20 de julho de 2016

Rússia, Estados Unidos e Liberdade Religiosa


Rússia, Estados Unidos e Liberdade Religiosa

Scott Lively
Na semana passada meus advogados no Conselho da Liberdade entraram com uma Medida Judicial de Julgamento Sumário em Tribunal Federal dos EUA buscando rejeição do processo que me acusa de “Crimes Contra a Humanidade” por pregar uma mensagem factual, bíblica e humanitária contra a homossexualidade em Uganda em 2009.
Apesar da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, e da percepção que os EUA têm de si mesmos como líder mundial de liberdade religiosa, esse processo escandaloso, projetado para me silenciar e punir por defender a Bíblia, está agora em seu quarto ano, e nem num único líder político americano, da esquerda e da direita, o condenou publicamente. Não creio que esse processo teria durado um único dia num tribunal da Rússia.
Nesta semana, os meios de comunicação estão em alvoroço com a notícia acerca da avaliação de Mike Pence, governador de Indiana, como possível vice-presidente de Donald Trump. Muita gente talvez não recorde que a última vez que o governador Pence estava bem no centro dos holofotes da mídia foi porque ele havia sancionado a Lei de Restauração de Liberdade Religiosa (LRLR) em Indiana. A LRLR foi escrita em parte para impedir que o rolo compressor da agenda LGBT passasse por cima dos direitos civis básicos dos cristãos que discordam dos tão chamados “direitos gays.” A Assembleia Legislativa de Indiana aprovou a LRLR em resposta a uma campanha no judiciário federal para derrubar a Lei de Defesa do Casamento (LDC) em nível federal e estadual, e em antecipação da decisão Obergefell versus Hodges no Supremo Tribunal dos EUA (2015), decisão que impôs o “casamento gay” nos EUA por meio de decreto judicial.
O governador Pence sancionou a LRLR e então foi forçado a fazer uma batida em retirada humilhante (acrescentando uma emenda pró-homossexualismo que foi pior do que aprovar a LRLR em primeiro lugar) sob uma agressão política devastadora do lobby LGBT e seus exército enorme de agentes — que naquela altura incluía várias empresas gigantescas e a Associação Atlética Universitária Nacional.
A situação estava tão ruim que a mídia conservadora questionou se dava para salvar as ambições presidenciais de Pence. Eu predisse que Pence seria forçado a ceder. Mas, só repetindo, não era possível tal coisa ocorrer na Rússia de hoje.
Mas a grande notícia desta semana é que a Rússia sancionou uma nova lei antiterrorismo que inclui em suas cláusulas uma restrição sobre liberdade religiosa para representantes de organizações religiosas, essencialmente restringindo-os às suas igrejas e mesquitas.
Estou triste com essa lei, e a vejo como um retrocesso para a Rússia, embora eu tenha lido o artigo de Julio Severo sobre esse assunto, e estou aliviado que nenhuma restrição foi colocada nas opiniões religiosas de cidadãos comuns. A lei russa tem como alvo principal o islamismo radical, e lida com a necessidade de impedir sua propagação na Rússia. Percebo a direção da extremamente poderosa Igreja Ortodoxa Russa nas nuances das cláusulas de registro religioso — e suspeito que seus representantes no Parlamento tiraram vantagem para desestimular a competição de outras denominações cristãs em sua própria casa.
No geral, acho que a Rússia cometeu um grande erro aí, especialmente com um grupo de ocidentais em grande parte dispostos a menosprezar a propaganda de guerra anti-Rússia de Obama e dos neocons: os conservadores.
Entretanto, penso que precisamos manter isso em perspectiva. Se analisarmos a questão de forma objetiva, e usarmos um critério honesto de avaliação e pontuação para classificar a Rússia e os Estados Unidos na questão mais ampla de tendências atuais de direitos civis, e liberdade religiosa real para cristãos, penso que a Rússia sai na frente.
Primeiro, a lei antiterrorismo da Rússia é muito menos destrutiva para as liberdades civis de forma geral do que a Lei Patriótica e outras leis americanas que foram aprovadas desde o ataque terrorista islâmico ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Não entrarei em detalhes monótonos, mas como jurista constitucional com conhecimento da história cristã dos EUA, posso lhe dizer que os fundadores dos EUA provavelmente ainda estão se contorcendo em seus túmulos.
Um exemplo é a revogação da Lei Posse Comitatus que outrora, sabiamente, impedia o governo federal de usar as forças armadas para policiamento dentro das fronteiras dos EUA. Em 31 de dezembro de 2011, Obama sancionou a Lei de Autorização de Defesa Nacional (LADN) revogando os restos da Lei Posse Comitatus pós-Lei Patriótica e codificando detenção militar indefinida sem acusação ou julgamento em lei pela primeira vez na história dos EUA. Só nesta semana, Obama deu o passo seguinte requerendo a federalização das forças policiais: seguindo uma longa campanha de militarização pesada das agências puramente administrativas do governo federal.
