O que é neoconservadorismo (neocon)?
Julio
Severo
Nota importante:
Uma versão atualizada e expandida deste artigo, intitulada “O que é
neoconservadorismo? Quem são os neocons?,” encontra-se neste link: http://bit.ly/2x9fR8K
| Hillary Clinton |
Como é que ambos Bushes, que são republicanos que têm
a obrigação de defender valores pró-vida e pró-família, conseguiram desprezar
Trump em favor da socialista Hillary, que é pró-aborto e pró-sodomia?
O que um conservador tem em comum com um socialista?
Em termos pró-família, nada. Em termos neocons, tudo.
Em 2014 George W. Bush descreveu Bill Clinton como um “irmão de outra mãe” numa
entrevista sentimental sobre a surpreendente amizade deles, de acordo com o
jornal britânico Daily Mail.
Ele acrescentou que seu próprio pai “serve como figura
de pai” para Clinton, que pôs para fora da presidência dos EUA o Bush pai em
1992.
O Daily Mail noticiou que depois de se tornar
presidente, Clinton frequentemente buscava os conselhos de Bush pai, exatamente
como Bush filho buscava os conselhos de Clinton quando foi eleito o 43º
presidente dos EUA.
Esses conselhos mútuos incluíam a questão do aborto e
homossexualidade? Afinal, antes de Obama, Clinton foi o mais proeminente
presidente pró-aborto e pró-sodomia dos EUA. Em contraste, Bush foi geralmente
pró-vida e pró-família.
A amizade deles envolve conflitos morais? Não, porque
sua união não é baseada em interesses pró-família, mas só em interesses
neocons.
Um cristão conservador real jamais votaria na
socialista Hillary. Mas um neoconservador (neocon) faria isso.
O que é um neocon? Os neocons (ou neoconservadores)
estão presentes nos dois grandes partidos dos EUA, o Partido Democrático (que é
totalmente esquerdista) e o Partido Republicano (que é mais ou menos
conservador), e seu foco e prioridade não é conservar valores pró-vida,
pró-família e cristãos. Eles querem conservar e expandir a hegemonia militar e
política dos EUA no mundo inteiro. Os neocons trabalham com qualquer presidente
americano que tenha esse foco, seja um Bush direitista ou um Obama esquerdista.
O neoconservadorismo dos EUA foca na política externa
como sua principal preocupação, para manter os Estados Unidos como a única
superpotência moldando a Nova Ordem Mundial.
O termo “neoconservador” foi popularizado nos Estados
Unidos em 1973 pelo líder socialista Michael Harrington, que usou o termo para
definir a ideologia de Irving Kristol, Daniel Bell e Daniel Patrick Moynihan.
Daniel Bell era um judeu que certa vez se descreveu
como “socialista em economia, esquerdista em política e conservador na
cultura.”
Daniel Patrick Moynihan era um membro católico do
Partido Democrático pró-aborto e pró-sodomia.
Irving Kristol, apelidado de “poderoso chefão do
neoconservadorismo,” era um potente escritor esquerdista durante as décadas de
1950 e 1960. Ele se desencantou com o Partido democrático na década de 1970 e
mudou para o Partido Republicano, acolhendo o nome “neoconservador” para o
bando de intelectuais esquerdistas que ele trouxe consigo.
Kristol descrevia um neoconservador como um
“esquerdista assaltado pela realidade.” Ele foi imensamente persuasivo em
moldar o movimento neocon, especialmente entre católicos.
Durante a era da Guerra Fria, a maioria dos
neoconservadores se opunha vigorosamente à União Soviética. Ainda que a maioria
dos neocons seja contra o comunismo, a ideologia deles, que não dá nenhuma
prioridade aos valores cristãos que fundaram os EUA, é basicamente socialista,
exceto pelo exacerbado nacionalismo belicista e expansionista. Hillary Clinton é
um exemplo. Ela se opõe a Coreia do Norte, uma nação oficialmente comunista.
