10 de abril de 2017

Reação síria islâmica e cristã ao ataque aéreo de Trump por causa de um ataque químico suspeito


Reação síria islâmica e cristã ao ataque aéreo de Trump por causa de um ataque químico suspeito

Julio Severo
Um sírio que se apresenta como “médico formado na Inglaterra” e “assistente de ajuda humanitária” foi a testemunha ocular principal no próprio local durante um alegado ataque químico por parte do governo sírio, se oferecendo para entrevistas de vídeo para os meios de comunicação do Ocidente e disponibilizando filmagens de celular das vítimas que foram compartilhadas milhares de vezes.
As filmagens que ele fez de pessoas e crianças morrendo de gás chocaram o mundo, e mobilizaram o presidente americano Donald Trump a agir. Trump ordenou ataques aéreos contra uma base do governo sírio.
Alegações passadas de que Assad havia lançado ataques químicos revelaram-se no final questionáveis, na melhor das hipóteses. Uma reportagem do WND (WorldNetDaily) disse: “Provado: Ataques de gás na Síria são obra de aliados dos EUA.” E uma reportagem do DailyMail disse: “Obama é acusado de mentir sobre ataques de gás sarin na Síria.”
O sírio supostamente bondoso que fez as filmagens é Shajul Islam — cujo sobrenome significa islamismo. De acordo com a escritora conservadora judia-americana Pamela Geller, “Islam, descrito como um ‘jihadista completamente leal’ pela agência de espionagem britânica MI6, foi julgado por raptar John Cantlie e Jeroen Oerlemans, jornalistas da Inglaterra e Holanda, enquanto ele estava lutando com um grupo islamista no norte da Síria.”
Mesmo assim, Islam foi entrevistado por vários grandes canais de TV dos EUA, inclusive a NBC News, como fonte confiável para o alegado ataque de Assad. Depois de alegadamente ver um desses programas de notícia, Trump lançou mísseis no governo sírio.
A grande mídia dos EUA teve o cuidado de não revelar a identidade terrorista de Islam. E tem sido igualmente cuidadosa de não revelar que a maioria dos sírios entrevistados que mostram apoio pelos ataques aéreos de Trump são… muçulmanos.
De acordo com o escritor conservador americano Don Hank:
O site saudita de notícias Al-Sharq Al-Awsat (que significa “o Oriente Médio”) publicou um artigo sob a manchete “Oposição Síria Comemora Ataque Aéreo Americano em Base Aérea do Governo Sírio e Pede Mais Ataques.” O artigo disse: “‘Atingir uma só base aérea não é suficiente, há 26 bases aéreas que miram civis,’ disse Mohamed Alloush, um homem chave na facção Exército do Islamismo, em sua conta de Twitter. ‘O mundo inteiro deveria salvar o povo sírio das garras do assassino Bashar (al-Assad) e seus ajudantes.’”
Então quem é Mohammed Alloush, que a Arábia Saudita escolhe citar? A BBC informa que “Mohammed Alloush é o líder político do Jaysh al-Islam (Exército do Islamismo), um poderoso grupo sustentado pelos sauditas. Tanto o governo sírio quanto seu aliado leal, a Rússia, consideram Jaysh al-Islam uma organização terrorista.”
RT, junto com outras fontes, diz sobre Jaysh al-Islam: “O grupo islamista Jaysh al-Islam confessou usar armas químicas contra as milícias curdas em Aleppo. Esse grupo também usa escudos humanos e publica vídeos de execuções — mas tem em Genebra uma delegação nas conversações de paz sobre a Síria apoiadas pela ONU.
Então radicais islâmicos comemoraram os ataques aéreos de Trump. Eles usam armas químicas, mas acusam seu principal inimigo: o governo sírio.

Os cristãos também comemoraram os ataques aéreos de Trump?

