19 de julho de 2014

C-FAM: Novas Metas da ONU Precisam Fazer Mais pelas Mães


C-FAM: Novas Metas da ONU Precisam Fazer Mais pelas Mães

Wendy Wright
NOVA IORQUE, EUA, 11 de julho de 2014 (C-FAM) — Preste atenção nas mães! Assim diz um recente documento para delegados da ONU enquanto finalizam novas metas que guiarão o desenvolvimento internacional até 2030.
“Enquanto os países decidem o futuro das prioridades de desenvolvimento do mundo e como bilhões de dólares serão gastos, o destino das mães está nas mãos deles,” declara o documento do C-FAM, que publica o Friday Fax.
Muito frequentemente, mulheres morrem na gravidez e parto. Em 2000, os países concordaram em tornar a maternidade mais segura. Mas eles não conseguiram alcançar a meta da redução de 75% em mortes maternas prometida nas Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDMs), um conjunto de objetivos ambiciosos que expira em 2015.
Novas metas de desenvolvimento continuarão onde as MDMs descontinuam. Os autores Rebecca Oas e Stefano Gennarini apontam para o fato de que as mães ficaram com a pior sorte sob as políticas da ONU, em “The Unfinished Business of MDG5 on Maternal Health and the Post-2015 Development Agenda” (O Negócio Inacabado das MDM5 sobre Saúde Materna e Agenda de Desenvolvimento Pós-2015).
A maioria das 350.000 mortes maternas anuais ocorre em países pobres. As mães “morrem frequentemente em condições insalubres, sozinhas, em terror e agonia sem assistentes treinados, ou acesso a assistência adequada para salvar vidas,” diz o Dr. Robert Walley de MaterCare International.
Um estudo histórico do Chile esclarece quais passos devem ser tomados para reduzir a mortalidade materna: Educação para as mulheres, assistentes treinados de parto, assistência pré-natal, acesso à água e saneamento, e assistência obstétrica de emergência.
Um problema comum entre mulheres de idade reprodutiva é deficiência de ferro — uma condição que merece muita atenção no mundo desenvolvido, mas que num país pobre ameaça a vida das mulheres grávidas que têm hemorragia. A melhoria na nutrição salvará a vida das mães e dos bebês.
Chega-se melhor a cada solução com a melhoria na infraestrutura, especialmente a assistência médica.
Contudo, a atenção e financiamento estão sendo desviados das iniciativas que ajudam as mães a sobreviverem ao parto para iniciativas que evitam completamente a maternidade. Os promotores do planejamento familiar têm transformado a contracepção na prioridade mundial máxima, e se gastam anualmente 60 bilhões de dólares em programas de controle populacional. Só uma fração desse dinheiro vai para salvar a vida das mães.
O Fundo de População da ONU (FNUAP), a Federação Internacional de Planejamento Familiar e outros pedem mais dinheiro para cobrir um número projetado de 220 milhões de mulheres que têm uma “necessidade não atendida” de planejamento familiar. Mas essa afirmação é enganadora, o documento explica.
Na África — o foco da maioria das iniciativas de planejamento familiar — 98% das mulheres casadas têm acesso aos modernos contraceptivos. Muitas escolhem não usá-los devido a preocupações com efeitos colaterais e riscos de saúde, ou porque estão amamentando, têm sexo infrequente ou nenhum, ou se opõem à contracepção.
As organizações de planejamento familiar dizem que precisam de recursos para “aumentar a demanda,” isto é, convencer as mulheres a usar a contracepção.
Enquanto isso, milhares de mulheres morrem anualmente por falta de melhorias na assistência médica materna. Os programas de saúde reprodutiva focam muitas vezes na eliminação da maternidade, em vez de a tornarem segura.
Isso pode ficar pior se o termo “direitos reprodutivos” for incluído nas novas metas. O termo muda o foco de resultados mensuráveis concretos para criar normas e mudar leis. Envolve medidas incontestáveis com questões como aborto que provocam debates politicamente divisivos.
Organizações como a do Dr. Walley têm sido rejeitadas para receber financiamento porque não fornecem aborto — o que alguns chamam de “direito reprodutivo” — ainda que o aborto carregue riscos médicos, e é especialmente inseguro para mulheres e lugares em que o parto é perigoso.
Em 2012, os países removeram toda menção de “direitos reprodutivos” para chegar ao acordo que lançou a iniciativa para desenvolver as novas metas. Embora a então secretária de Estado Hillary Clinton tenha expressado repreensões por causa da omissão, outros diplomatas denunciaram tentativas de impor “itens proibidos,” como o aborto, que entram em conflito direto com leis nacionais.
Tradução: Julio Severo
Fonte: Friday Fax
Divulgação: www.juliosevero.com
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A loucura do planejamento do homem

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