Verdade, essa não é uma questão de liberdade religiosa na aparência, mas pode com facilidade se tornar uma, considerando a hostilidade tremenda de Obama ao Cristianismo bíblico (uma atitude que Hillary Clinton, sua sucessora potencial, também tem), e sua descristianização ativa das forças armadas dos EUA.
Segundo, restrições reais aos cristãos que creem na Bíblia nos EUA hoje são piores do que na Rússia. Em 2006 e 2007 palestrei extensivamente em igrejas e universidades russas desde a cidade de São Petersburgo no extremo oeste até Blagoveshchensk no extremo leste. Eu estava trabalhando com uma igreja evangélica neopentecostal que não tinha aprovação do governo e pessoalmente experimentei hostilidade de algumas autoridades governamentais. Numa cidade da Sibéria, por exemplo, uma oportunidade de palestra foi cancelada sob pressão do governo. Mas rapidamente encontramos outra oportunidade e o evento foi realizado com sucesso. Contudo, palestrei para uma audiência ao vivo combinada de muitos milhares de pessoas, e inúmeros milhares mais por meio da mídia de massa e fui calorosamente recebido em quase todas as oportunidades.
Entretanto, aqui nos Estados Unidos, como oponente da agenda LGBT, tenho sofrido muito mais hostilidade e interferência de autoridades públicas do que na Rússia. Nos EUA, eles não podem dar na vista acerca disso — de modo que a hostilidade é geralmente de natureza passivo-agressiva — tal como a recusa da polícia de interferir nas táticas esquerdistas de intimidação que bloquearam minha palestra na igreja do Pastor Ron Greer anos atrás em Madison, Wisconsin. Depois que os homossexuais tomaram a plataforma e se recusaram a entregá-la, os policiais simplesmente ficaram ali parados, de braços cruzados, no fundo do salão e ficaram observando. Os organizadores cristãos e participantes todos ficaram ali sentados impotentes enquanto centenas de marginais LGBT haviam cercado a igreja e davam pancadas do lado de fora das paredes com pedras e tampas de lata de lixo cantando sem parar “Esmaguem os cristãos, tragam os leões de volta.” E isso foi na década de 1990. Hoje está muito pior. Posso citar muitos outros casos dessa natureza de minha própria experiência e de amigos — todos envolvendo supressão, facilitada pelo governo, da liberdade religiosa e liberdades civis.
Provavelmente, todos conhecemos o conceito de “racismo institucional” que supostamente ainda inspira a sociedade americana. Isso pode existir em algum nível subliminar e afeta negros e outros em sua interação com nossas instituições sociais e culturais. Mas se você trocar as lentes de seus óculos 3D de visualização cultural de raça para religião, cuidado com o golpe súbito, pois o ódio imenso e generalizado ao Cristianismo bíblico aparece em foco muito nítido diante de você — como um gorila de 400 k atacando — o preconceito institucional anticristão de proporções bíblicas. Isso não existe na Rússia desde a era comunista soviética.
Terceiro, as tendências atuais com relação à liberdade religiosa e direitos humanos em ambos os países favorecem a Rússia. Eu tratei desse assunto num artigo em inglês de 2014 e acredito que ainda é acurado e oportuno.
Simplesmente acrescentarei que temos tido outros dois anos de acontecimentos nacionais e geopolíticos pelos quais julgar os EUA e a Rússia. É inegável que o governo de Obama e as elites esquerdistas que controlam tudo ficaram ainda mais hostis ao Cristianismo. Pessoas que observam a Rússia de modo objetivo sabem que os russos estão trabalhando para reestabelecer suas raízes cristãs ortodoxas.
Minha oração é que a Rússia fará uma emenda à sua nova lei pela razão sensata de assegurar aos cristãos que acreditam na Bíblia no mundo inteiro de que a Rússia respeita a própria Bíblia e não só sua igreja estatal oficial. Eu também orarei para que em face do que a Rússia acabou de fazer, os Estados Unidos se despertarão e lembrarão o que é realmente a liberdade religiosa — a versão estabelecida para nós pelos fundadores dos Estados Unidos e sustentada pelo sangue de muitas gerações subsequentes. A versão que atualmente está sendo judiada debaixo dos sapatos dos marxistas de estilo soviético que agora controlam o governo, os meios de comunicação e os sistemas de educação pública dos Estados Unidos.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do Barbwire: Russia the United States and Religious Freedom
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