27 de julho de 2016

No GospelPrime, Augustus Nicodemus exorta contra palavrões nas redes sociais


No GospelPrime, Augustus Nicodemus exorta contra palavrões nas redes sociais

Julio Severo
O portal GospelPrime, de origem assembleiana, é conhecido por dar espaço democrático aos mais diferentes e até contraditórios seguimentos evangélicos do Brasil, desde luteranos, calvinistas e tradicionais até pentecostais, renovados e neopentecostais.
Tratando do problema dos palavrões, o GospelPrime fez uma reportagem sobre uma mensagem de Augustus Nicodemus, considerado o apóstolo dos cessacionistas do Brasil.
De acordo com o GospelPrime, Nicodemus acredita que palavras de baixo calão em redes sociais é o reflexo da igreja brasileira cada vez mais superficial. Se a acusação dele sobre superficialidade procede, então a aplicação serve, a contragosto, para sua própria denominação também, pois já vi muitos calvinistas (que teimam em ser rotulados de “reformados,” como se a Reforma fosse marca registrada do calvinismo, não de Lutero) de esquerda e direita falando palavrões.
Em sua reportagem intitulada “Pastor exorta crentes que publicam palavrões nas redes sociais,” o GospelPrime disse:
Por mais que entenda que nem todos os seus amigos da rede social são crentes, o reverendo presbiteriano resolveu escrever para aqueles que são cristãos, mas estão se comportando como se não fossem, fazendo postagens de fotos “meio-eróticas” ou com palavrões no meio de postagens com declarações de fé.
Nicodemus cita Efésios 4:29 e Efésios 5:3-7 que falam contra o uso de palavras torpes, advertindo os crentes em Cristo que será pelas palavras que seremos justificados ou condenados.
O reverendo também cita outros versículos de Colossenses e Filipenses que trazem a mesma mensagem sobre tomar cuidado com o que falamos e pede para que seus seguidores façam interpretações sobre esses textos.
“A pureza e a santidade requeridas na Bíblia para os cristãos abrange não somente seus atos como também seus pensamentos e suas palavras”, escreve.
Concluindo, ele faz uma análise sobre como esses palavrões representam a igreja evangélica brasileira: “Acho que a vulgarização do vocabulário dos evangélicos é simplesmente o reflexo do que já temos dito aqui muitas outras vezes: o cristianismo brasileiro é superficial, as igrejas evangélicas estão cedendo ao relativismo da nossa sociedade”.
Mas acusar o relativismo é uma explicação muito vaga e geral. É tão difícil abrir a boca para denunciar que com a disseminação de modismos socialistas, palavrões se tornam mais comuns entre adeptos do socialismo, inclusive evangélicos que seguem a Teologia da Missão Integral (TMI)?
A maioria dos evangélicos contrários à TMI não fala palavrões. Eu, por exemplo, tenho sido pioneiro na luta contra a TMI e me oponho ao vício dos palavrões.
Contudo, há um segmento evangélico periférico que, alegando fazer uso supostamente tático de técnicas socialistas (inclusive palavrões e vigarices), luta contra o socialismo, mas cujo comportamento moral é basicamente o mesmo dos seus inimigos.
É óbvio, porém, que os palavrões não nasceram no socialismo, pois a Bíblia ensina que do coração procedem as coisas sujas e também que a boca fala do que está cheio o coração. Então, antes de existir Karl Marx já havia palavrões. E sem dúvida nenhuma, não existe maior boca suja no universo do que Satanás. Ele é o pai dos palavrões.
Nicodemus deu um tiro certo ao tratar palavrões como prática ofensiva para Deus. Mas igualmente ofensivo é determinar o que o Espirito Santo pode ou não pode fazer hoje, principalmente limitando a autoridade dele de dar hoje dons sobrenaturais do Espírito Santo.
A atitude de limitar Deus se chama “cessacionismo,” cujos adeptos acreditam, pregam e impõem que o Espírito Santo cessou há dois mil anos de dar dons de línguas, profecia, visões, etc., como se ele tivesse morrido. Tal crendice teológica fora da Bíblia deixa apenas duas conclusões óbvias:
1)      Todos os que falam em línguas e têm profecias hoje são heréticos.
2)      Todos os cessacionistas são heréticos.
Embora Nicodemus seja calvinista e cessacionista, nem todos os calvinistas são cessacionistas. O Dr. Wayne Grudem, que é o maior teólogo calvinista da atualidade e autor de uma famosa teologia sistemática, não é cessacionista.
De acordo com o teólogo calvinista Vincent Cheung, “Cessacionismo é rebelião contra Deus.”
Não vejo problemas grandes na teologia calvinista de Nicodemus. Não vejo problemas com sua exortação contra palavrões. Mas a rebelião cessacionista (cujo veneno sob influência dele e de outros rebeldes calvinistas é um câncer na Igreja Presbiteriana do Brasil) é tão ofensiva para Deus quanto os palavrões.
Leitura recomendada sobre palavrões:
Leitura recomendada sobre cessacionismo:

2 comentários :

Eduardo Pydd disse...

Cresci em uma igreja essencialmente cessacionista(IELB) que, embora não tenha o hábito de assumir posições oficias claras sobre nada(em praticamente todo assunto que desperte polêmica, ou ela não assume posição oficial, ou mantém-se “oficialmente” neutra), trata os dons do Espírito com enorme ceticismo. Não se tem qualquer registro de manifestação destes dons na própria denominação, e nem poderia ser diferente. Mas qualquer suposta manifestação sobrenatural vista em outros círculos, como dom de línguas ou profecias, imediatamente é tratada como fraude, histeria, ou obra do inconsciente(um fenômeno parapsicológico). Jamais se considera que seja algo de cunho espiritual.

Pessoalmente, nunca concordei com essa atitude.

Que há embusteiros aos borbotões, ninguém duvida ou nega. Que o que é necessário saber para a salvação já está revelado na Escritura, idem.

Porém, que direito tem o homem, mero mortal falho e pecador, de determinar que o Espírito Santo não possa manifestar-se hoje como nos tempos bíblicos? Se Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre(Hebreus 13.8), e é em nome dele que Deus envia o Espírito Santo(João 14.26), e o mesmo se manifestou no Pentecostes em forma de dons sobrenaturais(Atos 2), por que o mesmo não pode acontecer hoje? Por que, mesmo que a sabedoria para a salvação esteja na Bíblia e nada mais tenha de ser acrescentado a ela, Deus não possa manifestar-se em relação às coisas do dia-a-dia, da vida cotidiana e trazer consolo e orientação para as provações da vida terrena?

O cessacionismo nada mais é do que um ato de indescritível presunção contra a autoridade suprema de Deus.

Particularmente, creio que o conselho mais sábio a respeito do discernimento sobre os dons, diferenciar o que é verdade e o que é fraude é, ironicamente, seguir o parecer do fariseu Gamaliel sobre o ensino dos apóstolos: se de Deus, não se pode impedir. Se é de homens, cairá sozinho.

Cicero disse...

Grande palavra Eduardo!
Simples... se Deus não quisesse os dons espirituais (não somente os 9 de 1Co 12) ministérios, sonhos e visões sobrenaturais, não teria escrito no NT estas coisas...
Na paz do Senhor!