7 de novembro de 2017

Israel condena Irã, não a Arábia Saudita, por perseguir cristãos


Israel condena Irã, não a Arábia Saudita, por perseguir cristãos

Julio Severo
“O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu convocou um grupo de jornalistas cristãos para dar publicidade à perseguição dos cristãos sob o regime islâmico do Irã. Falando na primeira Cúpula de Mídia Cristã em Jerusalém, Netanyahu disse que é hora de abrir a boca para denunciar o sofrimento dos cristãos no Irã,” de acordo com a Rede de Televisão Cristã, de Pat Robertson em outubro passado.
Todas as nações que são vizinhas de Israel são muçulmanas, inclusive a Arábia Saudita. Em grau menor ou maior, todas essas nações perseguem os cristãos, e a Arábia Saudita persegue os cristãos mais do que o Irã. Por que Israel selecionou especificamente o Irã para denunciar?
Se é hora de abrir a boca para denunciar o sofrimento dos cristãos no Irã, e quanto aos cristãos perseguidos pela Arábia Saudita?
Netanyahu acrescentou: “Alguns líderes mundiais estão dispostos a ignorar essa repressão e buscar aplacar o Irã, mas eu não sou um deles. Penso que o jeito que um país trata suas minorias religiosas é um indicador muito bom do jeito que tratará seus concidadãos e seus vizinhos.”
Deveríamos medir se a prioridade de Netanyahu está correta avaliando como o Irã e a Arábia Saudita tratam os cristãos e os judeus.
Quantas igrejas cristãs há no Irã?
Há pelo menos 600 igrejas cristãs e entre 300.000 e 370.000 cristãos no Irã.
Há igrejas oficiais e não oficiais no Irã. A igreja oficial, fundada em 1830, é a Igreja Evangélica Presbiteriana do Irã, que não é perseguida porque é registrada e membro do Conselho Mundial de Igrejas, que é uma organização esquerdista.
A maioria dos cristãos perseguidos no Irã é pentecostal. Por exemplo, o pastor iraniano Youcef Nadarkhani tem sido perseguido porque ele é membro de uma igreja pentecostal não registrada. Os pastores iranianos das igrejas presbiterianas oficiais registradas também condenaram Nadarkhani porque, para eles, ele é um “herege” que não tem formação teológica.
Quantas igrejas há na Arábia Saudita?
De acordo com Paul Marshall em seu livro “Persecuted: The Global Assault on Christians” (Perseguidos: A Agressão Mundial aos Cristãos): “A Arábia Saudita proíbe todas as igrejas e manifestações públicas do Cristianismo. Não permite nem mesmo igrejas que são controladas pelo governo. Além disso, congregações secretas que oram juntas em lares particulares correm risco de sofrer batidas policiais e serem fechadas, resultando em membros chicoteados, surrados, presos, deportados ou até mortos. Os únicos cultos seguros de oração são os que são mantidos em silêncio na Embaixada dos EUA e várias embaixadas europeias para seus próprios cidadãos.”
A Bíblia é permitida no Irã?
Sim.
A Bíblia é permitida na Arábia Saudita?
A distribuição da Bíblia é ilegal na Arábia Saudita.
Os judeus têm permissão de viver no Irã?
Estimativas do tamanho da comunidade judaica variam entre 20.000 e 30.000 no Irã.
O judaísmo é uma religião reconhecida no Irã. Apesar da desconfiança oficial do Irã acerca da nação de Israel, o governo iraniano não ataca diretamente o judaísmo.
Os judeus têm permissão de viver na Arábia Saudita?
Não. Além disso, o judaísmo não é uma religião reconhecida na Arábia Saudita.
Os cristãos e os judeus têm permissão de ocupar postos governamentais no Irã?
Sim. Pela lei e prática, as minorias religiosas podem ser eleitas para um órgão representativo ou ocupar posições governamentais ou militares elevadas, e ter 5 de um total de 270 cargos nas assembleias legislativas. Três desses cargos são reservados para membros da religião cristã, inclusive dois cargos para os cristãos armênios no Irã, e um para os assírios. Há também um cargo para um membro da religião judaica.
Os cristãos e os judeus têm permissão de ocupar postos governamentais na Arábia Saudita?
Não. Nenhum cristão ou judeu tem permissão de ocupar posições governamentais ou militares na Arábia Saudita.
Então, se os cristãos e os judeus têm permissão de viver no Irã e até ter suas igrejas e sinagogas e se eles não podem ter igrejas e sinagogas na Arábia Saudita, por que o Irã, não a Arábia Saudita, é condenado por Israel? Pelo fato de que Israel tem uma parceria geopolítica com os Estados Unidos, a Arábia Saudita, que é um aliado militar dos Estados Unidos e persegue os cristãos mais violentamente do que o Irã, é poupada, e o Irã não.
Se Israel realmente se preocupasse com a perseguição de cristãos, salvaria os cristãos do ISIS. Num artigo editorial intitulado “Uma súplica para Israel: Salve os cristãos do Oriente Médio,” Joseph Farah, dono do portal conservador WorldNetDaily, pediu para que Israel estendesse a mão “para salvar os cristãos do Oriente Médio que estão neste exato momento enfrentando um mini-holocausto, nada menos do que um genocídio, perseguição sem paralelo desde o nascimento do islamismo 1.300 anos atrás.”
O responsável por esse mini-holocausto, ou genocídio, é o ISIS. Suas vítimas cristãs estão ao alcance de Israel. Contudo, Israel vem dirigindo operações militares para salvar terroristas que massacram cristãos. Oitenta por cento dos sírios feridos que recebem assistência médica em Israel são rebeldes islâmicos do sexo masculino que lutam contra os cristãos.
