31 de outubro de 2017

Lutero e os judeus


Lutero e os judeus

Julio Severo
O Dr. Michael Brown escreveu um excelente artigo em que ele, citando Stephen Nichols, disse que “em 1523 Lutero estendeu a mão com bondade e humildade ao povo judeu, denunciando como a Igreja Católica os havia tratado até então, na esperança de que muitos se tornassem cristãos. Vinte anos depois, quando isso não aconteceu, e quando Lutero, agora velho e doente, havia tido acesso a literatura blasfema contra Jesus escrita por judeus em gerações passadas, ele escreveu seu infame documento ‘Com relação aos Judeus e Suas Mentiras.’”
Lutero e a Bíblia
Você pode ler o artigo completo de Brown, intitulado “Martinho Lutero era antissemita?” aqui.
Outro artigo importante, também intitulado “Martinho Lutero era antissemita?” e escrito pelo Dr. Eddie Hyatt, mostra que Lutero usava muitas palavras ofensivas contra os judeus, contra os muçulmanos, contra os católicos e contra os batistas e que eles também usavam palavras ofensivas contra ele. Você pode conferir o artigo completo de Hyatt aqui.
Brown explica como Adolf Hitler usou as palavras de Martinho Lutero para perseguir os judeus. Claro que Hitler também usava a Bíblia para sustentar o nazismo. De acordo com Ray Comfort, em seu livro “Hitler, God and the Bible” (Hitler, Deus e a Bíblia) Hitler fazia muito uso público da Bíblia. Mas, enquanto Hitler precisava perverter a Bíblia, ele não precisou perverter nenhuma palavra de Lutero contra os judeus. As próprias palavras de Lutero contra os judeus já eram pervertidas — e indesculpáveis.
São indesculpáveis não só porque ele foi o líder máximo da Reforma protestante, mas também dizia ser seguidor de Jesus. “Quem declara que permanece nele também deve andar como Ele andou.” (1 João 2:6 King James Atualizada)
Ao criticar os judeus, Lutero fez o que toda a sociedade europeia, dominada por antigas tradições católicas antijudaicas, já fazia há muito tempo. Aliás, enquanto Lutero estava criticando os judeus, a Igreja Católica os estava também criticando e os torturando, roubando e queimando nas fogueiras da Inquisição.
Apesar de tudo, Lutero e seus seguidores não têm histórico de torturar, roubar e queimar judeus. Eles não têm histórico de inquisição contra judeus.
Os Estados Unidos, a maior nação protestante do mundo e a nação que mais seguiu a orientação de Lutero de colocar a Bíblia no centro de tudo, não tem nenhum histórico de torturar, roubar e queimar judeus. Os EUA não têm histórico de inquisição contra judeus. Pelo contrário, como nação protestante, os EUA têm um histórico incrível de proteção, parceria e amizade com os judeus e um histórico invejável contra a Inquisição.
Mais leitura da Bíblia (que é o valor principal do protestantismo) produz mais defesa dos judeus, embora alguns judeus tenham pensamentos diferentes. Osias Wurman, que é o cônsul honorário de Israel no Rio de Janeiro, demonstrou preocupação com a vitória de Donald Trump nos EUA em 2016 — vitória que foi conseguida em grande parte por meio dos eleitores evangélicos.
Ele falou dessa vitória como se o aumento de conservadorismo evangélico fosse produzir um aumento de sentimentos favoráveis ao Holocausto, quando o contrário é verdade. Os evangélicos americanos não são a favor do Holocausto e da Inquisição.
Contudo, como judeu brasileiro Wurman perdeu uma grande oportunidade de denunciar que está havendo um aumento de posturas pró-Inquisição entre direitistas católicos esotéricos do Brasil. Esses direitistas extremistas defensores da Inquisição rejeitam a atual postura do Vaticano contra a Inquisição e acusam Lutero de “genocida” por suas opiniões antijudaicas, sendo que a Inquisição representa as palavras e ações antijudaicas do catolicismo medieval que foi uma grande influência em Lutero. Esse direitismo pró-Inquisição tem sido totalmente rejeitado pelos evangélicos conservadores, que se unem aos judeus na denúncia contra o Holocausto e a Inquisição.
Seguir o protestantismo conservador americano leva a posturas contra o Holocausto e a Inquisição.
Seguir o catolicismo medieval leva a posturas a favor da Inquisição, que fatalmente leva ao Holocausto.
Lutero seguiu os padrões europeus medievais (que eram totalmente católicos), e quando ele verbalmente atacou os judeus ele não seguiu o exemplo de Jesus, que nunca ensinou seus discípulos a odiar os judeus.
