14 de novembro de 2014

Ariovês – ou Gramsci no púlpito


Ariovês – ou Gramsci no púlpito

Thiago Cortês
As teses mais controversas são ensinadas nas universidades sem qualquer margem para refutações porque são recebidas como corretas a priori.
O mesmo se dá no arraial protestante em relação aos ensinamentos dos radicais da Teologia da Missão Integral.  Tudo é recebido como correto a priori.
É a prova do sucesso de um método de infiltração de um determinado conjunto de ideais e conceitos nos principais centros de produção cultural: igrejas, universidades, escolas, imprensa, etc.
É por isso que o teólogo e filósofo Ariovaldo Ramos consegue resumir, em uma única frase, erros históricos grosseiros e proselitismo ideológico mal-disfarçado sem receber qualquer refutação; no lugar dela, elogios à sua sensibilidade e inteligência.
Dias desses, Ariovaldo presenteou o mundo com a seguinte pérola (e aqui transcrevo exatamente como o erudito pastor escreveu):
“Antes, evangelho era o relato das conquistas do império romano, depois do Cristo, o evangelho é o relato do triunfo do Cristo pela feitura da redenção. Falar o Evangelho é relatar o avanço da redenção na história e na sociedade, e anunciar como pessoas e comunidades podem ser incluídas nessa tão grande salvação.”
Ariovaldo associa o “evangelho” às conquistas do Império Romano. E diz que ele só ganhou novo conteúdo com a chegada de Cristo. O problema é que o Evangelho é a boa nova de Cristo.
A boa nova é a narrativa do nascimento milagroso, ensinamentos, crucificação e ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, o Evangelho é a obra viva do Filho de Deus.
O Evangelho e a vida de Cristo são a mesma coisa!
Como ele pode dizer, então, que o Evangelho já existia e mudou com a chegada de Cristo?
No mundo poético de Ariovaldo Ramos talvez “evangelho” com e minúsculo signifique alguma outra coisa que, é claro, ele não teve paciência de explicar aos seus pobres leitores.
O pior vem a seguir com a nada cristã ideia de “redenção na história”.
Como se chamam aqueles caras barbudos que acreditam que a história caminha, inexoravelmente, para um determinado fim? Ah, sim, marxistas.
São eles que acreditam que o fim da história é o estabelecimento da sociedade humana perfeita, a redenção dos homens através de um novo sistema político-econômico.
A tese de Ariovaldo não recebe contestação porque, é claro, é aceita acriticamente pelo seu público como correta a priori.
Mas Ariovaldo sempre pode fazer pior. E fez mesmo:
“…anunciar como pessoas e comunidades podem ser incluídas nessa tão grande salvação”.
O conceito de salvação, em ariovês, ganha outro significado. A salvação, para o erudito pastor, não é necessariamente pessoal e, na verdade, pode abranger comunidades inteiras!
É claro que ele não está falando de salvação da alma. Ariovaldo Ramos respira política e inspira ideologia. Ele fala da salvação em sentido indisfarçadamente político, tanto é que, sintomaticamente, faz referência a palavra mais amada da esquerda: inclusão.
Os marxistas já inventaram a inclusão social, democracia social, justiça social e direito social.
E agora, em ariovês, já existe a salvação social.

É a cultura, estúpido!

