14 de dezembro de 2016

Trump escolhe Tillerson da empresa petrolífera Exxon Mobil como secretário de Estado e enfrenta oposição furiosa de neocons da Esquerda e da Direita


Trump escolhe Tillerson da empresa petrolífera Exxon Mobil como secretário de Estado e enfrenta oposição furiosa de neocons da Esquerda e da Direita

Julio Severo
O presidente-eleito americano Donald Trump anunciou na terça-feira que ele escolheu Rex Tillerson, presidente da empresa multinacional petrolífera Exxon Mobil, para ser secretário de Estado, chamando o executivo do petróleo com ligações próximas a Rússia de um dos negociadores internacionais mais realizados do mundo.
Rex Tillerson
As relações de negócios de Tillerson com o presidente russo Vladimir Putin estão atraindo oposição de neocons do Partido Republicano e do Partido Democrático e provavelmente apresentarão o desafio mais difícil para Trump. O senador republicano John McCain disse: “Tenho preocupações. É bem sabido que ele tem um relacionamento muito próximo com Vladimir Putin,” que é “um agente da KGB decidido a restaurar o Império Russo.”
McCain foi louvado pelo Estado Islâmico em 2014 por ajudá-los a invadir o Iraque. Exatamente como Obama, ele tem apoiado os rebeldes sírios, que vêm torturando, estuprando e massacrando cristãos. O único líder internacional que está ajudando os cristãos na Síria é Putin. McCain prefere parceria com terroristas islâmicos contra a Rússia. Esse é o padrão neocon.
Uma das preocupações principais entre evangélicos conservadores, que foram o principal grupo que apoiou Trump, foi: Depois de eleito, Trump cumprirá sua promessa de confrontar os neocons, que focam na Rússia, não no terrorismo islâmico, como a maior ameaça?
Os neocons estão há décadas fazendo parceria com o islamismo e com o terrorismo islâmico contra a Rússia. Em contraste, em sua campanha Trump prometeu um avanço revolucionário: parceria com a Rússia contra o terrorismo islâmico.
Ao que tudo indica, Trump está honrando sua promessa, pois ele disse que a escolha de Tillerson “ajudaria a reverter anos de políticas externas mal-orientadas.” Esse foi um golpe forte nos neocons.
Trump chamou a carreira de Tillerson de “personificação do sonho americano.”
“Sua tenacidade, ampla experiência e profundo entendimento de geopolítica o tornam uma escolha excelente para secretário de Estado. Ele promoverá estabilidade regional e focará nos interesses fundamentais de segurança nacional dos Estados Unidos,” disse Trump.
Trump disse que ele “sabe como administrar uma organização mundial e navegar com êxito no meio da arquitetura complexa dos assuntos mundiais e líderes estrangeiros diferentes.”
Entretanto, o senador democrático mais importante em assuntos de política externa, Bob Menendez, disse que nomear Tillerson como secretário de Estado seria “alarmante e absurdo… garantindo que a Rússia tenha um cúmplice de vontade própria dentro do governo de Trump guiando a política externa de nossa nação.”
O senador republicano neocon Marco Rubio concordou, dizendo: “Ser ‘amigo do Vladimir’ não é um atributo que espero num secretário de Estado.”
Trump estava ciente de que o anúncio de Tillerson enfrentaria oposição, mas ele escolheu avançá-lo rapidamente.
Na verdade, Tillerson tem tido múltiplos contatos com Putin ao negociar acordos energéticos na Rússia, foi condecorado com uma medalha de amizade pelo presidente russo, e há um vídeo dele e Putin juntos fazendo um brinde com taça de champanha.
Rex Tillerson e Vladimir Putin
Em 2011, a ExxonMobil sob Tillerson assinou um acordo com a Rosneft, a maior empresa petrolífera estatal da Rússia, para a exploração e produção conjunta de petróleo. Desde então, as duas empresas formaram 10 empreendimentos conjuntos para projetos na Rússia.
Em 2013, o presidente russo Vladimir Putin condecorou Tillerson com a Ordem da Amizade da Rússia.
Mas o acordo energético foi adiado quando o governo de Obama e seus aliados europeus impuseram sanções contra a Rússia alegadamente por anexar a Crimeia, uma região tradicionalmente russa por centenas de anos. As relações entre Obama e Putin tinham de fato começado a azedar depois que a Rússia aprovou uma lei que proíbe a propaganda homossexual para crianças. Essa lei foi alvo de hostilização e zombaria de Obama e toda a mídia americana.
ExxonMobil teria prometido recomeçar o acordo depois do fim das sanções de Obama — e Tillerson já se manifestou publicamente contra tais sanções e as dificuldades econômicas que elas impõem na Rússia.
