4 de fevereiro de 2015

Scott Lively fala sobre a política externa dos EUA


Scott Lively fala sobre a política externa dos EUA

Scott Lively
Como vocês sabem, deploro o “jogo político” e continuarei a falar-lhes com clareza e agir com franqueza com relação às minhas opiniões e intenções.
Um dia depois da eleição de novembro nos EUA, troquei de partido, de Independente para Republicano, e estou considerando concorrer ao Congresso contra Richard Neal. Não fiz uma decisão firme, mas estou me inclinando nessa direção.
Há muitas razões por que prefiro deputado federal a estadual, mas uma delas é meu interesse na política eterna e preocupação com as ações desastrosas do governo de Obama no mundo inteiro. Estou postando um artigo abaixo que reflete com precisão minhas opiniões acerca de um aspecto do problema.
Estou de forma especial preocupado que os neoconservadores (leia-se: progressistas republicanos) estejam se alinhando ao governo de Obama contra a Rússia e estejam conjuntamente travando uma campanha de propaganda anti-russa que visa enganar os conservadores e levá-los a apoiar uma guerra armada com a Rússia.
Esse jogo não é apenas muito perigoso geopoliticamente, mas está roubando os conservadores sociais de sua aliança potencial mais valiosa no mundo hoje. Os conservadores americanos e russos poderiam hoje estar cooperando juntos para fazer o esquerdismo recuar no mundo inteiro. Mas, em vez disso, os marxistas culturais dos dois grandes partidos dos EUA (Partido Democrático e Partido Republicano) estão tentando causar divisão entre os conservadores com a mentira absurda de que a Rússia está tentando reviver a União Soviética.
Nem a Rússia nem seu presidente são infalíveis, e é impossível defendê-los contra uma campanha de críticas implacáveis. Ninguém, a não ser Jesus Cristo, é infalível. Esses são jogos psicológicos de guerra que a elite dos meios de comunicação joga: uma blitzkrieg retórica de desinformações, padrões duplos e sofismas.
Mas se fizermos a pergunta simples “Quais países do mundo e sua atual liderança se alinham mais perto das metas do Cristianismo bíblico e do conservadorismo ideológico?” é um assunto muito diferente.
Se avaliarmos os atuais líderes e países do mundo por esse padrão, Putin e a Rússia ficam com uma posição elevada na lista — certamente muito mais elevada do que Obama e sua versão dos Estados Unidos. Aliás, existe algum líder mundial falando em defesa de cristãos perseguidos no Oriente Médico como Putin tem falado? Existe alguma outra nação de “primeiro mundo” assumindo uma posição contra a agenda homossexual como a Rússia está fazendo?
Seja como for, leia o seguinte artigo:

