18 de setembro de 2017

Rex Humbard, o primeiro e mais importante televangelista que abençoou milhões


Rex Humbard, o primeiro e mais importante televangelista que abençoou milhões

Julio Severo
A primeira vez que Rex Humbard se encontrou com Elvis Presley, “o Rei do Rock and Roll” fez ao televangelista uma pergunta incisiva:
Rex Humbard
“O Senhor está voltando logo?”
Maude Aimee Humbard, a esposa de Rex, disse para Presley: “Venho orando para que você dedique sua vida a Jesus Cristo.”
“Elvis se desmoronou,” escreveu Humbard. “Ele chorou tanto que começou a tremer.”
Humbard escreveu que ele e sua esposa deram as mãos para Presley e oraram por ele. Então, no final da reunião, Presley disse: “Você e Maude Aimee vindo aqui hoje e orando comigo é o presente de Natal mais maravilhoso que Elvis Presley já recebeu, e quero agradecer a vocês.”
O relacionamento entre o televangelista e o falecido ícone musical é explicado no livro de Humbard: “The Soul Winning Century, The Humbard Family Legacy… 100 Years of Ministry 1906-2006” (O Século de Ganhar Almas, O Legado da Família Humbard… 100 Anos de Ministério 1906-2006), publicado em 2006 pela editora Clarion Call Marketing de Dallas.
Humbard pregou uma mensagem no funeral de Presley em 1977 em Memphis.
De acordo com o jornal New York Times, “Elvis Presley era um telespectador leal” e admirador de Humbard.
Ainda que vindo de um histórico como cantor gospel nas Assembleias de Deus, Presley se desviou do Evangelho. Ele começou a se interessar de novo pelo Evangelho só por meio da mensagem simples de Humbard, um televangelista neopentecostal.
Presley não frequentava nenhuma igreja e o programa de Humbard se tornou seu culto semanal. Exatamente como Presley, milhões de pessoas não frequentavam nenhuma igreja, ou porque não eram cristãs ou qualquer outra eventualidade.
“A vasta maioria das pessoas não vai à igreja e o único jeito de as alcançarmos é por meio da TV,” Humbard escreveu em sua autobiografia, “Miracles in My Life” (Milagres na Minha Vida).
“Precisamos entrar nos lares deles — nos corações deles — para lhes levar o evangelho de Jesus Cristo.”
O lema especial de seu programa era “Alguém Ama Você!”
Seu programa se tornou um culto importante até mesmo no Brasil. Havia uma época em que minha mãe não tinha igreja próxima para ir, e o programa de Humbard era nosso único culto e nos incentivava como nada mais.
Rex Humbard foi o primeiro evangelista a ter um programa nacional semanal nos Estados Unidos. Seu programa combinava alguns elementos de entretenimento popular com evangelismo, um método também seguido por Billy Graham. Eles foram pioneiros em combinar pregação e música.
Apesar do método moderno, ele dizia para sua audiência: “O que os EUA precisam é de um reavivamento do Espírito Santo à moda antiga, enviado por Deus, que odeie o diabo!”
Netos de Humbard cantando em seu programa de TV
Seu programa era bastante pró-família: Humbard, sua esposa, filhos e netos cantavam hinos cristãos em cada programa.
Humbard começou sua carreira midiática com 13 anos de idade, cantando músicas gospel na rádio. Ele foi ordenado na década de 1940 e em 1949 ele começou a transmitir suas pregações a partir de uma filial do grande canal secular CBS-TV em Indianapolis, numa época em que a televisão era em grande parte território inexplorado para os evangelistas. Em 1952, mensagens dominicais semanais começaram a ser transmitidas de seu templo interdenominacional Catedral do Amanhã, um teatro remodelado com espaço para 5.400 pessoas sentadas, em Cuyahoga Falls, Ohio.
Mais tarde, seu programa, transmitido por mais de 2.000 estações de TV e em algumas 77 línguas, apresentava pregações de reavivamento misturadas com apresentações musicais ao vivo, inclusive músicas populares de violão e músicas cantadas por Humbard, um coral e cantores convidados, inclusive Johnny Cash e June Carter Cash.
No final da década de 1970, B.J. Thomas, um cantor popular, apareceu no programa de Humbard, contando seu testemunho de conversão a Jesus Cristo e cantando músicas cristãs. Depois de Elvis Presley, B.J. Thomas era provavelmente o cantor americano mais famoso naquela geração.
Em seu pico de popularidade na década de 1970, o programa de Humbard atraía uns 20 milhões de telespectadores.
Seu ministério acabou se estendendo ao Canadá, Europa, Oriente Médio, Extremo Oriente, Austrália, América Latina e África, dando-lhe um alcance mundial de 8 milhões de telespectadores, maior do que qualquer televangelista de sua época no final da década de 1970. No Brasil, ele atraiu grandes multidões no gigantesco estádio de futebol de São Paulo durante semanas.
Os críticos dos televangelistas muitas vezes acusam: “Por que os televangelistas não vão pregar o Evangelho em nações longínquas e pobres?” Rex Humbard fez isso. Ele gastou milhões de dólares, das ofertas de seus apoiadores americanos, para ter um programa cristão alcançando a África, o Brasil e a América Latina.
