3 de maio de 2018

Perspectiva judaica: Hitler e o socialismo


Perspectiva judaica: Hitler e o socialismo

Julio Severo
Há uma perspectiva, defendida por grupos direitistas, de que Adolf Hitler era exclusivamente marxista. No passado, eu também adotava tal perspectiva. Mas depois de entender que Hitler era um homem religioso (um católico nominal, com convicções ocultistas profundas), conclui que suas imagens socialistas eram um fingimento e propaganda.
Hitler era um homem esotérico que sabia como manipular a política e católicos e evangélicos.
Em seu livro “Hitler’s Cross: How the Cross of Christ was used to promote the Nazi agenda” (A Cruz de Hitler: Como a Cruz de Cristo foi usada para promover a agenda nazista, Moody Publishers, 1995), o Rev. Erwin W. Lutzer disse:
Os historiadores seculares confessam que não dá para explicar Hitler como um político esperto que apareceu na Alemanha numa época em que a nação estava pronta para uma ditadura. Allan Bullock, que escreveu uma biografia extensa de Hitler, fez uma lista diligente do que Hitler estudou em sua juventude: ioga, hipnotismo, astrologia e várias outras formas de ocultismo oriental…
A obsessão nacional [da Alemanha] com o ocultismo preparou o caminho para a ascensão meteórica de Hitler para uma proeminência mundial. O massagista de Heinrich Himmler disse que a nação estava envolvida no “misticismo de um movimento político” e que em “nenhum país havia tantos milagres realizados, tantos espíritos invocados, tantas doenças curadas pelo magnetismo, tantos horóscopos lidos.” Havia telepatia, sessões mediúnicas e experiências espirituais de todos os tipos, que camuflaram as enganações de Hitler. Exatamente como o movimento da Nova Era hoje pode bem estar preparando o mundo para aceitar os milagres do Anticristo, assim o ocultismo da Alemanha fez com que as enganações de massa fossem muito mais difíceis de detectar.
Outro livro que lida com o ocultismo de Hitler é “The Pink Swastika: Homosexuality in the Nazi Party” (A Suática Rosa: Homossexualidade no Partido Nazista), escrito por Scott Lively e Kevin Abrams.
O marxismo acaba extinguindo a religião. Enquanto marxistas são profundamente ateus, Hitler era um homem profundamente religioso. Sua religião ocultista nos ajuda a entender o motivo por que ele não era sincero sobre seu socialismo alegado. A insinceridade é uma marca registrada de grupos e indivíduos esotéricos.
No entanto, há um povo que pode dizer se Hitler era direitista ou esquerdista. As vítimas principais de Hitler eram os judeus, e eles eram odiados não só porque eram judeus, mas também porque a maioria deles era socialista — assim como era Karl Marx, o pai do marxismo, cujo avô era um rabino.
Portanto, não é de estranhar que os judeus tenham suspeitas de políticos direitistas. Osias Wurman, que é o cônsul honorário de Israel no Rio de Janeiro, demonstrou preocupação com a vitória de Donald Trump nos EUA em 2016. Ele disse:
“Hoje, mais do que nunca, é preciso alertar a opinião mundial para esta perigosa guinada à direita que vem assolando a Europa e alguns países do continente americano. Uma pesquisa global, realizada em 2014, já mostrava que 46% dos entrevistados nunca tinham ouvido falar em Holocausto!”
Para Wurman, um aumento de sentimentos direitistas anda de mãos dadas com sentimentos pró-Holocausto.
O que os judeus têm a dizer sobre Hitler e socialismo? Para responder a essa pergunta, consultei uma fonte judaica confiável. Por isso, trago aqui informações oficiais da Biblioteca Virtual Judaica.
Quatro pontos importantes no texto sobre o Partido Nazista da Biblioteca Virtual Judaica são:
* Hitler tinha discursos e ações antimarxistas. Até mesmo quando ele usava imagens socialistas, ele perseguia violentamente os socialistas e comunistas.