Os líderes das igrejas cristãs locais na Síria geralmente veem o presidente Bashar al-Assad como seu protetor.
Assad é do Partido Baath. O fundador desse partido, que governa a Síria desde 1963, era cristão, e os cristãos subiram para posições elevadas no partido, governo e forças de segurança.
Apesar da antiga influência cristã na Síria, a comunidade cristã síria, que é um berço do Cristianismo, está morrendo.
Um ano atrás, o bispo caldeu de Aleppo, Antoine Audo, disse que a população cristã na Síria havia sido reduzida em dois terços em cinco anos — de 1,5 milhão para só 500.000.
Falando numa coletiva à imprensa na sede da ONU em Genebra, Audo disse que só em Aleppo a população cristã foi reduzida de 160.000 para 40.000. De acordo com o site noticioso conservador Breitbart, esses 40.000 cristãos restantes são pró-Assad e temem os rebeldes islâmicos apoiados pelos EUA. Eles temem que se esses rebeldes ganharem território, os cristãos virarão alvos, tanto por sua fé quanto pelo apoio que dão ao governo sírio.
Quem pode culpar os cristãos sírios? Se com Assad é ruim, com o ISIS e os rebeldes islâmicos apoiados pelos EUA é muito pior.
O ISIS, que de acordo com Trump foi fundado pelo governo de Obama, tem sido acusado de empreender genocídio contra os cristãos sírios. O governo sírio vem lutando contra o ISIS e os rebeldes islâmicos ao mesmo tempo. Esse é a grande razão por que os cristãos sírios apoiam Assad.
“Estamos enfrentando ação terrorista na geografia inteira da Síria,” o Rev. Ibrahim Nseir, pastor do Sínodo Evangélico Nacional da Síria e Líbano e da Igreja Presbiteriana de Aleppo, disse para a Fox News quando estava em Raqqa, a capital síria do ISIS no ano passado. “Eles estão destruindo nossas igrejas, matando e raptando cristãos, roubando nossos lares e negócios.”
“Foi na estrada para Damasco que o Apóstolo Paulo teve a experiência de sua conversão ao Cristianismo, e a Síria permanece um dos poucos locais sagrados em que a língua aramaica — a língua que Jesus falava — pode ainda ser ouvida,” comentou a Fox News.
“Na década de 1920, os cristãos — principalmente católicos gregos e ortodoxos gregos — compunham aproximadamente um terço da população síria,” acrescentou. “Mas quando houve a guerra civil de 2011, os cristãos na Síria eram apenas 2,2 milhões, ou menos de 10 por cento da população síria. Especialistas agora estimam que os cristãos perfazem menos de cinco por cento da população.”
O ISIS e os rebeldes islâmicos estão devastando a população cristã na Síria.
Diferentemente da Síria, na Arábia Saudita não há igrejas cristãs, e a Bíblia é proibida. Ainda que a Arábia Saudita seja o principal patrocinador do terrorismo islâmico mundial e terroristas sauditas tivessem cometido o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque, Bush, Obama e Trump nunca lançaram ataques aéreos contra a Arábia Saudita.

O que os sírios muçulmanos nos EUA pensam sobre os ataques aéreos de Trump?

“Penso que é uma coisa muito boa, para resumir,” disse Hussein Assaf, um muçulmano sírio-americano que vive na cidade de Allentown, na Pensilvânia, EUA. “É algo que já deveria ter sido feito há muito tempo, anos atrás.”
“O que eu gostaria de ver é um plano militar abrangente em que os EUA destruíssem a máquina assassina de Assad,” disse Assaf.
Assaf, que é eleitor de Hillary Clinton, confessou que ele tem de dar algum crédito para Trump por adotar uma postura contra Assad neste caso. “Tenho de dar ao sr. Trump muito respeito,” disse ele.

O que os sírios cristãos nos EUA pensam sobre os ataques aéreos de Trump?

“Os EUA não são a polícia do mundo e não têm nenhum direito de se intrometer, sem serem convidados, nos assuntos internos da Síria,” disse o Reverendíssimo Anthony Sabbagh, pastor da igreja Ortodoxa Antioquiana de São Jorge em Allentown, que é o centro cultural da comunidade cristã síria de Allentown.
“As ações dele não vão fortalecer o governo sírio, que está protegendo os cristãos,” Sabbagh disse. “Fortalecerão o ISIS, que está matando os cristãos.”
Sabbagh disse que ele votou em Trump achando que ele deixaria o povo sírio decidir seu próprio destino, mas agora ele lamenta seu voto. Na sua mente, Assad é o único líder que está oferecendo resistência ao caos alimentado pelo ISIS e pelos rebeldes islâmicos.
Com informações do Breitbart, MCall, Pamela Geller e Laigle’s Forum.
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2 comentários :

Claudio Henrique Vaz disse...

Belíssimo artigo. Apenas neste blog encontrei informação compatível com minha desconfiança do que realmente aconteceu na Síria. Tudo é aplauso para Trump.
Seja com Hillary, Obama ou Trump não importa, o Governo Mundial virá (e cairá) e está caminhando em nossa direção.

Marcelo Victor disse...

Enquanto os rebeldes assassinavam inocentes com armas convencionais (norte-americanas ou russas) ou decepavam cabeças de cristãos (com facas norte-americanas ou russas), estava tudo bem...