Ela é apoiada pela maioria dos conglomerados capitalistas do mundo, mas ela se
opõe aos valores pró-família e cristãos. Até certo ponto, ela é capitalista.
Até certo ponto, ela é socialista. Mas em todos os pontos, ela é neocon.
Na política americana, um neoconservador é alguém que
é apresentado como conservador, mas que geralmente não participa da Marcha pela
Vida (contrária ao aborto) e não defende o casamento tradicional. Os neocons
enfatizam colocar os EUA em primeiro lugar num nacionalismo muito militarista. Eles
apoiam atacar e até derrubar governos estrangeiros, mesmo quando o resultado é
mais perseguição aos cristãos. Alguns neocons ganham lucros imensos do complexo
industrial militar dos EUA.
Ainda que os neocons louvem a Guerra do Iraque, o
DailyMail disse que essa guerra “foi um dos maiores erros cometidos na história
dos EUA modernos.”
Tanto George W. Bush quanto a senadora Hillary Clinton
a aprovaram. De uma perspectiva cristã e humanitária, essa guerra foi um
desastre total para os cristãos.
Antes da invasão americana do Iraque, havia mais de 2
milhões de cristãos. Hoje, eles são menos de 300.000. A presença militar
americana no Iraque não protegeu os cristãos e mesmo depois do genocídio, os
EUA têm de modo enorme aberto suas portas de imigração para os muçulmanos, não
para suas vítimas cristãs.
Os dez terroristas islâmicos que atacaram os EUA em 11
de setembro de 2001 não eram do Iraque. Eram da Arábia Saudita. Mesmo assim, os
EUA não invadiram e atacaram a Arábia Saudita, que, aliás, é o maior
patrocinador do terrorismo islâmico mundial. Os EUA invadiram o Iraque como se
os terroristas do 11 de setembro de 2001 fossem iraquianos.
Saddam Hussein não era um homem bom, mas pelo menos
ele protegia as minorias cristãs muito melhor do que os EUA depois da invasão
do Iraque. A
missão militar americana no Iraque foi um fracasso e acabou trazendo o ISIS, e
caos e genocídio para os cristãos.
A diferença é: O Iraque sob Saddam era inimigo da
Arábia Saudita, que sempre foi amiga e aliada dos neocons americanos, inclusive
os Bushes, os Clintons e Obama.
A invasão americana do Iraque deixou um vácuo
previsível que resultou no assassinato de milhares de cristãos ali e o
surgimento do ISIS. Durante as eleições primárias presidenciais republicanas em
2016, Donald Trump humilhou a insistência de guerra dos neocons no Iraque,
Ucrânia, Líbia e Síria.
A prioridade mais elevada dos neoconservadores tem
sido aumentar a ação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio e expandi-la
para um confronto com a Rússia. Há uma porta giratória entre alguns neocons e
cargos de salários elevados na indústria bélica dos EUA, o que pode explicar
por que os neoconservadores constantemente reivindicam mais guerras.
Os neoconservadores favorecem um dispendioso
intervencionismo em outros países com enormes gastos do governo federal, muitas
vezes para substituir um ditador por um novo sistema de governo que pode ser
pior, principalmente para os cristãos. Às vezes esse intervencionismo é
expresso como um desejo de instalar uma democracia numa cultura incompatível
com ela.
A postura neoconservadora ficou desacreditada no
fracasso da democracia no Iraque, Líbia e Afeganistão. Em todas essas nações,
que abrigavam comunidades e igrejas cristãs, uma medida de tolerância foi
substituída pelo radicalismo islâmico e eliminação de cristãos depois das
intervenções dos EUA, e hoje não sobrou nenhuma igreja cristã no Afeganistão.
Em contraste com os conservadores tradicionais, os
neoconservadores favorecem o globalismo por meio da hegemonia dos EUA,
minimizam a importância dos valores cristãos e tendem a não se opor de forma
enérgica ao aborto e à agenda homossexual. Os neocons não se importam com o
alicerce evangélico dos EUA e não se importam de fazer alianças com grupos
terroristas islâmicos para confrontar a Rússia. Os neocons favorecem
intervenções americanas fortes e enérgicas nos assuntos mundiais.