Jesus orientou seus discípulos a orar e tomar cuidado. Ele disse: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito, com certeza, está preparado, mas a carne é fraca.” (Mateus 26:41 King James Atualizada) A tentação de Lutero foi forte e sua carne foi fraca. Ele caiu na tentação dominante de sua geração, que era antes e depois hostil aos judeus.
Seguir tendências sociais (todas as personalidades sociais fazem isso) e tradições religiosas (todos os líderes religiosos fazem isso) está em conflito com vigilância e oração.
Na verdade, se Hitler precisasse de um exemplo religioso antijudaico contra os judeus, ele nem precisava de Lutero, pois a Igreja Católica tinha exemplos abundantes de vários séculos de palavras e ações contra os judeus. Tudo o que Lutero disse contra os judeus a Inquisição já praticava em abundância.
Hitler, que era um católico esotérico que astutamente usava imagens esquerdistas e direitistas, usou o exemplo de Lutero porque se não houvesse esse exemplo evangélico, só lhe restariam os abundantes exemplos católicos.
O protestantismo de Lutero buscava se libertar das tradições católicas, e o próprio Lutero só tinha experiência com tais tradições.
Lutero vivia numa Europa 100 por cento católica. Todos os que ele conhecia eram católicos. Todas as opiniões que ele ouvia eram católicas e antijudaicas.
A geração de Lutero era antissemita. Aliás, a Europa inteira onde Lutero nasceu era católica e antissemita.
Lutero tinha para com os judeus a mesma hostilidade de um católico comum (desde os papas até os padres), pois ele havia sido criado como católico. Embora ele e outros protestantes tivessem a mesma hostilidade antijudaica dos católicos, não vimos na prática Lutero e outros protestantes matando judeus. Eles tinham ódios ou preconceitos, mas não praticaram. Eles não tinham inquisições contra os judeus. Eles não torturavam e matavam judeus. Da mesma forma, os judeus tinham seus próprios ódios ou preconceitos contra os cristãos.
Quem quer que condene Lutero por suas palavras contra os judeus inevitavelmente tem de condenar o papa e toda a Igreja Católica daquela época não só por suas palavras, mas também por suas ações, especialmente a Inquisição, contra os judeus.
Um seguidor de Jesus teria pelos judeus o amor que Jesus tinha, e inicialmente Lutero tinha esse amor, pois ele desejava a conversão deles. Mas quando ficou velho e doente, ele mudou de ideia. E a ideia dele se tornou repugnante e odiosa contra os judeus, alegadamente porque ele leu escritos blasfemos de judeus contra Jesus Cristo e os cristãos. Contudo, Hyatt deixa claro que antes de morrer, Lutero voltou à sua atitude mais conciliatória para com os judeus.
Um cristão jamais pode se guiar por ódio. Foi exatamente o ódio aos judeus que sustentou a Inquisição, que saqueava, torturava e matava judeus.
Se Lutero tinha como justificativa para seu ódio antijudaico livros judaicos contra Jesus Cristo, hoje outros encontrariam como justificativa o fato de que Karl Marx era judeu e que Genrikh Yagoda, judeu que fundou e dirigiu a NKVD (sucessora da KGB), foi, de acordo com um escritor judeu no jornal israelense Ynetnews, “o maior assassino judeu do século XX.”
Aliás, em sua estridente propaganda contra o marxismo, Hitler e Henry Ford, o maior magnata americano daquela época, odiavam o marxismo soviético pelo fato de que os judeus eram majoritariamente socialistas na Alemanha e também pelo fato de que eles ocupavam posições proeminentes de liderança na União Soviética.
Seja como for, o Lutero velho e doente que escreveu um livro contra os judeus cometeu um pecado grave. Discordo totalmente de todas as ideias loucas dele do Lutero velho e doente contra os judeus.
No entanto, precisamos ser justos e também discordar das ideias e palavras loucas dos judeus contra Jesus Cristo e os cristãos.
O Talmude judaico e a literatura rabínica são totalmente contra os cristãos, tratando-os de forma desprezível. O Talmude pode ser o equivalente judaico do livro de Lutero, mas foi escrito muito antes. Aliás, o Talmude é muito mais nocivo, pois embora nenhum luterano e nenhum evangélico coloque o livro antijudaico de Lutero em pé de igualdade com a Bíblia, os judeus religiosos colocam o Talmude num patamar muito próximo de suas Escrituras Sagradas (que é o Antigo Testamento dos cristãos).
Enquanto nenhuma igreja evangélica tem em seu templo o livro antijudaico de Lutero nem o lê do púlpito, as sinagogas têm o Talmude e o leem junto com as Escrituras.
De acordo com o livro “Jesus in the Talmud” (Jesus no Talmude), escrito por Peter Schäfer, publicado pela Princeton University Press (Editora da Universidade Oxford) em 2007, o Talmude e a literatura rabínica tratam Jesus como um bruxo depravado filho de uma prostituta.