Israel nunca deu atenção à súplica de Farah.
O ISIS, que foi fundado pelo governo esquerdista de Obama, é financiado e armado pela Arábia Saudita, que era um aliado forte de Obama e agora é um aliado forte de Trump. Então, por causa dos interesses geopolíticos dos EUA, Israel não está ajudando os cristãos. Está ajudando seus opressores.
Por causa dos interesses geopolíticos dos EUA, Israel condena o Irã, mas não condena a Arábia Saudita por sua ficha pior de perseguição de cristãos e por seu patrocínio ao ISIS, que está cometendo um mini-holocausto, ou genocídio, de cristãos.
Mesmo assim, os cristãos americanos se preocupam demais com Israel e sua segurança, enquanto Israel não se preocupa com os cristãos e sua segurança — pelo menos não com os cristãos massacrados pelo ISIS.
Os cristãos poderiam objetar dizendo que Israel tem razões para selecionar especificamente o Irã por causa das ameaças iranianas de fazer uma bomba nuclear para atacar Israel. De forma alguma os cristãos podem apoiar o ódio iraniano a Israel. Mas será que tal ódio não pode ser em grande parte explicado pelas intromissões geopolíticas dos EUA? Ainda que os EUA sejam incapazes de guardar suas próprias fronteiras, os EUA estão “guardando” as fronteiras iranianas: O Irã está cercado por mais de 40 bases militares dos EUA.
Bases militares americanas perto do Irã
Se os EUA tivessem uma preocupação sincera com o Irã fazendo uma bomba nuclear, teriam impedido o Paquistão, vizinho do Irã e aliado dos EUA, de fazer suas próprias bombas nucleares. O Paquistão, que abrigou Osama bin Laden, é uma inconfiável nação islâmica que abriga muitos terroristas, mas os EUA não fizeram contra o Paquistão o mesmo estardalhaço que estão fazendo contra o Irã.
Se o Irã fizer uma bomba nuclear, Israel está indefeso? Não. Neste exato momento, enquanto o Irã está tentando fazer uma bomba nuclear, Israel tem 200 ogivas nucleares todas apontadas contra o Irã.
Se Israel não tivesse nenhuma defesa nuclear, haveria justificativa para a histeria contra o Irã. Mas Israel tem defesa militar extrema e abundante. E o ódio iraniano tem justificativa: O Irã está cercado por intrusivas bases militares dos EUA.
Os Estados Unidos têm uma longa ficha de intromissões nos assuntos nacionais do Irã nas décadas de 1950, 1960 de 1970. Como era esperado, essa intromissão provocou ódio no Irã. Pelo fato de que Israel e a Arábia Saudita são os aliados mais próximos dos EUA no Oriente Médio, o Irã desabafa sua ira em ambos.
As muitas bases americanas que cercam o Irã poderiam ter uma função melhor protegendo os cristãos contra o ISIS, mas não estão fazendo isso. Ou poderiam guardar as indefesas fronteiras americanas. Não existe razão para os EUA terem tantas bases para proteger a Arábia Saudita, que não merece proteção. Não existe razão para os EUA intimidarem o Irã, não a Arábia Saudita.
Israel pode se defender. Tem 200 ogivas nucleares contra o Irã. E tem muitas outras ogivas nucleares para se proteger contra outras nações muçulmanas.
Quantas ogivas nucleares os cristãos no Oriente Médio têm para se defender contra o ISIS e seu patrocinador, a Arábia Saudita? Absolutamente nada.
Como é que Netanyahu pode condenar o Irã por perseguição parcial de cristãos e não condenar a Arábia Saudita por perseguição total de cristãos?
Como é que Netanyahu pode condenar o Irã por perseguição parcial de cristãos e não condenar o ISIS por seu mini-holocausto, ou genocídio, de cristãos?
Como é que Netanyahu pode enviar unidades militares para salvar terroristas islâmicos que massacram cristãos em vez de enviá-las para salvar cristãos?
Apoio os esforços de Netanyahu para defender Israel em sua devida Terra Prometida. Mas não posso defender a atitude hipócrita dele de ignorar os cristãos perseguidos pelo ISIS e Arábia Saudita para servir às ambições neocons dos EUA.
Enquanto Netanyahu está condenando o Irã por perseguição parcial de cristãos, as igrejas católicas, gregas ortodoxas e luteranas estão acusando Israel de minar o Cristianismo na Terra Santa.
Netanyahu terá direito de condenar o Irã por perseguição parcial de cristãos só depois que Israel condenar a Arábia Saudita e o ISIS por perseguição total de cristãos.
Netanyahu terá direito de condenar o Irã por perseguição parcial de cristãos só depois que Israel parar de salvar terroristas islâmicos e começar a salvar cristãos da Arábia Saudita e do ISIS.
Com informações da CBN, Newsweek, New York Post, Julian Assange e Wikipedia.
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2 comentários :

Alexandre Costa disse...

O Irã, acredito eu, é o único país do oriente médio que não pede bênção aos americanos, daí esses ataques, é aquela história, o inimigo do meu inimigo é meu amigo.

Aprendiz disse...

Evidentemente Israel faz isso por medo. É errado, é imoral, mas o motivo é o medo. Ninguém sabe quantas ogivas nucleares Israel tem, dizer que tem duzentas é apenas especulação, a não ser que alguém podesse provar isso. Mas mesmo que tivesse mil, isso apenas dá poder de retaliação, não de defesa. Se os governantes iranianos forem loucos, eles precisam de apenas uma ou duas grandes ogivas para eliminar Israel. Mas, independentemente disso, Israel deveria confiar no Eterno e fazer o que é certo.