As nações pobres não tinham condições de sustentar seu programa. Mesmo assim, os apoiadores americanos contribuíram para ajudar Humbard a alcançar essas nações.
“Uma das diferenças marcantes do ministério de Rex Humbard é a popularidade mantida em países da América do Sul, principalmente o Brasil, onde durante uma recente cruzada no Rio de Janeiro, mais de 180.000 pessoas encheram um estádio de futebol para ouvir a palavra de Deus,” de acordo com o jornal Fort Worth Star Telegram.
“Busque o Salvador,” Humbard exortava, “e todos os outros problemas morais se resolverão.”
O programa dominical de Humbard estreou no Brasil na antiga Rede Tupi, atualmente SBT, em 1975. Esse programa, que foi a primeira grande influência neopentecostal no Brasil e começou quando não existia nenhuma igreja neopentecostal no Brasil, atraiu logo a atenção dos evangélicos das mais diferentes denominações, e quando Humbard visitou o Brasil, em 1978, para sua estreia ao vivo, 80 mil pessoas lotaram o estádio do Pacaembu, em São Paulo, e 100 mil pessoas lotaram o Maracanã, no Rio de Janeiro.
Família Humbard em Brasília
Posteriormente foi veiculado pela TV Manchete até 1984, quando saiu do ar por falta de recursos financeiros.
Num único culto, no Rio de Janeiro, mais de 180.000 foram a uma reunião da cruzada televisionada e mais de 100.000 vieram a frente para dedicar suas vidas a Cristo. Nas cruzadas da América do Sul, mais de um milhão de pessoas estiveram presentes para ouvir a família cantar e Rex pregar.
Em suas cruzadas, ele costumava perguntar: “Quantos de vocês aqui creem em Jesus Cristo? Vamos ver suas mãos.” Um mar de mãos se levantava.
No mês passado, meu blog recebeu esta mensagem de um leitor:
“Hoje, 11/08/2017 com 57 anos de idade revendo minha papelada e um retrato antigo dele [Humbard] e esposa e filhos datado de fevereiro de 1978, tive a curiosidade de ver (saber) na net notícias sobre meu pai na fé pensando que ainda estivesse nessa nossa esfera material, mas soube do seu falecimento 10 anos após. Em outubro de 1977 eu era um adolescente quando comecei a ver na TV o Pastor Rex Humbard, e me apaixonei por suas mensagens. Eu era muito católico na época, mas num dia de outubro de 1977 estava assistindo-o numa TV bem pequena que meu pai tinha ganhado de presente de seu patrão, um bancário de bom coração. Foi aí que o Espírito Santo de Deus me tocou poderosamente e passei uns três dias chorando em silêncio e discretamente, para que meus familiares não percebessem. Depois um pastor batista me explicou que aquilo era uma conversão e, para resumir, daí em diante só foi vitória em minha vida.” — Deli, Ibirataia, Bahia.
O alcance de Humbard era incrível. Ele teve um papel importante na expansão do movimento evangélico, pentecostal e neopentecostal no Brasil.
Em 1977, 500 milhões ouviram ou viram o culto evangélico de Humbard de rádio e TV de uma hora transmitido de Jerusalém na véspera de Natal em sete línguas simultaneamente.
Ele foi designado um dos “25 Principais Arquitetos do Século Americano” pela revista “U.S. News & World Report” em 27 de dezembro de 1999.
Netos de Rex Humbard louvando Jesus
Humbard não só testemunhou um século de expansão pentecostal, mas ele contribuiu de modo significativo para o crescimento do movimento pentecostal e neopentecostal no mundo inteiro. É duvidoso se o Cristianismo evangélico e pentecostal teria se espalhado tanto e tão rápido como aconteceu durante os 50 anos passados sem o trabalho dos televangelistas.
Televangelistas, 1979. Da esquerda para a direita: Demos Shakarian, Billy Graham, Rex Humbard e Pat Robertson.
Humbard abriu o caminho para gerações de televangelistas, não só usando a televisão para espalhar sua mensagem, mas também construindo suas próprias instalações de estúdios de rádio e TV junto à sua igreja. E ele manteve-se em dia com os avanços da aviação, levando sua equipe de avião para cruzadas televisionadas em todas as partes dos Estados Unidos e Canadá; em 1971 ele havia comprado seu terceiro avião, um turbopropulsor Lockheed Electra.
No final da década de 1960, a revista Time foi até Akron, Ohio, para se encontrar com Rex Humbard para preparar uma manchete. O próprio diretor de redação da revista foi em pessoa para Akron para escrever a reportagem.
Depois de se encontrar com Rex e sua família por muitos dias, ele explicou para Rex que ele não sabia o que chamar Rex e seu ministério. Até onde o diretor de redação entendia, Rex era pastor, evangelista e pregador de televisão. Quando o artigo saiu na revista impressa, o diretor havia escolhido uma frase exclusiva para descrever Rex, se referindo a ele simplesmente como “o Tele-Evangelista.”
Essa frase era totalmente nova, nunca antes usada para descrever um pastor de televisão.
A revista Time disse: “Hoje, Rex Humbard chegou mais perto do que qualquer ser humano na história… de pregar o Evangelho no mundo inteiro… mais do que qualquer outro evangelista, ele assumiu o desafio.”
