17 de novembro de 2017

Ditador assassino de massas se torna amigo dos EUA


Ditador assassino de massas se torna amigo dos EUA

William Murray
O presidente Omar al-Bashir do Sudão foi indiciado pelo Tribunal Criminal Internacional (TCI) como criminoso de guerra, e existe um mandado internacional de prisão para ele. O planejamento dos atentados a bomba em 1998 das embaixadas americanas no Quênia e Tanzânia foi feito no Sudão sob a vigilância desse assassino de massas, que há muito tempo comete genocídio.
Esse mesmo Omar al-Bashir é agora ao que tudo indica um bom sujeito aos olhos do presidente Donald Trump e seus novos amigos, os neocons. Eles recentemente removeram as sanções que haviam sido impostas no Sudão, ainda que o assassinato de cristãos continue nas Montanhas Nuba sob o regime de al-Bashir.
O mandado de prisão do TCI por crimes de assassinato em massa em Darfur e a condição do Sudão como “país que patrocina o terrorismo” foram reconhecidos e apoiados pelos Estados Unidos até maio de 2017 sob o governo Trump.
Entretanto, o que é curioso é que enquanto al-Bashir, que continua a não se arrepender de nada, está sendo recompensado pelos EUA com a cessação das sanções, há um coro uivante de ameaças contra o presidente iraniano Hassan Rouhani, muito respeitado líder iraniano moderado que está desesperadamente tentando liberalizar o Irã e integrá-lo, por meio do comércio e outros meios, com o restante das nações do mundo.
O desejo do presidente Trump é isolar o Irã diplomaticamente e economicamente assim destruindo as esperanças do presidente Rouhani. Os mulás linhas-duras do Irã que têm feito resistência a toda medida para avançar a liberalização estão quietos — pois eles estão esperando que Trump tenha êxito! O fracasso de Rouhani significará mais poder para os linhas-duras e menos para o povo.
Historicamente, as sanções, embargos e isolamento das nações, usados pelos EUA como meio de “deter a agressão delas,” têm em todos os casos realmente aumentado o poder dos déspotas que foram os alvos! Como um exemplo, Cuba tem sido o alvo de embargos e sanções dos EUA por mais de seis décadas. Longe de remover os irmãos Castro do poder, as sanções e isolamento lhes deram condições de controlar melhor a população de Cuba por causa da falta de contato e influência externa.
A história do fracasso dessas táticas é longa. Começando em 1939, o presidente Roosevelt agiu para deter a agressão japonesa mirando o comércio japonês, enquanto ao mesmo tempo dava assistência financeira e equipamento militar para a China. Essas sanções e embargos foram aumentados em 1940 e 1941, e assessores militares (Tigres Voadores) foram enviados para a China. Todo comércio com o Japão foi cessado e cargas de petróleo foram cortadas em 1941. A agressão militar do Japão contra seus vizinhos aparentemente não foi contida por essas medidas, pois Pearl Harbor sofreu um bombardeio em 7 de dezembro de 1941.
O cenário de sanções foi repetido com o Vietnã do Norte e continua com a Coreia do Norte hoje. Os lançamentos de mísseis e testes de bombas nucleares do regime de Kim indicam que as sanções e embargos dos EUA estão funcionando muito bem com a Coreia do Norte.
Enquanto isso, as sanções americanas contra a Rússia estão prejudicando a economia europeia e realmente forçaram algumas empresas europeias a demitir grande número de funcionários. Ao mesmo tempo, a Rússia e a China construíram oleodutos e gasodutos entre seus dois países de modo que a China possa comprar vastas quantidades de petróleo da Rússia, assim beneficiando a economia russa. O comércio da Rússia com outras nações que não honram a política de sanções dos EUA também aumentou. Outro “sucesso” das sanções dos EUA: a Rússia agora exporta mais trigo do que os Estados Unidos.
Esse longo histórico de “sucesso” das sanções americanas tem levado o presidente Trump a aceitar o conselho dos neocons, e das agências de espionagem da Arábia Saudita e de Israel, e promover mais sanções e embargos para “mudar a conduta” do Irã.
Se essas sanções vão funcionar bem contra o Irã e contra os mulás, por que é que essa política de contenção não é mais necessária para lidar com um assassino de massas como al-Bashir do Sudão?
(Em total transparência, já tive almoço no lar de al-Bashir no Sudão a convite de um ex-parlamentar que mais tarde foi indiciado por violar as sanções impostas no Sudão. O propósito da minha visita foi uma missão de apuração de fatos para determinar a condição das minorias religiosas no Sudão.)
Uma das experiências mais estranhas da minha vida foi apertar a mão do presidente al-Bashir e sentir que o que ele mais gostaria de fazer era me matar em alguma data posterior. Em sua presença dava para sentir o poder e a confiança de um assassino, enquanto ele fazia piadas e ria com a equipe de apuração de fatos que estava comigo, tranquilamente nos assegurando que a liberdade religiosa não existente de sua nação realmente existia.
Ao que tudo indica, o presidente Trump viu alguma coisa boa nesse ditador assassino de massas que eu não consegui ver, pois ele está agora na lista de mocinhos dos EUA — apesar do fato de que ele faz Kim Jong-um da Coreia do Norte parecer um verdadeiro compassivo em comparação. Ou talvez isso foi um passo compreensível para o governo de Trump, já que os Estados Unidos são aliados da Arábia Saudita, e o Sudão está dando apoio militar dos sauditas em sua guerra sangrenta contra o povo do Iêmen. Os embargos e bloqueios da Arábia Saudita contra o Iêmen têm causado dezenas de milhares de mortes por doença e fome desde 2015. A Arábia Saudita tem usado bombas americanas para aniquilar hospitais e escolas — e tem até disparado mísseis americanos em multidões reunidas em casamentos e funerais. Tudo isso sem uma única palavra de condenação do presidente Obama e do presidente Trump.
Desde o encontro do presidente americano Dwight D. Eisenhower com o rei Saud em 1957 e a Doutrina Eisenhower, os EUA assumiram o compromisso de serem conduzidos numa correia de cachorro pelos corruptos reis sauditas em troca de dólares americanos sendo a moeda de referência no comércio do petróleo. Se os reis sauditas abandonarem o petrodólar, o valor de um dólar seria o que custa para a Reserva Federal (o banco central dos EUA) imprimi-lo. Os Estados Unidos seriam forçados a pagar integralmente a dívida que devem aos chineses com moeda real (ouro), causando inflação enorme.
Tudo o que as nações que querem sair da “lista de bandidos” dos EUA precisam fazer é se tornar amigas dos governantes corruptos e assassinos da Arábia Saudita.
A correia de cachorro que une os Estados Unidos à Arábia Saudita precisa ser quebrada. Os EUA, que são ricos em energia e uma superpotência militar, não precisam da mancha vergonhosa da família real saudita corrupta e assassina em sua estrutura nacional.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): Mass-murdering dictator becomes America’s buddy
Leitura recomendada sobre os neocons:
Leitura recomendada sobre a Arábia Saudita:
Artigos de William Murray:

Um comentário :

Alexandre Costa disse...

Enquanto existirem os petrodólares da arabia maldita vai ser esse sofrimento,mesmo porque os eua não são mais uma nação cristã e sim um balcão de negócios.