4 de abril de 2015

Manifesto Comunista e o Monstro Leviatã


Manifesto Comunista e o Monstro Leviatã

Eguinaldo Hélio Souza
                Vários são os motivos que nos levam a afirmar que o Manifesto Comunista foi o pior livro produzido pela civilização ocidental. Se os editores fossem sensatos colocariam uma advertência na capa: “Cuidado, as ideias deste livro já fizeram muito mal ao mundo”. Se os professores fossem razoáveis ensinariam sobre os efeitos desse livro na história. Se os governos fossem sábios o deixariam ao lado do Mein Kampf de Hitler como sendo de igual ou maior periculosidade.
                Basta ver o tipo de Estado nele proposto. Sim, a utopia comunista prevê o fim do Estado. Antes, porém, tem que surgir o Estado monstro que a tudo domina e determina. Todas as coisas precisam ser por ele controladas e conduzidas até que o Novo Mundo paradisíaco surja, como se a serpente fosse a responsável pela entrada no Paraíso e não pela expulsão dele.
                Se nos países socialistas como URSS ou China o Estado matou, torturou, prendeu e perseguiu milhões, isso se deu porque exatamente esse era o plano. O Estado monstro é a única coisa que pode surgir do Manifesto Comunista:
O proletariado utilizará sua supremacia política para arrancar pouco a pouco todo capital à burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado.
Todavia, nos países mais adiantados, as seguintes medidas poderão geralmente ser postas: Expropriação da propriedade latifundiária e emprego da renda da terra em proveito do Estado; Imposto fortemente progressivo; Abolição do direito de herança; Confiscação da propriedade de todos os emigrados e dos contrarrevolucionários. (Isto é, quem não concordasse com as ideias de Marx); Centralização do crédito nas mãos do Estado por meio de um banco nacional com capital do Estado e com o monopólio exclusivo; Centralização, nas mãos do Estado, de todos os meios de comunicação e transporte. Adequação do sistema educativo ao processo de produção material (isto é, doutrinação comunista e anti-tudo o que não for marxista), etc [grifos e acréscimos entre parêntesis meu][1]
                Produção, crédito, terras, comunicação, transporte e educação – tudo nas onipotentes mãos do Estado. Eis a receita do Manifesto para criar o paraíso. “Dai-nos o controle absoluto e nós lhe daremos uma sociedade perfeita”. Eis o discurso proposto pela dupla Marx e Engels. Eis a receita para o inferno na terra. No fundo não se trata de um divórcio entre teoria e prática. Trata-se na verdade de um casamento perfeito entre teoria e prática. O Manifesto chocou o monstro e seus seguidores o trouxeram a luz.
                Claro que os discursos socialistas serão uma combinação perfeita de utopia e poesia. Sua prática, todavia, produzirá conforme seu DNA: um Estado monstruoso que usará de todos os meios para impor sua vontade.
Minhas palavras a você, seu animal sedento de sangue. (...) Você disse: “Abaixo as prisões, abaixo o fuzilamento, abaixo o serviço militar. Que os  trabalhadores assalariados também tenham segurança”. Resumindo, você prometeu montanhas de ouro e uma terra paradisíaca. (...) Então você, seu sanguessuga, veio e tirou a liberdade das mãos do povo. Em vez de transformar prisões em escolas, elas estão cheias de vítimas inocentes. Em vez de proibir os fuzilamentos, você organizou um terror, e milhares de pessoas são fuziladas cruelmente todos os dias; você paralisou a indústria, e os trabalhadores agora estão famintos, o povo não tem o que vestir ou calçar. (Carta de um soldado do Exército Vermelho a Lenin, 25 de dezembro de 1918)[2]
                O erro do soldado é o mesmo erro cometido por todos os que acreditaram nas propostas comunistas/socialistas sintetizadas no Manifesto: Crer que frutos doces nasceriam de plantas venenosas.
                A própria de ideia de “ditadura do proletariado” não passa de engodo. Os proletários foram ao longo do tempo se beneficiando do capitalismo. Não são eles que fazem a guerra e sim aqueles que dizem falar em seu nome. “Não é o proletariado que faz guerra ao capitalismo. É a seita ideológica que fala e age em seu nome[3].
                Essa foi a realidade da primeira revolução socialista que deu certo e de todas as demais desde então. Isso nunca mudará. O Estado monstro é o único resultado possível da política socialista.
                “A democracia socialista não é incompatível com a administração por uma só pessoa ou com a ditadura. Um ditador pode às vezes expressar a vontade de uma classe, já que às vezes ele sozinho é capaz de realizar mais  coisas e é, portanto, mais necessário” (Discurso de Lênin para o Comitê Central)[4]
                Pelo menos Hitler foi mais sincero, quando em seu livro defendeu que “o forte é mais forte sozinho”. Exerceu seu poder absoluto em seu próprio nome, enquanto o socialismo insiste em falar em nome de uma classe que em sua maioria o desaprova e que o desaprovaria na totalidade se pudesse antever o futuro que se avizinha.
                Alguém pode defender o marxismo e a democracia ao mesmo tempo. Todavia, será apenas mais um quadrado redondo defendido pelos iludidos.
“Há, efetivamente, os que se iludem com a ditadura do proletariado, com o governo direto das massas, com a abolição da hierarquia nas funções de governo, esquecidos de que – escreveu Queiroz Lima na Sociologia Jurídica – tudo isso não passará de aberração revolucionária, forçosamente transitória, própria para mascarar o efetivo predomínio de um grupo, de um partido, de um chefe” [Grifo meu][5]
                Está lá no Manifesto Comunista. Basta ler.
Outros artigos Pr. Eguinaldo Hélio Souza:
Leitura recomendada:
Outros artigos de Eguinaldo Hélio de Souza:


[1] MARX, K. e  ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996, pp. 35, 45
[2] SMITH, S. A. Revolução  Russa. Porto Alegre: L&PM, 2013, p. 76
[3] BESANÇON, Alain. A infelicidade do século. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000, p. 53
[4] SMITH, S. A. Revolução  Russa. Porto Alegre: L&PM, 2013, p. 85
[5] MENEZES, Geraldo Bezerra. O comunismo – Crítica Doutrinária. São Paulo: IBRASA; Rio de Janeiro: MEC, 1978, p. 156
Postar um comentário