O nome total dele era Alpha Rex Emmanuel Humbard e ele era filho de um pregador itinerante, Alpha E. Humbard, e Martha Bell Childers Humbard. Quando ele tinha 2 anos de idade, ele disse, sua mãe o havia consagrado ao serviço de Deus.
Seu pai nasceu em 1890 perto de Little Rock, Arkansas, e ele teve uma infância dura. Pobreza, brigas, álcool e trabalho duro dominavam o mundo em que o jovem Alpha foi criado. Contudo, ele sentiu o chamado de Deus bem jovem e venceu as adversidades para responder a esse chamado. Alpha era um tipo prático, direto e sensato de pregador cuja compaixão pelas pessoas venceu toda deficiência criada por sua falta de escolaridade formal. Talvez fosse essa falta de alta cultura — combinada com dependência em Deus — que lhe permitiu tocar as multidões onde elas estavam.
Alpha certa vez recordou que um pastor formado em seminário se queixou amarguradamente de que, enquanto ele era um erudito com boa dicção e diplomas acadêmicos, ele não conseguia atrair as multidões como Alpha, a quem ele descreveu como um “jovem lavrador que não sabe nem falar direito.” Alpha recordou que ele recomendou que o pastor jogasse fora seu cigarro, que ele estava fumando enquanto se queixava, e dobrasse os joelhos e orasse. Alpha não estava só — seu jeito inovador, às vezes impetuoso, refletia uma geração inteira dos primeiros pregadores pentecostais.
Ele frequentava as Assembleias de Deus em 1914, mas nunca se tornou membro. Alpha plantou uma igreja próspera, um orfanato e uma editora perto de Hot Springs.
O movimento de Alpha pareceu não adotar as línguas estranhas como a evidência inicial do Espírito Santo, conforme ensinavam as Assembleias de Deus. Essa perspectiva o colocava em pé de igualdade com carismáticos, renovados e neopentecostais, que não veem o dom de línguas como a evidência inicial. Essa perspectiva atraiu pentecostais independentes de todas as partes dos Estados Unidos.
Foi na família desse pregador empresarial pentecostal que nasceu Rex Humbard em 1919. No verão de 1932, o jovem Rex estava assistindo multidões enchendo uma tenda de circo na cidade de Hot Springs. Embora ele não tivesse permissão de frequentar tais diversões “mundanas,” ele teve algumas inspirações celestiais com o evento. Ele prometeu para si mesmo que ele “passaria a vida tentando tornar Deus acessível às multidões.” Quando ele cresceu, ele viu como a música gospel atraía as multidões.
Não é surpresa, então, que Rex encontrou sua esposa, Maude Aimee, enquanto ele estava cantando música gospel. Rex não só impressionou Maude Aimee, mas também o pastor dela, Albert Ott da Assembleia de Deus Templo de Betel. Ott colocou os Humbards na equipe de sua igreja em Dallas. Rex e Maude Aimee se casaram em 1942 e viajaram com o ministério da família Humbard nos próximos dez anos. Depois de uma reunião bem-sucedida em Akron, Ohio, Rex decidiu deixar o ministério da família e pastorear uma igreja local em 1953. A congregação de Akron, o Templo do Calvário, recebeu um novo nome, Catedral do Amanhã, quando um grande prédio redondo foi construído em 1958. Com assentos para 5.400 pessoas, se tornou uma das maiores igrejas nos Estados Unidos.
Rex, como seu pai, não ensinava a doutrina da evidência inicial do batismo no Espirito Santo e frisava evangelismo em vez das doutrinas exclusivas dos pentecostais. Isso causou algumas confusões entre evangélicos e pentecostais, que tinham dúvidas se ele era pentecostal ou tradicional.
Rex Humbard orando pelos pedidos de orações dos telespectadores. Cada programa tinha espaço parar orar por cura, salvação, libertação e prosperidade.
Humbard não tinha formação teológica formal, mas isso não era barreira para seu ministério poderoso. Embora ele não tivesse nenhum diploma teológico, Humbard foi ordenado na cidade de Greenville, Carolina do Sul, onde a família havia dirigido reuniões de reavivamento, e recebeu credenciais pastorais de uma organização de pastores pentecostais independentes.
Diferente de Pat Robertson, Rev. Jerry Falwell e outros televangelistas, Humbard, como Billy Graham, evitava as mensagens políticas da direita. “Para mim pregar sobre a Guerra do Vietnã,” ele disse no início da década de 1970, “seria como ir a um ferreiro para arrancar um dente.” Se Jesus estivesse pregando hoje, ele disse uma década mais tarde, “Ele nunca entraria na política.”
Os programas de televisão dele eram essencialmente programas de louvor e pregação que salientavam o amor e perdão de Deus e evitavam debates políticos ou doutrinários polêmicos.
Família Humbard em Brasília
Apesar de não declarar abertamente suas posições conservadoras e pentecostais, ele era atacado por seu conservadorismo. Em 12 de novembro de 1978, o “Fantástico,” o programa de maior audiência do Brasil, criticou Humbard, Billy Graham e Pat Robertson por meio dos lábios do Rev. William Sloane Coffin (1924-2006), um pastor presbiteriano esquerdista pró-sodomia, que foi entrevistado pelo “Fantástico” para retratar os televangelistas americanos de forma negativa.
