou ela serve apenas a Jesus ou ao sikhismo. Ou ela serve apenas a Jesus ou ao neoconservadorismo, que é a “religião” dos amantes da guerra.
O Cristianismo verdadeiro não tem mistura com o sikhismo, reencarnação e neoconservadorismo. É por isso que estou preocupado com Haley, cujo Cristianismo protestante tem exatamente essa mistura espiritualmente prejudicial. Eu não sei na igreja metodista, mas qualquer tal “cristão” misturado teria sido um caso para libertação espiritual para Jesus e Seus apóstolos.
Como a revista Time a nomeou uma das 100 pessoas mais influentes em 2016, ela tem uma chance real de conquistar a presidência dos EUA. No que diz respeito a Israel, ela seria uma excelente opção. Mas no que diz respeito às ambições neoconservadoras — inclusive oposição ao conservadorismo cristão nos EUA e na Rússia —, ela está longe de ser uma boa escolha. E sua espiritualidade misturada acabaria produzindo desastres inesperados.
Com informações da FoxNews.
Versão em inglês deste artigo: Who Is Nikki Haley?
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