Citando o Talmude, Schäfer disse: “A mais bizarra de todas as histórias acerca de Jesus é aquela que conta como Jesus está no inferno junto com Tito e Balaão, arqui-inimigos notórios do povo judeu… O destino de Jesus consiste em sentar-se para sempre em cima de excremento fervendo” (página 13).
Schäfer disse que, de acordo com o Talmude, Maria, “Depois que foi expulsa por seu marido e enquanto estava vagando de uma maneira vergonhosa, ela secretamente deu à luz Jesus. E… porque ele [Jesus] era pobre, ele se empregou como trabalhador no Egito, e tentou certos poderes de bruxaria dos quais os egípcios se orgulham; ele voltou cheio de presunção, por causa desses poderes, e por causa deles se deu o título de Deus” (página 19).
O Talmude, de acordo com Schäfer, disse: “Os seguidores de Jesus, que afirmam ser o novo sal da terra, não são nada mais que a placenta pós-parto da prole imaginada da mula, uma ficção de uma ficção” (página 24).
Enquanto os protestantes em geral e os luteranos em particular rejeitam as opiniões antijudaicas de Lutero, os judeus religiosos não fazem nenhum esforço para rejeitar o Talmude anticristão.
Contudo, as palavras loucas do Talmude contra os cristãos e as palavras loucas de Lutero contra os judeus estão apenas no campo das ideias. Se fossem implementadas, se os luteranos tivessem agido como Genrikh Yagoda, seria repugnante. Daí, mesmo defendendo Lutero e os judeus, não concordo com eles em tudo, por causa de suas ideias loucas uns contra os outros.
A Inquisição, é claro, foi pior, pois foi a implementação de ideias loucas. Por isso, sou contra a Inquisição e louvo o histórico notável dos Estados Unidos no combate à propaganda pró-Inquisição.
Não há, no luteranismo e no protestantismo, uma tradição de Inquisição de tortura e morte contra os judeus, embora haja o livro de Lutero, o qual tem antijudaísmo em palavras. No catolicismo há em palavras e ações, e a Inquisição é uma das grandes provas inegáveis.
O protestantismo produziu os Estados Unidos, que se tornaram o maior abrigo de judeus que o mundo já viu. E o Brasil, o maior país católico do mundo, tem um histórico de Inquisição, que torturou e matou muitos judeus brasileiros. Aliás, os primeiros judeus de Nova Iorque no século XVII eram brasileiros que haviam fugido da Inquisição no Brasil. O primeiro cemitério judaico de Nova Iorque é composto desses judeus brasileiros perseguidos pela Inquisição.
A proposta original de Lutero era valorizar a Bíblia acima de tudo. Os Estados Unidos fizeram exatamente isso. O fruto protestante nos EUA não foi só um amor cultural imenso pela Bíblia, mas também uma tolerância aos judeus nunca antes vista.
Os EUA, que foram fundados por uma população 98 por cento de protestantes, seguiram a Bíblia, como Lutero indicou, mas não seguiram os pecados antijudaicos de Lutero.
Com suas imperfeições, pecados e até opiniões pesadas, Lutero buscava muitas vezes apontar para Cristo. Se um evangélico colocar Lutero acima de Jesus, ele não será melhor do que os papas a quem Lutero criticava.
O evangélico verdadeiro deve imitar Jesus e o Evangelho, não Lutero e outros homens. Se ele imitar Lutero, ele falará muitos palavrões, pois esse era um dos pecados de Lutero. E ele imitará a postura insana de Lutero contra os judeus, postura totalmente imitada dos costumes católicos comuns de sua época.
Evangélico que imita os pecados, a boca suja e as opiniões pesadas de Lutero não é seguidor de Jesus.
No ano passado, a Igreja Luterana da Noruega denunciou os escritos antijudaicos de Lutero. Mais igrejas da Reforma precisam seguir o exemplo da Igreja Luterana da Noruega.
Lutero deu um bom exemplo ao denunciar a corrupção da hierarquia da Igreja Católica, que tem trabalhado para consertar alguns desses problemas. Mas ele acabou imitando um dos piores pecados da Igreja Católica. Agora, seguindo o exemplo dele mesmo de dar preeminência à Bíblia, as igrejas da Reforma têm a obrigação moral e espiritual de denunciar as opiniões antijudaicais que se apossaram de um Lutero velho e doente.
Contudo, o bom fruto permanente de Lutero é muito melhor do que seu livro anti-judaico momentâneo: Por causa de Lutero, os EUA nasceram protestantes e se tornaram o melhor amigo e refúgio dos judeus e Israel.
Outro bom fruto foi o Rev. Richard Wurmbrand, um pastor judeu luterano que escreveu vários livros contra o comunismo.
Versão em inglês deste artigo: Luther and the Jews
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28 de outubro de 2017

