21 de outubro de 2014

Venezuela, Foro de São Paulo, EUA, petróleo e outras questões para um conservador pensante


Venezuela, Foro de São Paulo, EUA, petróleo e outras questões para um conservador pensante

Julio Severo
“O Brasil se tornará uma Venezuela se votarmos em determinado partido,” é o que dizem muitos brasileiros desesperados.
O que foi necessário para que a Venezuela se tornasse o que é hoje? Mais de 90 por cento dos venezuelanos são católicos e, como todo o resto da Igreja Católica na América Latina, grandemente afetados pela Teologia da Libertação. O que então de longe mais facilitou a expansão do esquerdismo na América Latina não foi o Foro de São Paulo, mas a Teologia da Libertação e seus milhares de padres e bispos militantes vermelhos.
Se o Vaticano tivesse conseguido se impor contra o comunismo de seus padres e líderes latino-americanos, o Foro de São Paulo secaria em questão de poucos meses.
Mas o caso da Venezuela é mais complexo. Embora a Igreja Católica da Venezuela tenha falhado gravemente ao dar espaço para a Teologia da Libertação, houve, porém, uma grande oportunidade de matar todo o financiamento do comunismo de Hugo Chávez. Contudo, quem tinha poder de fazer isso nunca o fez.
Chávez elegeu-se no final de década de 1990, durante o governo de Bill Clinton, presidente esquerdista, abortista e homossexualista dos EUA.
Chávez continuou governando e expandindo seu comunismo na Venezuela e outros países latino-americanos durante o governo de outros presidentes americanos. Essa expansão foi sustentada pelos bilhões de dólares vindo da exportação de petróleo.
Não, o maior comprador do petróleo da Venezuela não era Cuba nem o Foro de São Paulo. Eram e continuam a ser os Estados Unidos.
Os governos americanos de Clinton, George Bush e Barack Obama sempre tiveram chance de dar uma paulada na expansão do comunismo na Venezuela, mas provavelmente achavam que a compra de petróleo era muito mais importante do que exterminar o comunismo.
Essa ganância por petróleo colocou bilhões de dólares nas mãos de Hugo Chávez, que usou para os interesses do Foro de São Paulo. Na prática, uma meta comunista com financiamento de vários governos (esquerdistas e conservadores) dos EUA.
Quero deixar claro que, fiel aos meus princípios pró-vida, sempre fui apoiador de Bush, que era contra a agenda abortista e homossexualista. Ele não era um defensor de Israel como era Reagan, mas pelo menos ele defendia interesses pró-família.
Quando Bush visitou o Brasil em 2007, a Globo me procurou para uma entrevista porque, de acordo com a jornalista, eu era um dos poucos brasileiros que apoiavam o presidente americano.
Se ele fosse candidato presidencial no Brasil, eu votaria nele apenas pelas credenciais pró-vida. Nessas credenciais, ele seria, de longe, melhor do que os candidatos presidenciais covardes e entreguistas do Brasil.
Mas Bush falhou feio. Quando terroristas sauditas atacaram o World Trade Center em 11 de setembro de 2001, Bush deveria, por obrigação moral, ter invadido a Arábia Saudita, não o Iraque.
Possivelmente, o que pesou nessa decisão impensada era que a Arábia Saudita era aliada dos EUA — e grande fornecedora de petróleo aos americanos.
Possivelmente nem fosse ideia do Bush invadir o Iraque para colocar seus poços de petróleo na órbita comercial dos EUA. Talvez fosse ideia dos neocons — neoconservadores americanos, que defendem a supremacia econômica e militar dos EUA custe o que custar — que dominam o governo dos EUA. Nesse caso, sob o peso dessa elite perigosa, Bush não tinha escolha.
No caso da Venezuela, os mesmos interesses podem ter pesado. Custa-me crer que Bush não sabia que os bilhões de dólares que os EUA davam para Hugo Chávez em troca de petróleo não estavam sendo investidos na expansão do comunismo e do Foro de São Paulo.
Se eu fosse presidente dos EUA, ordenaria a imediata cessação desse financiamento.
Talvez as elites neocons tenham dito para Bush: “Aqui quem manda somos nós. Queremos o petróleo venezuelano e que se dane quem está governando naquele país. Você pode ser pró-vida ou pró-aborto na Casa Branca, mas nas outras questões quem manda somos nós, entendido?”
Como sou um conservador pensante, sou obrigado a pensar que a única explicação para tanto financiamento americano para o comunismo venezuelano foi porque Bush foi obrigado pelos neocons.
Claro que no caso de Clinton e Obama, que são socialistas, tais pressões eram desnecessárias.
Mas fico sempre me perguntando se o Cristianismo de Bush nunca falou na consciência dele sobre essas questões.
Hugo Chávez elogiava Obama, que manteve os EUA no papel vergonhoso de principal comprador do petróleo venezuelano.
Mas para Bush, Chávez nunca dava elogios. Chávez chamava Bush publicamente, até mesmo na ONU, de “demônio.” Mesmo assim, Bush continuava a maldita tradição americana de maior comprador do petróleo venezuelano.
Para um cristão conservador pensante, essa situação não faz sentido. Se Chávez era antiamericano ao ponto de xingar um bom presidente dos EUA, por que ele simplesmente não tomava a decisão de parar de vender seu petróleo para os EUA?
Se os xingamentos de Chávez contra Bush eram um incômodo para os americanos, por que os EUA nunca pararam de comprar o petróleo venezuelano?
Se o Foro de São Paulo e a expansão do comunismo na América Latina eram uma preocupação para Bush e outras autoridades conservadoras americanas, por que os EUA nunca pararam de financiar tudo isso com a simples atitude de abandonar sua posição de maior comprador do petróleo venezuelano?
Só havia dois modos fatais de acabar com o comunismo na Venezuela: 1) Fidelidade de todo o clero católico venezuelano às diretrizes anticomunistas do Vaticano — mas isso nunca aconteceu. 2) Pelo bolso: bastava que o governo dos EUA cortasse a principal fonte de renda venezuelana, que é a venda de petróleo — mas os EUA nunca fizeram isso.
Dói muito ser um conservador pensante! Eu me sentia mais tranquilo quando era um conservador que não pensava.
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17 comentários :

