7 de maio de 2018

Todos celebraram o reconhecimento de Trump de Jerusalém como capital de Israel, mas ninguém leu as letras miúdas ou viu o plano oculto: Trump quer dar parte de Jerusalém para os palestinos


Todos celebraram o reconhecimento de Trump de Jerusalém como capital de Israel, mas ninguém leu as letras miúdas ou viu o plano oculto: Trump quer dar parte de Jerusalém para os palestinos

Julio Severo
O que é, não é bem assim. Ainda que a decisão do presidente americano Donald Trump reconhecendo Jerusalém como capital de Israel tenha agradado imensamente aos evangélicos, que são sua principal base de apoio político, a imprensa israelense levantou grandes pontos preocupantes que estão aparecendo agora.
Numa reportagem de 6 de maio de 2018, intitulada “Trump Quer que Israel Dê Parte de Jerusalém para os Palestinos,” o jornal israelense Israel Today disse:
“Poucos meses depois de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, e dias antes de mudar a Embaixada dos EUA ali, os meios de comunicação israelenses estão noticiando que o presidente americano Donald Trump agora quer que Israel dê parte da Cidade Santa para os palestinos.”
Israel Today acrescentou que “O Governo de Trump vem trabalhando há meses” nesse plano e que em troca de aceitar esse plano, “Israel receberia apoio americano total e inquestionável para lidar com a ameaça nuclear iraniana do jeito que Israel achar melhor.” Isso pode ser rotulado de chantagem?
Isso significa: Se os judeus quiserem Jerusalém inteira como sua capital, Israel não receberá apoio americano. Os judeus só receberão total apoio americano se aceitarem a entrega de partes de Jerusalém aos palestinos.
Então essencialmente Israel se tornou mero escravo ou marionete de planos americanos?
Meses antes do reconhecimento de Trump de Jerusalém, o presidente russo Vladimir Putin já havia reconhecido Jerusalém Ocidental como capital de Israel. Mas todos haviam achado que o reconhecimento de Trump era melhor porque entenderam que Trump realmente reconheceu Jerusalém Ocidental e Oriental. Os evangélicos pensaram que Trump havia reconhecido Jerusalém inteira. Mas não foi bem assim.
Tanto Putin quanto Trump estão igualmente errados de reconhecer só Jerusalém Ocidental como capital de Israel.
Pelo fato de que os Estados Unidos são uma nação majoritariamente protestante e seu presidente é nominalmente protestante, acho que Trump deveria respeitar a Bíblia e o que Deus diz sobre Jerusalém: Ela pertence inteiramente aos judeus por promessa. E se o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu se contentar com o plano de Trump de reconhecer só parcialmente Jerusalém como capital de Israel? Em minha opinião evangélica que respeita a Palavra de Deus, ambos estariam errados.
No fim, o plano de Trump até certo ponto se parece com o plano de Putin, que também reconheceu só parcialmente Jerusalém como capital de Israel antes que Trump fizesse isso. É claro que, como evangélico me oponho a tal reconhecimento parcial.
Numa reportagem intitulada “Plano de paz de Trump inclui entregar partes de Jerusalém,” o jornal israelense World Israel News disse na semana passada: “O plano de paz dos EUA alegadamente inclui separar quatro bairros árabes que se tornariam a capital da Palestina.”
Jerusalém não pode ser ao mesmo tempo a capital de Israel e a capital dos palestinos, que são os inimigos dos judeus. Por que? Porque Deus deu Jerusalém apenas aos judeus, não aos palestinos.
Como a maior nação protestante do mundo, os Estados Unidos tinham a responsabilidade de já terem reconhecido Jerusalém como capital de Israel décadas atrás. Mas nunca fizeram isso. E agora, depois de tanta demora, os Estados Unidos querem fazer um reconhecimento parcial? Agora muitos podem entender a razão por que a Arábia Saudita não ficou descontente com o plano de Trump. Aliás, em sua primeira viagem internacional, a primeira nação que Trump visitou não foi Israel. Foi a Arábia Saudita. Trump planejou com os sauditas Jerusalém como uma capital judia e palestina híbrida?
Numa reportagem intitulada “Trump vai pedir que Israel se retire de 4 bairros orientais de Jerusalém” na semana passada, o jornal israelense The Jerusalem Post disse: “O governo de Trump pedirá que Israel se retire de quatro bairros árabes em Jerusalém oriental, que provavelmente se tornará a capital de um futuro Estado palestino, autoridades americanas disseram ao ministro da Defesa Avigdor Liberman durante sua visita a Washington na semana passada.”