Em 1998, Humbard falou sobre as grandes influências em sua vida. Ele disse:
Em meus mais de 66 anos de ministério de tempo integral, quatro grandes líderes religiosos tiveram um impacto profundo na minha vida.
Dr. Billy Graham, que tenho conhecido por mais de 50 anos.
Oral Roberts, que em 1949 orou a oração de fé pela cura de nosso filho mais velho, Rex Jr., que sofria de tuberculose e foi curado.
Kathryn Kuhlman, provavelmente a amiga mais íntima que minha esposa, Maude Aimee, e eu já tivemos, tocou nossas vidas de modo maravilhoso e pessoal.
Benny Hinn, com quem tive o privilégio de ministrar em suas cruzadas em todas as partes dos Estados Unidos e Canadá.
O comentário de Humbard é parte de sua introdução na biografia “Kathryn Kuhlman, Her Spiritual Legacy and Its Impact on My Life” (Kathryn Kuhlman, Seu Legado Espiritual e Seu Impacto em Minha Vida), escrito por Benny Hinn. Essa biografia pentecostal foi publicada pela editora originalmente calvinista Thomas Nelson Publishers em 1998.
Kathryn Kuhlman (1907–1976) não era estranha para os calvinistas. No final da década de 1940, ela mantinha cultos de cura divina entre pentecostais e protestantes tradicionais, inclusive na Primeira Igreja Presbiteriana e no Carnegie Hall em Pittsburgh, Pennsylvania.
Uma das grandes fontes para este artigo sobre Humbard foi o livro “The Century of the Holy Spirit: 100 Years of Pentecostal and Charismatic Renewal, 1901-2001” (O Século do Espírito Santo: 100 Anos de Renovação Pentecostal e Carismática, 1901-2001), escrito por Vinson Synan e publicado por Thomas Nelson Publishers.
Paradoxalmente, em 2013 a Thomas Nelson Publishers publicou o livro “Strange Fire” (Fogo Estranho), escrito pelo teólogo calvinista radical John MacArthur, que deturpou muitas das experiências dos televangelistas pentecostais como “demoníacas.”
Os cristãos precisam evitar pastores agressivos que se ocupam em atacar outros cristãos por causa de questões insignificantes. Na década de 1980 eu tinha vários dos livros de Humbard, inclusive sobre profecia bíblica e sobre como ser próspero. Eu havia recebido esses livros gratuitamente porque, quando os recebi na década de 1970, eu não tinha condições de comprá-los. Guardei-os comigo durante anos.
Entre os livros de Humbard havia: A Chave para o Sucesso na Vida, Estudos Bíblicos Proféticos, Você Pode Ter Vitória, Como Viver e Gostar da Vida, Sua Chave para o Banco de Deus, etc. Eram livros que incentivavam experiências sobrenaturais quando não havia nenhuma igreja neopentecostal no Brasil.
Sua Chave para o Banco de Deus: Como Receber Seu Cheque de Poder Espiritual, Cura Física e Sucesso Financeiro
Então apareceu um pastor da Assembleia de Deus dizendo que Humbard era um herético da “teologia da prosperidade” e que sua mensagem era demoníaca e que eu deveria queimar os livros dele. Fiz isso, e hoje me arrependo de seguir o conselho equivocado dele. Dois anos depois do conselho radical, o pastor da Assembleia de Deus perdeu seu ministério num terrível escândalo com uma prostituta. Em contraste, Humbard nunca esteve envolvido em escândalos sexuais.
Enquanto pastores anti-neopentecostais acusam pastores como Humbard de exploradores e nada mais, o ministério de Rex Humbard tinha uma política maravilhosa de que você podia encomendar livros pagando qualquer quantia que você pudesse. Se você não tinha condições de pagar, eles lhe enviariam seus livros da mesma forma. É uma generosidade que nunca vi os pastores anti-neopentecostais fazendo. Foi através dessa generosidade que recebi os livros de Humbard e aprendi.
Embora a origem de Rex Humbard fosse pentecostal e às vezes ele falasse sobre prosperidade, ele não frisava tal questão no seu ministério. Havia equilíbrio. A declaração seguinte foi feita pelo diretor de relações públicas para sua igreja: “A Catedral do Amanhã não é pentecostal; o pastor e sua equipe também não são pentecostais. Não somos filiados a nenhuma organização pentecostal, e a revista não tem inclinação pentecostal. Somos uma igreja evangelística interdenominacional.”
A declaração não deveria ser interpretada para significar que a igreja era contra os dons do Espírito Santo, mas em vez disso que estava determinada a evitar polêmica. Oração pelos enfermos e unção com óleo eram uma parte normal do culto, mas o foco era sempre a mensagem da salvação. Era a formula que funcionou com grande sucesso.
Rex Humbard (13 de agosto de 1919 — 21 de setembro de 2007) foi o pregador neopentecostal mais equilibrado de sua geração, e seu ministério abençoou milhões.
Com informações de:
Universidade Católica de Pernambuco.
The Cambridge Companion to Pentecostalism (Cambridge Companions to Religion). Cambridge University Press.
New York Times.
Darrin J. Rodgers, in Flower Pentecostal Heritage Center.
Britannica Encyclopedia.
Washington Post.
Christian Broadcasting Network.
Akron Beacon Journal.
