17 de julho de 2014

Nivelados em Nome de Deus?


Nivelados em Nome de Deus?

Bráulia Ribeiro
Comentário de Julio Severo: Bráulia Ribeiro, cuja estranha “postura pró-homossexualismo” foi denunciada no Blog Julio Severo em 2009, confronta declaração de Ariovaldo Ramos, um dos maiores “apóstolos” da Teologia da Missão Integral (TMI), que disse: “Avivamento é o nivelamento dos santos pelo retorno à condição de servos.” Bráulia deu uma resposta corretíssima: “Nivelamento implica em coerção, não há nivelamento possível sem aplicação de força. Para se nivelar uma estrada precisa-se de uma patrola, um trator, de uma agressividade que não combina e não é parte do caráter do Espírito.” Mas, na seção de comentários, escorregou quando indagada sobre a TMI: “Muito do pensamento [da TMI] é influenciado pela TL [Teologia da Libertação], mas tem muita coisa nas reflexões do movimento que são necessárias para a igreja brasileira hoje.” Ela deu dois passos na direção certa e em seguida deu um passo para trás, pois na minha opinião nada tem causado um estrago tão grande nas igrejas evangélicas quanto a TMI. Se a TL está devastando a Igreja Católica do Brasil, tendo inclusive ajudado a fundar o PT e outros partidos socialistas, o que pensar da TMI, cujos promotores andam aos abraços e beijos com os promotores da TL? Quem abraça a TMI e a TL quer nivelamento à força. Quer ditadura. Esse é o caminho de Ariovaldo. Seja como for, quando Bráulia Ribeiro, na maior revista presbiteriana esquerdista do Brasil (Ultimato), consegue, ainda que sem desgrudar da TMI, fazer cobranças de um de seus maiores “apóstolos,” é sinal de que as bases esquerdistas evangélicas já estão estremecendo, em grande parte devido às denúncias que estão crescendo contra a TMI.
Li esta frase de meu amigo Ariovaldo e  ela  me incomodou profundamente. Não me interprete mal Ari, gosto de você, mas esta frase não me caiu bem… A frase tem milhares de likes e mais de 1,200 shares no facebook. Pra quem anda pelo face sabe que este é um feito e tanto. Como todas as frases esta daí precisa de contexto, e pode ser que com o contexto apropriado, provido por Ari ela perca a ambiguidade que me incomodou.
A frase: “Avivamento é o nivelamento dos santos pelo retorno à condição de servos.”
Para fins didáticos vou avalia-la aqui isoladamente. Afinal, foi usada de maneira isolada no face pelos milhares de leitores que a leram e usaram como a sua pequena gota de sabedoria em seus sites pessoais.
Nivelamento requer uma força niveladora. Aparentemente deve ser o Espírito Santo, porque a frase trata de avivamento. É este o trabalho do Espírito? Nos nivelar? Nivelamento implica em coerção, não há nivelamento possível sem aplicação de força. Para se nivelar uma estrada precisa-se de uma patrola, um trator, de uma agressividade que não combina e não é parte do caráter do Espírito.
Wolfhart Pannenberg diz que a experiência de conversão é um encontro com nossa verdadeira identidade. Santidade é para ele a experiência do eu, na mais profunda e perfeita forma, a forma em que Deus o criou.  Concordo com ele. A Bíblia me conta as histórias de um Deus que convive com os desnivelamentos dos humanos sem maiores dramas. Ele recebe o que somos capazes de lhe oferecer, e não usurpa aquilo que não lhe é oferecido voluntariamente.
Neste sentido o avivamento então nos traz o contrário do nivelamento. É o momento da percepção individual máxima, onde nos encontramos conosco mesmo e somos então amados como somos. Como a música de John Legend nos faz suspirar, fomos criados para receber este amor que apenas  Deus é capaz  de nos dar. O “all of me” todas minhas curvas e arestas, minhas perfeitas imperfeições, são amadas por Ele. Até as dores do pecado causadas pelas decisões que tomei podem ser restauradas e transformadas por Ele em belas fontes de amor.
Neste contexto do amor supremo nos tornamos não servos apenas, mas filhos e filhas. Como filha meu serviço é voluntário, se origina do amor que tenho a Ele e não de coerção por medo de castigo ou desejo de recompensa.
A diferença deste resgate final da individualidade é que ele não me alcança para minha auto-satisfação. Tudo o que sou quando resgatado por este amor divino se torna em retribuição grata ao que recebi.
Pode ser que este nivelamento então se refira a meu serviço ao Corpo de Cristo. Aí sim então seríamos todos iguais e nosso serviço nos nivela. Sim? Não. Nos diferenciamos em dons, funções, influência. A quem muito foi dado muito será pedido. Continuamos diferentes aí também, apesar de igualmente valiosos. A função não nos atribui valor. Temos valor por que sim. Porque somos dele nada mais. Mas o Criador não cobra de você o mesmo que cobra de mim. Cada um produz e se doa de acordo com o que recebeu. Outro problema é produzir em mim uma expectativa à respeito do outro. Espero que ele seja como eu, humilde, que se sinta um igual. Se o meu serviço depender de quanto outros forem humildes ou receptivos à  mensagem do nivelamento pela cruz ou pelo avivamento, estou com um sério problema.
Temo porém mais uma terceira possível má-interpretação da frase. A interpretação econômica. Conhecendo o caráter prático do projeto da Missão na Integra esta interpretação não é uma impossibilidade.
Aí sim me apavoro. Aí sim temo pelos rumos do mundo evangélico brasileiro que se identifica com a ideologia política de nivelamento econômico justificando-a biblicamente. Li o Manifesto do PSB, partido da Marina Silva, cristã, e figura política a quem admiro muito. O Manifesto me horrorizou. Nunca li nada mais arcaico, absurdo e abertamente fascista do que aquilo. Arcaico porque se baseia numa ideologia historicamente fracassada. Absurdo porque não explica os meios nem as circunstâncias que pretende usar para alcançar os fins propostos. E fascista porque não prevê consulta social, apoio público, mas propõe uma imposição de cima pra baixo de medidas extremas que vão causar muito desgosto e sofrimento, hostilizando abertamente todos aqueles que possuem propriedades, terras, indústrias ou  comércio.
Que Deus nos livre deste evangelho que crê que ao valer-se das forças do estado para desapropriar, roubar, estatizar a riqueza do país está fazendo a vontade de Deus e vivendo um avivamento.
Divulgação: www.juliosevero.com
Leitura recomendada:

2 comentários :

Anônimo disse...


Ariovaldo Ramos está perdendo tempo aqui no Brasil, já que ele não ama nem o Brasil, menos ainda os brasileiros, porque o seu espírito se alinha com a tirania e com a anarquia despótica das esquerdas, deveria ir para Cuba e levar todos os seus "cumpanheros" com ele e nunca mais voltarem, esta sim seria sua maior contribuição com esta pátria e com a democracia a que aspiramos e queremos, e que de forma traiçoeira e covarde querem usurpá-la de nós.

Leonardo disse...

Ainda há espeança. Braulia falou bem, sem rodeios.