16 de setembro de 2016

Benjamin Netanyahu apoia Trump, através de Putin


Benjamin Netanyahu apoia Trump, através de Putin

Patrick J. Buchanan
Desde que Donald Trump disse que se Vladimir Putin o louva, ele devolveria o cumprimento, a indignação do Partido Republicano não tem cessado.
Vladimir Putin e Benjamin Netanyahu
Chegando a Washington para consertar os laços entre Trump e as elites republicanas, o governador Mike Pence [que é vice de Trump] foi repreendido de forma direta.
[O belicista] John McCain disse a Pence que Putin era um “gangster e assassino,” e que o fato de que Trump o abraça é intolerável.
[O igualmente belicista] Lindsey Graham disse: “Vladimir Putin é um gangster, um ditador… que mata seus opositores nas ruas,” e que as opiniões de Trump recordam Munique.
Putin é um “gangster autoritário,” acrescentou Marco Rubio.
O que é que está fazendo o Partido Republicano perder a cabeça toda vez que alguém cita o nome de Vladimir Putin?
Putin não é Stálin, a quem os presidentes americanos Franklin Delano Roosevelt e Harry Truman chamavam de “cara legal.” Diferente do ditador soviético Nikita Khrushchev, ele nunca esmagou de forma sangrenta uma Revolução Húngara. Ele de fato esmagou o movimento separatista islâmico checheno. Mas o que ele fez ali o General Sherman fez com a cidade de Atlanta quando a Georgia se separou da União de Abraham Lincoln.
Putin apoiou os EUA no Afeganistão, endossou o acordo nuclear americano com o Irã e assinou o plano do secretário de Estado americano John Kerry para garantir um cessar-fogo na Síria e para ambos os países poderem caçar juntos os terroristas do ISIS e da al-Qaeda.
Entretanto, dizem que Putin cometeu “agressão” na Ucrânia.
Mas foi realmente agressão ou reação estratégica reflexiva?
Os EUA ajudaram a jogar na lata de lixo um governo pró-Putin democraticamente eleito em Kiev, e Putin agiu para proteger sua base naval do Mar Negro reanexando a Crimeia, uma península que pertencia à Rússia desde Catarina a Grande até Khrushchev. As grandes potências fazem essas coisas.
Quando os irmãos Castro tiraram Cuba da órbita dos EUA, os EUA ignoraram os protestos de Havana e decidiram ficar com uma parte de Cuba, Guantánamo.
O governo russo de fato apoiou os rebeldes pró-Rússia no leste da Ucrânia que querem separação.
Mas recordemos que os EUA [sob o presidente esquerdista Bill Clinton] lançaram uma campanha de bombardeio de 78 dias no minúsculo país [cristão ortodoxo] da Sérvia para efetuar a separação da província [muçulmana] de Kosovo que fica bem no meio da Sérvia.
Qual é a grande diferença moral aí?
O relacionamento entre a Rússia e a Ucrânia data de 500 anos antes de Cristóvão Colombo descobrir a América. Esse relacionamento inclui uma antiga fé [cristã ortodoxa] comum, uma história complexa, sofrimento horrível e injustiças horrendas — como o fato de que Stálin matou de fome milhões de ucranianos no início da década de 1930.
No entanto, antes de George W. Bush e Barack Obama, nenhum presidente americano achava que as brigas entre governo russo e governo ucraniano eram assunto para os EUA se envolverem. Quando foi que os EUA passaram a achar que era da sua conta?
Pelo que a imprensa diz, a Rússia está hackeando as instituições políticas americanas. Se for verdade, isso tem de parar. Mas recorde que a CIA, a Fundação Nacional da Democracia e ONGs americanas têm se intrometido nos assuntos internos da Rússia há anos.
Putin é um nacionalista que cuida da Rússia em primeiro lugar. Ele também lidera uma nação que é o dobro do tamanho territorial dos EUA com um arsenal igual ao arsenal americano, e não é possível haver paz na Eurásia sem ele.
Os EUA precisam negociar com ele. Em que ajuda xingá-lo?