Em política externa, os neoconservadores acreditam que
a missão dos Estados Unidos é instalar a democracia no mundo inteiro. Ao
realizar essa missão, os dois Bushes falavam sobre uma Nova Ordem Mundial.
Uma segunda linha do desenvolvimento do
neoconservadorismo teve forte influência da obra do filósofo político
alemão-americano Leo Strauss. Alguns dos estudantes de Strauss incluem o
vice-ministro da Defesa Paul Wolfowitz durante o governo de George W. Bush.
Wolfowitz, um neocon americano-judeu, teve um caso extraconjugal conhecido com
Shaha Riza, uma mulher muçulmana que foi criada na Arábia Saudita. (Isso faz
lembrar o atual diretor da CIA Johnn Brennan, que se converteu ao islamismo na
Arábia Saudita. Os neocons dos EUA querem estar perto do islamismo, mas não
perto da Rússia cristã.)
De acordo com Paul Craig Roberts, ex-vice-ministro do
Ministério da Fazenda durante o governo de Ronald Reagan e um dos editores do
jornal Wall Street Journal, Wolfowitz
criou a doutrina de Wolfowitz, que é a base da política
americana para a Rússia. Essa doutrina considera como “hostil” qualquer
potência que seja suficientemente forte para permanecer independente da
influência do governo americano.
A doutrina de Wolfowitz justifica que o governo
americano domine todas as regiões do mundo e está, de acordo com Roberts, em
concordância com a ideologia neoconservadora dos EUA como o país
“indispensável” e “excepcional” merecedor, por direito, da hegemonia mundial.
Roberts disse que “A Rússia está no caminho da
hegemonia mundial dos EUA” e que “A menos que a doutrina de Wolfowitz seja
abandonada, o resultado provável será guerra nuclear.”
Entretanto, a doutrina de Wolfowitz pode ser usada não
só contra a Rússia. Em 2008 o profeta americano Chuck Pierce disse a nós, um
pequeno grupo de brasileiros em São Paulo, que “Deus havia removido sua unção
nacional dos EUA em 2008.”
Em meu artigo “Brasil,
a próxima ameaça (regional ou global) à supremacia econômica dos EUA?”
comentei:
“Pierce também disse que Deus estava
procurando outra nação para conceder essa unção. Ele disse que se o Brasil se
aproximasse mais de Israel, Deus iria dar a unção ao Brasil. Então ele teve uma
visão sobre o que aconteceria se o Brasil começasse a se desenvolver e desse os
primeiros passos para se tornar uma potência mundial: Ele viu o governo dos EUA
cercando e sufocando o Brasil economica e militarmente. Ele viu os EUA cheios de
inveja. Ele viu os EUA totalmente determinados a impedir a ascensão econômica
do Brasil. O que entendi com a visão dele é que os EUA, como a única
superpotência hoje, não aceitarão a ascensão de nenhuma outra nação que
rivalize com sua hegemonia. O desenvolvimento de todas as nações tem de estar
submetido aos interesses americanos, e esses são interesses malignos, pois o
governo americano abandonou o Senhor há muito tempo. Os EUA veem a ascensão
econômica de outras nações como competindo com seu poder.”
Percebendo ou não, Pierce descreveu os neocons, que
exigem que todas as outras nações sejam dependentes dos EUA.
Os neoconservadores são muitas vezes descritos como
“conservadores,” mas suas posições em questões sociais são mistas. Há dois
principais grupos de neocons:
·
Há neoconservadores que sustentam posições
esquerdistas em assuntos sociais, e tendem a discordar dos conservadores
cristãos em questões como aborto, oração nas escolas e casamento homossexual.
·
Há neoconservadores que tendem a ter graus maiores de
concordância com conservadores cristãos e culturais em questões sociais.