George Friedman do Stratfor e o realismo na política externa dos EUA

Dr. Gilbert Doctorow
A entrevista de George Friedman ao jornal Kommersantnewspaper em Moscou, feita em dezembro de 2014 e republicada em inglês no site Russia-Insider e outras mídias alternativas, vem atraindo atenção considerável entre especialistas. O fundador e presidente do Strategic Forecasting Inc. (Previsões Estratégicas), mais conhecido como Stratfor, um serviço de informações e análise, fez muitas afirmações dignas de nota sobre as origens do atual confronto dos EUA com a Rússia por causa da Ucrânia que os grupos de discussão não poderiam simplesmente ignorar.
Entre as gemas, vemos a declaração realista que Friedman fez de que os Estados Unidos estão por trás do golpe de estado de 21 de fevereiro de 2014 que derrubou o governo democraticamente eleito de Viktor Yanukovich e levou ao poder os nacionalistas extremistas e forças pró-Ocidente de Maidan. Ele nos diz que ao fazerem isso, os Estados Unidos estavam meramente cuidando de seus interesses nacinais e servindo à sua política de cem anos de impedir toda e qualquer nação de se tornar uma potência hegemônica no continente europeu, um papel para o qual a Rússia estava mostrando potencial e intenção de alcançar.
A origem das preocupações dos EUA com a Rússia, a determinação americana de que a Rússia tem de ser contida ou desestabilizada ou distraída por novas ameaças de segurança que Friedman identifica com o conflito sírio de dois anos atrás, foi quando a Rússia demostrou que tinha a capacidade de exercer uma influência significativa e agir de forma contrária aos planos americanos no Oriente Médio, uma área de importância estratégica.
A reputação dele de presidir uma “CIA Paralela” (o modo como Barron descreve Stratfor) fez com que a ênfase que Friedman deu aos condutores da Realpolitik [governo da força] parecesse ser a voz do governo dos EUA, contando-nos a história real do que está acontecendo.
Na análise de Friedman, não existe dimensão pessoal. Obama está amarrado de pés e mãos; ele está fazendo o que qualquer presidente americano teria de fazer em face de uma Rússia que está se levantando. Não existe nenhum “czar Putin” e não existe nenhum “Estado mafioso.” Em vez disso, Friedman diz simplesmente: “É um assunto da divergência fundamental de interesses nacionais de duas grandes potências.”
As declarações de Friedman são ainda mais intrigantes para os analistas das relações russo-americanas, pois em linhas gerais correm em paralelo com as explicações acerca do conflito que aquele adepto total da Realpolitik, Vladimir Putin, deu várias vezes em suas importantes manifestações públicas de outubro a dezembro do ano passado.
O problema quando se aceita Friedman como conhecedor máximo de informações privilegiadas é que o que ele está dizendo entra em choque com a opinião geral dos principais protagonistas do governo dos EUA responsáveis por formular e aprovar a política externa dos EUA, bem como explicá-la à nação: o presidente, o governo, o secretário de Estado e seus assistentes, o Senado dos EUA. Essa opinião geral declara categoricamente que a ideia de Realpolitik e equilíbrio de poder são restos desgastados do século XIX e início do século XX. Nessa visão, estamos agora na política externa com base em valores, também conhecida como idealismo ou liberalismo.
Esse dogma estava tão arraigado que quando os russos agiram na primavera de 2014 para mudar as fronteiras europeias “pela força” (se acreditarmos na versão do governo americano) e retomar a Crimeia, que provocou um debate entre os filósofos a serviço do governo americano na elite de política externa. A Realpolitik estava ressuscitando ou pondo em questão as crenças de Fim da História dos neoconservadores, os principais promotores do idealismo?
Em sua contribuição ao debate iniciado pela revista Foreign Affairs (Assuntos Externos) em sua edição de maio-junho — “A Volta da Geopolítica” — G. John Ikenberry, professor da Universidade de Princeton, nos fez recordar que a arquitetura global das instituições financeiras, de defesa e outras instituições progressistas que os EUA colocaram em funcionamento no começo da Guerra Fria haviam continuado a se expandir depois que a Guerra Fria terminou. Essas instituições administraram a geopolítica conforme já estava planejado, sustentaram o império americano mesmo que isso não fosse compreendido pelos seguidores de Francis Fukuyama, os quais viam um futuro livre de guerras agora que as guerras com base em valores haviam sido resolvidas uma vez por todas.
Contudo, a edição de setembro-outubro de Foreign Affair trouxe um artigo de John Mearsheimer, professor da Universidade de Chicago, intitulado “Why the Ukraine Crisis Is the West’s Fault” (Por que a Crise da Ucrânia é Culpa do Ocidente), em que o liberalismo/idealismo é descrito como a cegueira ideológica da liderança política americana que levou os americanos a julgar mal os russos sobre a OTAN e a cruzarem as linhas vermelhas deles, levando ao atual confronto.
Na réplica a Mearsheimer na edição de novembro-dezembro de Foreign Affairs, Michael McFaul denuncia a Realpolitik de modo geral, enquanto Stephen Sestanovich afirma que os EUA, como a Rússia, não operam de forma exclusiva em sua política externa, e que seguem interesses nacionais, significando a velha política de poder, ainda que falem de uma linha política liberal.
Que conclusão devemos tirar disso?
Isso nos faz perguntar: Quem realmente controla a política externa dos EUA? É a minoria silenciosa que acredita numa política com base em interesses ou é a maioria volúvel que insiste em que valores de democracia e livre mercado têm de conduzir a política, que relações pacíficas são possíveis apenas entre países que os EUA qualificam como democráticos e que outros regimes têm de ser derrubados?
E por que isso importa? É importante porque a escola realista, por sua natureza, procura concessões num contexto de alinhamentos que estão sempre mudando entre países, ao passo a escola idealista, com sua ênfase em valores universais, não deixa espaço para concessão e fluxo.
Seria tranquilizador se Barack Obama, John Kerry, Samantha Power e Susan Rice falassem como George Friedman. Contudo, eles não falam, e essa é uma das razões por que observadores sérios, como Mikhail Gorbachev, que estão acompanhando o atual confronto estão expressando perplexidade com a possibilidade da atual Guerra Fria indo em novas direções, isto é, uma guerra armada entre os EUA e a Rússia, com consequências imprevisíveis e possivelmente catastróficas.
Traduzido por Julio Severo da mensagem de email enviada pelo Dr. Scott Lively.
Outros artigos sobre Scott Lively:
Sobre os neocons (neoconservadores):

