11 de setembro de 2017

Marcos Botelho no Dois Dedos de Teologia: Um arrependimento sem arrependimento diante da questão do “casamento” gay


Marcos Botelho no Dois Dedos de Teologia: Um arrependimento sem arrependimento diante da questão do “casamento” gay

Julio Severo
Em participação recente do programa Dois Dedos de Teologia, Marcos Botelho, respondendo a Yago Martins sobre o que mais lhe causava arrependimento no ministério pastoral virtual, confessou: foi um artigo dele publicado na revista Ultimato em 2011, embora erroneamente ele dissesse 2010.
Imagem de apresentação do programa Dois Dedos de Teologia. Marcos Botelho está no canto à direita, de óculos.
Ele reconheceu que estava iniciando como colunista no portal da revista Ultimato. De cara ele publicou um artigo defendendo o “casamento” gay. No Dois Dedos de Teologia, ele explicou que o artigo apenas defendia a “união estável homoafetiva.”
Botelho, que é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) e ligado ao grupo Jovens da Verdade, disse:
“Esse texto não era a minha visão pastoral porque a prática homoafetiva não é bíblica, mas como minha opinião do Estado laico. Eu achava que os direitos deveriam ser garantidos, em qualquer Estado laico, de duas pessoas que estão juntas, não importa a orientação sexual. O problema é que um senhor chamado Julio Severo pegou esse texto… e isso deu um estrago… tive de fazer reunião com os líderes da Ultimato…”
Ele acabou dizendo muito mais, especialmente desabafando queixas contra mim. Para ver tudo o que ele disse no Dois Dedos de Teologia, acesse este vídeo: https://youtu.be/bUok6vHUpwI

