1 de dezembro de 2016

Maré nacionalista populista avança


Maré nacionalista populista avança

Patrick J. Buchanan
Comentário de Julio Severo: Este artigo, que estou disponibilizando para o público brasileiro, me foi recomendado ontem por um colunista do WND (WorldNetDaily) durante um almoço para o qual ele havia convidado a mim e minha família. Como o mundo mudou! Trinta anos atrás, conversaríamos sobre a ameaça da União Soviética. Agora, num almoço com esse importante líder americano pró-família e colunista de um dos maiores portais conservadores dos EUA, eu e ele conversávamos sobre como a maioria dos movimentos conservadores populistas da Europa apoia Putin, e a importância do papel pró-família da Rússia nos dias de hoje, papel apoiado por Pat Buchanan e seu artigo no WND. Depois dessa recomendação, também considero este artigo de extrema importância geopolítica. Leia e divulgue!
Agora que os britânicos votaram para se separar da União Europeia e os Estados Unidos escolheram um presidente que nunca ocupou cargo público, os franceses parecem estar seguindo o exemplo.
No segundo turno no domingo para escolher um candidato para enfrentar Marine Le Pen da Frente Nacional na eleição presidencial do próximo ano, os republicanos de centro-direita escolheram Francois Fillon por maioria esmagadora.
Embora Fillon veja Margaret Thatcher como modelo em políticas fiscais, ele é socialmente um católico conservador que apoia valores pró-família, quer confrontar o extremismo islâmico, controlar a imigração, restaurar a identidade histórica da França e acabar com as sanções contra a Rússia.
“A Rússia não representa nenhuma ameaça ao Ocidente,” diz Fillon. Mas se não, vem a pergunta, por que a OTAN? Por que tropas americanas estão na Europa?
Pelo fato de que Le Pen é a favorita para ganhar o primeiro turno da eleição presidencial e Fillon o segundo turno em maio, parece certeza que o governo francês terá relações mais próximas com Putin. Os próprios europeus estão puxando a Rússia de volta para a Europa, e se separando dos americanos.
No próximo domingo, a Itália realiza um referendo sobre reformas constitucionais com o apoio do primeiro-ministro Matteo Renzi. Se o referendo, seguindo as pesquisas de opinião, fracassar, diz Renzi, ele renunciará.
Renzi está sofrendo oposição da Liga do Norte, o Movimento Cinco Estrelas do ex-comediante Beppe Grillo e da Força Itália do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, amigo de Putin. Todos eles querem se separar da União Europeia (UE)
“Até oito banco italianos que estão com problemas estão em risco de falir,” se o governo de Renzi cair, diz o jornal britânico Financial Times. Daqui a uma semana, as primeiras páginas da imprensa ocidental poderão estar destacando a crise mais recente da UE.
Na Holanda, o Partido da Liberdade de Geert Wilders, que está sendo julgado por discurso de ódio por pedir menos imigrantes marroquinos, está em primeiro lugar ou próximo disso nas pesquisas de opinião sobre a eleição nacional de março próximo.
Enquanto isso, a porta para a UE parece estar se fechando para a Turquia muçulmana, pois o Parlamento Europeu votou para acabar com as conversações de adesão com o governo turco e seu presidente autocrático, Recep Tayyip Erdogan.
Ao acolher os imigrantes muçulmanos, Angela Merkel da Alemanha não mais fala em nome da Europa, ao mesmo tempo em que ela está para perder seu maior aliado, Barack Obama.
Não só a Europa, mas o mundo inteiro que o presidente eleito Trump está para herdar parece em tumulto, com velhos regimes e partidos perdendo controle, e forças nacionalistas, populistas e direitistas surgindo.
No começo deste ano, o Senado do Brasil votou para remover a presidente esquerdista Dilma Rousseff. Em setembro, seu antecessor, o popular ex-presidente Lula, foi indiciado numa investigação de corrupção. O presidente Michel Temer, que, como vice-presidente, substituiu Dilma, está agora sob investigação por corrupção. Há conversas de que vão pedir o impeachment dele.
A Venezuela, dotada com mais petróleo do que quase qualquer país na terra, está agora, graças ao castrismo de Hugo Chavez e sucessor Nicolas Maduro, perto de se desmoronar e cair em anarquia.
A Turquia da OTAN e o aliado árabe dos EUA, o Egito, são ambos governados por regimes repressivos e são mais indiferentes à liderança dos EUA.
A presidente sul-coreana Park Geun-hye, com seus índices de aprovação caindo, está enfrentando impeachment e processos por corrupção.
Enquanto isso, a Coreia do Norte, sob Kim Jong-Un, continua a testar ogivas nucleares e mísseis que podem atingir toda a Coreia do Sul e o Japão e alcançar todas as bases dos EUA no Leste da Ásia e no Pacífico Ocidental.
Os EUA são obrigados por tratado a defender a Coreia do Sul, onde há 28.500 tropas americanas, e o Japão e as Filipinas, onde o novo presidente populista Rodrigo Duterte, xingando o Ocidente, está se voltando para o governo da China. A Malásia e a Austrália estão também se aproximando mais da China, ao mesmo tempo em que se tornam mais e mais dependentes do comércio chinês.
Respondendo ao ato do governo dos EUA colocarem tropas da OTAN na Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia, Putin começou um aumento gradual de mísseis ofensivos e defensivos de capacidade nuclear em Kalinigrado, seu enclave entre a Polônia e Lituânia.
Se os EUA entrarem em confronto com os russos no Báltico Oriental, quantos de seus aliados da OTAN, alguns dos quais são hoje abertamente pró-Putin, ficariam do lado dos americanos?
O ponto principal é: Não só a Guerra Fria terminou, mas o pós-Guerra Fria também terminou. Estamos vivendo num mundo mudado e que continua mudando. Regimes estão caindo. Velhos partidos estão morrendo, novos partidos estão surgindo. Antigas lealdades estão se desgastando e velhos aliados estão se afastando.
As forças do nacionalismo e populismo foram soltas em todo o Ocidente e em todo o mundo. Não há mais volta.
Entretanto, a política americana parece estar fixa em concreto por garantias de guerra e compromissos de tratados que datam de mais de 50 anos atrás, do tempo de Trumam e Stálin e Ike e John Foster Dulles.
Os EUA emergiram da Guerra Fria, um quarto de século atrás, como a única superpotência. No entanto, parece claro que os EUA não são hoje uma nação tão dominante quanto eram em 1989 e 1991.
Os EUA têm grandes rivais e adversários. Os EUA estão mais afundados em dívida. Os EUA estão mais divididos. Os EUA lutaram guerras no Afeganistão, Iraque, Síria, Líbia e Iêmen que não lhes deram nenhum proveito. O que os EUA tinham, eles chutaram fora.
Os EUA estão num momento maleável na história.
E os EUA nada mais precisam do que refletir nos fracassos dos 25 anos passados — e pensar de forma diferente e nova sobre seu futuro.
Pat Buchanan é colunista do WND e foi assessor do presidente Ronald Reagan. Ele é católico tradicionalista pró-vida e já foi candidato republicano à presidência dos EUA.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): Populist-nationalist tide rolls on
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