O grande problema é que nós evangélicos, que somos a principal base de apoio de Trump, não prestamos atenção ao seu reconhecimento oficial de Jerusalém. Em dezembro passado, Trump disse em sua proclamação oficial:
“As ações de hoje — reconhecendo Jerusalém como capital de Israel e anunciando a mudança de nossa embaixada — não refletem um afastamento do compromisso forte dos Estados Unidos para facilitar um acordo de paz duradouro. Os Estados Unidos continuam a não adotar nenhuma posição sobre nenhuma questão de condição final. Os limites específicos da soberania Israelense em Jerusalém estão sujeitos às negociações de condição final entre as partes. Os Estados Unidos não estão adotando nenhuma postura sobre limites e fronteiras.”
Alguns pontos sobre essa declaração:
* Trump não reconheceu Jerusalém inteira como capital de Israel. Nós evangélicos ingenuamente interpretamos dessa forma. Trump deixou muito claro que “Os Estados Unidos não estão adotando nenhuma postura sobre limites e fronteiras.” Isto é, ele reconheceu Jerusalém sem adotar uma postura sobre limites ou fronteiras de Jerusalém, mas ninguém reparou nas letras miúdas.
* Trump deixou claro que seu reconhecimento não era um “afastamento do compromisso forte dos Estados Unidos para facilitar um acordo de paz duradouro.” Esse “compromisso forte” é a política americana de muitos presidentes passados que levaram em consideração as ambições geopolíticas neocons e os caprichos da ditadura islâmica da Arábia Saudita. Infelizmente, isso não leva em consideração os melhores interesses de Israel e as promessas de Deus na Bíblia.
* Trump deixou claro que “Os Estados Unidos continuam a não adotar nenhuma posição sobre nenhuma questão de condição final.” Nessa declaração, Trump claramente mostrou que ele não reconheceu Jerusalém inteira como capital de Israel.
A linguagem de sua declaração oficial é muito preocupante. Essa linguagem, que não estava acessível aos evangélicos nos primeiros dias do reconhecimento, apresenta grandes brechas que, em vez de declarar solidamente Jerusalém como capital de Israel, realmente voam em todas as direções.
A falta de solidez na linguagem é decepcionante porque minha esposa, meus filhos e eu temos orado numa base diária, por muitos anos, para que Jerusalém seja reconhecida como exclusivamente pertencente a Israel.
Dá para você imaginar um jovem indo a um empresário e dizendo que quer se casar com a filha dele? Dá para você imaginar o empresário respondendo: “Dou 80% da minha filha para você e 20% para seu inimigo”? Trump fez exatamente isso com relação a Jerusalém. Aliás, é pior: A filha (Jerusalém) não pertence a Trump, mas mesmo assim ele quer dar 20% dela aos inimigos dos judeus.
Se os EUA fizessem o mesmo jogo com os sauditas, oferecendo 80% de sua capital Riade para os sauditas e 20% para os palestinos, os sauditas aceitariam isso?
Um verdadeiro amigo e aliado faz jogos com seus amigos e aliados? Então por que em vez de terem reconhecido Jerusalém décadas atrás os EUA continuam fazendo jogos com Jerusalém? Se os EUA não ousam fazer jogos com Riade, por que fazer jogos com Jerusalém?
Por que os EUA não tratam Israel como um verdadeiro amigo e aliado?
Putin reconheceu Jerusalém Ocidental no ano passado, mas isso não foi resposta de oração. É Jerusalém inteira ou nada!
Então quando Trump reconheceu, todos achavam que ele tinha superado Putin. Todos achavam que era resposta de oração.
Todos celebraram, mas ninguém leu as letras miúdas nem viu os planos ocultos!
Pelo menos, Putin foi mais sincero, pois seu reconhecimento de Jerusalém não deu nenhuma margem para interpretar que ele reconheceu Jerusalém inteira.
Apesar disso, ambos os reconhecimentos estão errados. Então tanto Trump quanto Putin deveriam ser pressionados a reconhecer Jerusalém inteira como a capital de Israel.
No caso de Putin, os cristãos ortodoxos deveriam fazer tal pressão. Se eles são cristãos reais, eles farão isso.
No caso de Trump, nós evangélicos deveríamos fazer tal pressão.
Trump deveria esquecer as ambições geopolíticas neocons, os caprichos da ditadura islâmica saudita e se lembrar do que a Palavra de Deus diz: Jerusalém inteira é a capital eterna de Israel.
Como presidente evangélico, Trump deveria usar sua influência não para forçar Israel a se retirar de partes de Jerusalém, mas para forçar a Jordânia e outras nações islâmicas vizinhas a se retirarem de terras israelenses que elas estão ocupando ilegalmente.
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