16 de janeiro de 2015

Com quem os calvinistas brigam?


Com quem os calvinistas brigam?

Julio Severo
A resposta à pergunta “Com quem os calvinistas brigam?” é muito fácil de dar no Brasil: com os neopentecostais.
Mais fácil ainda é encontrar teólogos calvinistas, da linha “apologética,” detectando e atacando mil e uma “heresias” dos neopentecostais.
Os neopentecostais não são perfeitos. Eles têm muitos defeitos. Mas os constantes e insistentes ataques mostram muito mais do que uma preocupação “apologética” dos calvinistas, que declararam guerra ao neopentecostalismo.
Conversei ontem com um membro da Assembleia de Deus, formado em teologia. O homem se tornou fã do calvinismo, expressando os mesmos sentimentos antineopentecostais dos calvinistas. Quando verifiquei seu Facebook, lá estava ele, conscientemente ou não, divulgando um grande “apóstolo” da Teologia da Missão Integral (TMI).
Por que depois de absorver o calvinismo um pentecostal se torna antineopentecostal e amável com a TMI?
Ontem também tive contato com um evangélico de São Paulo, cuja igreja foi fundada por um pastor que saiu de uma grande igreja neopentecostal. Agora, o pastor está fazendo teologia na Universidade Mackenzie, que ao mesmo tempo que ensina teologia calvinista e antineopentecostalismo, não perde a oportunidade de promover a mentalidade da TMI entre seus alunos de teologia.
Num culto recente, o pastor ex-neopentecostal colocou uma música popular brasileira no lugar do louvor e a pregação focou na “opressão dos ricos contra os pobres,” à la Ariovaldo Ramos, que, por coincidência, também prega nessa igreja (e já deu aulas no Mackenzie durante a chancelaria de Augustus Nicodemus) e é um dos maiores “apóstolos” da TMI no Brasil.
O Mackenzie, que espelha a elite calvinista do Brasil, não está na linha de frente contra a TMI. Pelo contrário, essa teologia marxista maligna é promovida ali sem nenhum entrave. Mas dons sobrenaturais do Espírito Santo como profecia são integralmente repudiados por essa instituição presbiteriana.
O pastor ex-neopentecostal é agora também antineopentecostal.
Em ambos os casos, o assembleiano e o pastor absorveram as brigas dos calvinistas e, por tabela, também a TMI, que é um mal avassalador no calvinismo brasileiro. Aliás, já foi denunciado, no artigo “A maior ameaça à Igreja Evangélica do Brasil,” que os calvinistas “apologéticos” que estão na linha de frente contra o neopentecostalismo também estão, direta ou indiretamente, na linha de frente da promoção da TMI. A briga calvinista antineopentecostal pode então ser mera camuflagem para a expansão da TMI.
A briga dos calvinistas é só com os neopentecostais? Pelo quadro brasileiro atual, aparentemente sim. Mas o quadro calvinista não começou no Brasil. O calvinismo tem quase 500 anos e, de acordo com Dave Hunt, que era especialista em apologética, tem um histórico de briga com tudo e com todos.
Hunt, que era um protestante tradicional, denunciou, em dois vídeos, que calvinistas radicais sequestraram o termo “reformado” para praticamente significar “calvinista,” o que não corresponde à verdade. Daí, por esse “sequestramento,” vê-se como os calvinistas empurraram os luteranos (que são os primeiros e legítimos reformados e evangélicos) para escanteio. Os calvinistas se acham os verdadeiros donos da Reforma, do Evangelho e da Bíblia.
Se os luteranos fossem briguentos, lutariam contra esse “sequestramento.” Mas eles não gostam de brigar.
E se houvesse apenas calvinistas no Brasil e nenhum pentecostal e neopentecostal, tudo seria paz, harmonia e tranquilidade entre os evangélicos? Não. Ainda assim haveria muitas brigas.
Nos dois vídeos importantes, Dave Hunt aponta que a história do calvinismo, dentro do protestantismo, é a mais briguenta: calvinista brigando com católico, calvinista brigando com luterano, calvinista brigando batista e, para variar, calvinista brigando com calvinista!
Para complementar a análise de Hunt, no Brasil “calvinista brigando com neopentecostal.”
Os dois vídeos de Hunt estão aqui:


Para quem acha que Hunt radicalizou, é só conferir as palavras de Joseph Farah, dono do WorldNetDaily, um dos maiores portais conservadores do mundo, que anunciou publicamente que deixou a Igreja Presbiteriana. O artigo dele é “Por que nunca mais serei presbiteriano.”
Desculpem-me os calvinistas de bom coração, mas a descrição de Hunt é que se os calvinistas brigam, isso faz parte de sua natureza e história. Não importa se o vizinho é luterano, batista, católico ou mesmo calvinista, os calvinistas sempre conseguem um jeito de brigar.
Daí, importa muito menos se o vizinho é neopentecostal. Eles sempre brigarão com tudo e com todos.
Não sei quando os calvinistas vão lidar com sua natureza, mas um dia esse espírito de briga irracional precisa terminar.
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