7 de maio de 2014

O que Ronald Reagan faria?


O que Ronald Reagan faria?

Pat Buchanan especula sobre a resposta de Reagan sobre os atuais desafios da política externa americana

Pat Buchanan
O presidente Reagan estava em reunião no seu gabinete em 25 de março de 1985 quando o secretário de imprensa Larry Speakes, diretor de comunicações, me procurou com uma preocupação.
Ronald Reagan
A Casa Branca estava para emitir uma declaração sobre o assassinato do comandante Arthur Nicholson, oficial do exército americano servindo na Alemanha Oriental. Nicholson havia sido morto a sangue frio pelo disparo da arma de um soldado russo.
Speakes pensava que a declaração do presidente, “Essa violência foi injustificada”, era fraca. Concordei. Interrompemos o presidente, que releu seu pronunciamento e decidiu mantê-lo.
O que estava por trás da decisão de Reagan para não expressar o repúdio e a revolta, sua e da nação, diante de tal atrocidade?
Pat Buchanan: colunista do WND e ex-assessor do presidente Ronald Reagan
Desde que assumiu a presidência, Reagan buscou negociar com líderes soviéticos; mas, como ele mesmo me disse, “eles não param de quebrar suas promessas para mim”.
Duas semanas depois, em 10 de março de 1985, faleceu Konstantin Chernenko, terceiro premier soviético a ocupar o cargo durante o mandato de Reagan, e havia sido nomeado para sucedê-lo o membro mais jovem do Politburo, Mikhail Gorbachev.
Acreditando que Gorbachev não tinha envolvimento no assassinato de Nicholson e buscando um acordo com o novo líder soviético para amenizar as tensões da Guerra Fria, Reagan decidiu não expressar o que provavelmente tinha em mente.
O que levanta uma questão que muitos republicanos estão perguntando agora:
O que Reagan faria com relação a Síria, a Crimeia e a Ucrânia?
Seriam os senadores Rand Paul ou Ted Cruz, ou os governadores Jeb Bush ou Chris Christie os candidatos mais alinhados à tradição de Reagan, o “padrão-ouro” do partido republicano?
Não temos como saber o que Reagan faria, já que vivemos em um mundo pós-Guerra Fria. No entanto, sabemos o que Reagan fez.
Na disputa sobre a “entrega” do Canal do Panamá, Reagan ficou contra Bill Buckley e boa parte do seu movimento e partido. “Nós o compramos, pagamos por ele. É nosso, e vamos mantê-lo”, vociferou.
O Senado concordou por dois terços dos membros em abrir mão do Canal para o ditador panamenho. E qual foi o prêmio de consolação de Reagan? A presidência.
Reagan assumiu o cargo declarando o Vietnã como “uma nobre causa” e determinado a recuperar o poder e a moral do exército, o que sem dúvida conseguiu. Seus orçamentos para a defesa quebraram a espinha dorsal soviética, que não teve como competir com a expansão americana da era Reagan.
“Qual será a nossa estratégia?”, perguntou seu primeiro conselheiro de segurança nacional.
Reagan respondeu: “Nós ganhamos, eles perdem”.
Reagan enxergou claramente a crucial dimensão moral da luta ideológica entre comunismo e liberdade. Ele chamou o bloco soviético de “um império do mal”. Ele nunca ameaçou fazer intervenções militares na Europa Oriental, como fazem alguns republicanos belicosos hoje em dia.
Ele não ficaria soltando farpas sobre a Crimeia ou a Ucrânia.
Quando o General Jaruzelski reprimiu o sindicato Solidariedade sob ordens de Moscou, Reagan se recusou a declarar insolvência da Varsóvia por sua dívida externa. Em vez disso, ele negou a Moscou a tecnologia americana para construir o oleoduto Yamal-Europa.
Considerando a atual dependência europeia da gasolina russa, foi uma sábia decisão.
Quando os soviéticos posicionaram mísseis de médio alcance com capacidade para três ogivas, os SS-20, Reagan respondeu com mísseis nucleares Pershing II e mísseis de cruzeiro na Europa Ocidental.
Reagan só concordou em trazer os mísseis de volta quando Gorbachev concordou em retirar seus SS-20.
Quando Kadafi explodiu uma discoteca em Berlim cheia de soldados americanos em retaliação a um ataque da Sexta Frota americana que derrubou dois aviões líbios, Reagan enviou bombardeiros F-111 em uma incursão que quase matou o ditador.
Ronald Reagan acreditava em uma resposta moderada.
Ele odiava armas nucleares (“essas coisas horríveis”, como costumava dizer) e se apegava à ideia de uma defesa contra mísseis, a Iniciativa Estratégica de Defesa. E embora estivesse disposto a negociar mísseis ofensivos, quando Gorbachev exigiu que Reagan descartasse a Iniciativa Estratégica de Defesa na conferência de Reykjavík, ele se levantou e saiu.
Será que Reagan atacaria a Síria? Quase certo que não.
No seu último dia de mandato, ele disse aos seus auxiliares que seu pior erro foi ter enviado fuzileiros navais ao Líbano, onde 241 americanos morreram nos ataques terroristas aos quartéis em Beirute.
Ele não tinha problemas com regimes problemáticos, se eles se mostrassem aliados na causa que iria decidir o destino da humanidade.
A disputa entre Ocidente e Oriente era a maior prioridade de Reagan, uma das razões pelas quais ele vetou sanções à África do Sul.
Quaisquer que fossem seus pecados, o governo sul-africano estava ao lado deles nos planos principais.
Mas embora Reagan não desafiasse Moscou militarmente na Europa Central, ele forneceu armas a guerrilhas anticomunistas e insurgentes no Afeganistão, em Angola e na Nicarágua com a intenção de minar e quebrar o império soviético pelas beiradas e fazê-los pagar o mesmo preço pago pelos americanos no Vietnã.
Reagan era um ferrenho anticomunista, e lutou contra eles no Screen Actors Guild na década de 40. Mas ele nunca foi anti-Rússia, e sempre quis deixar as portas abertas. Ele terminou seu mandato como esperava, sendo aclamado enquanto caminhava pela Praça Vermelha com Mikhail Gorbachev.
Ronald Reagan nunca quis ser um presidente da guerra, e não tinha nenhuma guerra em vista. Nenhuma. Ele não era neocon (neo-conservador).
Pat Buchanan é colunista do WND e foi assessor do presidente Ronald Reagan.
Tradução de Luis Gustavo Gentil do original do WND: WHAT WOULD REAGAN DO
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