Luiz Oliveira disse...

Júlio, como você pode considerar Bush um bom presidente se ele admitiu publicamente que era integrante da satânica organização Caveiras e Ossos?
As posições dele pró família eram realmente admiráveis. Mas admitir integrar uma organização satânica vai contra tudo isso.

Julio Severo disse...

Eu acho que uma das iniciativas mais importantes para quebrar esse financiamento de bilhões de dólares dos EUA à Venezuela e outras ditaduras é quebrar o monopólio do dólar nas negociações internacionais. Mas infelizmente ninguém tem força para fazer isso.

Helga disse...

Sou conservadora, porém nunca pensei nestas questões. Antes, eu via o Foro de São Paulo como único responsável por toda a tragédia comunista que se abateu sobre nossos queridos irmãos da Venezueal. Porém, depois de ler este artigo magnífico, deu para ter um quadro melhor do problema. A teologia da libertação, aninhada como sempre na Igreja Catóica Apóstolica Romana, foi o grande problema. O que me deixou em choque, no entanto, é que os EUA são os maiores compradores do petróleo da Venezuela. Inacreditável!!! Como Bush que se anunciava como conservador cometeu esta traição? Que mundo louco! E o bloguista ainda tem a cara-pau-de-sebo de se dizer conservador, aff! É um artigo magnífico, porém incoerente em sua favorabilidade a Bush. Larga mão de Bush, Severo!

Anônimo disse...

Puxa, tô aqui coçando a cabeça! Como nunca pensei nessas coisas antes? Parabéns, Severo, pela grande revelação!

Magno

Maria Cecília disse...

Puxa, tô aqui coçando a cabeça! Como nunca pensei nessas coisas antes? Parabéns, Severo, pela grande revelação! (2)

Andressa disse...

ICAR -Igreja Catolica Roma- irresponsável...

Leandro disse...

É preciso observar também que os mesmos postulados da teologia da libertação são dominantes em muitas denominações institucionais nos EUA, especialmente as vinculadas ao WCC.

Muitos missionários trouxeram essas ideias no meio protestantes ainda na década de 50.

Anônimo disse...

Não pense demais, Severo, ou vc terminará incomodando certas figuras, que vão querer sua cabeça. Pare de pensar, para o seu próprio bem!

Anônimo disse...