Moisés, seu patrocinador e seus bruxos


Moisés, seu patrocinador e seus bruxos

Julio Severo
Moisés foi criado no palácio do faraó, comendo sua comida, desfrutando de seu luxo e tudo o mais. Mas quando chegou a hora de atender ao chamado de Deus, Moisés estava pronto para confrontar tudo, até seu antigo “patrocinador” — o faraó. E ele fez exatamente isso: Ele confrontou poderosamente faraó e seus feiticeiros — e venceu.
Ele pertencia a Deus, não ao seu antigo patrocinador.
Só porque Deus escolheu o ímpio para “patrocinar” você em determinado tempo de sua vida não significa que você seja escravo dele e não deva confrontá-lo. Faça a vontade de Deus, não de seu antigo patrocinador.
Para confrontar Moisés, faraó teve a ajuda de seus feiticeiros, que usavam o poder de Satanás para realizar atos sobrenaturais.
Moisés derrotou a sobrenaturalidade da bruxaria com a sobrenaturalidade suprema do poder de Deus. O Deus infinitamente sobrenatural foi vitorioso, através de Moisés, contra o diabo finitamente sobrenatural, através de faraó e seus bruxos.
Primeiro, Deus, que é soberano, escolheu usar faraó e sua casa cheia de bruxarias para criar Moisés.
Depois, Deus usou Moisés para derrotar o poder sobrenatural dos bruxos de faraó, que era um homem que adorava o ocultismo e o esoterismo.
Em faraó, política e ocultismo andavam de mãos dadas. Em Moisés, política e Deus andavam de mãos dadas.
Deus pode usar esotéricos e bruxos para patrocinar você. Mas aguarde a voz dEle, que pode um dia chamar você para glorificar o nome dEle derrotando o poder demoníaco de patrocinadores envolvidos em esoterismo e bruxaria. Deus pode usar você para confrontá-los mesmo que eles sejam politicamente tão poderosos quanto o faraó.
Eles não podem acusar você de ter cuspido no prato que você comeu, assim como eles não podiam acusar Moisés de ter comido às custas de faraó. Tudo o que os faraós (os governantes ímpios deste mundo), os esotéricos e os bruxos têm para dar veio de Deus. E é Deus quem determina que eles sustentem os justos e sejam depois confrontados por eles.
Versão em inglês deste artigo: Moses, His Sponsor and His Sorcerers
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27 de outubro de 2017

Facebook e LinkedIn culpados por aumento de casos de divórcios enquanto casais conduzem romances com até CINCO pessoas online


Facebook e LinkedIn culpados por aumento de casos de divórcios enquanto casais conduzem romances com até CINCO pessoas online

Sophie Inge
A tecnologia está dando condições para maridos e esposas conduzirem múltiplos romances online, revelam advogados de divórcio.
Os escritórios de advocacia notaram um aumento em tais infidelidades — com alguns cônjuges conduzindo até cinco romances de uma vez, quase inteiramente online.
Os métodos de comunicação abrangem desde mensagens de texto e aplicativos de namoro até redes sociais como LinkedIn e Facebook.
O Escritório de Advocacia de Direito Familiar Hall Brown viu tais casos crescerem de menos de 50 para 65 num período de cinco anos.
Abigail Lowther, advogada do escritório, disse ao jornal Sunday Telegraph, que seus clientes se queixam de que a tecnologia está “colocando a tentação na ponta dos dedos de seus parceiros.”
Joanne Edwards, sócia do escritório de advocacia Forsters, também notou a correlação entre tecnologia e infidelidade.
“A tecnologia coloca as pessoas dentro do alcance de paixões velhas e novas e significa que um cônjuge pode estar traindo sentado na mesma sala com seu marido ou esposa,” disse ela ao jornal.
Embora a tecnologia esteja facilitando os casos extraconjugais, facilita também descobrir infidelidades, de acordo com Joanna Pratt, sócia do escritório de advocacia Thomson Snell & Passmore.
“A tecnologia está também facilitando a exposição de relacionamentos ilícitos,” ela disse ao jornal. “As pessoas se esquecem de fechar ou deletar adequadamente os e-mails, mensagens de texto são enviadas ou recebidas, mas não deletadas, e fotos podem aparecer no Facebook que embora apareçam numa página de Facebook sem ligação nenhuma com a pessoa, revelam ao mundo a natureza dos relacionamentos,” disse ela.
No início deste ano, descobriu-se que a cidade de Tunbridge Wells abrigava a maioria dos adúlteros na Inglaterra.
De acordo com o Índice de Infidelidade, 1,146 de seus residentes estão tendo um caso extraconjugal — exatos 2,20 por cento de sua população.
O Índice, compilado por Encontros Ilícitos — o principal site de namoros para adúlteros na Inglaterra — mapeou os dados de localização de seus 1,1 milhão de membros em comparação com a população adulta de cada cidade para descobrir as cidades mais adúlteras, e os bairros de Londres.
A afluente Guildford reteve o segundo lugar com 1.303 adúlteros — 2,1 por cento da população. Wrexham ficou em terceiro com 1.027 adúlteros — 1,89 por cento dos residentes da cidade.
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25 de outubro de 2017