Os neoconservadores diferem dos libertários em que os
neoconservadores tendem a apoiar políticas de um governo grande para promover
seus objetivos militares.
Pelo fato de que Trump tem se oposto abertamente aos
neocons e suas ambições de mais expansão militar dos EUA, Commentary,
a principal revista neoconservadora nos EUA, disse, um tanto quanto exagerado,
que o Sr. Trump é “a ameaça número 1 para a segurança dos EUA” —
maior do que o Estado Islâmico.
A grande lição nesta eleição americana é o modo como
os neocons foram expostos por Trump, apesar de suas imperfeições. Por causa
desse confronto, Julian Assange, fundador do WikiLeaks, disse
sobre Trump que “todas as elites se afastaram dele. Trump não tem uma única
elite com ele, talvez com exceção dos evangélicos, se é que dá para chamá-los
de elite. Os bancos, os serviços de espionagem, as empresas bélicas, os
financistas externos, etc., estão todos unidos em apoio de Hillary Clinton. E
os meios de comunicação também. Os donos dos meios de comunicação e os
jornalistas.”
Se os evangélicos são o único grande grupo apoiando
Trump, onde está o segundo maior grupo cristão dos EUA, os católicos? Por que
eles não estão apoiando Trump? Por que a maioria dos católicos prefere a neocon
Hillary?
Uma simples pesquisa do Google mostra que os católicos
são predominantemente mencionados como predominantemente envolvidos em
políticas e geopolítica neocon.
Evangélicos e protestantes, nessa pesquisa, perfazem
cerca de 1 por cento dos neocons cristãos. Religiosamente, os católicos estão
na linha de frente do movimento neoconservador.
Não se sabe por que os católicos sacrificariam valores
cristãos, pró-vida e pró-família por uma política externa de intervencionismo
ideológico e expansionismo dos EUA que massacram outros cristãos. Por exemplo,
na Guerra do Iraque milhares e milhares de cristãos foram sacrificados na
esteira da invasão dos EUA, aprovada pelo direitista Bush. Mais tarde, o
esquerdista Obama expandiu o sacrifício quando sua secretária de Estado
esquerdista Hillary Clinton ajudou a criar o ISIS, que vem torturando,
estuprando e massacrando multidões de cristãos no Iraque e Síria.
A política externa dos EUA, conduzida por neocons no
Partido Republicano e no Partido Democrático, tem sido muito ruim para os
cristãos no Oriente Médio.
A maioria dos cristãos massacrados na Síria e Iraque
são cristãos ortodoxos. Pelo fato de que poderosos neocons americanos são
católicos, alguns poderiam questionar se eles aprovariam tal invasão,
intromissão e massacres na Síria e Iraque se os cristãos ali fossem
exclusivamente católicos.
A verdade é que os EUA têm sido suaves com o
terrorismo islâmico contra os cristãos no Oriente Médio do mesmo jeito que o
Vaticano tem sido suave.
Um conflito entre potências cristãs, motivado por uma
hostilidade milenar entre católicos e ortodoxos, mas mascarada como
preocupações insinceras com o comunismo da extinta União Soviética, é tudo o
que o islamismo precisa para avançar mais e manter seu martírio anual de
100.000 cristãos.
O mesmo Vaticano que é suave com o islamismo está
agora alinhado, em termos de domínio mundial, com o governo dos EUA. Há obras
acadêmicas que confirmam que o Vaticano está bem ligado dos EUA. Aliás, a
sobrevivência do Vaticano Igreja-Estado vem dependendo dos EUA.
A grande pergunta é: Como uma nação que nasceu
essencialmente protestante e pró-Israel e pró-judeus se uniu com um
Estado-Igreja historicamente contra Israel e contra os judeus?
“Rome in America: Transnational Catholic Ideology from
the Risorgimento to Fascism” (Roma nos EUA: A Ideologia Católica Transnacional
desde o Risorgimento até o Fascismo), escrito por Peter R. D’Agostino, mostra
que no passado, a ligação essencial era entre o Vaticano e a Itália. Agora é
cada vez mais entre o Vaticano e os EUA. Aliás, os EUA se tornaram a nova
Itália do Vaticano.