E o que Putin está fazendo em termos de repressão não supera o que fazem Recep Tayyip da Turquia, membro da OTAN e aliado dos EUA, e o General el-Sissi do Egito, aliado árabe dos EUA.
A Rússia de Putin é mais repressiva do que a China de Xi Jinping?
Contudo, os republicanos raramente usam a palavra “gangster” ao falarem sobre Xi.
Durante a Guerra Fria, os EUA fizeram parcerias com ditadores como o xá do Irã e o General Pinochet do Chile, Ferdinand Marcos das Filipinas e Park Chung-Hee da Coreia do Sul. A necessidade da Guerra Fria exigia isso.
Muitas das 190 nações do mundo são hoje governadas por ditadores. Como é que os interesses ou a diplomacia dos EUA podem avançar com líderes do Congresso latindo “gangster” contra o governante de uma nação que tem centenas de ogivas nucleares?
Onde está o realismo, o reconhecimento das realidades do mundo em que vivemos, que guiou as políticas de presidentes desde Dwight D. Eisenhower a Ronald Reagan?
Senadores americanos como Tom Cotton disseram que não deve existir transparência entre EUA e Israel.
Tudo bem. Como é que então Israel vê Putin a quem os republicanos chamam de “gangster” e “assassino”?
De acordo com o especialista de política externa Stephen Sniegoski, quando Putin visitou Israel pela primeira vez em 2005, o presidente Moshe Katsav o aclamou como “amigo de Israel,” e Ariel Sharon disse que ele estava “entre irmãos.”
Só no ano passado, Benjamim (Bibi) Netanyahu foi a Moscou três vezes e Putin visitou Israel. Os dois têm um relacionamento excelente também.
Durante a votação da resolução da ONU que declarava a “integridade territorial” da Ucrânia, Israel se absteve. Israel recusou se unir às sanções contra uma Rússia amiga. O comércio entre Rússia e Israel está crescendo rapidamente.
Talvez Bibi, que acabou de receber inesperadamente 38 bilhões de dólares em assistência externa dos EUA durante os próximos 10 anos de um Barack Obama de quem ele nem mesmo gosta, possa mostrar ao Partido Republicano como ter um bom relacionamento com Putin.  
Lindsey Graham diz que os 38 bilhões de dólares para Israel provavelmente não serão o bastante, que Bibi precisará mais e que ele estará ali para providenciar isso.
Fascinante. Bibi, que é amigo de Putin, recebe 38 bilhões de dólares dos mesmos senadores republicanos que, quando Donald Trump diz que ele devolverá os cumprimentos pessoais de Vladimir Putin, leva bofetada em plena cara desses mesmos senadores.
Pat Buchanan é colunista do WND e foi assessor do presidente Ronald Reagan. Ele é católico tradicionalista pró-vida e já foi candidato republicano à presidência dos EUA.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): Bibi backs Trump — on Putin
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3 comentários :

Cicero disse...

Parabéns a Hungria, recebendo os cristãos perseguidos da guerra no oriente médio.
https://noticias.gospelprime.com.br/hungria-primeiro-ajudar-cristaos-perseguidos/
Quanta diferença dos EUA! comandada pelo sodomita, abortista e islâmico B.Obama!

Anderson disse...

Parabéns Júlio.
Como sempre perfeito e perspicaz.

Marcelo Victor disse...

Esses movimentos de união entre os povos em torno de um único ideal fazem parte das profecias bíblicas, citadas pelo Espírito Santo, relativas ao final dos tempos.
Dessa salada, que representa a união entre russos, norte-americanos e judeus, surgirá o falso desejado das nações; por isso, vejo tudo isso com muita naturalidade e como a comprovação de que a Bíblia é verdadeira.
Deus realmente tem o poder de enxergar o que o homem será capaz de fazer no futuro, transformando esta terra numa sodoma e gomorra generalizada, sob a desculpá da PAZ E SEGURANÇA.