Aniversário de 500 anos da Reforma protestante: Recordando a contribuição de Martinho Lutero na esfera da alfabetização


Aniversário de 500 anos da Reforma protestante: Recordando a contribuição de Martinho Lutero na esfera da alfabetização

Richard Gunderman
Este ano marca o aniversário de 500 anos das famosas 95 Teses de Martinho Lutero, as quais ajudaram a desencadear a fundação da Reforma e a divisão da Cristandade em protestantismo e catolicismo.
As 95 Teses criticavam a venda de indulgências da Igreja Católica, as quais Lutero considerava como uma forma de corrupção. Na época de Lutero, as indulgências haviam evoluído para pagamentos que, segundo se dizia, reduziriam castigos por pecados. Lutero cria que tais práticas só interferiam no arrependimento genuíno e desestimulavam as pessoas de darem ajuda para os pobres. Uma das contribuições teológicas mais importantes de Lutero foi o “sacerdócio de todos os crentes,” o qual indicava que o povo comum possuía tanta dignidade quanto os líderes religiosos.
Menos conhecido é o papel crucial que Lutero desempenhou defendendo a ideia de que as pessoas comuns lessem bastante e de forma satisfatória. Diferente do papado e seus defensores, que estavam produzindo escritos somente em latim, Lutero alcançou os alemães em sua língua materna, aumentando consideravelmente a acessibilidade de suas ideias escritas.
Em minhas aulas de filantropia, o esforço de Lutero para promover a alfabetização é um dos acontecimentos históricos que muitas vezes discuto com meus estudantes.

Anos iniciais

Nascido na Alemanha em 1483, Lutero seguiu os desejos de seu pai de estudar direito. Certa vez, ao ser pego numa terrível tempestade com trovões, ele fez a promessa de que se fosse salvo, se tornaria monge.
De fato, Lutero posteriormente se juntou à austera ordem agostiniana, e se tornou padre e doutor em teologia. Mais tarde ele foi tendo objeções a muitas práticas da Igreja Católica. Ele protestou contra a promoção das indulgências, a compra e venda de privilégios eclesiásticos, e o acúmulo de riquezas consideráveis por parte da Igreja Católica enquanto os camponeses mal tinham com que sobreviver. A lenda diz que em 31 de outubro de 1517, Lutero fixou suas 95 Teses na porta da igreja em Wittenberg, a cidade em que ele tinha sua base.
Ele foi marcado como criminoso por recusar se retratar de seus ensinos. Em 1521, o Papa Leão X excomungou Lutero da Igreja Católica. Seu protetor, Frederico da Saxônia, salvou Lutero de represálias adicionais e o levou em segredo a um castelo, onde ele permaneceu por dois anos.
Foi durante esse tempo que Lutero produziu uma tradução imensamente influente do Novo Testamento em alemão.

Impacto do que Lutero escrevia

A introdução inicial da imprensa de Gutenberg em 1439 possibilitou a disseminação rápida das obras de Lutero em boa parte da Europa, e seu impacto foi inacreditável.
A coleção de obras de Lutero se estende a 55 volumes. Estima-se que entre 1520 e 1526, umas 1.700 edições das obras de Lutero foram impressas. Dos seis a sete milhões de panfletos impressos durante aquele tempo, mais de 25 por cento eram as obras de Lutero, muitas das quais desempenharam um papel vital no avanço da Reforma.
Graças à tradução da Bíblia que Lutero fez, tornou-se possível para as pessoas de fala alemã pararem de depender das autoridades católicas e em vez disso lerem a Bíblia por si mesmas.
Lutero argumentou que as pessoas comuns não só tinham a capacidade de interpretar a Bíblia por si mesmas, mas que ao fazerem isso elas tinham a melhor chance de ouvir a palavra de Deus. Ele escreveu:
“Deixem que as pessoas que querem ouvir Deus falar leiam a Bíblia.”
A Bíblia de Lutero ajudou a formar um dialeto alemão comum. Antes de Lutero, pessoas de diferentes regiões da atual Alemanha muitas vezes experimentavam grande dificuldade de entender umas às outras. A tradução da Bíblia que Lutero fez promoveu um único idioma alemão, ajudando a unir o povo em torno de uma língua comum.