Outro livro muito importante é “Parallel Empires: The
Vatican and the United States — Two Centuries of Alliance and Conflict”
(Impérios Paralelos: O Vaticano e os Estados Unidos — Dois Séculos de Aliança e
Conflito), escrito por Massimo Franco, que diz
“A perspectiva do Vaticano [sob o
Papa João Paulo 2] é que a resposta americana ao terrorismo [islâmico], a
frente de batalha do terceiro milênio, é estridente demais e tem mais
probabilidade de agravar o problema do que resolvê-lo. Embora o fundamentalismo
islâmico seja a principal ameaça ao Ocidente, autoridades do Vaticano forçam
seus argumentos dizendo que historicamente o islamismo e as comunidades cristãs
geralmente dão um jeito de coexistir no mundo árabe.”
Isso explica a postura suave dos EUA sobre o
terrorismo islâmico. Mas o que explica a postura dura dos EUA com relação à
Rússia cristã ortodoxa?
Por séculos, os católicos defenderam um nacionalismo
italiano (e uma maioria esmagadora dos papas era italiana) porque o Vaticano
estava ligado à Itália. Hoje, os católicos, até mesmo no Brasil, a maior nação
católica do mundo, defendem um nacionalismo americano belicista exacerbado. Por
que? Pela mesma velha razão: O Vaticano hoje está ligado aos Estados Unidos em
muitos aspectos e ambições.
Havia uma época, antes da fundação da União Soviética,
em que os católicos, até mesmo os católicos americanos, queriam a supremacia do
Vaticano. Agora os católicos fortemente envolvidos no movimento neocon querem a
supremacia dos EUA, não em defesa pró-família, mas exclusivamente em hegemonia
militar e política? Por que?
A maior parte das suspeitas americanas sobre a atual
Rússia vem de neocons católicos. Os católicos têm tido suspeitas por mil anos
sobre a Igreja Cristã Ortodoxa. E hoje a maior nação cristã ortodoxa do mundo é
a Rússia. Antes do nascimento da União Soviética, eles tinham suspeitas da
Rússia — por razões religiosas. Durante a União Soviética, eles tinham
suspeitas, com justiça partilhadas pelos evangélicos, por causa do marxismo
soviético. Mas depois da queda da União Soviética, por que as suspeitas deles
continuam?
Eles tinham muitas suspeitas da sociedade capitalista
americana majoritariamente evangélica, mas eles venceram esse preconceito. Por
que não em relação a uma Rússia cristã ortodoxa que está lutando pelos mesmos
valores pró-família como uma América de Reagan faria?
O candidato presidencial republicano Donald Trump tem
pela primeira vez na história dos EUA confrontado os neocons no Partido
Democrático e no Partido Republicano. Ele não é conservador no sentido cristão
de ter um histórico de defesa pró-família, mas ele não tem o ativismo neocon de
Hillary Clinton, compartilhado por George H. W. Bush e muitos outros
republicanos, para conservar e expandir a hegemonia militar e política dos EUA,
principalmente por meio da OTAN, às custas de valores cristãos e até de vidas
cristãs.
Embora os neocons republicanos e democratas queiram
maiores intervenções militares americanas na Síria, Iraque e Ucrânia, que não
são territórios americanos e não têm uma população americana, Trump quer que os
EUA parem essa intromissão, inclusive a intromissão da OTAN.
Trump quer uma parceria com a Rússia contra o
terrorismo islâmico, mas os neocons — inclusive Obama, Hillary e ambos Bushes —
querem uma parceria com o islamismo contra a Rússia.
Ainda que pessoalmente Trump tenha uma vida moral
pessoal tão duvidosa quanto Bill Clinton, ele está certo e é bem corajoso de
confrontar os neocons e suas ambições.