17 comentários :

Sandra disse...

Irmão Júlio, através do seu blog conheci o site Mídia Sem Máscara, diariamente lendo com muita atenção tudo publicado lá. Estou confusa. Um colunista de nome Jefrey, aponta a Rússia como ameaça, no entanto seu compatriota Scott, AQUI, diz outra coisa. Em quem acreditar frente à opiniões tão opostas?

Julio Severo disse...



Cara Sandra, você deve estar querendo dizer “Jeffrey Nyquist,” um escritor americano divulgado há anos pelo Mídia Sem Máscara. Sim, parece que o assunto principal dele é a Rússia, sempre num tom muito azedo e apocalíptico. Mas ele não tem tanta influência no pensamento americano. Faça uma pesquisa no Google, como eu mesmo já fiz, do nome “Jeffrey Nyquist,” e veja o resultado. Geralmente, não passa de dez mil. Pode parecer muito, mas nos EUA, um escritor para ser moderadamente conheceido, tem de ter pelo menos 100 mil resultados no Google.

Já Scott Lively é um conhecido pastor americano, cujos resultados no Google ultrapassam de longe 100 mil. Aliás, até no meu caso, que sou desconhecido nos EUA, os resultados ultrapassam 100 mil.

Para quem é católico, há o Pat Buchanan, que tem escrito sobre a Rússia, mas sem o azedume e tom apocalíptico de Jeffrey. Buchanan, que já foi assessor de Ronald Reagan (o presidente mais conservador da história recente dos EUA), escreve com uma ótica realista, em vez de sensacionalista ou com motivações ultranacionalistas.

No Google, os resultados para Pat Buchanan ultrapassam 500 mil. Jeffrey não chega nem a dez por cento disso. As credenciais de Buchanan são de longe muito melhores do que as de Jeffrey.

Talvez a origem do pessimismo do Jeffrey seja que porque a Rússia era a União Soviética no passado, está condenada a ser União Soviética para sempre. Agir desta maneira, para nós evangélicos, equivaleria a tratar o Vaticano como eternamente genocida, pois a Inquisição católica, que queimou dezenas de milhares de judeus na fogueira, também é culpada de atrocidades semelhantes contra muitos milhares de evangélicos. Em vez de nós vermos o Vaticano como inimigo eterno por causa da Inquisição, temos dado apoio a ele nas causas católicas específicas contra o aborto e a agenda gay.

Do lado americano, exclusivamente por causa de patriotismo e ultranacionalismo, alguns querem a Rússia como eterna inimiga.

Do lado católico, há a guerra de quase mil anos entre Vaticano e os cristãos ortodoxos, cujas maiorias estão hoje na Rússia. Assim, muitos séculos antes de existir a União Soviética, o Vaticano já lutava contra os ortodoxos.

Do lado evangélico, muito antes de existir a União Soviética, a hostilidade principal da sociedade majoritariamente protestante dos EUA era contra o Vaticano, por causa dos crimes da Inquisição católica.