Expandindo a alfabetização

Essa perspectiva, junto com a disponibilidade ampla da Bíblia, mudou a responsabilidade pela interpretação da Bíblia dos líderes para o povo comum. Lutero queria que as pessoas comuns assumissem mais responsabilidade por ler a Bíblia.
Ao promover esse ponto de vista, Lutero ajudou a fornecer um dos argumentos mais eficazes para a alfabetização universal na história da civilização ocidental.
Numa época em que a maioria das pessoas trabalhava na lavoura, ler não era necessário para manter um meio de sustento de vida. Mas Lutero queria remover a barreira de linguagem de modo que as pessoas pudessem ler a Bíblia sem impedimento. Seu raciocínio para querer que as pessoas aprendessem a ler e lessem regularmente estava, a partir de seu ponto de vista, entre os mais fortes imagináveis — quer ler por si mesmos aproximaria os leitores de Deus.
Durante grande parte da vida de Lutero, sua produção estupenda em obras teológicas só foi superada por seus comentários da Bíblia. Ele acreditava que nada poderia substituir encontros diretos e contínuos com a Bíblia, que ele defendia e ajudou a formar por meio de seus comentários detalhados.

Lendo para interpretar a verdade

Lutero tinha muitas razões para favorecer a disseminação da alfabetização. Ele era professor universitário. Suas 95 Teses tinham a intenção de provocar um debate acadêmico. Seus ensinos e conhecimento acadêmico desempenharam um papel crucial no desenvolvimento de sua teologia. Finalmente, ele reconheceu o papel crucial que os estudantes desempenhariam no avanço de seu movimento.
De forma tão poderosa a influência de Lutero reverberou durante séculos que, durante uma visita à Alemanha em 1934, o Rev. Michael King Sr. escolheu mudar seu nome e o nome de seu filho para Martin Luther King. Martin Luther King Jr., homônimo do grande reformador alemão, faria pleno uso do poder da liberdade de expressão para acelerar o movimento de direitos civis nos Estados Unidos.
Ao postar suas 95 Teses, Lutero estava incentivando uma troca forte de ideias. A melhor comunidade não é aquela que suprime a divergência, mas aquela que por meio de argumentação desafia as ideias que acha desagradáveis. Em grande parte, é por causa dessa razão que os fundadores dos Estados Unidos levaram tão a sério a liberdade de religião, associação livre e a proteção de uma imprensa livre.
Lutero confiava nas pessoas comuns para discernirem a verdade. Tudo o que elas precisavam era da oportunidade de interpretarem por si mesmas o que liam.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do site The Conversation: On the Reformation’s 500th anniversary, remembering Martin Luther’s contribution to literacy
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24 de outubro de 2017

Martinho Lutero era antissemita?


Martinho Lutero era antissemita?

Eddie Hyatt
Recentemente recebi um email irado de uma pessoa que me criticou brutalmente por citar Martinho Lutero, dizendo-me que horrível indivíduo antissemita que ele era e insistindo em que ele e tudo o que ele disse deveriam ser rejeitados.
Talvez ela tivesse sido influenciada pelo discurso muitas vezes citado por William Inge, professor esquerdista anti-luterano de Cambridge, conhecido por seus estudantes como “reitor deprimente.” Inge, que é citado por John Hagee em seu livro “Jerusalem Countdown” (Contagem Regressiva de Jerusalém), declamou como um louco: “O pior anjo mau da Alemanha não é Hitler, ou Bismarck, ou Frederico o Grande, mas Martinho Lutero.”

Lutero e antissemitismo

Mais tarde na vida, Lutero de fato fez declarações horríveis e indesculpáveis sobre os judeus de sua época; declarações que devem ser reconhecidas e rejeitadas por crentes modernos. Contudo, como explicamos o fato de que alguns dos inimigos mais vigorosos de Hitler, dispostos a sacrificar suas vidas para proteger os judeus, eram pastores luteranos alemães, tais como Dietrich Bonhoeffer?
A resposta, sem dúvida, está no fato de que a discórdia de Lutero com os judeus só é encontrada no que ele escreveu em sua velhice e era de natureza teológica, não racial. Suas declarações contra os judeus estavam em conformidade com declarações que ele fez contra os católicos, turcos (muçulmanos), batistas e todos os que ele considerava inimigos do evangelho de Cristo. Por essa razão, argumentarei neste artigo que Lutero não era antissemita.
Começaremos examinando o quadro maior de Lutero, pois em grande parte de sua vida ele teve relações muito favoráveis aos judeus e defendeu a liberdade e proteção deles num mundo que era antissemita.