Deus pode usar coisas e homens estranhos para falar
com pessoas e nações. Acredito que Ele usou Trump para falar a verdade sobre a
questão neocon. Muito sangue cristão tem sido derramado pelos neocons, por meio
de guerras e violência islâmica.
Como é que Trump tem confrontado os neocons? Ele os
demoliu na questão da Guerra no Iraque e a intromissão dos EUA na Síria e
Ucrânia e a demonização da Rússia.
De acordo com o DailyMail,
Trump “criticou o modo como Hillary lidou com as relações entre EUA e Rússia
quando ela era secretária de Estado e disse que as críticas duras dela contra
Putin levantaram questionamentos sobre “como ela vai voltar a negociar com esse
homem que ela tem demonizado tanto” se ela ganhar a presidência.”
A demonização de Putin e da Rússia é a essência das
paixões neocons.
O caso ucraniano é uma vitrine das ambições neocons.
Enquanto Barack Obama, Hillary Clinton e George Soros estavam chamando a
revolução ucraniana de revolução do povo, numa
reportagem do WND Savage disse:
“A situação na Ucrânia tem sido
pintada como um conflito entre a Rússia de Vladimir Putin, os supostos caras
maus, e os rebeldes ucranianos, os supostos caras bons que buscam expulsar a
Rússia de uma posição de influência na Ucrânia e instalar um novo governo que
dará atenção ao povo ucraniano. Não acredite numa única palavra disso. Os
nacionalistas ucranianos são fascistas. O propósito original do governo dos EUA
ao encenar um golpe na Ucrânia era afastar a Ucrânia da Rússia e levar a
Ucrânia à União Europeia. Em outras palavras, os neocons e os ‘moderados’
comprados do governo de Obama queriam tirar, à força, o controle da Ucrânia das
mãos de Putin e ganhar controle econômico e energético sobre o país. Como o Dr.
Stephen F. Cohen apontou, os países ocidentais, com os EUA liderando o caminho,
estão há décadas provocando Putin. O Ocidente expandiu a OTAN para incluir
ex-estados soviéticos — a Ucrânia parece ser o próximo alvo — e atacou aliados
da Rússia, inclusive Líbia e Iraque. Os EUA — junto com outros países
ocidentais — por meio de suas incursões na política, economia e segurança
nacional da Rússia e vários de seus aliados, efetivamente provocaram a situação
que agora está se revelando na Ucrânia. Cohen está certo.”
Savage aponta que Obama e seus neocons, não
conservadores, criaram uma revolução na Ucrânia para afastá-la da Rússia e
colocá-la, eventualmente, na órbita da OTAN.
Enquanto Trump tem elogiado a Rússia e os
assessores de Trump estavam apoiando forças pró-Rússia na Ucrânia,
os
neocons têm abertamente louvado a revolução ucraniana
como o melhor exemplo democrático contra uma ditadura. A revolução ucraniana
foi a maior revolução de Soros, tendo
sido financiada em massa por ele.
Obama e seus neocons querem a Ucrânia na OTAN e estão
dispostos a fazer guerra para conseguir isso. Em contraste, Trump não tem
mostrado, até agora, nenhuma disposição de seguir as paixões neocons para
iniciar uma guerra na Ucrânia contra a Rússia.
Em setembro passado, o presidente ucraniano Petro
Poroshenko convidou Trump para uma reunião, mas, de acordo com o DailyMail, “o
governo ucraniano diz que o candidato republicano não deu a mínima bola para
eles.”
Entretanto, Hillary Clinton se encontrou com Poroshenko
e lhe prometeu que ficaria do lado da Ucrânia contra a “agressão russa.”
Enquanto Obama, Hillary e os neocons querem a Ucrânia
na órbita da OTAN e estão usando a situação ucraniana para fortalecer a OTAN, Trump
tem de novo estado em conflito com os interesses deles.
“Os neocons… fazem muito dinheiro em
cima de conflitos militares. Quando o mundo está em guerra, os neocons e a
indústria bélica que trabalha com eles lucram enormes quantias de dinheiro. Os
neocons não se importam de que lado você está, enquanto puderem trabalhar com
você para criar uma situação política que eles consigam fazer crescer até virar
guerra, e aí eles começam a tirar lucro.”
