13 de fevereiro de 2017

CIA premia Arábia Saudita por combater o terrorismo islâmico


CIA premia Arábia Saudita por combater o terrorismo islâmico

Julio Severo
A CIA sob o presidente americano Donald Trump fez o que era possível só sob Obama ou uma notícia falsa: Mike Pompeo, o homem que Trump nomeou como o novo diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), visitou a Arábia Saudita na semana passada para entregar ao Príncipe Herdeiro Mohammed bin Naif bin Abdulaziz, que é vice-primeiro-ministro e ministro do Segurança Nacional da Arábia Saudita, a Medalha George Tenet por esforços contra o terrorismo e por “sua contribuição desmedida para concretizar a segurança e paz mundial.”
Num comunicado de imprensa para a Agência de Imprensa Saudita, a qual pertence ao governo saudita, Abdulaziz expressou seu agradecimento à CIA por conceder o prêmio e disse que a medalha é fruto de esforços de líderes sauditas para combater o terrorismo.
Comentando sobre o papel saudita para combater o terrorismo, ele disse que a Arábia Saudita rejeita totalmente o terrorismo, condenando-o em todas as formas e manifestações, e dizendo que não existe conexão entre o islamismo e o terrorismo. Ele acrescentou que a Arábia Saudita continuará a combater o terrorismo e o extremismo.
Respondendo a uma pergunta sobre a relação entre a Arábia Saudita e o governo de Trump, Abdulaziz disse que as relações entre americanos e sauditas têm bases históricas e estratégicas e que nenhuma tentativa de separar a Arábia Saudita e os Estados Unidos terá êxito.
Pompeo, o representante oficial de Trump que premiou a Arábia Saudita, não fez nenhuma objeção.
Todas essas informações vieram da agência noticiosa oficial do governo saudita.
Contudo, a mídia de massa dos EUA não fez nenhuma reportagem sobre isso até agora. Meu primeiro pensamento foi: Por que os grandes meios de comunicação dos EUA não estão dando notícias sobre isso? Não querem incomodar seu novo chefe? Até a poderosa mídia esquerdista está silenciosa.
Se Trump quer ser levado a sério em sua guerra contra o terrorismo islâmico, por que ele não está levando a sério o papel saudita no terrorismo islâmico? Por que ele enviou o diretor da CIA para premiar a Arábia Saudita apenas uma semana após a nomeação de Pompeo? Por que tanta pressa para honrar os sauditas?
Afinal, é os “EUA em Primeiro Lugar” ou a “Arábia Saudita em Primeiro Lugar”?
Um prêmio para a Arábia Saudita por combater o terrorismo equivale a um prêmio para Hitler por combater o nazismo e a um prêmio para Stálin por combater o comunismo soviético.
Como é que o governo de Trump espera combater o terrorismo islâmico premiando seu principal patrocinador? Não só o principal patrocinador do terrorismo islâmico contra o mundo, mas também contra os Estados Unidos.
Uma manchete de 2016 da Fox News disse: “Memorando, antes confidencial, mostra múltiplas conexões sauditas aos conspiradores do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001.” A maioria dos terroristas envolvidos nesse atentado era saudita.
Uma reportagem de 2016 do “Foreign Policy” (Política Externa) comentou sobre “evidências incontestáveis de que dentro do governo saudita existe apoio para esses terroristas.”
Dos 19 terroristas islâmicos envolvidos no atentado de 11 de setembro de 2001, 15 deles eram da Arábia Saudita, de acordo com a CIA. Em 2015, um dos terroristas do 11 de setembro de 2001, Zacarias Moussaoui, afirmou que vários membros da família real saudita faziam parte de uma lista de financiadores da al-Qaida no banco de dados em que ele trabalhava sob as ordens de Osama bin Laden, de acordo com reportagem da CNN.
A Rede de Televisão Cristã nos EUA teve esta manchete em 2015: “O papel da Arábia Saudita na propagação do terrorismo islâmico.”
Pelo fato de que os Estados Unidos foram também vítimas de terroristas sauditas, é impossível compreender por que razão Trump enviou o diretor da CIA para premiar um alegado esforço saudita para “combater o terrorismo e promover a paz e a segurança mundial.”
Trump está nas manchetes por sua medida de barrar a imigração islâmica e o público conservador entende que esse é um esforço sério para combater o terrorismo. Mas será que tudo isso poderia ser apenas um grande espetáculo? Afinal, a Arábia Saudita, que proíbe a Bíblia e não tem nenhuma comunidade cristã, não está na lista negra de Trump. As nações muçulmanas que estão na lista negra dele são de fato inimigas da Arábia Saudita. A Síria, que tem uma das comunidades cristãs mais antigas do mundo, está na lista negra de Trump.
Num artigo de 2014 intitulado “Defensor da liberdade religiosa diz: família real saudita não quer deixar Obama derrotar terroristas sunitas do EIIL que estão massacrando cristãos,” William J. Murray, diretor da Coalizão de Liberdade Religiosa, disse:
“Os Estados Unidos têm sido ‘marionetes’ militares da família real saudita, atacando e isolando nações xiitas como a Síria. O Estado de maioria xiita da Síria, que protege as minorias religiosas, é alvo dos Estados Unidos só porque os membros da família real saudita estão dando as ordens, não o povo americano.”
De acordo com Murray, sob Obama, os EUA e a Arábia Saudita treinavam terroristas do ISIS para atacar a Síria. E agora com a medalha da CIA, Trump está premiando tanto Obama quanto os sauditas por seu trabalho sujo.
De acordo com John Perkins, em seu livro “Confissões de um Assassino Econômico,” a Arábia Saudita tem um relacionamento muito especial com os EUA desde meados da década de 1970. Ele diz:
“A evidência era incontestável: a Arábia Saudita, o aliado de longa data dos EUA e o maior produtor de petróleo do mundo, havia se tornado, como explicara uma elevada autoridade do Departamento do Tesouro dos EUA, ‘o epicentro’ do financiamento terrorista… A ‘generosidade’ saudita incentivava as autoridades dos EUA a fazer vista grossa, dizem alguns agentes veteranos dos serviços de inteligência dos EUA. Bilhões de dólares em contratos, verbas e salários foram para um grande número de ex-autoridades dos EUA que haviam lidado com os sauditas: embaixadores, diretores de postos da CIA, até ministros de governo…”
Então até mesmo americanos sabem sobre o papel saudita incontestável no terrorismo islâmico internacional.
Ao enviar seu diretor da CIA para premiar a Arábia Saudita por “combater o terrorismo e promover a paz e a segurança mundial,” Trump frustrou as esperanças conservadoras de uma luta real contra o terrorismo islâmico.
Com informações da Agência de Imprensa Saudita, Coalizão de Liberdade Religiosa e RT.
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Um comentário :

Cicero disse...

Os EUA são escravos da rica Arábia Saudita, onde Meca é a Babilônia de Ap 18, que financia o EI.
Os déspotas príncipes e reis sauditas dão milhões aos presidentes americanos pra ficarem quietos e deixarem a ideologia assassina do islã invadir o mundo. Nem Trump escapou.
https://contraoislamismo.wordpress.com/2016/09/05/o-islamismo-e-a-besta-do-apocalipse/