19 de janeiro de 2016

Israel: Minha Primeira Impressão


Israel: Minha Primeira Impressão

Eguinaldo Hélio de Souza
“Memorável momento: pela primeira vez em nossas vidas pisamos a Terra Santa.” — Érico Veríssimo, Israel em abril
Se a primeira impressão é a que fica, então Israel ficará para sempre em nossos corações. Tendo estudado, escrito e ensinado sobre o assunto por anos, tive só agora privilégio de viajar através da Terra Prometida, conhecendo os locais onde ocorreram os fatos que confirmam a fé. Pude caminhar na região que permanece sendo de muitas formas o coração do mundo. Aquele pedaço de chão que ocupa tanto espaço nas narrativas históricas e na mídia atual estava diante de meus olhos e eu me encantei. Foi como reencontrar um velho amigo depois de tantos anos.
Cada sítio arqueológico, cada museu, cada paisagem de Israel, natural ou urbana, contém um algo mais, uma presença especial que não se explica com palavras. Vai muito além do roteiro turístico. Visitamos Israel com a alma. Ninguém vai para ali vazio. Chega ali com um mundo de expectativas, de crenças, de sentimentos. Carrega consigo inúmeras perguntas e espera ter todas as respostas ao final da viagem. Isto torna tudo mais vivo, mais interessante. Os espíritos se exprimem e se imprimem sobre as cenas. Olhamos para Israel ao mesmo tempo em que ele olha para nós. Homem e ambiente interagem não em um sentido ecológico, mas em um sentido espiritual muito mais profundo. Israel é mais do que Israel.
Tel Aviv, Carmelo, Corazin, Jericó, Tibérias, Mar da Galileia, Mar Morto, Qunram, Massada, Belém, Jerusalém... Livros de pedra onde as pedras clamam e o vento sussurra, falando de um tempo que foi e que é, de um lugar que outrora esperança milenar de um povo é agora a morada desse mesmo povo. Terra na qual habitou por quase dois mil anos suas memórias e seus anseios, tornou-se agora sua habitação, fazendo brotar novas esperanças e novos anseios. Tudo ali tem voz.
Nossos olhos não cansaram de ver e nem nossos ouvidos de ouvir as coisas preciosas daquela terra, onde o antigo e o moderno se encontram como em uma reunião de família. Naquele pequeno espaço geográfico a história é condensada, pois a profecia se encontra com a história e os sítios arqueológicos competem sadiamente com os pomposos edifícios. Em Israel não convergem apenas os três continentes, convergem também os três tempos. Passado, presente e futuro se encontram como se fossem um só momento indistinto. Como uma linha ininterrupta, em Israel a Bíblia vive e fala hoje como falou outrora. Temos a impressão que ali o sol da história não se põe, permanece sempre no centro do céu iluminando tudo por igual. Difícil explicar como. São as razões do coração das quais Pascal nos falou.
Ali nos fala o passado de uma forma grandiosa. Não é um passado mudo, inerte, estéril. Não são pedras mortas. São profetas da antiguidade testemunhando a um mundo cético, monumentos que proclamam a voz de Deus entre homens que há muito deixaram de buscar o som da eternidade. As inúmeras escavações são como janelas do tempo que expõe as raízes da grande árvore e revelam os fundamentos da atualidade. É um passado que não se extinguiu ou que se renovou como se sempre tivesse sido.
E o presente de Israel é tão encantador quanto o seu passado. Bairros que parecem ter saído das narrativas bíblicas competem em beleza com os altos edifícios em sua arquitetura moderna. O chip e a pedra caminham lado a lado em passos harmônicos, enquanto elevadores inteligentes ajudam aos ortodoxos a guardar o sábado. Nanotecnologia e tradição, fé e pesquisa científica, armamentos modernos e taliths não se excluem mutuamente. Na verdade se unem para compor o agora. Temos um presente que não se sobrepôs ao passado, mas chamou-o para junto de si como um filho chama ao pai.
E na convergência do passado com o presente inúmeras expectativas pairam no ar. Onde profecias proferidas há séculos transformaram-se em capítulos dos livros de história, profecias não cumpridas aguardam o momento de se revelar. O palco se projeta pouco a pouco e um futuro temeroso pode nele apresentar-se quando menos se espera ou se deseja. Não é verdade que todos os caminhos levam a Roma. Na verdade, eles conduzem a Jerusalém, à Israel e nós sabemos que ali se decidirão os dilemas da história. Israel também é futuro.
Por isso, deixamos Israel como quem deixa a pátria – desejando em breve retornar. Nosso coração cristão continua ali, aguardando nosso retorno para ajustar-se ao peito novamente. Permanece um forte sentimento de que apesar do muito que foi visto, muito mais, muito mais há pra se ver. Tantas pedras nos caminhos e tão poucas foram reviradas. Acreditamos haver segredos milenares escondidos embaixo de cada uma delas. Por isso queremos voltar. Nós nos recusamos a dizer que nossa fome foi satisfeita e nossa sede saciada. Queremos mais de Israel.
Como os judeus na diáspora, somos tentados a gritar aos nossos companheiros de viagem: “Até o ano que vem em Jerusalém”. Nossa jornada rumo à Cidade Santa está apenas começando.
Leitura recomendada:
Quem afinal precisa de Israel?

