9 de novembro de 2014

Conhecimento, sozinho, não transforma


Conhecimento, sozinho, não transforma

George Otis
Seis meses após o lançamento do primeiro vídeo da série Transformações, nosso ministério foi inundado com pedidos de todas as partes dos Estados Unidos para que fôssemos visitar suas cidades e falássemos sobre os caminhos de Deus, sobre os princípios de transformação.
Na época, não estávamos preparados; não sabíamos quais eram tais princípios. Precisávamos de tempo para observar tudo isso. Agora, um bom tempo depois, já conseguimos reunir palestras feitas por catalisadores de avivamento, de todas as partes do mundo, que esboçam, de forma clara e sequencial, os caminhos de Deus para trazer avivamento e preparar as comunidades para receber o Senhor dos exércitos. Estamos montando um material excelente, com testemunhos, entrevistas e ensinamentos, um currículo com várias horas de duração denominado A Jornada Rumo à Transformação.
É importante, porém, entender que não somos transformados simplesmente por submeter-nos a um exercício cognitivo. Em outras palavras, para ver sua comunidade transformada, você adquire esse curso com 20 DVDs. Aí, você assiste ao primeiro e pergunta: “E, agora, onde está o DVD número 2?” Você assiste ao segundo, ao terceiro, à sequência toda, e, quando chega ao último, você já está transformado! É incrível como isso funciona! Ou como não funciona…
O mero conhecimento, saber o que Deus pensa e quais são suas expectativas, não é suficiente para atrair sua presença ao nosso meio. Temos de ouvir a palavra, processar e compreendê-la e, depois, aplicar os princípios que encontramos ao nosso contexto específico. Princípios não aplicados são impotentes. Assim, além de aprender princípios, precisamos de um processo de aplicação se quisermos obter o resultado almejado.
Em nosso caso, então, a jornada rumo à transformação não é apenas seguir um currículo, é também um processo de 12 meses cujo objetivo é levar um grupo de cristãos de uma esperança recém-nascida ou imatura a uma expectativa completa e total. Alguns acham esse prazo muito curto. Na minha cabeça, observando o que tem acontecido em outras comunidades, é muito demorado. Na maioria das comunidades que estamos acompanhando hoje, acontece em seis meses. E, em algumas, pode acontecer até em 90 dias.
Para nós, no ocidente, demora mais porque precisamos passar por um processo de “desintoxicação”. Temos de repensar uma porção de coisas. Precisamos começar a pensar sobre essas questões não da maneira como sempre pensamos, mas como Deus pensa. E isso produzirá mudanças radicais, não simples mudanças de paradigmas em que se veem as coisas de forma diferente, mas também mudanças de comportamento.

Exemplo: como Deus vê o jejum?

Em Isaías 58, por exemplo, lemos a respeito do jejum que Deus aceita. É interessante observar, nessa passagem, que há um grupo de pessoas que invoca o nome do Senhor e que, de acordo com o próprio Deus, está fazendo de conta que se interessa em conhecê-lo. Essas pessoas estão falando sobre coisas espirituais. Estão orando. Estão até JEJUANDO; vejam só!
Então, Deus aparece e diz: “Vocês acham que vou lhes dar alguma resposta só porque estão jejuando, quando, ao mesmo tempo, negligenciam os pobres, os necessitados e os oprimidos em seu meio! Vocês são mentirosos, enganadores, impostores. Não vou participar dessa jogada! Vou dizer como deve ser o jejum…”
Sempre pensamos que jejuar fosse uma questão de abstinência de comida ou bebida. Mas estamos aprendendo aqui que, do ponto de vista de Deus, o jejum tem um conceito muito maior. A mesma coisa se aplica à adoração, que vai muito além de simplesmente cantarmos.
Temos de começar a pensar como Deus pensa, ver as coisas como ele as vê. E isso, para nós, leva tempo.