Culpa do Vaticano, que não cuidou de seu rebanho na Venezuela e no restante da América Latina.

Anderson

Torreal disse...

admirar Bush eh admirar um ignorante de marca maior que acabou por ser um dos responsaveis pela bancarrota mundial e pelo expansionismo americano, que por sinal eh fonte para varios embates no oriente medio.
Bush eh pro-vida apenas por questao de posicionamento.
na verdade eh apenas um bebum burro com interesses proprios.
e Julio, vc acabou dando um tiro no peh com seu apoio irracional a essa figura apenas pelo discurso que ele defende.
seu conservadorismo eh burro, Julio.
vc eh um sujeito inteligente, mas cego pela crenca.
tente ser moderado uma vez na vida.
sua radicalidade o leva a cometer erros cruciais.

Anônimo disse...

julio severo têm toda razão,está correto em apoiar o ex presidente Bush, VOCÊS QUE OFENDERAM JÚLIO SEVERO DEVERIAM PEDIR DESCULPAS,POIS SÓ O FATO DO PRESIDENTE SER CONTRA O ABORTO E PRÓ- VIDA MERECE TODO O NOSSO APOIO,VOCÊS QUERIAM O QUÊ ? QUE ELE APOIASSE A PRESIDENTE DILMA QUE APOIA O ABORTO(ASSASSINATO DE SERES HUMANOS INOCENTES E INDEFESOS)VALORES CRISTÃOS SÃO INEGOCIÁVEIS,PORTANTO AGINDO ASSIM VOCÊS ESTÃO COMETENDO UM PECADO TERRÍVEL APOIAR ASSASSINATO DE CRIANÇAS INDEFESAS,PEÇAM PERDÃO A DEUS PELOS SEUS PECADOS ANTES QUE MORRAM DE CÂNCER OU OUTRO CASTIGO DIVINO.LEIAM 1 CORÍNTIOS CAPÍTULO 6 VERSÍCULO 9.DIZ ASSIM:
NÃO ERREIS, NEM DEVASSOS ,NEM IDOLÁTRAS,NEM ASSASSINOS(OS QUE PRATICAM OU DEFENDEM ABORTO),NEM LADRÕES,HERDARÃO O REINO DE DEUS. E O LIVRO DE APOCALIPSE DIZ MAIS,MAIS QUANTO AOS MENTIROSOS ,FEITICEIROS ,IDOLÁTRAS E ASSASSINOS (OS QUE PRATICAM OU DEFENDEM O ABORTO) A SUA PARTE É NO LAGO DE FOGO E ENXOFRE ,QUE É A SEGUNDA MORTE.LEMBREM -SE DO QUE ACONTECEU COM O PRESIDENTE VENEZUELANO POR TER ALMADIÇOADO ISRAEL(O POVO ESCOLHIDO DE DEUS) MORREU DE CÂNCER E FOI PARA O INFERNO ,POR QUE NÃO SE ARREPENDEU E PEDIU PERDÃO Á DEUS E A ISRAEL E QUALQUER UM QUE PERSEGUE E OFENDE ISRAEL,O POVO DE DEUS OU O SERVO DO SENHOR DEUS E NÃO PEDE PERDÃO OU SE ARREPENDE DO SEU ERRO Á SUA PARTE É NO LAGO DE FOGO E ENXOFRE E SEU DESTINO É O FOGO ETERNO (O LAGO DE FOGO DO INFERNO)E ALI TAMBÉM SERÃO LANÇADOS AS PESSOAS QUE PRATICAM OU DEFENDEM O ABORTO(ASSASSINATO).

Eduardo disse...

Julio,

o petroleo é uma "commoditie", isso quer dizer que boicotes individuais não funcionam.

Se os EUA não comprarem da Venezuela, vão ter de comprar de outro país, que por sua vez vai acabar adquirindo diretamente ou indiretamente da propria Venezuela.

Ou seja, o petroleo venezuelano não vai sair do mercado mundial, a não ser, é claro, que haja um boicote mundial.

Julio Severo disse...