O amor e apoio de Lutero ao povo judeu

Certa vez Lutero declarou que ele admirava — aliás, amava — o povo judeu. Em seu livro de 1523 intitulado “Jesus Cristo Nasceu Judeu,” ele tentou ganhar os judeus para o evangelho de Cristo, e nesse contexto ele também defendeu tratamento humanitário a eles em face de antissemitismo generalizado em toda a Europa. Ele recordou aos cristãos que Jesus Cristo nasceu judeu e que “por nossa vez devemos tratar os judeus como se fossem irmãos.”
Lutero continuou a apoiar seu amigo judeu, Bernardo, quando ele caiu em crise financeira em 1531 e teve de deixar sua família por causa de sua dívida. Lutero e Melanchthon cada um cuidaram dos filhos dele e continuaram esse apoio por muitos anos. Ainda que isso representasse uma dificuldade financeira para ele, Lutero disse que ele fez isso porque “ele se sentia obrigado a fazer o bem para Bernardo como membro da igreja judaica.” Bernardo também trabalhou como mensageiro para Lutero em numerosas ocasiões.
Lutero relatou acerca de determinada ocasião em que três rabinos o visitaram porque eles haviam ouvido do interesse dele na língua hebraica e esperavam chegar a um acordo com ele. Ainda que eles rejeitassem seu argumento de que as profecias messiânicas do Antigo Testamento apontavam para Jesus Cristo, Lutero foi amável com eles.
Pelo fato de que os judeus eram proibidos de viajar naquela parte da Alemanha, Lutero lhes deu uma carta de apresentação na qual ele pedia, “por amor de Cristo,” que eles recebessem passagem livre. Pelo fato de que ele mencionou o nome de Cristo, os judeus se abstiveram de usar a carta.
Para outro amigo judeu, Lutero argumentou que o evangelho tinha de ser de Deus; pois de que outra maneira dava para se explicar que os gentios, que odeiam os judeus, adoram um rei judeu, muito menos um crucificado?

Lutero encontra a polêmica judaica contra os cristãos

Lutero acabou atacando os escritores judeus que o caluniaram por suas tentativas de ganhá-los para Cristo. Seus livros, tais como “Jesus Nasceu Jesus,” foram difamados e ridicularizados pelos judeus.
A resposta de Lutero foi suave no começo. Ele respondeu: “Por amor do Judeu crucificado, que ninguém tirará de mim, com alegria quis fazer o melhor que pude para vocês, judeus, mas vocês abusaram de minha generosidade e endureceram o coração.”
A atitude de Lutero para com os judeus obviamente se endureceu quando ele entrou em debates e diálogos mais amplos com os rabinos judeus sobre as Escrituras e o Messias. Lutero tinha esperado que, mediante esses debates, os judeus seriam ganhos para a fé em Cristo.
Por meio desses debates, porém, Lutero se expôs aos escritos rabínicos que difamavam Jesus e o Cristianismo. Ele ficou horrorizado de ler de Jesus sendo difamado como filho ilegítimo de uma prostituta e de Jesus sendo retratado como um bruxo cabalista que foi desmascarado por suas trapaças e condenado à morte.
Tendo sido ensinado desde a infância a reverenciar e honrar Deus, Jesus e Maria, ele respondeu com ira e temor. Ele escreveu:
Estou ainda orando diariamente, e me humilho no abrigo do Filho de Deus. Eu O trato e honro como meu Salvador, para quem corro e fujo quando o diabo, o pecado ou outra desgraça me ameaça, pois Ele é meu abrigo, tão amplo quanto o céu e a terra, debaixo de cujas asas me rastejo para escapar da ira de Deus. Portanto, não posso ter nenhuma comunhão ou paciência com blasfemadores obstinados e aqueles que difamam esse querido Salvador.
Quando ele viu que os rabinos estavam obstinados em suas posições, ele finalmente desistiu de toda esperança dos judeus vindo a Cristo em massa. E com eles entretendo tais opiniões blasfemas acerca de Cristo, ele desistiu de toda esperança de cristãos e judeus poderem viver juntos em harmonia.
Embora Lutero devesse ter respondido no espírito dAquele que ele proclamava (Aquele que havia orado por aqueles que o atormentaram na cruz: “Pai, perdoe-os, pois não sabem o que fazem” [Lucas 23:34]), em vez disso ele reagiu com ira e fúria e escreveu um livro intitulado “Acerca dos Judeus e Suas Mentiras.” A palavra Mentiras no título se referia às críticas violentas dos judeus contra Jesus, Maria e a Trindade. A terceira seção desse livro contém as críticas violentas que ele fulminou contra os judeus.