Processo de transformação

Portanto, durante esse processo, conduzimos as comunidades por mais ou menos dez níveis de atividades diferentes, englobando, dentre outras coisas, tours, escolas nas comunidades, épocas de aplicação, semanas especiais de mentoreamento com catalisadores de transformação, um seminário de três dias para resolver questões pessoais de transformação.
Quando se pensa em transformação, a melhor forma de ilustrá-la é pegar um cone de trânsito e deitá-lo de lado. A parte mais estreita do cone representa transformação pessoal. O próximo passo é transformação da família, do lar, depois transformação da congregação, transformação do bairro e, finalmente, quem sabe, transformação da cidade e de toda a nação (parte mais larga do cone).
O problema é que, apesar de todos esses níveis e etapas, vemos pessoas hoje querendo já partir para a etapa mais complexa de transformação da cidade inteira. Vamos transformar a cidade! Mas nós não fomos transformados, nossa família não foi transformada, nossa igreja e nosso bairro também não. E queremos tomar posse da cidade toda! Isso não é uma tolice? Precisamos voltar ao ponto inicial para considerar o que é necessário para que cada um de nós seja transformado individualmente. Quando eu sou transformado, já que sou membro da comunidade, a comunidade também começa a ser transformada.

O Desafio

Acho que seria interessante nos perguntar até que ponto estamos levando esse assunto a sério. Estamos dispostos a entregar-nos para algo assim? É isso que realmente queremos?
Muitas pessoas pensam que avivamento é algo fabricado “na superfície da lua”. Deus está lá em cima fabricando avivamentos em forma de pizzas. De vez em quando, ele joga um de lá, que vem rodando como disco voador, entra na atmosfera terrestre e, de repente, cai em seu ombro esquerdo como algo arbitrário e misterioso. “De onde veio isso?”
Avivamento, na verdade, é uma questão de obediência à revelação que já temos. Quantas coisas Deus ainda precisa comunicar a nós sobre o que ele deseja? Quantas vezes ele terá de falar para deixar claro o que realmente atrai sua presença? Ele já nos disse o que precisa ser resolvido e o que acontecerá se resolvermos essas questões. Resta-nos, agora, acreditar ou não.
Penso que, para nós, que estamos caminhando rumo a essa nova idade escura, é hora de reconhecer que a areia da ampulheta está quase no fim. O tempo está se esgotando.
Cada um de nós tem um número limitado de anos que nos foi designado para estar sobre a Terra. Precisamos considerar não apenas a vida pessoal, mas também as pessoas com as quais Deus nos uniu em vínculos significativos. Qual é o nosso significado corporativo? Nossa missão coletiva? Nosso propósito? Estamos atingindo-o?
Não podemos passar semana após semana, mês após mês, simplesmente especulando, imaginando e andando em círculos. Há muita coisa em jogo nas comunidades à nossa volta. Há pessoas maravilhosas no corpo de Cristo que têm uma fome sincera pela presença de Deus e pelos seus caminhos. Porém, a grande maioria está afetada pela distração mesmo que esteja fazendo coisas boas. Se pudéssemos nos aquietar nos pastos verdejantes, deitar-nos perto das águas tranquilas, mudanças maravilhosas aconteceriam em nossa perspectiva e prioridades.
Pai celeste, estamos gratos a ti hoje por tua paciência para conosco. Pessoalmente, estou muito grato por tua paciência para comigo. Sei que esta palavra é para mim mesmo em primeiro lugar. Quero fazer uma aliança contigo hoje. Eu santifico, consagro minha intenção de remediar, com tua ajuda, tudo o que tu trouxeres à minha atenção, porque, Senhor, realmente quero que tua presença venha sobre mim. Eu preciso disso. Peço, Senhor, que, nesta semana, tu fales comigo sobre as coisas que têm me distraído. Eu sei que tu não és um senhor duro e legalista, pois teu fardo é leve, teu jugo é suave. Mas creio que isso tem nos levado a aproveitar de tua bondade. Somos gratos por teres desligado a força, mas pedimos que nos ajudes a consertar nossa vida para que possas religá-la. Nossa comunidade precisa desse poder. Nós te amamos e queremos que tua presença volte a estar sobre nós como igreja. Em nome de Jesus. Amém.
George Otis, Jr. é o fundador e presidente de “The Sentinel Group”, uma agência de pesquisa e divulgação, localizada em Seattle, Washington, EUA, dedicada a auxiliar comunidades a descobrir o caminho para genuíno avivamento e transformação da sociedade. Além de produzir os documentários da série “Transformações”, Otis já escreveu seis livros e é palestrante em muitas conferências e simpósios internacionais. Reside em Lynnwood, Washington, EUA, com a esposa Lisa e seus quatro filhos.
Divulgação: www.juliosevero.com
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