13 de outubro de 2017

O Islamismo se Levanta a Partir do Secularismo da Europa


O Islamismo se Levanta a Partir do Secularismo da Europa

Giulio Meotti
Em outubro de 2000, na ensolarada cidade francesa de Nice, a Convenção Europeia com 105 membros esboçou a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.
Elaborada pela comissão do ex-presidente francês Valéry Giscard d'Estaing, o documento se referia apenas ao "patrimônio cultural, religioso e humanista da Europa". O Parlamento Europeu rejeitou uma proposta de Membros Democratas Cristãos do Parlamento Europeu e do Papa João Paulo II de incluir no texto as "raízes judaico-cristãs" da Europa.
Na Carta de 75.000 palavras não há sequer uma menção ao cristianismo. Desde então, uma onda de secularismo agressivo tem permeado todas as políticas da UE. Por exemplo, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos pediu a retirada dos crucifixos das salas de aula: eles eram hipoteticamente uma ameaça à democracia.
A cidade de Nice — onde há exatamente 16 anos os governantes da Europa decidiram eliminar as raízes judaico-cristãs da Constituição da UE (nunca aprovada) — acabou de testemunhar a sangrenta manifestação de outra religião: o Islã radical. "A natureza abomina o vácuo": esta é a verdade que nossas elites não querem ouvir; o islamismo se levanta a partir do que William McGurn, autor de discursos de George W. Bush, chamava de "secularismo irresponsável da Europa".
Isto é possível ver não só nas igrejas da Europa, três quartos delas vazias, e no crescimento vertiginoso da conversão dos europeus ao Islã, mas também no que está acontecendo nas escolas da Europa. Essas tendências não dão suporte à visão de Viktor Orbán de uma Europa cristã.
Há alguns dias, a Bélgica que recentemente foi alvo de ataques terroristas, decidiu que as aulas de religião nas escolas de língua francesa de ensino fundamental e médio serão cortadas pela metade a partir de outubro de 2016 e substituídas por uma hora de "aulas de cidadania": lições de secularismo. Em Bruxelas, 50% das crianças em escolas públicas já optaram por frequentar aulas sobre o Islã.
Na França, o governo socialista impôs uma "carta de secularismo" em todas as escolas banindo o cristianismo do sistema educacional. A carta é o manifesto da "révolution douce" ("revolução adocicada"), melhor dizendo: secularismo extremo da França. É uma tentativa de eliminar qualquer asserção de identidade. A quipá judaica, a cruz cristã e o véu islâmico são tratados da mesma maneira. O secularismo é o que tem sido corretamente definido como "o ponto cego da esquerda em relação ao Islã".
Além de tudo é um secularismo que endoidou. A título de exemplo a escola de ensino fundamental Yves Codou, que fica no vilarejo de La Môle, comemorou o "Dia dos Cuidadores" em vez do Dia das Mães, a fim de não causar dissabores aos casais gays. Certos municípios já mudaram o formulário de inscrição para crianças em idade escolar, eliminando as palavras "pai" e "mãe", substituindo-as por "gestor legal 1" e "gestor legal 2". É a "Novilíngua" de George Orwell.
Após dois ataques terroristas de grandes proporções em 2015, a França, em vez de promover uma "jihad" cultural baseada em valores ocidentais, respondeu ao fundamentalismo islâmico com um ridículo "Dia do Secularismo" a ser comemorado todo dia 9 de dezembro.
Não é que o secularismo "exacerbou" essas tensões culturais como afirmam muitos liberais. É que este secularismo afastou a cultura francesa dos ideais que criaram o Ocidente. O afastamento fez com que esta cultura ficasse cega em relação à incompatibilidade do islamismo com os valores seculares. Após o massacre na redação da revista satírica Charlie Hebdo, a professora francesa Isabelle Rey ressaltou que
"muitos dos nossos estudantes não compartilham da nossa consternação em relação aos acontecimentos. Podemos fingir que há consenso, mas a realidade é que uma parcela significativa da população acredita que os jornalistas mereceram o fim que tiveram ou que os irmãos Kouachi (os assassinos) morreram como heróis".
Esse secularismo tacanho também impediu a França de apoiar abertamente os cristãos orientais oprimidos pelos islamistas. O conjunto musical "The Priests" planejava anunciar a próxima apresentação em Paris com uma faixa no poster dizendo que haverá arranjos em apoio à causa dos cristãos perseguidos no Iraque e na Síria — mas a empresa que opera o sistema metroviário em Paris inicialmente proibiu o anúncio, alegando que considerava a faixa uma violação ao secularismo.
Suécia, um dos países europeus onde há mais infiltração do islamismo radical, é considerada a nação "menos religiosa" do Ocidente. De acordo com a agência Statistics Sweden, apenas 5% dos suecos são religiosos praticantes e um em cada três casais se casam somente no civil. Como é que a Suécia chegou a esse ponto? Há muitos anos o governo sueco proibiu qualquer atividade religiosa nas escolas, exceto aquelas diretamente relacionadas às aulas de religião.
Como se isso não fosse o bastante, o secularismo também não tem respostas para a questão de como lidar com o terrorismo; além disso o secularismo deixa os europeus inseguros sobre o que vale a pena lutar, matar e morrer. Se você acredita, como os secularistas acreditam, que os nossos valores são meros acidentes da história e que o bem maior é o conforto, então você não irá dar a mínima pelo futuro da civilização.
O símbolo deste 'euro-secularismo' é a igreja Oude Kerk, uma das igrejas mais famosas de Amsterdã, datada do século XIII. A igreja, ora vazia, é usada para exposições e pode ser alugada para jantares de gala. Do outro lado da rua fica o "Sexyland", apresentando "shows de sexo ao vivo", uma "coffee shop" para venda de drogas e um supermercado "erótico" para a venda de vibradores. Por sete euros é também possível visitar a igreja.
Tradução: Joseph Skilnik Original em inglês: Islamism Rises from Europe's Secularism
Divulgação: www.juliosevero.com
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2 comentários :