* A sorte do NSDAP (a sigla em alemão do Partido dos Trabalhadores Alemães Nacionais Socialistas ou Partido Nazista) mudou com a Queda da Bolsa de Valores nos EUA em outubro de 1929, resultando na Grande Depressão. Tal crise econômica forte foi útil para a propaganda antimarxista de Hitler.
* Hitler, que era considerado um tolo em 1928 quando ele predisse desastre econômico, foi visto como um vidente político brilhante depois da Queda da Bolsa de Valores dos EUA. As pessoas começaram a dizer que se ele inteligente o suficiente para predizer a Grande Depressão talvez ele soubesse também como resolvê-la.
* “O que Hitler dizia dependia muito da audiência. Em áreas rurais ele prometia cortes de impostos para os fazendeiros e ações governamentais para proteger os preços dos alimentos. Em áreas da classe trabalhadora ele falava de redistribuição de riquezas e atacava os lucros elevados feitos pelas grandes cadeias de lojas. Quando falava para os donos de indústrias, Hitler se concentrava em seus planos para destruir o comunismo e reduzir o poder dos sindicatos,” disse a Biblioteca Virtual Judaica.
A perspectiva judaica nos ajuda a entender como a propaganda e ações antimarxistas podem disfarçar intenções das trevas. E minha perspectiva, como evangélico conservador, pode nos ajudar a entender como os esotéricos podem usar a propaganda e ações antimarxistas para enganar católicos e evangélicos.
Eis os melhores trechos do texto da Biblioteca Virtual Judaica sobre o Partido Nazista:
Hitler havia sempre sido hostil às ideias socialistas, principalmente aquelas que envolviam igualdade racial ou sexual. Contudo, o socialismo era uma filosofia política popular na Alemanha depois da 1ª Guerra Mundial. Isso se refletia no crescimento do Partido Democrata Social Alemão (SDP), o maior partido político da Alemanha.
As tropas de assalto de Hitler eram muitas vezes ex-membros do Freikorps (exércitos privados direitistas que cresceram durante o período depois da 1ª Guerra Mundial) e tinham experiência considerável no uso da violência contra seus rivais.
No final da marcha Hitler faria um dos seus discursos agitados que estimulavam seus apoiadores a executar atos de violência contra os judeus e contra os inimigos políticos esquerdistas dele. Pelo fato de que essa violência era muitas vezes dirigida contra socialistas e comunistas, o governo direitista local da Bavária não adotava nenhuma ação contra o Partido Nazista.
Enquanto Hitler vinha nomeando ministros de governo, Ernst Röhm, que estava liderando as tropas de assalto, havia tomado o Ministério da Guerra e Rudolf Hess estava providenciando a prisão de judeus e líderes políticos esquerdistas na Bavária.
Hitler acreditava que os judeus estavam envolvidos com comunistas numa conspiração conjunta para tomar o mundo. Como Henry Ford, Hitler afirmava que 75% de todos os comunistas eram judeus. Hitler argumentava que a combinação de judeus e marxistas já havia sido bem-sucedida na Rússia e agora ameaçava o resto da Europa. Ele argumentava que a revolução comunista era um ato de vingança que tentava disfarçar a inferioridade dos judeus.
Em sua autobiografia “Mein Kampf” Hitler declarou que: “A segurança externa de um povo é em grande parte decidida pelo tamanho de seu território.” Se ele ganhasse o governo, Hitler prometeu ocupar terras da Rússia que forneceriam proteção e lebensraum (espaço para viver) para o povo alemão. Essa ação ajudaria a destruir a tentativa judaica/marxista de controlar o mundo: “O Império Russo no Oriente está pronto para cair; e o final da dominação judaica da Rússia será também o fim da Rússia como um Estado.”
Hitler tentou minimizar sua imagem extremista, e afirmou que ele não mais era a favor de revolução, mas estava disposto a competir com outros partidos em eleições democráticas. Essa política não teve êxito e nas eleições de dezembro de 1924 o NSDAP só conseguiu ganhar 14 cadeiras [do Parlamento] em comparação com as 131 obtidas pelos socialistas (Partido Democrata Social Alemão) e as 45 do Partido Comunista Alemão (KPD).
