18 de junho de 2018

Mídia e políticos americanos se unem e pressionam por mais guerra


Mídia e políticos americanos se unem e pressionam por mais guerra

William Murray
Os Estados Unidos estão envolvidos em algum estado de guerra quase continuamente desde a Segunda Guerra Mundial. Algumas guerras foram importantes, como na Coréia e no Vietnã, e resultaram na perda de dezenas de milhares de militares americanos. Outras guerras, como em Granada e no Panamá, foram mais como ações policiais. As ações aéreas em uma dúzia de nações como Paquistão, Iêmen, Somália, Líbia e Síria não são consideradas pela maioria como um estado de guerra, embora realmente sejam. Os EUA têm forças militares terrestres na Síria hoje e estabeleceram bases lá — isso é um estado de guerra.
Contudo, depois de lutar até chegar a um impasse na Coréia, perdendo no Vietnã e não realizando nada na Líbia, Iraque e Síria além de destruir a infraestrutura dessas nações e criar um terreno fértil para grupos terroristas sunitas, os generais americanos agora têm um alto nível de confiança. Essa confiança excessiva — juntamente com o apoio dos neoconservadores no Congresso — pode levar a uma guerra devastadora contra a Rússia, a China ou ambos. E essas guerras podem facilmente levar ao uso de armas nucleares, porque tais guerras não podem ser vencidas no solo, apesar das incríveis vantagens tecnológicas das forças militares americanas.
A Rússia parece uma presa fácil para a elite militar americana. A Rússia tem uma população menos da metade da população dos Estados Unidos e um exército de apenas 270.000 soldados ativos. A Rússia tem apenas 1.046 aviões com capacidade de combate contra mais de 5.000 aviões de guerra americanos. Em conjunto com a OTAN, a vantagem americana no poderio aéreo é de cerca de 18 contra 1. A Rússia não teria escolha a não ser depender das suas capacidades nucleares para poder reagir a qualquer ação grande da OTAN.
Com o único impedimento sendo o poderio nuclear da Rússia, o Pentágono anunciou em 18 de janeiro planos para um arsenal nuclear “atualizado” que incluiria mísseis de cruzeiro nucleares com base no mar. Apesar das limitações no recrutamento de um exército profissional (voluntários pagos em vez de recrutas), a elite militar americana considera os Estados Unidos capazes de combater a Rússia na Europa e a China na Ásia ao mesmo tempo.
Oficialmente, mais de 200.000 militares americanos estão em bases no exterior. Esse número não inclui fornecedores militares, muitos dos quais são do tipo armado “Blackwater” pagos pelo Departamento de Defesa, CIA e outras agências. Os números oficiais são difíceis de conseguir, mas no Afeganistão sob o governo Obama, havia três fornecedores na zona de guerra para cada membro das forças armadas dos EUA. Aliás, durante o governo Obama, mais fornecedores militares morreram em ação no Afeganistão do que os militares.
Existem 800 bases militares americanas em nações estrangeiras, e o Pentágono afirma ter soldados ativos em 177 nações.
O poderio e o número absoluto de homens e máquinas disponíveis dão aos generais e políticos americanos a suprema confiança da vitória, apesar de não terem realizado nada além de um estado de caos no Afeganistão, Oriente Médio e Norte da África desde 2002, depois de gastar quase US$ 3 trilhões.
Lamentavelmente, os políticos americanos estão prontos e dispostos a investir dinheiro para ir à guerra. O orçamento militar oficial para o ano fiscal de 2017 foi de US$ 611 bilhões, mais do que a China, a Rússia, a Arábia Saudita, a Índia, a França, o Reino Unido, o Japão e a Alemanha juntos. O orçamento militar russo de 2017, incluindo a guerra na Síria, foi de US$ 70 bilhões e o da China foi de US$ 215 bilhões. O orçamento de 2018 dos EUA, mais do que o presidente Trump solicitou, é de mais de US$ 700 bilhões — uma impressionante proporção de 10 contra 1 da Rússia.
A retórica está sempre em alta. Um artigo publicado na edição de 18 de janeiro do jornal Wall Street Journal argumentou que “a política dos EUA deveria ser acabar com a República Islâmica (do Irã) antes de seu aniversário de 40 anos.” O editorial oficial do Wall Street Journal, no mesmo dia, pedia o aumento dos gastos militares. Um editor de opinião da Fox News, na mesma semana, pediu um bloqueio naval da Coreia do Norte, “projetado para lentamente sufocar a nação recalcitrante à submissão.”
Um artigo do jornal Washington Post escrito pelo senador Ted Cruz, do Texas, afirmou que era “hora de tomar a iniciativa, apavorar Kim Jong-un e estabelecer as condições nos termos americanos.” O secretário de Estado Tillerson disse inúmeras vezes que uma guerra com a Coreia está ficando “mais provável.”
É além de inacreditável que generais e políticos americanos acreditariam que a China permitirá um bloqueio naval ou um ataque militar contra uma nação com a qual compartilha uma fronteira. O presidente Trump promovendo uma guerra comercial com a China está um passo longe demais; uma guerra real com a China é de cerca de 100 passos longe demais, a menos que o povo americano esteja disposto a aceitar a volta do alistamento militar obrigatório e a contagem de baixas em centenas de milhares ou talvez milhões.
Em janeiro de 2018, tanto os líderes democratas quanto os republicanos estavam pressionando para que houvesse um confronto com a Coréia do Norte, Irã, Rússia e China. Os políticos e generais estão blefando? O que acontece se os generais russos, chineses, iranianos e norte-coreanos não acharem que as ameaças são vazias?
Declarações públicas que comparam o presidente Vladimir Putin a Adolf Hitler, cujas ações causaram a morte de talvez 50 milhões de pessoas, são totalmente insanas, mas mostram como, na realidade, a mídia e os políticos americanos apoiam a mentalidade de tempo de guerra. Até mesmo meios de comunicação anti-guerra como o Washington Post e a CNN agora trazem a retórica anti-russa a um nível não visto desde as caracterizações do Gen. Tojo do Japão durante a Segunda Guerra Mundial.
Muito desse barulho político é lixo, porém ajuda na compra de maiores orçamentos militares que trazem empregos na indústria militar para quase todos os estados nos EUA. Mas aumenta também a chance de guerra.
A Rússia não vai invadir nem a Islândia nem a Suécia, mas ficará feliz em vender mais petróleo a essas nações; a Coreia do Norte não vai bombardear o Japão; o Irã não é uma ameaça existencial para nações nucleares armadas, como os Estados Unidos e Israel; a China não tem interesses territoriais, exceto o petróleo sob o Mar do Sul da China. No entanto, a guerra está se tornando cada vez mais provável com uma ou talvez todas essas nações, a menos que o tom e a gritaria de guerra da mídia e dos políticos dos EUA possam ser reduzidos.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): Media & politicians unite, push for more war
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