George Thomas Kurian, Nelson’s Dictionary of Christianity: The Authoritative Resource on the Christian World, Thomas Nelson.
The New International Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements: Revised and Expanded Edition. Zondervan.
Encyclopedia of Religion, pages 7711-7712. © 2005 Thomson Gale, a part of The Thomson Corporation.
Christian Post.
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16 de setembro de 2017

Muçulmanos Avisam a Europa: "Um Dia, Tudo Isso Será Nosso"


Muçulmanos Avisam a Europa: "Um Dia, Tudo Isso Será Nosso"

Giulio Meotti
Dias atrás, outro ataque terrorista islâmico teve como alvo a cidade espanhola de Barcelona. Como ela esteve por muitos anos sob o domínio muçulmano, é, portanto, assim como Israel, território que muitos islamistas acreditam estar no direito de reconquistar.
Ao mesmo tempo, longe da Espanha, escolas de ensino fundamental foram fechadas pelo governo quando o número de alunos caiu para menos de 10% da população. O governo está transformando os locais em asilos, para cuidar dos idosos em um país onde 40% da população têm 65 anos ou mais. Isso não é um romance de ficção científica. É o Japão, a nação com a maior concentração de idosos e a mais estéril do mundo, onde há a seguinte expressão popular: "civilização fantasma".
De acordo com o Instituto Nacional de População e Pesquisas de Previdência Social do Japão, por volta de 2040, a maioria das pequenas cidades japonesas verá a dramática queda de um terço até metade da população. Devido ao dramático decréscimo demográfico, muitas câmaras municipais japonesas não puderam mais operar, foram então fechadas. O número de restaurantes passou de 850 mil em 1990 para 350 mil nos dias de hoje, apontando para um "esgotamento da vitalidade". As previsões também sugerem que em 15 anos o Japão terá 20 milhões de casas abandonadas . Será este também o futuro da Europa?
Especialistas em demografia estão propensos a chamar a Europa de "Novo Japão". O Japão, no entanto, está lidando com a catástrofe demográfica com seus próprios meios, proibindo a imigração muçulmana.
"A Europa está cometendo suicídio demográfico, sistematicamente se depopulando, o que o historiador britânico Niall Ferguson chama de a maior redução sustentada da população europeia desde a Peste Negra ocorrida no século XIV", como George Weigel observou recentemente.
Ao que tudo indica, os muçulmanos da Europa estão sonhando em preencher esse vazio. O arcebispo de Estrasburgo, Luc Ravel, nomeado pelo Papa Francisco em fevereiro, declarou recentemente que "os muçulmanos devotos estão cansados de saber que a sua fertilidade é tal hoje, que eles a chamam de... a Grande Substituição. Eles afirmam de maneira tranquila e resoluta: "um dia, tudo isso, tudo isso, será nosso"...
Um novo estudo elaborado pelo instituto interdisciplinar de estudos italiano Centro Machiavelli acaba de revelar que, se as tendências atuais continuarem, por volta do ano 2.065, os imigrantes da primeira e segunda gerações ultrapassarão 22 milhões de pessoas, ou seja, mais de 40% da população da Itália. Na Alemanha, 36% das crianças menores de cinco anos são filhos de pais imigrantes. Em 13 dos 28 países membros da UE, mais pessoas morreram do que nasceram no ano passado. Sem a migração estima-se que as populações da Alemanha e da Itália diminuirão 18% e 16% respectivamente.
O impacto da queda livre demográfica é mais visível no que antes era chamada de "nova Europa", países do antigo bloco soviético, como Polônia, Hungria e Eslováquia, para que se possa distingui-los da "velha Europa", França e Alemanha. Esses países do leste europeu são agora os mais expostos à "bomba da depopulação", colapso devastador da taxa de natalidade que o analista e escritor sobre questões contemporâneas Mark Steyn chamou de "o maior problema da nossa época".
O jornal The New York Times perguntou porque, "apesar da diminuição da população, a Europa Oriental resiste em aceitar migrantes". A diminuição demográfica é exatamente a razão pela qual ela teme ser substituída pelos migrantes. Além disso, grande parte da Europa Oriental já teve o gostinho de ser ocupada pelos muçulmanos por centenas de anos, quando do domínio do Império Otomano e, todos estão bem cientes do que os aguarda se eles voltarem. Países em fase de envelhecimento temem que os valores hostis venham à tona se a população for substituída por outra jovem, estrangeira.
"Há hoje dois pontos de vista distintos na Europa a serem considerados (quanto ao declínio e envelhecimento da população)", o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán salientou recentemente. "Um é sustentado por aqueles que querem abordar os problemas demográficos da Europa por intermédio da imigração. E o outro, sustentado pela Europa Central — e, fazendo parte dela, a Hungria, tem como visão que devemos resolver nossos problemas demográficos lançando mão de nossos próprios recursos, mobilizando nossas próprias reservas, e — venhamos e convenhamos - renovando-nos espiritualmente". Orbán acaba de alertar para o perigo de uma "Europa muçulmanizada". Segundo ele, "a questão das próximas décadas é se a Europa continuará a pertencer aos europeus".