O diabolicamente genial Antônio Gramsci escreveu no 23º de seus Cadernos do Cárcere:
“Cultura é uma concepção de mundo e de vida, coerente, unitária e de difusão nacional; é uma religião laica. Uma filosofia que se tornou cultura gerou um modo de viver, uma conduta civil e individual”.
A velha escola marxista-leninista acreditava em uma revolução violenta, com a tomada do Estado, e a conseqüente aniquilação dos inimigos do povo.  O problema é que a revolução precisava do povo para acontecer. E este não aderia…
Diante da recusa dos proletários em seguir os revolucionários, Gramsci discordou do roteiro da escola marxista-leninista e propôs  algo completamente novo.
Para o intelectual italiano, a revolução tinha que vir de dentro, gradualmente, pela tomada pacífica dos meios de produção cultural. Em outras palavras, era preciso levar os valores revolucionários para dentro das escolas, dos jornais e…das igrejas.
O cristianismo deveria ser capturado e, gradualmente, remodelado de acordo com a versão revolucionária. Cristo tinha que parecer um líder comunista primitivo.
Para Gramsci, cultura é simplesmente expressão de poder. E era preciso empreender uma verdadeira guerra cultural para que a ideologia certa dominasse todos os pilares da sociedade que, quando estivesse totalmente contaminada, estaria pronta para a revolução.
Todas as ideias e valores da sociedade, incluindo as religiosas, estão em disputa.
Apesar de odiar o catolicismo, e o cristianismo como um todo, Gramsci reconhece a necessidade de superar a religião. Mas sem exterminar os religiosos.
O método gramsciano consiste em contrabandear os valores revolucionários, resiginificando conceitos originais de em cada campo de batalha cultural.
Não é por acaso que Ariovaldo Ramos costuma falar de Reino de Deus e socialismo na mesma sentença, tampouco é por acaso que ele acredite em salvação comunitária.
É claro que nenhum esquerdista anda com os Cadernos de Gramsci debaixo do braço. A obra do italiano simplesmente deu à esquerda revolucionário um novo Norte.
A esquerda sabe que a prioridade não é economia. É a cultura!
Desde Gramsci não se toma o poder antes de se tomar os corações e as mentes.
É por isso que temos alguém como Ariovaldo Ramos oferecendo novas interpretações a conceitos chaves do cristianismo, confundindo Reino de Deus com socialismo e contrabandeando valores revolucionários para o arraial protestante.
Fonte: GospelPrime
Divulgação: www.juliosevero.com
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8 comentários :

Anônimo disse...

Thiago, que não é o Cortês kkk


Julio, o Thiago Cortês tem um site próprio, que reúna todos os artigos que ele escreveu?

Já procurei e só achei um blog "soudescortes" que está desatualizado desde 2013.

Augusto Paiva disse...

Quando me dizem que eu sou daqueles que vêem comunista debaixo da cama, que sou um paranóico, eu, um cristão conservador e direitista, logo respondo que não, que o que eu vejo em toda parte é o gramscismo, na televisão, no rádio, no jornalismo, nas novelas, em coisas que a princípio seriam passatempos banais, como desenhos animados, na educação, e o pior, até nas igrejas. Topar com um comunista debaixo da cama não seria tão assustador se esse espectro gramsciano maldito não fosse ubíquo em nossas sociedade. Eu vejo gramscismo em tudo, principalmente em campanhas de ações afirmativas de quem deveria ter vergonha de se afirmar. Mas é como diz Dante Alighieri, entregou-se tanto ao vício da luxúria que em sua lei tornou lícito aquilo que desse prazer, para cancelar a censura que merecia - e tudo isso em escárnio e combate à cristandade, à sã doutrina, para diluir a sociedade de seus valores, e assim aplicar o socialismo, como disse Gramsci. Mas está escrito que não prevalecerão, nenhuma anátema! Se a cristandade resistiu a todo tipo de perseguição, se o sangue dos mártires é a semente dos cristãos, será essa subversão incansável que irá nos derrotar? Não. A cristandade é a luz que traspassa todos os interstícios de obscuridade, o evangelho será pregado em toda parte.

Anônimo disse...

Thiago

Júlio, o Thiago Cortês tem algum site próprio, onde eu possa ler todos os artigos que ele escreveu?

Anônimo disse...

Esse sujeito (Ariovaldo) é analfabeto de pai e mãe, filósofo só ser for de gibis da Mônica e do Cascão; desço-lhe a marreta há muito tempo, não dou refresco ao sujeito que toda vez que nos encontramos ele se dá muito mal. Quem gosta desse cara são os presbiterianos,o que não causa surpresa: essa seita abraça tudo quanto é heresia: cessacionismo, calvinismo, aliancismo e agora essa porca doutrina da libertação evangélica.

Osvaldo disse...

Respondendo ao Augusto Paiva e ao Thiago,

Como testemunha ocular viva (78 anos de idade) de quem presenciou pessoalmente todo o governo militar do início (em 1964) ao fim (em 1985), posso falar com conhecimento de causa: a chamada "linha dura" só funcionou efetivamente quando os militares resolveram agir com rigor ao combater os guerrilheiros esquerdistas. Enquanto mantiveram essa postura, conseguiram, de certa forma, inibir (ou reprimir) muitas das ações desses mesmos guerrilheiros. Até aí, os militares merecem nossos aplausos.