12 comentários :

Cicero disse...

Não é à toa, que é o centro do mundo!

Anônimo disse...

Admiro o pastor Eguinaldo, mas prefiro muito mais ouvir o divino Mestre: "Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai" (Jo 4:21).
Perdoe-me a sinceridade, mas, para mim, o centro do Universo se chama JESUS CRISTO; o que passar disso tem procedencia maligna!!!

Ass. Rodrigues

Anônimo disse...

Incrivel como o homem tem uma tendencia fortissima para a idolatria.
Vejo, na fala do pastor Eguinaldo, algo semelhante ao bezerro de ouro, feito pelos judeus quando perceberam a demora de Moises.
Que Deus nos guarde de alimentar essa e qualquer outro tipo de idolatria, incluindo o dispensacionalismo.

Ass. Rodrigues

Unknown disse...

Depois de ler os comentários do anônimo Rodrigues, voltei ao texto e não encontrei nada indicando ou sugerindo que Israel é o Centro do Universo.

Pastor Eguinaldo Hélio disse...

Para aqueles que acham que minha descrição poética de uma viagem a Israel significa idolatria, compartilho meu texto sobre a questão de Israel. Nem idolatria e nem exclusão do papel de Israel.

http://www.missaoatenas.com.br/ultimascoisas/?p=326

Anônimo disse...

RODRIGUES COMO VOCÊ SE DIZ CRISTÃO ,E DEFENDE O ANTISSEMITISMO,COMO PODE DIZER QUE AMA A DEUS E ODEIA OS JUDEUS, ISSO NÃO É DE DEUS QUE ODEIAS OS JUDEUS SÃO OS MULÇULMANOS OU COMUNISTAS. VOCÊ É O QUE? DIGA, O QUE VOCÊ É ?

Anônimo disse...