A normalização de relações entre os EUA e a Rússia foi uma das promessas mais proeminentes de Trump durante sua campanha.
O presidente russo Vladimir Putin disse que ele estava pronto para se encontrar com Trump “a qualquer momento.”
Na transcrição de sua entrevista com jornalistas que foi divulgada na terça-feira em Moscou, Putin disse: “É amplamente sabido que o presidente eleito dos Estados Unidos vem pedindo publicamente a normalização das relações entre Rússia e EUA. Não podemos fazer outra coisa senão apoiar isso.”
Quem é Tillerson? Um titã empresarial, ele tem viajado o mundo e representou a Exxon em 60 países. Como Trump, ele é suave na questão da agenda gay. Mas ele nunca quis guerra com Putin por causa da lei russa que proíbe a propaganda homossexual. Obama queria tal guerra.
Por que como empresário ele é ideal como secretário de Estado? A maioria dos empresários está interessada em fazer acordos, lucrar e, se os termos não satisfizerem, eles desistem, não iniciando uma guerra.
E aqui está a motivação principal das objeções a Tillerson. Ele quer acabar com as sanções de Obama e fazer parceria com a Rússia de Putin, exatamente como quer Trump. Mas entre muitos na grande mídia, nas fundações, sites e especialmente neocons republicanos e democráticos, isso é apaziguamento covarde. Para os neocons, a Guerra Fria nunca acabou.
Os ataques contra Tillerson coincidem com novos ataques contra a Rússia, baseados em fontes da CIA, alegando que não só o governo russo hackeou o Partido Democrático e a campanha de Hillary, e vazou o que achou que prejudicaria Hillary Clinton, mas a Rússia estava tentando ajudar a eleger Trump, e conseguiu.
Os principais jornais americanos, que são acertadamente vistos como esquerdistas e em tal posição só defenderiam uma Rússia socialista, falam de uma “nuvem escura” que já está em cima da presidência de Trump e avisam que a falta de vontade de investigar e descobrir a verdade toda do hackeamento da Rússia poderá só “alimentar suspeitas entre milhões de americanos de que a eleição foi na verdade fraudada.”
Por trás da campanha para difamar Tillerson e deslegitimar Trump está um motivo maior. Trump tem inimigos nos dois grandes partidos dos EUA que estão alarmados com a vitória dele porque ela coloca em perigo a agenda de política externa que é a razão da vida e existência deles.
Esses indivíduos não querem revogar as sanções de Obama contra a Rússia. Eles não querem terminar o confronto com a Rússia. Eles não querem forçar a Arábia Saudita a parar de financiar o ISIS. Eles querem ampliar a OTAN para abranger a Suécia, a Finlândia, a Ucrânia, a Geórgia e a Moldávia.
Eles têm em mente o encurralamento permanente dos EUA contra a Rússia.
Eles querem fornecer armas ofensivas para o governo ucraniano para reacender a guerra civil na região de Donbass e dar condições para a Ucrânia invadir a Crimeia. Isso significaria uma guerra com a Rússia que a Ucrânia perderia e os EUA e seus aliados da OTAN seriam convocados para intervir e brigar.
A meta deles é derrubar Putin e provocar “mudança de governo” em Moscou.
Durante sua campanha, Trump disse que ele queria se dar bem com a Rússia, apoiar todos os exércitos dentro da Síria e Iraque que estão lutando para exterminar o ISIS e a al-Qaeda, e ficar de fora de quaisquer outras guerras do Oriente Médio — como o desastre americano no Iraque — que custou aos EUA “6 trilhões de dólares.”
Foi nisso que os EUA votaram quando votaram em Trump — para colocar os EUA em primeiro lugar e “tornar os EUA grande de novo.” Mas agitadores neocons já estão batendo seus tambores de guerra para confronto militar.
Logo no início de sua presidência, ou até antes, Trump vai ter de impor sua política externa em seu próprio partido e, aliás, em seu próprio governo. Ou sua presidência se arruinará. Ou ele governará para os neocons ou para seus eleitores, de acordo com suas promessas que o elegeram.
Ele está tendo um bom começo. Ao nomear Rex Tillerson como secretário de Estado, ele está confrontando os neocons de forma direta.
Com informações do WorlNetDaily (o artigo de Pat Buchanan “Will Trump defy McCain & Marco?”), DailyMail e a Associated Press.
Leitura recomendada:

2 comentários :

Rafael disse...

Julio Severo, ele, o novo Secretário de Estado do Trump, é evangélico?

Savio Luan disse...

Ele é Congregacional, mas não sei te dizer se é congregacional liberal ou conservador, pois muitas denominações na América trocaram o Evangelho de Cristo pela "teologia liberal", que é um câncer na igreja atual.