O problema foi que essa mesma "linha dura" foi muito condescendente com os esquerdistas "pacíficos" (os que não participavam das guerrilhas urbanas). Em outras palavras: o maior erro dos militares foi não combater o marxismo cultural com o mesmo rigor que teve contra os guerrilheiros esquerdistas. Foi como dar um sonífero para um leão: ao invés de matar de vez o leão, o leão ficou apenas adormecido temporariamente (para que, depois que passasse o efeito do sonífero, esse mesmo leão acordasse com força total para atacar). Eu diria que os militares subestimaram o poder do pessoal da esquerda (ou melhor, não cortaram o mal pela raiz).

Deveria ter sido usado o mesmo critério rigoroso com os guerrilheiros urbanos: não dar nenhum tipo de espaço, nem permitir propagação (ou divulgação) de nenhum tipo de idéia, ideologia, ou filosofia marxista–leninista–comunista–esquerdista–socialista, nem tampouco permitir publicação de livros ou quaisquer materiais pedagógicos impregnados com essas mesmas idéias, ideologias, e filosofias, não deixar esse pessoal ocupar nenhum cargo em nenhum nível (municipal, estadual, e federal), e nem em nenhum órgão da mídia (rádio, jornal, televisão, etc), e nem no nosso sistema educacional.

Essa mesma "linha dura" deveria continuar presente (ou melhor, deveria ter sido mantida até hoje). Com um governo fiscalizando rigorosamente todos os passos dos partidos de esquerda, a atuação deles certamente seria bem mais limitada (e bem mais controlada).

Em suma: teria que ser combatido o "esquerdismo ideológico" (ou seja, o marxismo cultural). Se a "linha dura" tivesse agido assim, com certeza a esquerda não teria tanto espaço como tem hoje. Infelizmente, os militares erraram feio nesse sentido (e hoje estamos sentindo na pele as conseqüências disso)!

Anônimo disse...

Thiago

Oi Osvaldo,

Concordo contigo 100%.

Quem é do povão, como eu, sabe que uma parte dos brasileiros está espumando de ódio do PT, e que se decepcionaram com a democracia.

Eu sempre admirei os militares, Deus os enviou para livrar esta nação de um banho de sangue comunista, como acabou acontecendo em Angola, na China... Sei que eles deram trela os intelectuais de esquerda e estes forjaram essa camisa de força em que nos encontramos hoje.

Esses intelectuais da direita só tem a percepção do meio deles, eles não têm um termômetro pra medir a indignação do povão aqui. A classe média da direita liberal é cheia de pudores, toda engomadinha, não percebe, mas se pudesse voltar no tempo, seria confundida com a esquerda mais libertária dos anos 1960 ou 1970. Realmente os intelectuais da esquerda arrastaram o espectro politico no Brasil para a extrema esquerda. Em que planeta FHC e Reinaldo de Azevedo podem ser considerados de direita ou extrema direita? No máximo um social-democrata e olha lá.

Na minha percepção, se os republicanos de Reagan ou do partido conservador inglês da época de Margaret Thatcher voltassem à ativa iriam vomitar com essa "direita tupiniquim".

Que porcaria de direita é essa que tem nojo de defender a população cristã? Que lixo de direita é essa que assina em baixo em todas as "ações afirmativas" do governo federal? Essa é a direita mais vermelha que eu já vi. A esquerda conseguiu que a direita defenda os seus principios mais "moderados", a convenceu de que ela continua sendo direita, vê se pode? É pra rir ou é pra chorar?

Thiago disse...

Oi Osvaldo

Concordo 100% contigo!

Os militares foram enviados por Deus para que aqui não houvesse o banho de sangue que ocorreu em outros locais como em Angola, na China... mas infelizmente eles permitiram que a cultura esquerdista se alastrasse e hoje a gente está aí, nessa camisa de força. Some-se essa permissividade, a influencias subversivas da cultura esquerdista se alastrou não só no Brasil, mas em todo o Ocidente durante a Guerra Fria. A Revolução Cultural de 1968 destruiu o que antes de consideraria “Ocidente Cristão”.

Se o Partido Republicano da época de Ronald Reagan ou o Partido Conservador de Margareth Thatcher visse essa nossa “direita”, vomitaria no mesmo instante. Afirmar que FHC e Reinaldo Azevedo são de direita e extrema direita é de uma “cafajestice” sem tamanho. No máximo eles são social-democratas. Realmente o espectro político no Brasil foi arrastado para extrema-esquerda. Que raio de direta é essa que não defende os valores cristãos? Que defende “ações afirmativas”? Que vê no inchamento do Estado como a saída para nossos problemas econômicos? Que quer transformar esmola estatal em “política de Estado”...kkk...? Que exalta a promiscuidade sexual acima da liberdade de pensamento e de consciência religiosa?