A economia alemã continuou a melhorar e à medida que o desemprego caiu, caiu também o apoio aos partidos políticos extremistas como o NSDAP. Na Eleição Geral realizada em maio, 1928, o Partido Nazista ganhou apenas 14 cadeiras, enquanto os partidos de esquerda, o Partido Democrata Social Alemão (153) e o Partido Comunista Alemão (54) ainda continuaram a crescer em popularidade.
A sorte do NSDAP mudou com a Queda da Bolsa de Valores nos EUA em outubro de 1929.
Antes da queda, 1,25 milhão de pessoas estavam desempregadas na Alemanha. No final de 1930 esse número havia alcançado quase 4 milhões. Até mesmo os alemães que tinham emprego estavam sofrendo tanto quanto aqueles que só tinham emprego de tempo parcial. Com a queda na demanda de mão de obra, os salários também caíram e quem tinha emprego de tempo integral teve de sobreviver com salários mais baixos. Hitler, que era considerado um tolo em 1928 quando ele predisse desastre econômico, era agora visto numa perspectiva diferente. As pessoas começaram a dizer que se ele inteligente o suficiente para predizer a Grande Depressão talvez ele soubesse também como resolvê-la.
Na Eleição Geral que ocorreu em setembro de 1930, o Partido Nazista aumentou seu número de representantes no Parlamento de 14 para 107.
O que Hitler dizia dependia muito da audiência. Em áreas rurais ele prometia cortes de impostos para os fazendeiros e ações governamentais para proteger os preços dos alimentos. Em áreas da classe trabalhadora ele falava de redistribuição de riquezas e atacava os lucros elevados feitos pelas grandes cadeias de lojas. Quando falava para os donos de indústrias, Hitler se concentrava em seus planos para destruir o comunismo e reduzir o poder dos sindicatos.
No passado, os que temiam o comunismo estavam dispostos a tolerar a SA [também conhecida como tropas de assaltos ou camisas marrons], pois ela fornecia uma barreira útil contra a possibilidade de revolução [comunista].
[Maio de 1932] viu guerra aberta nas ruas entre nazistas e comunistas durante a qual 86 pessoas foram mortas.
A conduta do NSDAP ficou mais violenta. Em certa ocasião, 167 nazistas surraram pra valer 57 membros do Partido Comunista Alemão no Reichstag. Eles foram então fisicamente jogados para fora do prédio.
As tropas de assalto também executavam atos horríveis de violência contra socialistas e comunistas. Em certo incidente na Silésia, um jovem membro do KPD [Partido Comunista Alemão] teve seus olhos arrancados com um taco de bilhar e foi então morto a facadas na frente de sua mãe. Quatro membros da SA foram condenados pelo crime. Muitas pessoas ficaram chocadas quando Hitler enviou uma carta de apoio aos quatro homens e prometeu fazer o que pudesse para libertá-los.
Incidentes como esse preocupavam muitos alemães, e nas eleições que ocorreram em novembro de 1932 o apoio ao Partido Nazista caiu. O Partido Comunista Alemão obteve ganhos substanciais na eleição conseguindo 100 cadeiras. Hitler usou isso para criar pânico afirmando que a Alemanha estava à beira de uma Revolução Bolchevique e que só o NSDAP poderia impedir isso de acontecer.
Um grupo de proeminentes donos de indústrias que temiam tal revolução [comunista] enviou uma petição a Paul von Hindenburg pedindo que Hitler se tornasse chanceler. Com relutância, Hindenberg concordou com o pedido deles e com a idade de 43, Hitler se tornou o novo chanceler da Alemanha.
Versão em inglês deste artigo: Jewish Perspective: Hitler and Socialism
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Um comentário :

Liliane Carlos disse...

Veja mais sobre a revolução socialista no Brasil aqui: http://carlosliliane64.wixsite.com/magiaeseriados/magia-no-brasil