O primeiro comentarista disse que Israel é o "centro do mundo", mas, na minha humilde compreensao (e da Biblia), entendo que Cristo é o centro do UNIVERSO, ou seja, de toda e qualquer existencia, material e espiritual, dentro e fora do planeta Terra (Cl 1:16-17).
Quanto ao "antissemitismo" (citado por alguem), por certo, alguns leitores (possivelmente ecumenicos) realmente nao sabem o que isso significa, mostrando, por exemplo (e por semelhança) que (para eles) falar contra a conduta homossexual significa, de fato, homofobia.
Quer dizer, entao, que concordar com a Biblia significa ser antissemita? Fico com o que disse o apostolo Paulo, em Gl 4:24-25: "...porque estas são as duas alianças; uma, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos".
Qualquer pessoa tem o direito de alimentar essa maquina de fazer dinheiro, que se transformou Jerusalem terrena (a qual é escrava do pecado e da corrupçao), ainda mais se tal idolatria nao for feita com o dinheiro dos meus impostos (e ofertas).
Todavia entendo que essa emoçao que o nobre pastor Eguinaldo manifestou e sentiu (um "privilegio" que nao é sò dele) parece ser semelhante àquela que sentem os catolicos quando vao, por exemplo, a Aparecida do Norte ou à cidade de Fatima, em Portugal.
Tenho por mim que depois do relato do nobre pastor, muitos das suas ovelhas irao seguir o seu exemplo e, cheios de emoçao, partirao pro "Monte Sinai" (Agar), pra "ficar mais perto de Deus".
Termino, reproduzindo o que disse o apostolo Paulo, pelo Espirito Santo, sobre a Obra de Cristo: "Sabei, pois, que os que sao da fé sao filhos de Abraao...De sorte que os que sao da fé sao benditos como o crente Abraao. Todos aqueles, pois, que sao das obras da lei estao debaixo de maldiçao...Cristo nos resgatou da maldiçao da lei, fazendo-se madiçao por nòs...isso aconteceu para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios em Jesus Cristo...porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus...nisto nao hà judeus, nem grego... E se sois de Cristo, entao sois descendencia de Abraao e herdeiros conforme a promessa" (Gl 3:7-29).
Obs: perdoe-me, mas, na minha maneira de ver, toda aquele que idotra qualquer coisa, nega a cruz de Cristo, entristece o Espirito de Deus e està destinado à condenaçao eterna, seja judeu ou grego, servo ou livre, homem ou mulher (Ap 22:15).

Ass. Rodrigues

Pastor Eguinaldo Hélio disse...

Tenho segurança da minha posição quanto à importância do Israel étnico como essencial para a compreensão das Escrituras e o plano de Deus, independente de sistemas teológicos. Homens distintos e consagrados como Jonathan Edwards e Spurgeon defenderam a existência na nação como um fato claramente indicado nas Escrituras
Também repudio qualquer tipo de idolatria para com Israel e faço isso em minhas palestras e artigos
Por outro lado, como exponho continuamente, Jesus e não Israel é o centro de nossa fé.
Quanto ao Rodrigues, tem toda liberdade de discordar de mim. Foi respeitoso à minha pessoa e de maneira nenhuma me sinto desonrado por sua posição. Se ele permanecer nela ou mudar isso não será por meio de ofensas e acusações infundadas. É o conhecimento de Cristo e nosso amor a Ele que importa em primeiro lugar. Obrigado a todos

Cicero disse...

Caro Rodrigues,
se pegares um mapa-mundi verás que Israel/Jerusalém é o centro das terras geográficas do planeta.
Naturalmente tem uma relevância no contexto escatológico por vir, físico e espiritual, ainda que cheia de pecados por isso sofre tanto das investidas árabes.
Mas é e sempre será, a cidade do grande Rei - Mt 5:35.

Anônimo disse...

Nobre pastor Eguinaldo,
Tenho acompanhado seu trabalho, especialmente nos debates que o nobre amigo tem participado, demonstrando ser um estudioso da Biblia.
Respeito profundamente sua pessoa, embora discorde de sua posiçao dispensacionalista, o que, como o nobre amigo reconhece, é um direito de cada um de nòs.
Desejo-lhe sucesso e prossigamos para o alvo, ou seja, para a cidade que Abraao e todos os herois da fé sonhavam, cujo artificie e construtor é Deus, a Jerusalem celestial (Hb 11:10, Hb 12:22, Hb 13:14, Fp 3:20 e Ap 21:2,10).
Concluindo, indico aos leitores o seguinte texto para reflexao: http://descobrindoasverdades.blogspot.com.br/2014/07/teologia-e-exploracao-do-turismo-da-fe.html

Ass. Rodrigues

Luquinhas disse...

Rodrigues, se quer ser chato assim, então serei chato com vc, o nome não é Jesus Cristo, é Yeshua.

Anônimo disse...

Meu nome, em espanhol, é Rodríguez. Se quiser, pode chamar-me assim, nao muda absolutamente nada!!!
Elohim ivarech otách!

Ass. Rodrigues