Esses nossos intelectuais “da direita” não conseguem captar a indignação do povão. O povão aqui está com ódio do PT. A descrença na democracia só faz crescer. Estes intelectuais engomadinhos, no máximo conseguem captar a insatisfação da classe média alta, da direita liberal. Se eles pudessem voltar no tempo, seriam confundidos com a esquerda mais libertária dos anos 1960 e 1970. A hegemonia esquerdista foi tão bem implementada, que fez o pessoal que “se acha de direita” adotar as bandeiras moderadas da esquerda, mas sem notar a descaracterização.

A questão não é PT ou anti-PT. A questão está nos valores, em como a sociedade interpreta o mundo. O PT é só a ponta do iceberg. Tirar o PT do poder vai mudar alguma coisa? O PSDB faria diferente? De forma alguma. São irmãos gêmeos a diferença é que um anda dentro da lei e o outro é um fora da lei. A mentalidade da classe dominante é TOTALMENTE DE ESQUERDA. Somente o povão cristão fundamentalista consegue se vacinar contra essa nojeira esquerdista. E ai daquele que pensar: vamos persegui-los! O Cristianismo alcança força total na perseguição, é só olhar para o Império Romano.

Bela porcaria de democracia, onde uma parte significativa da população não pode ser representada (não tem voz efetiva) no Congresso em razão das Amarras Mentais do Politicamente Correto e em função das regras que como pombos gordos, “obram” na nossa cabeça, vindas diretamente da Autocracia Esquerdopata da ONU. Que RAIO democracia é essa, onde um partido COMPRA o Congresso, indica todos os Ministros do Supremo, coopta toda a administração federal, toda a sociedade civil organizada, toda a mídia e ainda manda censurar os opositores? Já já eles terminam de cooptar a polícia e o exército. E aí, ainda acham que isso é democracia? Que legitimidade tem um sistema como esse? Ainda mais sem um sistema de votação confiável, e como CEREJA DO BOLO: um ministro do TSE ligado umbilicalmente ao PT!

Não se discute idéias políticas, só casos de corrupção e ineficiência administrativa. Tirando esses dois temais, há algo de diferente entre PT e PSDB? RESPOSTA: UM SONORO N-Ã-O !!!!!!!! Tirando as Páginas de Política da Veja, existe alguma diferença nos cadernos de Cultura entre ela e a Folha? OUTRO SONORO N-Ã-O !!!!!!!


E ainda acham ruim o povo simples pedir a volta dos Militares! A “direita” postiça está combatendo a DIREITA DE FATO. Esse cenário é “mamão com açúcar” para a esquerda “de fato”, deixe a “direita” postiça nos poupar o trabalho; eles que, com a nossa procuração e valores combatam a DIREITA DE FATO.

Thiago disse...

DIREITA LIBERAL: SÓ OLHA PRO PRÓPRIO BOLSO. NÃO SE IMPORTA COM VALORES E COM A MORAL.

CONSERVADORISMO:
NO PASSADO: A Direita Liberal já foi aliada dos Conservadores até Reagan e Thatcher. Dos anos 90 pra cá eles se aliaram à Social Democracia (ex: VEJA + PSDB).

HOJE: a Direita Liberal se opõe FERRENHAMENTE aos Conservadores (ex: televangelistas, bancada evangélica...). Se disfarçam de NEOCONS; observem que estes têm aversão aos valores cristãos.

INTERVENCIONISMO:

NO PASSADO: (a direita liberal)só compactuou com os intervencionistas quando o perigo da "estatização dos meios de produção" era iminente, não suportariam a dor que teriam no BOLSO.

HOJE: repudia os militaristas totalmente, tanto quanto ao Bolivarianismo. Isso mesmo! Eles odeiam tanto os milicos quanto odeiam a Fidel Castro. kkk

EU SOU CONSERVADOR!

Conservadores do Brasil, não se fiem mais em PSDB, Veja ou essa Direita Liberal de internet. Se não apoiarem explicitamente e incondicionalmente os valores cristãos, então CAIA FORA!