Mas nem todos seguem hostilidades. No encontro pró-família internacional que ocorreu meses atrás em Moscou, havia americanos, havia evangélicos e havia católicos. Eu também estava lá. Confira aqui: http://juliosevero.blogspot.com/2014/09/kremlin-realiza-encontro-internacional.html

Julio Severo disse...

Jeffrey tem uma postura radical, mas não pode falar por todos os americanos conservadores. E pelo visto ele fala para um público muito pequeno.

Mesmo no círculo de amigos dele, ele é visto como radical. Tenho contato com os amigos americanos dele. Um deles, que é um evangélico conservador e um profissional bem-sucedido, me recomendou um livro sobre Putin. O título do livro é “The War Against Putin: What the Government-Media Complex Isn't Telling You About Russia” (A Guerra contra Putin: O que o Complexo Mídia-Governo Não Está Lhe Dizendo sobre a Rússia). Esse americano discorda da forma como os EUA está há anos provocando a Rússia.

Se você quiser comprar a versão impressa desse livro, eis o link: http://www.amazon.com/The-War-Against-Putin-Government-Media/dp/1500316261/ref=cm_wl_huc_item

Ou você pode comprar pelo Kindle: http://www.amazon.com/War-Against-Putin-Government-Media-Complex-ebook/dp/B00RO3ISM8/ref=tmm_kin_swatch_0?_encoding=UTF8&sr=&qid=

Esse americano amigo do Jeffrey também me recomendou o livro “Economic Hit Man,” a história de um agente da CIA cuja missão era sabotar a economia de outros países para beneficiar os EUA. Para comprá-lo pelo Kindle, siga este link: http://www.amazon.com/Confessions-Economic-Hit-John-Perkins-ebook/dp/B001AFF266/ref=sr_1_1?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1423062457&sr=1-1&keywords=Economic+Hit+Man

Naturalmente, esta não é a opinião do Jeffrey. Mas é apenas uma das evidências de que Jefrey não é consenso nem mesmo entre os amigos dele.

O fato de Jeffrey ser fonte para muitos brasileiros se deve exclusivamente ao fato da ausência de outras fontes, especialmente porque muitos brasileiros não leem inglês. Ai de mim se não lesse inglês! Jeffrey seria a minha única fonte americana sobre a Rússia. Nesse ponto, posso humildemente recomendar algumas dessas outras fontes, inclusive o Rev. Scott Lively e o católico Pat Buchanan. Procuro sempre no meu blog disponibilizar informações que não são acessíveis em português. Lively e Buchanan são grandes escritores e colunistas no WorldNetDaily, o melhor site conservador do mundo!

Se você não consegue ler inglês, ore ao ler os textos do Jeffrey. Don Hank, um amigo americano, demoliu umas das previsões errôneas do Jeffrey.

Mas, falando como evangélico, se tivermos de adotar uma irracional postura anti-russa com base em argumentos de museu, deveremos também ser coerentes e adotar semelhante postura contra o Vaticano, que durante muitos séculos antes da União Soviética já tratava os evangélicos do mesmo jeito.

Manoel disse...

O texto do Scott mencionou Mikhail Gorbachev. Este cara era socialista!

Julio Severo disse...

Você está certíssimo, Manoel. Concordo com você. Às vezes, citam um homem importante por causa de alguma postura específica. Veja um exemplo. Todos sabemos do socialismo de Jimmy Carter e Franklin Delano Roosevelt. Mas hoje li um artigo do WorldNetDaily, um site muito conservador, em que o autor citou esses dois, Carter e Roosevelt. Não, não, o autor não concorda com o socialismo deles, mas concorda com algumas falas e atitudes, embora muitos americanos, extremamente patriotas, citem com paixão esses dois que nunca foram melhores do que Gorbachev.

Thiago disse...

Julio

Vc não vê que há uma guerra entre dois grupos que não prestam?

Globalistas Maçônicos (comandados pela usura e esoterismo) usurpadores do conservadorismo (travestido de neoconservadorismo) .