A África também pressiona a Europa com uma bomba-relógio demográfica. De acordo com o parlamentar holandês Geert Wilders:
"Nos próximos 30 anos, o número de africanos crescerá ultrapassando a marca de um bilhão de pessoas. É o dobro da população de toda a União Européia... A pressão demográfica será gigantesca. Um terço dos africanos querem sair da África e muitos querem ir para a Europa. Ano passado mais de 180 mil pessoas atravessaram o mar em barcos em péssimas condições, provenientes da Líbia. E isso é só o começo. De acordo com o representante da UE Avramopoulos, neste exato momento, 3 milhões de migrantes estão a postos para entrarem na Europa".
A Europa Oriental está definhando. A demografia já virou um problema de segurança para a Europa. Há menos pessoas para servirem nas funções militares e nos postos de bem-estar social. O presidente da Bulgária, Georgi Parvanov, de fato, convidou os líderes do país a participarem de uma reunião do Comitê Consultivo Nacional totalmente dedicado ao problema da segurança nacional. Houve uma época que os países da Europa Oriental temiam os tanques soviéticos, agora eles temem os berços vazios.
Segundo estimativas das Nações Unidas havia cerca de 292 milhões de habitantes na Europa Oriental no ano passado, 18 milhões a menos do que no início da década de 1990. O número é equivalente a toda a população da Holanda.
O jornal Financial Times chamou a situação na Europa Oriental como "a maior perda de população na história moderna". Sua população está diminuindo como nunca antes. Nem mesmo a Segunda Guerra Mundial, com os massacres, deportações e movimentos populacionais, chegou a tal abismo.
O caminho de Orbán - lidar com um declínio demográfico usando os próprios recursos do país — é o único jeito da Europa evitar que a previsão do Arcebispo Ravel de uma "grande substituição" se torne realidade. A imigração em massa provavelmente preencherá os berços vazios — mas a Europa então também se tornará somente uma "civilização fantasma", trata-se apenas de um tipo de diferente de suicídio.
Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.
Traduzido por Joseph Skilnik do original em inglês do Instituto Gatestone: Muslims Tell Europe: "One Day All This Will Be Ours"
Divulgação: www.juliosevero.com
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14 de setembro de 2017

“O Jardim das Aflições,” um filme da Nova Era


“O Jardim das Aflições,” um filme da Nova Era

Julio Severo
“Passo para os alunos do curso um exercício que é estar num jardim e deitar no chão e se impregnar da presença do universo acima deles e do planeta que os sustenta,” declarou Olavo de Carvalho no início de seu filme intitulado “O Jardim das Aflições,” lançado em 2017.
Embora tenha também tentado encaixar um Cristo histórico e seus sofrimentos no tal jardim, sua ênfase foi “na presença do universo,” termo citado por ele mais vezes durante o filme.
Interação com o universo é uma característica importante da filosofia da Nova Era, movimento que surgiu com a fundação em 1875 da Sociedade Teosófica, que misturava filosofia e espiritualismo (espiritismo, esoterismo, ocultismo). Helena Petrovna Blavatsky foi a fundadora da Sociedade Teosófica.
O filme termina com um tom poético espírita, com Olavo de Carvalho declarando:
“Ao longo de toda a minha vida, nunca tive a impressão de que os mortos estão ausentes… Meus mortos queridos… Não sinto saudades deles, porque eles estão presentes, eles existem… A eternidade é a posse atual e simultânea de todos os seus momentos… Aquilo que aconteceu aqui, durante uma fração de segundos, está na eternidade.”
Se, como ele mesmo declarou, ao longo de toda a vida ele nunca teve a impressão de que os mortos estão ausentes, então sua concepção espiritualista só se adaptou ao Catolicismo, num sincretismo que é muito comum no Brasil.
Seria imaginária uma ligação entre a Nova Era e a direção de “O Jardim das Aflições”?
A realidade aponta conexões mais fortes do que mera imaginação ou coincidência. Josias Teófilo, o diretor do filme, já era conhecido como colaborador da revista Sophia, uma publicação de circulação nacional da Editora Teosófica.
As conexões, porém, não param aí.
Josias já deu palestras em várias lojas teosóficas importantes do Brasil, inclusive a Loja Teosófica Esperança, em João Pessoa, PB; a Loja Teosófica Sírius, em Campina Grande, PB; e também a Sede da Sociedade Teosófica no Brasil, em Brasília. Assim como outros palestrantes nas lojas teosóficas, Josias é formado em filosofia.
Seguindo a linha da maçonaria, a teosofia chama seus locais de reuniões de “lojas.”
Na loja de Campina Grande, Josias falou da importância da visão espiritualista de Helena Petrovna Blavatsky em 27 de setembro de 2014.
Em seu livro best-seller “The Hidden Dangers of the Rainbow: The New Age Movement and our Coming Age of Barbarism” (Os Perigos Escondidos do Arco-Íris: O Movimento Nova Era e a Era Vindoura do Barbarismo), publicado em 1983, a jurista evangélica Constance E. Cumbey disse (página 29):
“Uma vasta rede de organizações hoje, o Movimento Nova Era recebeu seu início moderno em 1875 com a fundação da Sociedade Teosófica feita por Helena Petrovna Blavatsky. Um ensino básico dessa organização era que todas as religiões mundiais tinham ‘verdades em comum’ que transcendiam diferenças potenciais. Fortemente propondo a teoria da evolução, eles também criam na existência de ‘mestres’ que eram ou seres espirituais ou homens afortunados mais ‘evoluídos’ do que a manada comum. Essa era uma doutrina que iria ter um importante impacto no desenvolvimento do nazismo de Hitler várias décadas mais tarde.”
