2 de novembro de 2017

Primeiro cemitério protestante do Brasil: Esquecido e em ruínas


Primeiro cemitério protestante do Brasil: Esquecido e em ruínas

Julio Severo
Hoje, Dia dos Mortos no Brasil, trago à memória a dificuldade dos protestantes enterrarem seus mortos durante a monarquia brasileira. Se até a morte era difícil para eles no Brasil monárquico, a vida era muito pior.
Por conta dos 500 anos da Reforma Protestante, comemorados na terça-feira (31 de outubro), o G1 da Globo visitou o cemitério localizado no meio da Mata Atlântica, em Iperó, a 130 quilômetros da cidade de São Paulo. Segundo o G1, o cemitério, que enterrava estrangeiros, predominantemente suecos e ingleses, no início do século XIX, está abandonado, com pedaços de construção, ruínas de aproximadamente 10 túmulos e um silêncio que só é quebrado pelo canto dos pássaros.
O espaço, praticamente esquecido na história, poderia passar despercebido por aqueles que visitam a Floresta Nacional de Ipanema, não fossem duas placas cravadas na terra, uma em cada lado da área.
As placas indicam que ali, entre o Morro Araçoiaba e o Rio Ipanema, foram sepultadas pessoas que não seguiam o catolicismo, religião dominante no país em 1811 — quando o espaço foi construído.
Os protestantes, considerados hereges na época, não tinham autorização para serem enterrados em cemitérios convencionais, a fim de não passarem a eternidade perto daqueles que seguiam a Igreja Católica Apostólica Romana, como explica o jornalista e historiador Sérgio Coelho.
“Se hoje ainda existe uma certa intolerância religiosa, imagine há mais de 200 anos, quando as igrejas protestantes, anglicanas e presbiterianas estavam nascendo? Eles [protestantes] chegam em um país onde a igreja e o estado formam um único poder, todo mundo era católico, eles em 20 pessoas, de repente um morre. As cidades não enterram?”, explica o historiador.
Jonas Bergmann, um carpinteiro sueco, morreu de tuberculose e foi a primeira pessoa sepultada no campo, em um espaço atualmente cercado por árvores e espécies vistas normalmente em cemitérios, como cedros e ciprestes.
Pela falta de informações no cemitério, resultado do tempo e de furtos que deixaram a área quase sem as características originais, não é possível precisar o ponto do jazigo de Jonas.
No entanto, de acordo com uma das placas, os restos mortais dos estrangeiros foram transladados para seus países de origem no início do século XX.
Nas duas únicas lápides com nomes visíveis há registros do enterro de Ottilie Hund Neumann, em 1866, e de Russini Ed. Adelaide, em 1881, cujo primeiro nome desapareceu com parte da pedra que levava a inscrição.
Coelho afirma que não há registros sobre quantos protestantes foram enterrados no cemitério.
Após a morte de Jonas Bergmann, o então diretor da Real Fábrica de Ipanema, Carl Gustav Hedberg, transmitiu ao príncipe regente, Dom João VI, a dificuldade de encontrar um local para o sepultamento do sueco.
Enviada ao Marques de Alegrete, capitão general da capitania de São Paulo, a Carta Regia datada de 28 de agosto de 1811, e assinada pelo monarca, determinou a escolha de uma área para abrigar os restos mortais dos protestantes. A carta dizia:
“Também vos encarrego a cuidar e que aí se estabeleça, e conserve em boa ordem um terreno, que sirva de cemitério aos ingleses e suecos, e em geral aos que não forem membros da Nossa Santa Religião, permitindo-lhes também que em suas casas particulares, e sem forma de igreja, possam reunir-se para o culto particular, que dirigem ao Ente Supremo, e no qual vigiareis, não possam jamais serem inquietados pelos habitantes do país, o que muito vos é recomendado.”
Segundo o historiador, o episódio da morte do carpinteiro causou um “horror” na população, que os via como hereges.
Anos mais tarde, em 1841, ocorreu um fato marcante que comprova a exclusão dos protestantes dos cemitérios. O jovem alemão jurista e professor da faculdade de direito do largo São Francisco, Julios Frank, faleceu. Sua acolhida nos cemitérios de São Paulo foi negada pelo fato de ele ser luterano. Ele acabou sendo sepultado em pátios internos das arcadas.
O Cemitério dos Protestantes foi então criado em 1844, quando Henrich Henrichsen fez um pedido à câmara da cidade de São Paulo. O primeiro cemitério localizava-se na Rua São Caetano, com frente para o Campo da Luz. Era chamado de “Cemitério dos Estrangeiros,” “Cemitério dos alemães,” “Cemitério dos Protestantes” ou “Cemitério da Luz.”
Cemitério dos Protestantes
O Cemitério dos Protestantes é um dos principais cemitérios da cidade de São Paulo. Hoje ele está localizado na rua Sergipe, no bairro da Consolação, atrás do Cemitério da Consolação. Há muitas personalidades ilustres sepultadas nesse cemitério, inclusive Charles Miller, “pai” do futebol no Brasil.
Com o rápido crescimento da cidade, a Acempro (Associação Cemitério dos Protestantes) se deparou com o problema da superlotação. Assim a Acempro inaugurou dois novos projetos, em 1963 e 1995 para a construção do “Cemitério Jardim,” o “Cemitério da Paz” no bairro Morumbi, em São Paulo e o “Cemitério Horto da Paz”, localizado no município Itapecerica da Serra.
O “Cemitério da Paz,” inaugurado em 1965, foi o primeiro “cemitério jardim” da América Latina. O “Cemitério e crematório Horto da Paz” inaugurado em 1996 é considerado o cemitério mais bem planejado da grande São Paulo.
Pessoas ilustres sepultadas:
* Anita Malfatti — artista modernista brasileira.
* Ashbel Green Simonton — primeiro missionário presbiteriano no Brasil, fundador da Igreja Presbiteriana do Brasill.
* Broder August Sönksen — comerciante, presidente da Fábrica de chocolates Sönksen, uma das primeiras indústrias de doces em São Paulo.
* Carlos Rath — geólogo, engenheiro , desenhista, doutor, entre outros. Foi importante na construção de cemitérios em São Paulo como o próprio Cemitério dos Protestantes.
* Charles Miller — pioneiro do futebol no Brasil.
* Eduardo Carlos Pereira de Magalhães — fundador da Igreja Presbiteriana Independente.
* Guilherme Wieman — fundador de inúmeras associações, clubes e sociedades alemãs em São Paulo, foi um dos primeiros a ser sepultado neste cemitério.
* José Manuel da Conceição — ex-padre católico que se converteu ao protestantismo.
Com informações do G1 e Wikipédia.

Um comentário :

TEREZINHA RODRIGUES DO NASCIMENTO disse...

QUEREM APAGAR O VERDADEIRO EVANGELHO E UMA DAS MAIORES MISSÕES DO CATOLICISMO ROMANO É DESTRUIR TODOS OS QUE AMAM A PALAVRA DE DEUS, ASSIM COMO ELA É.