O que ele afirmou que “causou estrago” e gerou uma “reunião com os líderes da Ultimato” foi uma denúncia intitulada “Luta cristã pelo ‘direito’ de praticar abominações?” que escrevi em 2013. Na denúncia, citei algumas das próprias declarações de Botelho, inclusive a seguinte:
“Hoje, vendo a luta do movimento LGBTT, lendo a PL 122 e pensando no nosso compromisso cristão por uma sociedade para todos com as leis laicas, penso que o direito ao casamento (união estável), a herança e outros direitos civis dos homossexuais deveriam ser garantidos por lei e defendidos por nós protestantes, pois se sofremos um preconceito no passado por leis baseadas na fé dos ‘outros’ que iam contra os nossos direitos, por que agora que temos voz garantida não vamos lutar pelos outros?… Nós evangélicos deveríamos ser a voz em defesa (dos direitos legais) dos homossexuais…”
Botelho disse no Dois Dedos de Teologia que ele defende a “união estável homoafetiva.”  No final das contas, qual é a diferença? A “união estável homoafetiva” resulta no mesmo problema do “casamento” gay, já que a Constituição brasileira diz que é dever do Estado transformar as uniões estáveis em casamento. Dê aos militantes homossexuais a “união estável,” e o Estado estará sob a obrigação constitucional de converter essa abominação em “casamento.”
Se até mesmo nos Estados Unidos, país de maioria evangélica, o “casamento” gay foi aprovado em 2015 sem que a legislação americana possuísse uma cláusula exigindo a transformação de uniões estáveis em casamento, o que dizer do Brasil, onde essa cláusula existe?
O que dizer também do silêncio da blogosfera calvinista diante da postura liberal de Botelho? O artigo dele permaneceu intacto no portal da revista Ultimato durante quase dois anos meio — de maio de 2011 a outubro de 2013. Durante todo esse tempo, nenhum teólogo calvinista se manifestou contra a postura liberal de Botelho.
A Ultimato, que é uma revista de orientação presbiteriana, jamais deveria ter publicado tal texto, que só foi removido após minha denúncia e a pressão dos meus leitores. Fiz a denúncia depois que leitores atentos se comunicaram comigo mostrando o artigo de Botelho na Ultimato.
E como não denunciar? Até mesmo hoje, a postura liberal de Botelho continua intacta, conforme ele confessou no Dois Dedos de Teologia. Ele disse: “Esse texto não era a minha visão pastoral porque a prática homoafetiva não é bíblica.” Se não era a visão dele, por que ele a defendeu?
E por que usar a terminologia “prática homoafetiva”? “Homoafetividade” é o termo que os militantes homossexuais utilizam para acobertar e adocicar suas práticas sexuais imundas e abomináveis. Por que um pastor presbiteriano usaria tal termo?
Homoafetividade não tem nada a ver com relações sexuais, conforme me apontou o Pr. Eguinaldo Hélio de Souza, do Vale da Bênção. A palavra “homoafetivo”, embora seja uma expressão criada modernamente, não tem ligação com o ato sexual dos homossexuais. Tem ligação parcial com a língua grega, onde a palavra grega “homos” significa “igual”. Junte “homos” com afetivo, e temos “homoafetivo”, que literalmente significa “afeição” ou “afeto” pelo igual.
Nesse sentido literal, todo pai que tem afeição pelo filho é “homoafetivo”. Toda mãe que tem afeição pela filha é “homoafetiva”. Daí, sou homoafetivo porque tenho afeição e afeto pelos meus filhos do sexo masculino, que são meus iguais, pois são do mesmo sexo que eu.
Mesmo que você não seja casado, provavelmente você também tem afeição e afeto por amigos que têm o mesmo sexo que o seu. Daí, você também é homoafetivo!
“Homoafetividade” nada tem a ver com o órgão sexual masculino enfiado no orifício de outro homem. Homoafetividade, ou afeição entre iguais, é a relação saudável de afeição entre pais e filhos e mães e filhas, e também a afeição e afetividade entre um homem e seus amigos do sexo masculino, e a afeição e afetividade entre uma mulher e suas amigas do sexo feminino.
Homoafetividade leva a profundas amizades. Na Bíblia, vemos homoafetividade entre Davi e Jonatas, entre Jesus e seus apóstolos, etc.
O que leva ao homossexualismo não é a homoafetividade, mas o pecado. Você pode ler mais sobre esse assunto acessando este artigo: “Sou homoafetivo.”
No Dois Dedos de Teologia, Botelho se queixou de que minha denúncia na verdade o usou para bater na Ultimato. Ele esperava o quê? Se uma grande revista evangélica publica um artigo a favor do “casamento” gay, ela se compromete por inteiro e deve arcar com as consequências.
Se meu blog publicar um artigo defendendo o “casamento” gay (ou, como diz hoje Botelho, “união estável homoafetiva”), eu terei de arcar com as consequências.
Mas, com a exceção absoluta da denúncia do meu blog, Botelho não enfrentou nenhuma consequência no universo presbiteriano. Nem mesmo o Dois Dedos de Teologia, que é de orientação calvinista, puxou-lhe a orelha. Nem mesmo Augustus Nicodemus (que é apresentado de forma proeminente na foto de apresentação do Dois Dedos de Teologia e é uma figura proeminente na Igreja Presbiteriana do Brasil e todas as suas instituições) nunca escreveu um artigo e nunca produziu um vídeo para repreender Botelho, que é seu colega de ministério na IPB.
Pelo visto, presbiterianos e calvinistas não gostam de apontar e denunciar o liberalismo teológico de seus próprios colegas pastores.
No Dois Dedos de Teologia, Botelho se queixou “desse senhor” (Julio Severo) e aproveitou também para se queixar da Bancada Evangélica. Ele disse:
“Depois de três e quatro anos como fica o texto no blog desse senhor as pessoas veem e voltam e a polarização não estava assim nem a Bancada LGBT era tão forte e tão maldosa como é a dos evangélicos — a Bancada Evangélica. Então eu estava no meio de uma guerra e as pessoas usavam o meu texto, que nem está mais no meu blog, porque eu tirei depois que as pessoas começaram a atacar meu pai…”
Botelho acusa a Bancada Evangélica de ser mais maldosa do que a bancada homossexualista. Por que tal queixa? Enquanto a Bancada Evangélica, sob pressão, combatia o que Botelho chama inocentemente de “união estável homoafetiva,” a bancada homossexualista a defendia. Claro, para Botelho o lado maldoso era o que estava contra essa “doce” união.
Para Botelho, para deixar de ser maldosa a Bancada Evangélica deveria lutar para garantir supostos direitos homossexuais.
O pai de Botelho é o fundador do grupo Jovens da Verdade. Ele foi pressionado e questionado, por antigos membros do Jovens da Verdade, acerca da postura liberal do filho. Essa pressão e questionamento Botelho chama de “ataques.”
No Dois Dedos de Teologia, ele declarou que ainda hoje as pessoas o atacam por causa desse texto. Não são “ataques” vindo dos apologetas calvinistas. E não são “ataques” contra um pastor presbiteriano sinceramente arrependido por ter publicamente defendido uma postura liberal, pois, como deixou claro Botelho no final do programa: “Isso era uma opinião minha, pessoal, que eu acho que eu não deveria ter colocado. Não que eu discorde disso, mas é porque às vezes cria coisas que não deveriam, não encurtam o caminho.”
Depois de mais de 5 anos da publicação de sua postura liberal (que ele chamou de opinião pessoal), Botelho mostra um arrependimento sem arrependimento. Ele lamenta ter publicado, mas deixa claro que ele não discorda da postural liberal promovida no espaço do portal da revista Ultimato.
A postural liberal dele deveria exigir uma rigorosa disciplina pastoral da denominação dele, a Igreja Presbiteriana do Brasil. O liberalismo teológico jamais deve ser tolerado. Então, por que em todos esses anos, Botelho não recebeu de sua denominação a desintoxicação bíblica de que ele tanto necessita?
Apesar da omissão e silêncio dos grandes e pequenos sites e blogs apologéticos calvinistas, a postura liberal de Botelho sofreu um estrago, conforme ele mesmo reconheceu, devido à denúncia do meu blog. A denúncia mobilizou evangélicos de todo o Brasil a fazerem pressão na revista Ultimato, resultando na remoção do artigo liberal de Botelho.
A denúncia mobilizou também antigos membros do Jovens da Verdade, especialmente o Pr. Alberto Thieme, contra o liberalismo teológico de Botelho.
Sem denúncia, não há pressão e mobilização.
Sem denúncia biblicamente competente, não há estragos no liberalismo teológico.
Sob pressão, a revista Ultimato, gostando ou não, removeu o texto liberal de Botelho. Só falta agora a IPB, inclusive Nicodemus, adotar alguma ação contra o liberalismo teológico dele.
Botelho é um dos diretores da organização Jovens da Verdade, que é dona da FLAM, Faculdade Latino-americana de Teologia Integral. O diretor da FLAM é o apóstolo da TMI (Teologia da Missão Integral) no Brasil, Ariovaldo Ramos. Com a participação de Botelho, o Jovens da Verdade patrocina eventos da TMI para jovens.
O problema de Botelho parece ser o ambiente repleto de TMI no Jovens da Verdade e na FLAM. Como ele é filho do fundador do Jovens da Verdade, a vida dele está repleta de TMI.
Só a pressão dos evangélicos pode impedir o avanço do liberalismo teológico que defende uma suposta “união estável homoafetiva,” que chama a Bancada Evangélica de “maldosa” e que se queixa de que os artigos de Julio Severo causam estragos.
Leitura recomendada:
Leitura recomendada sobre “casamento” gay:

6 comentários :

Emmanuel Lins disse...

Como de costume, um texto claro, corajoso, inteligente e absolutamente pertinente. Com ele aprendo que a visão bíblica é válida não somente para o ambiente cristão evangélico, mas para fora deste ambiente também e que, portanto, devemos ter a mesma opinião e sermos íntegros "...por onde quer que andares". Por outro lado, vejo também o uso de vãs filosofias e do pensamento secular rudimentar a inspirar tal divisão de opiniões. Outrossim, é engraçado ver pessoas formadas por institutos de educação superior da IPB cair em erros tão crassos e tão básicos. Isso nos faz questionar se, realmente, vale a pena estudar em lugares como o Andrew Jumper, por exemplo.

Thel Araújo disse...

O pior não é nem os erros da liderança maligna da Igreja Presbiteriana, é a complacência e o silêncio dos seus membros!

Cicero disse...

Mais falsos cristãos! pois amaram mais a glória dos homem que a Deus!

Stanley Klimach disse...

Olá graça e paz a todos! Sem dúvidas é grave este tipo de "conversa mole" em relação ao pecado. Neste ponto eu sou 100% a favor do Júlio Severo que expõe a gravidade de todo e qualquer pecado como poucos que conheço. Quanto a calvinistas, independente da teologia, da denominação cristã, do compromisso aparente, o joio está no meio do trigo, isso é real, bíblico. Subjetivamente falando não gosto muito do agrupamento o qual os escritos do Júlio (ainda que com boas intenções faz)no sentido do leitor (leigo e ou parcial) ficar com a impressão de que o problema é na teologia reformada em si (calvinismo). Não obstante a retórica é verdadeira, ainda mais a considerarmos a ótica daqueles que mais prezam pela palavra de Deus e pela sã doutrina bíblica, os adeptos da doutrina da graça, rotulados de calvinistas. Não é a teologia que salva, Deus é quem salva, e o pecado é o que conduz a condenação eterna, por isso parabéns Júlio! Deus abençoe!

Marcelo disse...

Parabéns, Julio. É preciso estarmos atentos. A Presbiteriana precisa rever seus conceitos, corrigir seus erros, ficar ligada na Palavra de Deus e nela, somente.

Mylena disse...

A Ultimato é revista propagandista da TMI. Isso não me espanta.
Quanto ao Dois Dedos de Teologia, deixei de assistir logo que conheci quando a vinheta demonstrava puro desrespeito à Ceia do Senhor.