19 de julho de 2015

Pesquisa no jornal Estado de S. Paulo aponta se paulistanos são progressistas ou conservadores


Pesquisa no jornal Estado de S. Paulo aponta se paulistanos são progressistas ou conservadores

Pesquisa constatou que cidadão é aberto para aspectos sexuais, mas sustenta pensamento conservador em temas coletivos

Paula Felix
Comentário de Julio Severo: Esta reportagem, do jornal Estado de S. Paulo, pretende dar uma visão dos paulistanos sobre questões conservadoras e progressistas. Embora muitos deles se inclinem para o PSDB, isso não é conservadorismo, mas esquerdismo muito mal disfarçado. O jornal afirma pretensiosamente que “70% dos 1.288 entrevistados acenaram positivamente para o casamento entre pessoas do mesmo sexo.” Eu gostaria de ver a pergunta exata que produziu a resposta dos entrevistados, pois geralmente o brasileiro, assim como o latino-americano, já é conservador. O que muitas vezes muda a postura deles como eleitores é a chance de ganhar benefícios sociais dos políticos, isto é, o brasileiro, assim como o latino-americano, votaria de bom grado num político que defendesse a família e ao mesmo tempo políticas socialistas de assistência social. Mas num caso em que ele tem de decidir entre um político pró-família não assistencialista e um político assistencialista antifamília, ele prefere o socialista. Esse é o caso por exemplo dos imigrantes brasileiros nos EUA. Expostos nos EUA a valores conservadores, eles defendem abertamente valores pró-família e, lá dos EUA, atacam entusiasmadamente o PT. Mas suas opiniões sobre preferências eleitorais nos EUA pendem para o Partido Democrático — o PT dos EUA —, pois só esse partido dá benefícios aos imigrantes e facilita a legalização dos imigrantes ilegais — situação de muitos brasileiros. Eles prefeririam votar num candidato pró-família e facilitador de políticas socialistas de benefícios sociais. Quando não é possível encontrar tal candidato, eles sacrificam, por um prato de comida ou outra facilidade, o que consideram menos importante: a defesa da família. Por isso, não dá para acreditar que a pesquisa relatada no Estado de S. Paulo produziu 70% de paulistanos a favor do “casamento” gay. Poucos anos atrás, um instituto ligado ao PT reconheceu o óbvio sobre a população brasileira, dizendo que 99% são “homofóbicos,” isto é, são de um modo ou de outro contrários ao homossexualismo. Seria interessante conhecer o malabarismo que foi feito para produzir esses 70%. Eis a matéria do Estado de S. Paulo:
SÃO PAULO — Abertura para liberdades sexuais e conservadorismo para propostas de promoção de igualdade social. Foi com um perfil complexo que o paulistano se apresentou em uma pesquisa inédita da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), que será lançada no próximo mês e que traçou o perfil sociopolítico do cidadão da capital.
Ao mesmo tempo em que 70% dos 1.288 entrevistados acenaram positivamente para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, 30% concordaram que, de alguma forma, a ditadura militar é melhor do que a democracia.
O paulistano, além de defendem valores individuais, crê na meritocracia. São 92% que acreditam que homens e mulheres devem receber salários equivalentes, mas 53% entendem que programas como o Bolsa Família estimulam a preguiça e que pessoas de baixa renda tenham mais filhos.
"Tem um senso comum que se difundiu que São Paulo seria mais conservadora que o resto do País, mas isso é mais complexo. O que a gente percebeu é que o paulistano é mais progressista nas liberdades sexuais, mas, quando a gente olha as questões de direitos sociais, de igualdade, há um conservadorismo", explica o economista William Nozaki , que é o coordenador da pesquisa.
O levantamento, intitulado "Conservadorismo e Progressismo na Cidade de São Paulo", foi feito na segunda semana de junho deste ano, durante oito dias, por meio de um questionário com 70 perguntas. Segundo Nozaki, ele foi motivado pelo quadro de polarização que começou a se espalhar no País e na capital principalmente após as manifestações de junho de 2013 e do segundo turno das últimas eleições presidenciais.
"O que constatamos é que não é correto fazer qualquer tipo de associação entre ser conservador e de direita e ser progressista e de esquerda. Há uma mistura noções de conservadorismo e progressismo no centro e na periferia da cidade que não cabem em um esquema engessado."
Contrastes. Ainda de acordo com a pesquisa, que tem 95% de confiança e margem de erro de três pontos porcentuais para mais ou para menos, 74% são a favor do respeito às diferentes expressões religiosas, 42% afirmam que os Direitos Humanos têm como objetivo a defesa de bandidos, 54% aceitam novas configurações familiares e 62% são a favor da redução da maioridade penal.
"A tradição e a modernidade se encontram na cidade, mas as ideias estão sistematicamente mudando. Isso revela que há uma complexidade ligada a um cosmopolismo e a um amplo acesso a possibilidades culturais e sociais encontradas em São Paulo. A cidade é permeada pela diversidade e pelas desigualdades", diz o pesquisador e professor da FESPSP Rodrigo Estramanho de Almeida.
Almeida diz que o estudo favorece não só ao entendimento do perfil do paulistano, mas também às novas formas de elaboração de políticas públicas e pode nortear movimentos organizados da cidade e educadores.
Divulgação: www.juliosevero.com
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