27 de janeiro de 2015

O amor dos cristãos americanos pelo Estado amante de guerras está matando outros cristãos


O amor dos cristãos americanos pelo Estado amante de guerras está matando outros cristãos

Quando os evangélicos começarão a compreender claramente a farsa?

Chuck Baldwin
Comentário de Julio Severo: Uns dez anos atrás, o foco da esquerda, inclusive evangélica, era George Bush e a guerra americana no Iraque. Era comum ver a revista Ultimato atacando o presidente evangélico americano dizendo que ele havia mentido sobre armas químicas no Iraque. Do lado evangélico conservador nos EUA, o maior motivo para apoiar Bush era proteger Israel. Proteção a Israel é sempre uma das prioridades de política externa dos evangélicos conservadores. Mas deixando de lado a questão de armas químicas, a guerra no Iraque valeu a pena? A esquerda nunca examina os erros de seus líderes. No caso da guerra do Iraque, Bush foi atacado como conservador por toda a esquerda mundial, inclusive evangélica. Mas quando o esquerdista Obama assumiu e prosseguiu a guerra no Iraque e no Afeganistão, a estridente oposição esquerdista à guerra desapareceu. Se a motivação para atacar Bush era a guerra americana nesses países, a motivação se evaporou com Obama prosseguindo as mesmas guerras. Mas quero ir ao lado prático: qual foi o resultado da guerra americana no Iraque? Antes da guerra, havia uns 2 milhões de cristãos. Hoje, são menos de 400 mil e diminuindo. Além disso, depois da guerra, a al-Qaeda, que antes não tinha espaço no Iraque, domina hoje quase um terço dessa nação. Isto é, a guerra americana ajudou o terrorismo islâmico e fortaleceu a perseguição aos cristãos.
Desde o governo de George W. Bush, os pastores e as igrejas evangélicas têm os mais estridentes líderes de torcida nos Estados Unidos para praticamente todos os atos de guerra dos EUA contra países estrangeiros. Para pastores como John Hagee, guerras de agressão no Oriente Médio são baseadas na noção de proteger Israel — ainda que as intervenções militares dos EUA só tenham servido para tornar a vida mais perigosa para Israel. Mas deixando Israel de fora da equação, os evangélicos são os primeiros a proclamar apoio às guerras de agressão dos EUA. Eu até sugeriria que o hino favorito da maioria das igrejas evangélicas nestes dias não é mais o “Maravilhosa Graça” de John Newton, mas o “Joguem Muitas Bombas no Irã” do senador John McCain.
Eu iria ao ponto de dizer que as igrejas evangélicas se tornaram o melhor amigo que o complexo de indústrias militares dos EUA já tiveram. São deputados e senadores de regiões e estados carregados de igrejas evangélicas que continuam a despejar ilimitados milhões de dólares de impostos de renda para o Estado Amante de Guerras. Pode-se até argumentar que na maioria das igrejas evangélicas americanas, o princípio de Jesus “Abençoados são os pacificadores” mudou para “Abençoados são os provocadores de guerras.”
Vamos deixar as coisas claras: guerra perpetua é uma ferramenta dos elitistas e globalistas para escravizar os cidadãos dos EUA. Enquanto os EUA estão matando milhares de pessoas no exterior (a maioria das quais são inocentes) — tudo na pretensão de “libertá-las” —, os EUA estão apertando a corda da tirania em volta do pescoço do povo americano. No nome da “Guerra contra o Terrorismo,” a mais sofisticada sociedade de monitoração da história da humanidade está sendo criada exatamente nos Estados Unidos. Com o advento da Lei Patriótica e do Ministério de Segurança Nacional (Department of Homeland Security [DHS]) durante o governo de George W. Bush, o governo dos EUA construiu (e continua a construir) um estado policial que não para de crescer. O que Josef Stálin, Mao Tse-tung e Adolf Hitler sonhavam, o governo dos EUA está fazendo. E em grande parte, os evangélicos americanos não veem nenhum problema nisso.
Mas o que realmente está acontecendo nos países que são palcos dessas intermináveis guerras que supostamente os está “libertando”? E especificamente, o que está acontecendo com os milhares e milhões de cristãos dentro desses países depois que o governo dos EUA os “libertou”? Afinal, as igrejas evangélicas americanas de todas as denominações gastam milhões de dólares todos os anos enviando missionários ao mundo inteiro para evangelizar as pessoas. Temos assistido a muitos filmes missionários. Temos escutado muitas pregações veementes e chorosas nos implorando para nos envolver em missões. Um dos elementos mais sagrados de todas as igrejas cristãs é missões.
Por isso, de um lado os evangélicos estão chorando, orando e dando milhões de dólares para evangelizar pessoas no mundo inteiro e por outro, eles estão liderando as campanhas dos EUA para fazer chover morte e destruição sobre essas mesmas pessoas.
Sem considerar a total contradição de igrejas fervorosas em missões e guerras, o que todas essas guerras intermináveis estão realizando para os cristãos que vivem dentro dos países que os EUA estão “libertando”? O que todas essas guerras apoiadas pelos evangélicos dos EUA estão fazendo para o povo de Deus no mundo inteiro? A resposta chocará a maioria dos evangélicos.
