27 de novembro de 2016

Igreja Luterana da Noruega denuncia escritos antijudaicos de Lutero


Igreja Luterana da Noruega denuncia escritos antijudaicos de Lutero

ESTOCOLMO, Suécia (Associated Press) — A Igreja Luterana da Noruega, que é uma igreja estatal, condenou o legado antijudaico de Martinho Lutero, o teólogo alemão do século XVI que começou a Reforma protestante.
Numa declaração divulgada na sexta-feira antes do aniversário no próximo ano de 500 anos da Reforma, o Sínodo Geral da Igreja Luterana da Noruega disse que alguns dos escritos de Lutero foram mais tarde usados em propaganda antissemita, inclusive na Alemanha nazista.
Comentando que tal propaganda foi também espalhada na Noruega ocupada pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial, o sínodo disse que “no aniversário da Reforma no ano de 2017, nós como igreja devemos claramente nos distanciar do antijudaísmo que Lutero deixou atrás de si.”
A revolta de Lutero contra os abusos da Igreja Católica Romana começou em 1517. Com o passar do tempo ele ficou cada vez mais hostil aos judeus e pediu a perseguição deles.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês da Associated Press: Norwegian church denounces Luther’s anti-Jewish writings
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9 comentários :

Raphael disse...

Espero que eles queiram apenas se distanciar do antijudaísmo "que Lutero deixou atrás de si.” Pelo que tenho lido, os protestantes na Europa estão cada vez mais próximos da "Grande Meretriz", preparando inclusive uma comemoração ecumênica dos 500 anos da Reforma. Isso fará com que o grande reformador se revolva em seu túmulo...

Julio Severo disse...

O protestantismo de Lutero e outros naqueles primórdios era muito católico, porque eles não tinham experiência diferente.

Lutero vivia num universo 100 por cento católico. Todos os que ele conhecia eram católicos. Todas as opiniões que ele ouvia eram católicas e antijudaicas.

Toda a geração de Lutero era antijudaica.

Lutero tinha sobre os judeus a mesma hostilidade de um católico comum, pois ele havia sido criado como católico. Embora ele e outros protestantes tivessem a mesma hostilidade antijudaica dos católicos, não vimos na prática Lutero e outros protestantes matando judeus. Eles tinham ódios ou preconceitos, mas não praticaram.

Lutero escreveu um livro terrível contra os judeus. Isso é errado. Mas em minha opinião, só daria para condenar Lutero se ele tivesse implementado as ideias loucas dele contra os judeus. O mesmo vale para os judeus. Eles têm o Talmude, que é totalmente contra os cristãos, tratando-os de forma desprezível. O Talmude é o equivalente judaico do livro de Lutero, mas foi escrito muito antes. O Talmude trata Jesus como um cara depravado que praticava magia negra e idolatria.

Contudo, as falas loucas deles contra os cristãos estão apenas no campo das ideias. Se fossem implementadas, seria repugnante. Daí, mesmo defendendo Lutero e os judeus, não concordo com eles em tudo, por causa de suas ideias loucas uns contra os outros.

A Inquisição, é claro, foi pior, pois é a implementação de ideias loucas. Por isso, sou muito duro nesse aspecto.

Não há, no luteranismo, uma cultura de tortura e morte contra os judeus. No catolicismo há, e a Inquisição é uma das grandes provas inegáveis.

Flávio Da Vitória disse...

Lutero não deixa de ser um grande homem, grande reformador da igreja por causa desse livro antijudaico.

Jorge Santos disse...

Aliás o pentecostalismo só existe devido à reforma. Lutero apenas a iniciou e Calvino a aperfeiçoou. E ambos cometeram grandes erros e pecados. Até Pedro foi confrontado por Paulo.

Savio Luan disse...

A Igreja Luterana da Noruega, não é a mesma que aprovou o "casamento" gay e não acredita na literalidade do Livro de Gênesis?

Flávio Da Vitória disse...

Sim, tod

Flávio Da Vitória disse...

Sim, todas as igrejas protestantes históricas estatais da Europa

Maria Alice Ferreira Pinheiro disse...

Isso mesmo, concordo. Lutero não tinha intenção de romper com o catolicismo. Hoje em dia a igreja luterana batiza crianças como a católica e muitas outras práticas que veem do catolicismo.

Leandro disse...

Mesmo para a época, o opúsculo de Lutero contra os judeus foi mal recebido.

Prova disso é que os próprios príncipes e cidades luteranas não desataram as perseguições sistemáticas contra as sinagogas que Lutero pretendia que se fizesse.
Na realidade, havia poucos judeus na Alemanha. A maioria foi expulsa ou preferiu fugir após uma sucessão de perseguições realmente escabrosas que teve início com as Cruzadas. Um pouco antes de Lutero nascer ainda se fazia tudo o que ele pregou no seu polêmico panfleto, e certamente não se tratava de uma novidade.

O que "pesou" contra Lutero foi o fato de que, no começo, sua posição era de aproximação com os judeus, talvez pensando em um novo ânimo para convertê-los ao cristianismo.
Mas talvez o financiamento de banqueiros judeus ao maior inimigo do luteranismo, o imperador, tenha feito o reformador mudar para uma posição verdadeiramente hostil.

Mas isso não repercutiu em nada para o curso posterior do luteranismo.
Os judeus continuaram como cidadãos de segunda classe tanto em territórios católicos quanto protestantes, mas em geral em uma condição um pouco melhor nos segundos, e muito melhor se comparados com as monarquias ibéricas (onde acabavam de ser proscritos).