Eduardo, se os EUA tivessem vontade de derrubar Hugo Chávez através do petróleo, eles teriam feito isso sem nenhum problema. Deixe-me lhe dar um exemplo. Assim como a Venezuela, a principal fonte de renda do Iraque é o petróleo. Antes de os EUA invadirem o Iraque, o que eles fizeram? Um embargo sobre o petróleo iraquiano. Sem poder vender seu petróleo, o Iraque entrou em colapso econômico, aleijando fatalmente todas as estruturas do governo iraquiano. Daí, ficou fácil invadir o Iraque e pegar Sadam Hussein.

A justificativa americana para a invasão foi retaliar por causa do ataque terrorista ao World Trade Center, embora esse ataque tenha sido cometido por terroristas islâmicos sauditas, não iraquianos.

Sobre o embargo americano ao petróleo iraquiano, nem a Rússia, que era aliada do Iraque, interveio para socorrer o país encurralado — tal é a força que os EUA têm, que muitas vezes até a Rússia nã mexce com eles.

Como então você insinua que os EUA devem continuar comprando petróleo da Venezuela e injetando bilhões de dólares (como vem fazendo desde que Chávez havia se tornado ditador) em benefício do Foro de São Paulo e do comunismo?

Se os EUA quisessem, poderiam ter feito com a Venezuela comunista a mesma coisa que fizeram injustamente com o Iraque, que foi bode-expiatório de terroristas islâmicos da Arábia Saudita. Só que no caso da Venezuela, não seria injustiça nenhuma arrumar uma justificativa para impor um embargo ao petróleo venezuelano, cessando assim todo investimento no comunismo e no Foro de São Paulo.

Danielle Ribeiro Santos disse...

Acredito que o Bush filho com o pai são os dois maiores expoentes dos neocons na política estadusunidense, a família Bush tem ligações poderosas com Arábia Saudita e com a própria família Bin Laden, isso é um fato já conhecido... Então, é muita inocência acreditar que o Bush Jr fui obrigado a fazer algo que sempre foi sua ideologia, a ideologia neocon.

Julio Severo disse...

Danielle, note que esse alinhamento com a Arábia Saudia não começou com Bush nem terminou com ele. Presidentes americanos anteriores já se prostravam à Arábia Saudita. E hoje é a vez de Obama. Por isso que acho que há sim uma força maior a que todos os presidentes americanos têm de se submeter. Acredito que Bush foi obrigado a obedecer a essas forças. Como ele era um bom homem pró-vida, tendo a acreditar que ele vivia sob pressão dos neocons.

Nil disse...

Julio ! Talvez você não saiba mas, os EUA já conseguiram a auto-suficiência em petróleo. Os EUA não precisam mais importar petróleo para seu consumo. Deixou de ser um grande importador de petróleo. Agora ! Admirem ! Os EUA estão já chegaram a exportar uma boa quantidade de petróleo.

Vejam essas noticias. http://exame.abril.com.br/economia/noticias/exportacao-de-petroleo-dos-eua-atinge-388-8-mil-bpd

http://exame.abril.com.br/economia/noticias/exportacao-de-petroleo-dos-eua-atinge-388-8-mil-bpd

È bom lembrar que os EUA só conseguiram a proeza da auto-suficiência graças ao petróleo continuo nas rochas de xisto.
O petróleo de xisto já era conhecido a bastante tempo,mas só agora conseguiram uma tecnologia eficiente para extração de petróleo das rochas de xisto.
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tag/petroleo-de-xisto/

Veja nisto a mão de Deus. Cada vez mais difícil para os países árabes e muçulmanos usarem o petróleo com ARMA. Julio ! Qual sua opinião com essa imensa reviravolta no mundo ?

Julio Severo disse...

Relações entre EUA e Venezuela, segundo o serviço noticioso americano Reuters de hoje (14 de junho de 2015):
As relações entre Estados Unidos e Venezuela têm sido furiosas desde que Hugo Chavez, o antecessor de Maduro, se tornou presidente da Venezuela em 1999.

Mas os carregamentos de petróleo da Venezuela para os EUA nunca estiveram sob ameaça, e a retórica muitas vezes extrapolou a realidade.

A Venezuela continua o quarto maior fornecedor de petróleo para os Estados Unidos. (Reuters)

Evidentemente, a Reuters traz informação que confirma meu artigo.

Os EUA tinham, desde o governo de Bush, uma poderosa arma nas mãos para exigir um governo democrático na Venezuela, mas nunca o fizeram, nem antes, nem agora.

O mundo de fato jaz no maligno — um maligno que adora petróleo.