Na XIII Escola Teosófica Internacional realizada em Brasília em julho de 2012, Josias Teófilo deu palestra para jovens no Seminário “Mística e Neoplatonismo.” De acordo com as informações do evento, membros da Sociedade Teosófica e União Planetária teriam um desconto na participação, pagando a “bagatela” de 875,00 na época. Não membros pagariam muito mais. Com correção monetária, ouvir uma palestra teosófica hoje custaria muito mais.
Neoplatonismo, tema tratado por Josias, é uma filosofia esotérica que a escritora evangélica Nancy Pearcey desmascarou em seu livro “Total Truth: Liberating Christianity from its Cultural Captivity” (Verdade Total: Libertando o Cristianismo de seu Cativeiro Cultural), dedicando o Apêndice 2, intitulado “Islamismo Moderno e o Movimento Nova Era,” para tratar exclusivamente desse assunto.
Pearcey descreveu a paixão dos adeptos islâmicos da Nova Era por Platão e Aristóteles. Entre os adeptos, ela cita René Guénon, um católico francês que se converteu ao esoterismo islâmico.
De forma semelhante, Olavo de Carvalho, que é considerado o responsável por divulgar Guénon no Brasil, tendo inclusive traduzido para o português um de seus livros, é promotor do neoplatonismo, que pode, entre outras conexões da Nova Era, tê-lo aproximado de Josias.
Guénon fundou a Escola Tradicionalista para promover um conservadorismo esotérico contra o marxismo.
A base “conservadora” e “antimarxista” de Carvalho vem da Escola Tradicionalista de Guénon, um dos líderes mais proeminentes do esoterismo islâmico da Nova Era. Para entender essa base esotérica de Carvalho, leia “O que atrai Olavo de Carvalho aos Estados Unidos?
A atual carreira supostamente “conservadora” e “antimarxista” de Carvalho é marcada por muitas previsões na esfera política. Essas previsões, ou manejo de palpites com várias previsões diferentes e mesmo antagônicas, vêm de sua experiência e histórico como o fundador da primeira escola de astrólogos do Brasil na década de 1980.
Mesmo hoje, a força de sua influência astrológica é tão aguda que uma professora evangélica que se tornou uma olavete roxa, combatendo intransigentemente a doutrinação marxista em sala de aula, incorreu no grave erro de levar a doutrinação astrológica para sala de aula. No mês passado, num post público de Facebook, ela confessou que frequentemente ensina os alunos a fazer mapas astrais. Como a prática da astrologia é totalmente proibida na Bíblia, é evidente que a professora evangélica não aprendeu essa prática ocultista na Bíblia ou nas igrejas evangélicas. Como ela é aluna destacada do curso de “filosofia” de Carvalho, é evidente a origem da atitude dela levar a doutrinação astrológica para seus alunos.
Não dá para dissociar as previsões “políticas” de Carvalho de seu histórico nova-erense, assim como não dá para dissociar uma alma nova-erense do filme “O Jardim das Aflições,” já que seu diretor está tão envolvido em filosofias espiritualistas quanto o personagem principal do filme.
“O Jardim das Aflições” é mais do que um filme que personifica o tradicionalismo antimarxista de Guénon. É um culto à personalidade do astrólogo Olavo de Carvalho, dirigido por um teósofo do Brasil. Ninguém melhor do que um esotérico para falar de outro esotérico.
E ninguém melhor do que os evangélicos, quando não estão dormindo ou hipnotizados, para denunciar o esoterismo e todos os outros tentáculos, inclusive filosóficos, da Nova Era.
A VINACC (conhecida hoje como Visão Nacional da Consciência Calvinista) pode ter perdido duas oportunidades de confrontar diretamente a Nova Era.
A primeira oportunidade foi quando Josias Teófilo falou de Helena Petrovna Blavatsky na loja teosófica de Campina Grande.
Sediada em Campina Grande, a VINACC talvez pudesse ter alcançado esse homem oprimido por forças das trevas. Mas a VINACC perdeu seu foco de combater a Nova Era para focar em calvinizar os evangélicos e em combater o neopentecostalismo, e ainda atraindo assembleianos inocentes úteis para essa missão inglória.
No ano passado, a mesma VINACC que não suporta líderes neopentecostais escreveu uma doce crítica a Carvalho. A crítica, intitulada “Olavo de Carvalho nem sempre tem razão,” acabou mais bajulando do que denunciando. Mesmo assim, recebeu do astrólogo apenas azedume e mau-humor.
Apesar dos incessantes esforços de a VINACC bajular Carvalho, ele respondeu diretamente no site da VINACC, dizendo:
“Quem diz que só xingo em vez de argumentar é um difamador que merece ser respondido com xingamentos em vez de argumentos. E, se COMEÇA LISONJEANDO para depois difamar, É UM MALDITO HOMEM DE DUAS LÍNGUAS.”
Já que a VINACC não quis cumprir sua missão de denunciar, sem bajular, a Nova Era do personagem de “O Jardim das Aflições,” um homem da Nova Era acabou sujeitando a VINACC às suas maldições.