Contra

Esquerdistas odiadores de Israel e dos judeus, travestidos de eurasianismo e usurpadores do conservadorismo tradicionalista. (Em parte, o Mídia tem razão).

Nem Eua nem Rússia.

obs: os judeus comuns não têm nada a ver com o globalismo. Se o grupo ancestral que controla o capital financeiro fosse católico ou protestante, nós jogaríamos a culpa em cada membro da religião? Claro que não! O povo comum não pode pagar pelos erros de uma elite oculta.

O Julio postou no face:

“Meus irmãos, quero que vocês conheçam uma verdade secreta para que não pensem que são muito sábios. A verdade é esta: a teimosia do povo de Israel não durará para sempre, mas somente até que o número completo de não-judeus venha para Deus. É assim que todo o povo de Israel será salvo. Como dizem as Escrituras Sagradas: ‘O Redentor virá de Sião…’” (Romanos 11:25,26 NTLH)

Tá vendo, esse é o segredo que "fecha" a profecia.

O judaismo messiânico esta crescendo muito (ALELUIA, LOUVADO SEJA DEUS!), é mais uma profecia se cumprindo, conjuntamente com a expansão do cristianismo no extremo oriente.

Se a elite talmudista acha que vai implementar um governo mundial, está muito enganada! Sabe quem vai interromper os planos deles? Não será a Rússia nem será o Islão! (claro que, cada vez mais a hostilidade entre os três aumentará, e o cenário do "vale da decisão" se aproxima). Mas... O VERDADEIRO vencedor será O Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo na sua vinda poderosa. ALELUIA! LOUVADO SEJA DEUS!

Em vez de ficarmos tão preocupados com política, o que realmente importa é a nossa vida com Deus, devemos nos concertar com Ele, levar um vida correta em comunhão com os irmãos. A gente até pode gastar nosso tempo com politica, mas só como curiosidade intelectual, pois ela jamais poderá salvar a sua alma e dar sentido a sua vida; assim como não poderá trazer o paraíso na terra, prometido por comunistas, gramscinianos, socialistas fabianos e libertários progressistas (a não ser que esse paraíso se chame Coreia do Norte).

Sugestão de Louvor
Rose Nascimento - Portões Celestiais
www.youtube.com/watch?v=aclXLLGXnHU

Julio Severo disse...

Thiago, a questão do eurasianismo, como apontada pelos críticos que dizem que seu maior líder é Dugin, um seguidor do bruxo René Guénon (criatura abominável ora condenada ora elogiada ora promovida pelo dono do Mídia Sem Máscara), faz perder o foco da questão.

Os críticos anti-russos dizem que Dugin é quem dirige o conservadorismo da Rússia. Eu estava, meses atrás, em Moscou no maior congresso pró-família do mundo. Havia um número muito grande de líderes ortodoxos russos. Havia evangélicos. Havia católicos. Havia judeus. Havia Dugin? Claro que não. Ele nunca fez parte desse movimento. Mas faz parte do discurso de propaganda de ativistas anti-Rússia.

Dizer que Dugin é o maior líder do movimento conservador da Rússia é a mesma coisa que dizer que a Ku Klux Klan representa o movimento conservador dos EUA. Essa organização racista defende que os EUA devem ser anglo-saxões, protestantes e brancos. Ora, só porque eles dizem defender o protestantismo, isso significa que todos os protestantes concordam com eles? Claro que não. Seria como dizer que todos os católicos defendem a Inquisição. Como eu disse, eu estava em Moscou, e estive com os maiores líderes conservadores russos, inclusive o Patriarca. Houve várias palestras, e ninguém falou em Dugin, nem nunca apareceu nenhum Dugin lá.

Se há valores em comum entre Dugin e os conservadores, isso não o torna conservador. A Ku Klux Klan crê no porte de armas para defesa pessoal. Isso de forma alguma faz a Ku Klux Klan e conservadores iguais. Mas se crermos no estranho discurso dos que usam Dugin para sustentar suas propagandas anti-Rússia, deveremos, por coerência, aceitar que usem a Ku Klux Klan em propaganda contra todos os conservadores americanos. Isso é loucura! Cuidado com a propaganda enganosa, Thiago! O movimento eurasiano de Dugin representa tanto os russos quanto a Ku Klux Klan representa os americanos.