Savage está certo. E Trump concorda com ele, pois
Trump vem lendo seus livros e teve uma
entrevista muito positiva com Savage. Mas
indivíduos de mentalidade neocon não concordam. O blog de Trevor Loudon disse:
“Se Trump for eleito, veremos
russos… na Casa Branca. Os assessores de Trump estão bastante conectados a
Vladimir Putin e à Rússia. O próprio Trump tem muitas ligações também e é amigo
de Putin. É por isso que Putin tentará sabotar Hillary com o vazamento de
emails, etc.”
A atitude de Trump buscar se dar bem com a Rússia e se
encontrar com Putin é correta, mas desprezada por neocons.
Ronald Reagan tentou
a abordagem de Trump no passado, quando a Rússia era a União Soviética e
era oficialmente ateística e comunista. Naquele tempo, os EUA sob Reagan
oficialmente valorizavam a Bíblia e os valores cristãos. Hoje, o governo
americano oficialmente despreza esses valores, enquanto a
Rússia oficialmente abandonou o ateísmo e está abraçando sua Igreja Cristã
Ortodoxa.
É impossível que os socialistas Hillary e Obama se
deem bem com a Rússia moderna, principalmente depois que os
russos aprovaram uma lei que proíbe propaganda homossexual para crianças.
Entretanto, se foi possível para o
evangélico Reagan buscar se dar bem com os líderes ateus soviéticos,
por que Trump não deveria ser elogiado por buscar se dar bem com uma Rússia não
ateísta?
Os neocons e seu amor pela parceria islâmica contra a
Rússia e ódio da Rússia são o maior desafio. Nesse sentido, o confronto de
Trump com os neocons deve ser elogiado e imitado.
O pesado envolvimento católico com o movimento neocon
precisa ser estudado.
Ainda que o ex-presidente americano George H.W. Bush
tenha sido um neocon, seu filho, o ex-presidente americano George W. Bush, foi
um evangélico enganado por neocons, que encheram seu governo. Reagan também foi
enganado por eles. Como disse Scott Lively, Bush foi apenas marionete deles.
Muitos evangélicos têm sido ludibriados pelo nacionalismo belicista dos
neocons.
Coisa estranha. Trump, um presbiteriano, não tem
histórico de confronto com os neocons e nenhum histórico de ativismo cristão.
Não se sabe se seu atual confronto é sincero ou não. Mas é óbvio que ele
mostrou quem são os neocons e o que eles querem.
Percebendo ou não, ele foi usado por Deus para alertar
os evangélicos e outros cristãos.
Com informações de Conservapedia, WND (WorldNetDaily) e
DailyMail.
Versão
em inglês deste artigo: What
Is Neoconservatism (Neocon)?
Fonte:
Gospel
Prime
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recomendada:





6 comentários :
Por falar em Neo-Con, Júlio Severo, esta denominação não te faz lembrar de um certo jornalista, escritor e filósofo anti-Putin (leia-se, anti-Rússia) e ex-discípulo de um certo feiticeiro muçulmano?
Não vejo conservadorismo cultural neste caso. Apenas militar. E apenas em relação ao fortalecimento e não à estratégia de guerra, propriamente dita, já que voltada a interesses socialistas. O que me intriga é como fica o capitalismo na cabeça dessas pessoas que simultaneamente se locupletam dele.
Neocons: é muita espertice ficar em cima do muro.
Se Tony Stark(homem de ferro) fosse verdade seria um legítimo neocon...
Vamos mudar para fakecon, é mais apropriado.
"Daniel Patrick Moynihan era um membro católico do Partido Democrático pró-aborto e pró-sodomia" CATÓLICO coisa nenhuma, assim como as CDDs, se diz CATOLICO apenas para criar confusão, pois quem promove aborto é automaticamente EXCOMUNGADO.
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