No meu artigo “VINACC tenta refutar Olavo de Carvalho, com mel e algodão doce,” mostro como a VINACC incorreu em vários erros ao tentar afagar o ego de Carvalho, inclusive chamando-o incessantemente de “professor” (termo usado 11 vezes no artigo). Não adiantou nada a VINACC o bajular tanto. Foi xingada e amaldiçoada do mesmo jeito.
A VINACC conseguiu mostrar que sabe bater implacavelmente na Igreja, principalmente em irmãos neopentecostais, e sabe alisar grandes promotores da Nova Era dotados da arte de infiltrá-la nas igrejas sob a capa de filosofia direitista.
Josias Teófilo é a própria encarnação das ideias da Nova Era. Foi o diretor ideal para canalizar para o público brasileiro outra encarnação da Nova Era.
Ao assistir “O Jardim das Aflições,” o público evangélico incauto leva duas esoteradas numa pancada só: Esoterada do diretor e do personagem principal da peça.
Quando a VINACC parar sua missão inútil de calvinizar os evangélicos e combater os neopentecostais, talvez consiga voltar à sua missão original, que é combater a Nova Era, que está viva e crescendo em todo o Brasil, sob o manto supostamente insuspeito de filosofia e direitismo.
As editoras e igrejas evangélicas passaram boa parte da década de 1990 alertando sobre os perigos da Nova Era. Se o filme “O Jardim das Aflições” tivesse sido lançado naquele tempo, teria sido devidamente identificado como propaganda da Nova Era, bem ao estilo tradicionalista antimarxista de Guénon. Evidências não faltam para sustentar essa identificação.
Hoje, as editoras e igrejas evangélicas mal falam sobre a Nova Era. Resultado? Até pastores pentecostais estão recomendando e promovendo inconscientemente produtos da Nova Era.
Em junho de 2017, Victorio Galli, que é pastor assembleiano e deputado do PSC, usou a tribuna do Congresso Nacional para louvar “O Jardim das Aflições.” Publicamente, ele também louvou o teósofo Josias Teófilo.
Em julho de 2017, Marco Feliciano, que é pastor assembleiano e deputado do PSC, caiu no mesmo erro, fazendo um post público de Facebook marcando Carvalho e Josias Teófilo e pedindo para que todo o seu público assistisse, curtisse e compartilhasse “O Jardim das Aflições,” que foi recomendado por ele na tribuna do Congresso Nacional.
Não é a primeira vez que Feliciano dá um deslize tão feio. No início de 2017, ele recomendou os livros de Paulo Coelho, que é um mago da Nova Era.
Galli e Feliciano foram muito mais “inocentes” do que os americanos. Na estreia do filme em Nova Iorque em julho, o público americano não apareceu. Só um punhado de imigrantes brasileiros.
Nem mesmo americanos que são membros do Instituto Inter-Americano, dirigido por Carvalho, mostraram presença na estreia do filme dele nem o recomendaram.
“O Jardim das Aflições” é um filme da Nova era, do personagem ao diretor. É mera propaganda do tradicionalismo antimarxista que o esotérico Guénon já promovia muitas décadas antes de Carvalho. A única diferença é que tem pitadas do sincretismo católico de Carvalho, mas isso não o torna diferente da maioria dos católicos do Brasil. Difícil encontrar um católico brasileiro que não seja sincrético.
Se estivéssemos na década de 1990, saturada no mundo evangélico de denúncias contra a Nova Era, “O Jardim das Aflições,” seu personagem e diretor não conseguiriam entrar nas igrejas nem serem elogiados por pastores assembleianos na tribuna do Congresso Nacional.
Mas hoje nem a VINACC nem Feliciano conseguem identificar a ameaça. A Nova Era, em roupagem filosófica, ficou chique para eles.
Enquanto a VINACC não sabe se critica ou bajula o personagem de “O Jardim das Aflições,” Feliciano parece ter certeza de que essa produção da Nova Era merece elogios e recomendações.
Com “O Jardim das Aflições,” ficou fácil a Nova Era entrar em igrejas e corações evangélicos. Essa invasão ocultista acontece num momento em que a poderosa Esquerda americana reconheceu que a maior força conservadora do Brasil são os evangélicos. Tal reconhecimento fundamental é inexistente em “O Jardim das Aflições,” pois sua missão maior, está mais que claro, é promover seu próprio personagem católico sincrético como a força e inteligência maior no conservadorismo brasileiro.
Se até a Esquerda americana vê que são os evangélicos, que dão glória a Deus, que fazem a verdadeira diferença no conservadorismo, por que Feliciano preferiu dar a glória a um mero astrólogo, que tem se notabilizado por transformar seus discípulos evangélicos em meros religiosos sincréticos (como é o caso da professora evangélica adepta da doutrinação astrológica em sala de aula)?
Se pastores como Feliciano não perceberem que estão sendo minados, os evangélicos poderão ficar fracos para continuar liderando a onda conservadora brasileira.
Eles precisam ler o quanto antes o artigo “O mínimo que você precisa saber para não ser um ‘evanjegue’” antes que a propaganda de “O Jardim das Aflições” os transforme em mero “Imbecil Coletivo” a serviço da Nova Era.
Versão em inglês deste artigo: “The Garden of Afflictions,” a New Age Movie
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