Julio Severo disse...

Thiago, esqueci-me de lhe dar o link do evento em Moscou. Aqui: http://juliosevero.blogspot.com/2014/09/kremlin-realiza-encontro-internacional.html

Você vai ver ali uma foto onde estou com Don Feder, um dos maiores judeus conservadores dos EUA. Ele é americano, de sangue judeu e segue o judaísmo. Sem a ajuda, inspiração e apoio de judeus como ele eu nunca teria conseguido ir a esse evento de Moscou. Uma das minhas maiores alegrias foi conhecer Don pessoalmente. Eu já o conhecia, 20 anos atrás, de correspondência e livros autografados, mas essa foi a minha chance de conhecê-lo pessoalmente. Isso foi o máximo para mim!

Don Feder, que muito ajudou esse evento, jamais ajudaria um evento com Dugin ou a Ku Klux Klan. Se Dugin fosse o maior representante do conservadorismo russo, a presença dele no evento de Moscou, ainda mais que foi no Kremlin, seria obrigatória.

Claro que os propagandistas anti-russos poderiam alegar que Dugin estava fantasgoricamente por trás de tudo, assim como, por honestidade, eles deveriam alegar que a Ku Klux Klan está por trás dos eventos conservadores americanos.

A Ku Klux Klan detesta Obama e seu marxismo. Repito: a Ku Klux Klan defende o protestantismo. Mas seria imoral igualar protestantismo com Ku Klux Klan. Seria imoral igualar posturas anti-Obama com a Ku Klux Klan.

Da mesma forma, seria imoral igualar movimento conservador na Rússia com Dugin.

Mas para os propagandistas anti-Rússia, qualquer informação é evidência suficiente para provar a ligação que eles querem vender de que Dugin é o dono e inspirador do movimento conservador na Rússia.

Ora, dias atrás um político do Partido Republicano foi exposto como participante de eventos da Ku Klux Klan. O que isso nos diz? Que todos os políticos do Partido Republicano pertencem à Ku Klux Klan? Que Ronald Reagan, que era do Partido Republicano, era da Ku Klux Klan? Que Scott Lively, que agora está no Partido Republicano, é também da Ku Klux Klan?

Entende agora, Thiago, como os que usam Dugin para destruir o movimento conservador da Rússia parecem não gostar de honestidade?

Thiago disse...

Julio,

Não entendo de Duguin, mas sei que a Russia está em aliança com o que há de pior (como se fosse possível...) no comunismo internacional. E outra, muitos sites e blogs que apoiam Putin, geralmente discursam também contra Israel e à favor de governantes esquerdistas... ou seja (com exceção de você), os outros apoiadores do Putin mantém um discurso "do tipo" brasil247.

O q quero dizer é: cuidado irmão, a esquerda "multipolar" (BRICS, Foro...) barra pesada apoia o cara.

Julio Severo disse...

Thiago, meu foco é conservadorismo e posturas contra o aborto e contra a agenda gay. Isso a Rússia tem feito muito bem na ONU. Agora, se por aliança comunista, você quer dizer que Putin está aliado com o Obama (o maior líder marxista da atualidade), então, concordo.

Entenda, porém, que se não podemos nos unir com os cristãos ortodoxos na luta contra o aborto e a agenda gay porque Putin é aliado do maior marxista do mundo (Obama), também não podemos nos unir com católicos, pois o maior líder cristão marxista do mundo hoje é o Papa Francisco.

Daniela disse...

Puxa! O debate aqui está me trazendo muita luz na cabeça. Preciso aprender muito com vocês.

Thiago disse...

A postura conservadora dele está mais do que correta, essa não é a questão. O problema está no uso politico da mesma. Entendo seu dilema. Em conservadorismo moral, nota 10. Mas em alianças politicas nota 0. É complicado irmão. O negócio é apoiar ele em pontos específicos e com muita ressalva.

