16 de abril de 2016

O expansionismo imperial exagerado dos Estados Unidos


O expansionismo imperial exagerado dos Estados Unidos

Patrick J. Buchanan
Nesta semana, aviões de combate SU-24 voaram zunindo perto de um destroier americano no Mar Báltico. Os aviões russos não levavam nenhum míssil ou bomba.
Mensagem: O que vocês americanos estão fazendo aqui?
No Mar do Sul da China, aviões americanos sobrevoam, e navios de guerra dos EUA navegam dentro dos limites territoriais de ilhotas reivindicadas pelo governo chinês.
Na Coreia do Sul, tropas americanas conduzem exercícios militares anuais como avisos para uma Coreia do Norte que está testando ogivas nucleares e mísseis de longo alcance que podem alcançar os Estados Unidos.
Navios de guerra dos EUA estacionados em Bahrain confrontam submarinos e navios de mísseis iranianos no Golfo. Em janeiro, um barquinho da Marinha dos EUA encalhou numa ilha iraniana. O Irã libertou os 10 marinheiros em 24 horas.
Mas as exigências belicosas para que os EUA retaliem já começaram.
Entretanto, em cada uma dessas regiões, o que está sob ameaça não são os interesses vitais dos EUA, mas os interesses de aliados que não cuidam de suas próprias obrigações de defesa, preferindo deixá-las para o Tio Sam.
E os EUA estão começando a se dobrar sob o peso de suas obrigações mundiais.
E se os EUA não têm nenhuma reivindicação quanto às rochas ou recifes no Mar do Sul da China — quem tem é Vietnã, Taiwan, Malásia, Brunei e as Filipinas —, por que é que os EUA estão entrando nessa disputa?
Se essas rochas e recifes são tão vitais que vale a pena arriscar um conflito com a China, por que não impor tarifas nos produtos chineses? Que as empresas e consumidores americanos paguem o preço de fazer guerra com o governo chinês, não os soldados, marinheiros e pilotos americanos.
Que a Coreia do Sul e o Japão preparem suas tropas para lidar com o Norte, e avisem o governo chinês: se a China não detiver o programa de armas nucleares de Kim Jong-un, a Coreia do Sul e o Japão prepararão suas próprias dissuasões nucleares. Meio século atrás, a Inglaterra e a França fizeram exatamente isso.
Por que os EUA precisam eternamente dissuadir e, se necessário, combater a Coreia do Norte?
E por que a defesa das repúblicas bálticas e da Europa Oriental é responsabilidade dos EUA? Esses lugares estão a 8.000 km dos EUA. Por que a Alemanha, que tem uma economia muito maior do que a da Rússia, não assume responsabilidade?
Mesmo durante os dias mais escuros da Guerra Fria, os presidentes dos EUA recusaram adotar ação militar na Hungria, Checoslováquia ou Polônia.
Quando a Rússia interveio ali, os EUA não fizeram nada. Quando foi que a independência da Europa Oriental se tornou um interesse tão vital que os EUA agora arriscariam uma guerra com a Rússia armada com armas nucleares para garanti-la?
Sob o Artigo 5 da OTAN, um ataque em alguma das 28 nações aliadas deve ser considerado um ataque a todas.
Mas é seguro que os EUA deem esse tipo de cheque em branco para Recep Tayyip Erdogan da Turquia que, meses atrás, ordenou a derrubada de um avião de guerra russo que cruzou o território turco por apenas 15 segundos?
Os EUA realmente querem deixar para o autocrata instável da Turquia a autoridade de arrastar os EUA e a OTAN para uma guerra com a Rússia?
Quando Neville Chamberlain em 1939 entregou uma garantia de guerra para uma junta de coronéis poloneses, que também tinham uma opinião exagerada de sua própria força e experiência militar, como foi que acabou no final para os ingleses?
Os EUA não deveriam abandonar as repúblicas bálticas ou a Europa Oriental. Mas os EUA deveriam excluir todo tipo de guerra entre EUA e Rússia na Europa Oriental e limitar a resposta americana às ações russas ali à esfera econômica e diplomática, pois com certeza o único perdedor de uma guerra entre EUA e Rússia na Europa Orienta seria a própria Europa Oriental.
Quanto ao Irã, os serviços de inteligência dos EUA declararam com confiança, em 2007 e 2011, que o Irã não tinha nenhum programa de armas nucleares.
Desde que o tratado nuclear do Irã foi assinado, 98 por cento do urânio enriquecido do Irã foi enviado para fora do país; não mais que 20 por cento de urânio enriquecido está sendo produzido; o reator de Arak que podia ter produzido plutônio foi desfeito e reconfigurado; e inspetores nucleares estão fervilhando em todas as instalações.
Todo esse falatório sobre o Irã tendo um programa secreto de armas nucleares e testando mísseis intercontinentais está vindo, e isso não é surpresa alguma, dos mesmos indivíduos que garantiram aos EUA que o Iraque tinha armas de destruição em massa.
A meta é a mesma: Fazer os EUA se precipitarem em outra guerra, bem longe, contra uma nação que eles querem ver esmagada.
Desde o final da Guerra Fria em 1991, os EUA estão sangrando sem parar e sofrendo uma lenta falência. Os EUA estão agora gastando muito além do que podem, como estava o Império Britânico na década de 1940.
E tal qual o Império Britânico, os EUA também estão sendo desafiados por nações que buscam aumentar seu lugar ao sol — uma Rússia ressurreta, a China e o Irã. E os EUA estão sendo atormentados por fanáticos que os querem fora de sua parte do mundo, que eles desejam refazer de acordo com as visões de suas próprias religiões e ideologias.
É hora de os EUA reavaliarem todas as garantias de guerra que deram desde o início da Guerra Fria, para decidir quais, se é que há, ainda atendem aos interesses nacionais americanos em 2016. Afinal, as alianças pegam as guerras dos outros.
Isso não é isolacionismo. É colocar os EUA em primeiro lugar, e ficar fora das guerras de outras pessoas. Costumavam chamar isso de patriotismo.
Pat Buchanan é colunista do WND e foi assessor do presidente Ronald Reagan.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): America's imperial overstretch
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