Thel Araújo disse...

Eu disse aqui, já muitas vezes, que esses europeus estão perdidos. O mal começará a destruição final pela França e pela Suécia. A França sofrerá as consequências por ter sido o principal país a espalhar o ateísmo e a rebeldia pelo mundo, e a Suécia por ter abandonado os caminhos do Senhor e as missões mundiais em prol do Evangelho.
Guardem essas palavras.

Daniel Campos disse...

A Europa teve o movimento reformista cristão chamado Reforma Protestante instalado por Martinho Lutero no dia 31 de outubro de 1517, quando o monge agostiniano afixou as 95 teses contra a conduta da Igreja Católica na porta da Igreja de Wittemberg no início do século XVI na Alemanha.
Desde então se espalhou para outros países da Europa Ocidental, como França, Suíça, Países Baixos, Escócia e Inglaterra, aparecendo grandes líderes, por exemplo João Calvino, Ulrico Zuínglio, John Knox, etc., que levaram o surgimento de diversas vertentes do Cristianismo.
Sabendo que as novas doutrinas foram se manifestando depois da publicação das 95 teses de Lutero, as quais são a anglicana, a luterana, a calvinista, a metodista, a pentecostal e a neopentecostal, aos poucos quebraram o monopólio espiritual da Igreja Católica no continente europeu.
Atualmente, a predominância do secularismo nesse Velho Mundo acabou a tradição religiosa vinda do cristianismo com mais intensificação na Alta Idade Média após a queda do Império Romano do Ocidente no ano de 476 d.C. através da invasão dos germanos.
Por conta disso, a culpa está nesse povo que esqueceu que era cristão na sua raiz, tendo como base os ensinamentos da Palavra de Deus transmitidos para as suas gerações posteriores durantes os séculos passados apesar da grande idolatria aos outros deuses que as Escrituras condenam por não fazerem parte da doutrina do Redentor nesse livro sagrado lido por eles até chegar os dias de hoje.
Portanto, temos que ter esse exemplo em nós para não venhamos cair como eles caíram agora diante do avanço do secularização na história contemporânea recentemente.