O significado do contexto religioso e social

Sem desculpar Lutero, precisamos, apesar disso, compreender que o período medieval não foi um tempo de civilidade e tolerância. A Igreja Católica Romana medieval, da qual Lutero era parte, prendia, torturava e matava aqueles que se desviavam dos ensinos oficiais dessa igreja.
O próprio Lutero foi declarado herético e excomungado por causa de seus ensinos sobre a justificação pela fé e o sacerdócio de todos os crentes. Se não fosse pelo socorro de Deus, ele também teria sido preso e executado.
Não tendo — ou não desejando — armas materiais com que lutar contra seus inimigos, Lutero disse que ele buscava subjugá-los com palavras. Ele assim usava a lógica, escárnio, compaixão, lamentos, ameaças, sátira, hipérbole e todas as formas de discurso ao fazer seus argumentos.
Ele não se conteve, mas despejou uma torrente de palavras contra os “romanistas,” os “turcos,” os “anabatistas,” os “judeus” e todos os que ele considerava inimigos do evangelho de Cristo. Os católicos, os muçulmanos, os anabatistas e os judeus usavam o mesmo tipo de linguagem suja e ofensiva contra ele.
Em seu excelente livro “Bonhoeffer,” Eric Metaxas atribui o aumento dos ataques sarcásticos de Lutero contra os judeus, católicos e todos dos quais ele discordava, em parte, ao seu estado deteriorado de saúde na velhice. Ele sofria de prisão de ventre crônica, hemorroida, catarata num olho e problema no ouvido interno que causavam vertigem e desmaios. Ele também sofria de mudanças de temperamento e depressão. Nessa condição, tudo parecia pronto para explodir. Quando sua própria congregação cantava anemicamente, ele os chamava de “preguiçosos desafinados” e saía para fora.
Sim, “Acerca dos Judeus e Suas Mentiras” contém linguagem ofensiva, suja e violenta; mas Lutero usava o mesmo tipo de linguagem contra os católicos, os anabatistas e até seu próprio povo alemão aos quais ele chamava de “selvagens brutais e furiosos” que eram espiritualmente “surdos, cegos e duros de coração.”
Suas recomendações de que os judeus fossem expulsos da Alemanha eram a mesma postura que ele tinha com relação aos católicos, os turcos (muçulmanos) e os anabatistas. Nisso ele era coerente com a ideia, que ele havia conservado do catolicismo romano, de uma igreja estatal territorial que tem o direito e a responsabilidade de manter, à força, a pureza da fé numa região particular.
Foram os grupos menores, tais como os anabatistas, os puritanos separatistas e os quacres, que defenderam a causa de congregações voluntárias, livres para funcionar num ambiente aberto sem coerção de uma igreja estatal. Tal ideia de abertura e tolerância era, porém, nova e novidade para o período medieval, e Lutero não alcançou esse nível em suas batalhas teológicas, principalmente com os judeus e anabatistas.

Respeitando Lutero apesar de seus defeitos

O eminente especialista acadêmico luterano Martin Brect diz que as críticas violentas de Lutero contra os judeus não eram baseadas em raça, mas em desacordo teológico. Isso parece óbvio a partir da evidência acima. Brect diz que Lutero, pois, “não estava envolvido em antissemitismo racial em sua velhice.”
Apesar disso, as críticas violentas mal-orientadas de Lutero tiveram o resultado infeliz de ele se tornando identificado com os pais antissemitas da igreja, e essas críticas estimularam os antissemitas modernos, que encobriram seu ódio aos judeus na autoridade de Lutero.
Embora reconheçamos as deficiências de Lutero, não precisamos cair na armadilha de rejeitar a ele e tudo o que ele defendia. Isso seria trágico. Em seu site (www.lcms.org), a Igreja Luterana Sínodo de Missouri de forma graciosa e sábia denunciou as críticas violentas de Lutero contra os judeus e ao mesmo tempo reconheceu as contribuições vitais e decisivas que ele fez para toda a Cristandade.
Eles também apontam para o tom conciliatório de Lutero em sua última pregação quando ele disse acerca dos judeus: “Queremos tratá-los com o amor cristão e orar por eles, de modo que eles se convertam e recebam o Senhor.”
Há outra evidência de que no final de sua vida Lutero voltou para sua atitude inicial mais conciliatória. Em 1545, por exemplo, cerca de um ano antes de sua morte, Lutero revisou um hino que havia culpado os judeus pela morte de Cristo (uma afirmação comum na Igreja Católica medieval), removendo a crítica violenta aos judeus. A versão revisada de Lutero diz:
Foram todos os nossos grandes pecados e más obras que pregaram Jesus, o verdadeiro Filho de Deus, na cruz.
Portanto, não ousemos culpar o miserável Judas nem o bando de judeus. A culpa é nossa.
Se Lutero estivesse vivendo hoje em nossa época mais tolerante e civilizada, e com os judeus novamente em sua pátria, é bem possível que ele seria um de seus maiores apoiadores.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês da revista Charisma: Was Martin Luther Anti-Semitic?
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