De acordo com uma reportagem do Infowars.com: “Em regiões em que os EUA gastaram bilhões de dólares e onde milhares de preciosas vidas americanas foram sacrificadas, igrejas estão regularmente sofrendo ataques de bomba, os cristãos estão sendo brutalmente degolados e leis têm sido aprovadas para tornar ilegal um muçulmano se converter ao Cristianismo. Se os EUA não puderam nem mesmo dar as liberdades mais fundamentais para as pessoas que vivem nessas nações, o que foi que os EUA realmente conseguiram realizar ao ‘libertá-las’?”
“Apenas dê uma olhada no que aconteceu com o Afeganistão. Os EUA estão em guerra no Afeganistão há mais de 12 anos, mas as coisas estão tão ruins para os cristãos nesse país que hoje não sobrou nenhuma única igreja cristã…”
A reportagem também diz: “No Iraque, a tragédia é a mesma. Estima-se que antes da invasão americana, havia uns 2 milhões de cristãos vivendo no Iraque. Agora, esse número caiu para menos de 450.000, e continua caindo rapidamente.”
“Aliás, as coisas estão tão sombrias para os cristãos do Iraque que alguns líderes iraquianos estão alertando que os cristãos logo poderão se extinguir nessa nação…”
A reportagem declara: “Na Síria, o governo de Obama está sem nenhuma vergonha se aliando a jihadistas radicais da al-Qaeda numa tentativa desesperada de derrubar o governo de Assad.”
“Enquanto esses jihadistas estão torturando, degolando e até crucificando cristãos, a grande mídia nos Estados Unidos está virtualmente em silêncio sobre isso.”
“Por que os meios de comunicação estão tão silenciosos?”
“Pelo simples fato de que expor o que está acontecendo faria o governo de Obama parecer ruim.”
“Os que estão perseguindo os cristãos na Síria estão sendo diretamente financiados e ajudados pelos governos dos Estados Unidos e Arábia Saudita.”
Veja a reportagem aqui:
Dá para se dizer a mesma coisa dos cristãos no país da Líbia.
Mas lembre-se de que essas guerras de agressão começaram prá valer sob o governo “cristão” de George W. Bush e tiveram prosseguimento durante todo o governo de Barack Obama. Aliás, o fato de que Obama está continuando a política de guerra preventiva de Bush é a única coisa do governo de Obama que a maioria dos evangélicos americanos realmente apoia.
E por favor entenda que o que está acontecendo com os cristãos em países do Oriente Médio tais como Afeganistão, Iraque e Síria aconteceu em todos os outros países que o governo dos EUA escolheu pressionar — ou por intervenção militar ou sanção econômica — inclusive a Nigéria e o Sudão.
Uma reportagem do National Review Online declara: “Indicadores proeminentes confirmam que os EUA são os principais facilitadores da perseguição aos cristãos no mundo inteiro hoje.”
“De acordo com a recém-lançada Lista de Vigilância Mundial de 2014 que classifica os 50 países onde os cristãos são mais perseguidos, a Síria é o terceiro pior país do mundo para ser um cristão, o Iraque é o quarto, o Afeganistão é o quinto e a Líbia é o décimo-terceiro. Todos os quatro países recebem a designação mais forte, de ‘extrema perseguição’ (outras designações são perseguição de nível: ‘grave,’ ‘moderado’ e ‘raro’).”
“Além de estarem tão juntas e serem duramente classificadas, essas quatro nações têm outra coisa em comum: um grande envolvimento dos EUA. Três delas (Iraque, Afeganistão e Líbia) foram ‘libertas’ graças às forças armadas americanas, enquanto que na quarta, a Síria, os EUA estão patrocinando ativamente os ‘combatentes da liberdade’ contra o governo sírio, muitos dos quais merecem o rótulo de ‘terroristas.’”
O autor dessa reportagem, Raymond Ibrahim, finaliza dizendo: “Muitas vezes me perguntam, ‘Como podemos ajudar os cristãos perseguidos?’ Neste ponto, deve-se responder: ‘Que tal começar fazendo com que o governo dos EUA deixe de ser o principal facilitador da perseguição aos cristãos?’ Deixando o altruísmo de lado, seria do interesse de todos os que prezam a liberdade, religiosos ou não — e, especialmente, seus descendentes.”
Leia reportagem em:
Fico pensando no que a vasta maioria dos evangélicos americanos pensaria se percebessem que quando eles apoiam todas essas guerras preventivas no mundo inteiro — principalmente no Oriente Médio — eles são na realidade a grande causa de boa parte das perseguições contra seus irmãos e irmãs em Cristo. Eu tremo quando penso no que os cristãos dos EUA dirão para seus irmãos no Céu que foram selvagemente martirizados devido às guerras de agressão que eles, os cristãos dos EUA, apoiaram com tanto entusiasmo.
O Estado Amante de Guerras dos EUA, completo com seu complexo industrial militar, está facilitando a mais chocante perseguição aos cristãos desde os dias de Stálin, Hitler e Mao e está transformando a terra dos livres num gigantesco Estado policial. Quando é que o povo americano vai começar a compreender claramente essa farsa? Quando é que os pastores e os cristãos dos EUA começarão a compreender claramente essa farsa?
Se os pastores e as igrejas evangélicas dos EUA cessassem seu apoio constante a todas essas guerras em outros países, se eles reconhecessem o perigo — no mundo e nos EUA — que o complexo industrial militar americano representa e se eles começassem a colocar os interesses dos EUA acima de suas preocupações provincianas com países estrangeiros favorecidos e opiniões e interpretações escatológicas pessoais, o Estado Amante de Guerras se desmoronaria.
A Igreja sempre foi a bússola dos EUA; e neste momento, a bússola está quebrada, e o navio do Estado está sem rumo.
Traduzido por Julio Severo do artigo de Chuck Baldwin: Christians’ Love Of The Warfare State Is Killing Other Christians
Leitura recomendada:

6 comentários :

Anônimo disse...

seria melhor acabar de vez http://blogs.ne10.uol.com.br/jamildo/2015/01/26/levy-fidelix-anuncia-candidatura-prefeito-de-sao-paulo-e-promete-tirar-passeata-gay-da-avenida-paulista/

Flavio Jm disse...

Concordo em grande parte com o texto, e acrescento: a Grande Babilônia nada faz para proteger os cristãos do Oriente simplesmente porque estes são católicos (latinos, ortodoxos e assírios ). O preconceito da elite saxã, calvinista e maçônica aos católicos é gigante e lamentável, afinal são considerados idólatras seguidores de Maria. Ou estou errado? Alguém que já morou nos EUA consegue me desmentir?

Leandro disse...

Não, Flavio, seu raciocínio está errado.

Na Nigéria e outros países da África, onde há equivalência de protestantes e católicos (ao que parece a Boko Haram não faz a menor distinção entre eles) entre as comunidades atacadas, e mesmo assim a posição da administração dos Estados Unidos tem sido a de não interferência – quando não de certa cumplicidade, como a queima de dezenas de igrejas, em sua maioria da Assembleia de Deus, no Quênia, assim que assumiu o presidente Obama.

Flavio Jm disse...

A Nigéria tem protestantes no sul Leandro, o norte são católicos majoritariamente, das antigas missões do século 18. E é lá no norte que o Boko atua, querendo a divisão do país. E a Nigéria eh campeã no petróleo, a terceira maior reserva mundial.

Cicero disse...

Não é os EUA. São os Illuminatis que vivem de guerras.

Leandro disse...

Flavio, você está desajustando grevemente os fatos para se encaixarem em suas opiniões distorcidas.

O norte da Nigéria não é majoritariamente católico (e nem poderia ter sido fruto de missões do século XVIII, pois nessa época a presença cristã só era possível no sul, já que todo o norte estava sob o domínio do califado Sokoto e é hoje esmagadoramente islâmico). Os cristãos estão principalmente no sul, sem uma divisão geográfica nítida entre católicos e protestantes (apenas uma ascendência maior do catolicismo na região de Biafra).
Os radicais islâmicos têm atacado, indistintamente, igrejas católicas e não-católicas na Nigéria e outros países africanos (o que atinge não apenas católicos, mas diferentes credos cristãos). Baga, uma cidade cristã no extremo-norte, evangelizadas por uma missão anabatista, foi praticamente destruída.
Apenas no mês passado, por causa das charges na Charlie Hebdo (o que temos a ver com isso?), sete igrejas evangélicas foram incendiadas na capital do Niger, e a catedral católica só não foi também porque a polícia conseguiu se concentrar e impedir.

Isso já é possível para refutar essa teoria tola de que os EUA estão inertes porque as minorias cristãs atacadas não são católicas.

Além disso, esses problemas não estão só na África. Também na Índia, Paquistão e Indonésia se registram ataques furiosos - e novamente não fazem a menor distinção entre católicos e não-católicos. Quando ocorrem esses ataques, tanto padres e freiras quanto pastores e missionários são brutalmente assassinados, sem distinção.
Na China, a perseguição também não faz a menor distinção entre credos.