Obrigado por responder, não me leve tanto à sério, só tô dando a minha opinião q não vale nada. Um abraço irmão... (nós estamos no meio de um tiroteio entre dois grupos poderosíssimos). Parabéns pelo seu trabalho.

Julio Severo disse...

Parece-me que certas alianças da Rússia com países ex-parceiros da antiga União Soviética são mais para objetivos de resistência militar. A hegemonia dos EUA é quase total, sobre quase todos os países. E a superpotência americana, para assegurar 100 por cento da hegemonia mundial, decidiu sufocar a Rússia, que tem pouquíssimos países para escolher para fazer resistência. Todos os outros já estão sob o poder e influência americana. A Rússia ortodoxa está tentando sobreviver num mundo americanamente hostil. Pelo menos, se os EUA fossem a maior nação protestante PRATICANTE do mundo, essa hegemonia seria bem-vinda. Nesse caso, os EUA protestantes PRATICANTES não focariam na Rússia, mas no islamismo como a maior ameaça. E a Rússia não precisaria se unir a qualquer país do mundo para sobreviver a uma potência hegemônica ameaçadora.

Note, Thiago, que se formos levar pelo lado de aliança, o país islâmico mais perigoso do mundo é a Arábia Saudita, considerda a maior promotora e financiadora do terrorismo islâmico mundial. O maior aliado desse país são os EUA…

Qual é o maior país comunista do mundo? É a China. Quem está mais alimentando o monstro comunista chinês? Os EUA. Desde o governo Nixon (republicano e “conservador”), os EUA deram para China condição especial de comércio, significando que todas essas décadas os EUA transferiram suas fábricas para a China sem levar em conta violação de direitos humanos e trabalho escravo.

Com o dinheiro americano dessas fábricas na China, os comunistas chineses estão construindo o maior exército comunista do mundo.

Mesmo assim, sou amigo e apoio os conservadores cristãos dos EUA.

Mesmo com as falhas russas, apoio os conservadores russos.

Mesmo com a Inquisição católica e os inúmeros escândalos financeiros e sexuais do Vaticano, apoio as posturas pró-vida e pró-família do Vaticano.

Mesmo sabendo que vários membros da Frente Parlamentar Evangélica estão envolvido em corrupção e até prostituição, apoio suas ações pró-vida e pró-família…

Mundo louco, não?

Julio Severo disse...

Para chegar a essas conclusões, não precisamos nos guiar por teorias de conspiração contra os EUA ou contra a Rússia. Basta usar o bom senso. É isso o que sempre faço.

Roberto disse...

Vc deve estar mentindo. Se o Jeffrey está no Mídia Sem Máscara deve ser um americano mais popular do que vc diz. Vc deve é estar com inveja de não ser tão famoso quanto ele.

Julio Severo disse...

William Murray, diretor da Coalizão de Liberdade de Religiosa com sede em Washington, também pensa que o ideal é os conservadores dos EUA e Rússia se unirem. Murray tem enviado de alimentos e roupas para cristãos vítimas dos radicais islâmicos que lutam para derrubar o governo sírio. Leiam o excelente artigo do Murray, que era marxista no passado mas se converteu para Cristo. Aliás, a mãe dele era uma famosa marxista ateísta reponsável, na década de 1960, por uma ação judicial que cuminou na proibição da oração nas escolas americanas. Acredito que através das orações do povo de Deus, o filho dessa marxista se converteu e hoje é um grande defensor de cristãos oprimidos. Eis o artigo do Murray: A principal ameaça para os EUA e a Rússia: O islamismo radical, não os EUA ou a Rússia: http://juliosevero.blogspot.com/2014/09/a-principal-ameaca-para-os-eua-e-russia.html

Anônimo disse...

Jeffrey não faz sucesso nos EUA. Só no Brasil, no Mídia Sem Máscara. Porém mesmo a direita brasileira vê Jeffreu como fofoqueiro. Palavras de Luciano Ayan, http://lucianoayan.com/2014/06/22/por-que-as-picuinhas-de-jeffrey-nyquist-sao-tao-contraproducentes-para-a-direita/

Mateus S.