19 de abril de 2015

Marina Silva: A solução não está em renegar a esquerda e ir para a direita


Marina Silva: A solução não está em renegar a esquerda e ir para a direita

Julio Severo
Em entrevista ao Estadão, Marina Silva, que foi fundadora e ardente militante do PT por décadas e hoje é filiada ao Partido Socialista Brasileiro enquanto não cria a Rede Sustentabilidade, se mostrou “cautelosa” ao falar sobre um impeachment de Dilma Rousseff, dizendo que “não se pode enveredar por uma aventura.”
Marina Silva: A solução é não renunciar ao esquerdismo
Para ela, PT e PSDB deveriam trabalhar unidos numa só agenda pelo Brasil. “O natural seria o PT e o PSDB, dois partidos da social democracia,” disse ela, trabalharem “seus pontos de contato para estabelecer uma agenda essencial para o País.”
Quando a jornalista do Estadão lhe perguntou “Depois da frustração com a esquerda, vem aí uma saída pelo lado oposto?
Resposta de Marina:
A solução não está em renegar a esquerda e ir para a direita, não está na dualidade, na polaridade. Nós temos, sim, de lidar com o paradoxo. Quais os legados que devemos preservar? A estabilidade econômica não pode ser monopólio do PSDB nem a inclusão social é uma exclusividade do PT.”
Na minha opinião, a solução para o Brasil está, depois de orar e se arrepender diante de Deus, renegar, renunciar, abominar, detestar e repudiar todos os tipos de esquerdismos e outros satanismos.
Mas Marina pensa diferente: “A solução não está em renegar a esquerda” — essa é a face de um esquerdismo que em resposta aos problemas da esquerda, oferece mais esquerda como solução.
A jornalista então pergunta: “Como, se eles pedem explicitamente o ‘Fora Dilma’?”
Resposta de Marina:
“Essa é a agenda que eles colocam e eles têm toda a legitimidade para colocá-la. Aliás, eles aprenderam isso justamente com o PT. Era o ‘Fora Sarney,’ o ‘Fora Collor,’ o ‘Fora FHC,’ o fora qualquer um. Eu sei até porque eu era do PT. Mas, neste momento, mesmo sabendo da gravidade da crise, seria reducionismo político as lideranças políticas simplesmente fazerem o discurso que a sociedade quer ouvir.”
Essa entrevista foi feita em 18 de abril de 2015. Mesmo assim, durante todo o ano passado ouvi de importantes líderes evangélicos que Marina não é mais esquerdista. Certamente, Caio Fábio poderia confirmar essa extraordinária conversão em que Marina supostamente renegou a esquerda e foi para a direita.
Apesar das muitas declarações de Marina confirmando seu esquerdismo, muitos têm sido os esforços para retratá-la como “conservadora.”
O ChristianPost, um dos maiores sites evangélicos americanos, publicou em 1 de outubro passado estranha manchete identificando, para o público americano, Marina como “conservadora”: “Brazilian Evangelicals Hopeful About Possibly Electing Conservative Pentecostal Candidate” (Evangélicos Brasileiros Esperançosos com a Possibilidade de Eleger Candidata Pentecostal Conservadora).
Embora Caio Fábio, que é um grande conselheiro espiritual de Marina, diga que ela não é esquerdista, a realidade aponta para outra direção. Aliás, num bate-papo com Danilo Gentili e Olavo de Carvalho, Caio, que no passado trabalhou para unir evangélicos ao PT, atacou o PT e elogiou Marina. Isto é, ele atacou uma esquerda e elogiou outra esquerda. Isso está bem ao estilo de Marina: A solução não está em renegar a esquerda.
Se o PT é o problema, tanto Caio quanto Marina recomendam outras esquerdas.
Antipetismo não é necessariamente antiesquerdismo. A maioria dos militantes do PSDB é anti-PT, mas não é antiesquerdismo nem contra o “casamento” homossexual ou a adoção de crianças por duplas gays. Reinaldo Azevedo, que tem sido um grande mobilizador contra o PT e um grande militante do PSDB, é a favor do “casamento” homossexual e a adoção de crianças por duplas gays.
Marina não parece ser tão antipetista quanto seu mestre Caio Fábio. Mas é óbvio que ambos são liberais e esquerdistas.
Além disso, Marina chama, na entrevista, tanto o PT quanto o PSDB de “dois partidos da social democracia.” A social democracia e a esquerda em geral têm duas bandeiras implacáveis hoje: aborto e agenda gay.
Marina vê algo de errado nessas bandeiras? Se vê, ela nunca condenou nada. A Rússia, que no passado abraçava o mesmo esquerdismo que sempre foi a paixão desenfreada de Marina, hoje luta contra essas duas bandeiras, até mesmo se aliando ao Vaticano nessa guerra pró-família na ONU.
Como Marina espera se tornar a “conservadora” que seus milhares de fãs evangélicos anseiam se ela tem medo ou vergonha de assumir posturas verdadeiramente conservadoras, éticas e cristãs contra o aborto e a agenda gay?
Como Marina espera se tornar uma cristã de verdade se ela não consegue renegar, renunciar, abominar, detestar e repudiar o mal?
Ao que tudo indica, especialmente com a entrevista no Estadão, Marina saiu do PT, mas o socialismo e suas bandeiras malditas nunca saíram dela. Não é à toa que ela está hoje ideologicamente bem à vontade no Partido Socialista Brasileiro.
De acordo com um leitor do meu blog, Marina Silva rompeu com o PT por motivos pessoais e egoístas, não por divergência ideológica ou indignação ética. Para a eleição de 2010 à presidência da República, Marina se considerava a candidata “natural” do PT. Lula, porém, que não é bobo, vetou o nome dela porque ela, com uma história de vida semelhante à história dele, poderia ofuscar-lhe o brilho e substituí-lo como o mito das esquerdas. Lula preferiu a obscura Dilma, incompetente e burra como uma porta, mas que, por isso mesmo, lhe seria obediente e não colocaria em risco sua liderança pseudomessiânica. O homem põe e Deus dispõe. A escolha de Lula foi muito feliz: graças à incompetência crassa de Dilma, mais e mais brasileiros estão hoje contra o PT. Quanto à Marina, ela é apenas uma versão feminina de Lula, com uma Bíblia debaixo do braço para tirar voto dos trouxas.
Tanto Danilo Gentili quanto Olavo de Carvalho perderam uma oportunidade de ouro de darem um “Fora Caio” diante de suas camaleonices e denunciarem sua candidata-pupila, que diz que a solução não está em renegar a esquerda e ir para a direita.
De Caio, um apóstata enganador, não dá para se esperar nada. É difícil também esperar algo de Danilo e Olavo, que não conhecem o poder transformador do Evangelho.
Mas de Marina, que além de Caio conhece importantes líderes evangélicos, era de se esperar que ela verdadeiramente renegasse, renunciasse, abominasse, detestasse e repudiasse o esquerdismo, que em nada perde para o satanismo.
Com informações do Estadão.
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