25 de fevereiro de 2014

As incessantes autonegações do movimento revolucionário comunista


As incessantes autonegações do movimento revolucionário comunista

Olavo de Carvalho
Fora de alguns círculos discretos de neo-estalinistas, muita gente de esquerda reconhece hoje que o comunismo soviético foi uma tirania genocida e uma economia tão louca e ineficiente que acabou por se auto-eletrocutar.
O problema é que, ao persistir na esquerda, essa turma nos deixa sem uma resposta razoável para a seguinte e incontornável pergunta: Se o comunismo foi tão ruim, por que deveríamos admitir que o monopólio do bem e da virtude reside, hoje, naqueles que o apoiaram e não naqueles que o combateram?
Por que os herdeiros ideológicos que só renegaram o comunismo quando ele já estava morto e não havia mais meio de salvá-lo são pessoas mais decentes do que aqueles que o enfrentaram de peito aberto, arriscando a vida e a honra, quando ele era vivo e todo-poderoso? Por que chamar de heróis os que fomentaram o crime e de vilões os que tentaram detê-lo?
Será porque Hitler foi anticomunista? Mas Hitler também foi antitabagista, e ninguém sai por aí fumando só para ostentar antinazismo. Hitler foi vegetariano fanático, meio veganista -- mas vegetarianos e veganistas pululam na esquerda muito mais do que na direita, sem que ninguém os olhe com desconfiança. Hitler foi feroz inimigo da liberdade de mercado (v. http://mises.org/freemarket_detail.aspx?control=507), e nenhum socialista se vexa, por isso, de atacar a liberdade de mercado. Sobretudo, é claro, Hitler odiava os judeus, e nem por isso deixa de ser elegante, na esquerda, aplaudir os terroristas que os matam.
Não. Aqui como em praticamente tudo o mais, a reductio ad hitlerum, ou Lei de Godwin (v. http://en.wikipedia.org/wiki/Reductio_ad_Hitlerum), é uma fraude, não um argumento.
A solução do enigma está em outro lugar. Para enxergá-la é preciso estar ciente de três fatos. A descrição que aqui forneço deles é demasiado compacta, mas corresponde estritamente à realidade e pode ser comprovada por amostragem mais que abundante:
1) É só nos dicionários que o comunismo é o nome de um sistema econômico definido, bem delimitado, inconfundível com o capitalismo, com a economia fascista, com a socialdemocracia etc. Na realidade da vida, os governos comunistas tentaram todos os arranjos e misturas, pela simples razão de que o comunismo dos dicionários -- a completa estatização dos meios de produção e subseqüente desaparição do Estado por efeito paradoxal da onipresença -- é uma impossibilidade absoluta.
2) Se não tem a unidade de um sistema econômico definido, o comunismo tem, em contrapartida, a de um movimento: é uma rede mundial de organizações de variados tipos (por exemplo, partidos legais e grupos terroristas) em permanente intercomunicação, onde tanto o conflito quanto a solidariedade concorrem dialeticamente para o crescimento e avanço do conjunto na sua luta pelo poder.
3) Em razão dos dois fatos anteriores, a variedade de sentidos da palavra “comunismo” já se incorporou há tempos no discurso comunista, servindo igualmente bem para desnortear o adversário e fortalecer a unidade do movimento por trás de divergências de superfície. Um governo dominado pelos comunistas pode, por exemplo, ser admitido como “comunista” perante a platéia interna, ao mesmo tempo que, quando se fala ao público geral, se jura que ele não é comunista de maneira alguma (por exemplo, porque favorece o livre mercado como fez Lênin com sua Nova Política Econômica em 1921). Mutatis mutandis, essa flexibilidade semântica resolve o problema de como o movimento comunista presente e atuante deve falar dos governos comunistas extintos ou reconhecidamente fracassados.  Conforme a platéia a que esteja se dirigindo, ele tanto pode denominá-los francamente “comunistas”, para dar a entender que ele próprio não o é de maneira alguma, quanto pode jurar que eles nunca foram comunistas, salvando assim o ideal comunista abstrato de toda responsabilidade pelos crimes e pecados do comunismo histórico: o primeiro desses modos de dizer é usado para o público externo que se deseja tranqüilizar anestesicamente, o segundo para uma platéia mais próxima de militantes que se deseja encorajar ou de simpatizantes que se espera recrutar.
Desses três fenômenos a solução do problema com que iniciei este artigo brota espontaneamente: quando se condena o velho comunismo, mas exaltando os que o defenderam e denegrindo os que o combateram, de um só golpe a coesão, o revigoramento e o prestígio do movimento são assegurados, junto com a necessária camuflagem protetora, pelo artifício de rejeitar suas partes mortas e dar um novo nome às suas partes vivas.
Desde suas remotas origens até a atualidade mais candente, o movimento revolucionário vive de incessantes autonegações e transmutações dialéticas que desnorteiam a platéia leiga, mas que, aos olhos do estudioso – seja ele comunista ou anticomunista – são de uma simplicidade quase pueril e às vezes de um automatismo deprimente.
***
O assassinato de reputações começou nas altas esferas federais, mas agora baixou para o humilde recinto do jornalismo. A página do Facebook, “Ruth Sheherazade – a irmãzinha boa da Raquel” foi criada especialmente para sujar a imagem da apresentadora de TV, jogando, de raspão, uns respingos fecais na minha pessoa. A técnica é a mesma dos famosos dossiês forjados contra inimigos do governo: fuçar a biografia da vítima em busca de detalhes inócuos aos quais se possa dar ares de grandes crimes e escândalos mediante uma linguagem artificiosa, fingidamente denuncista. A coisa é um trabalho de publicitários profissionais, restando averiguar quem é o cliente.
Divulgação: www.juliosevero.com
Leitura recomendada:

3 comentários :

Anônimo disse...

Sobre o golpe de estado na Ucrânia:
.
http://legio-victrix.blogspot.com.br/2014/02/golpe-de-estado-kiev-cai-nas-maos-do.html

Anônimo disse...

Em Ecl. 10:2 o Altissimo radiografou a posicao inequivoca do sabio e do louco: "O coração do sábio está à sua direita, mas o coração do tolo está à sua esquerda.". Fontes historicas dao conta de que o satanista marx reconheceu que havia trabalhado sobre utopia, pois nao ha como o ser humano reformar o ser humano se nao for atraves do Senhor Jesus. Afinal, entregar ao "estado' o controle do corpo, alma e espirito eh suicidio, posto que o "estado' se resume na vontade enganosa do coracao humano, frise-se possuido pelas trevas.
Assim, resumindo, todos que se deixam picar pela infernal serpente inspiradora do eskerdismo/progressismo/socialismo/komunismo/marxismo/satanismo estah possuido pelas trevas, as quais serao o sistema do anticristo. Tamus no fim. Oremos.

Antonio.

marcelo disse...

Para evitar essa canalhice, tenho uma proposta: a nação brasileira precisa de uma guinada de mais de 180º na política nacional, de forma a acabar com o atual desgoverno praticado pelo Congresso Nacional e Presidência da República.
Já que as instituições públicas possuem, em Brasília, suas sedes centrais (Banco do Brasil, Polícia Federal, Exército, Marinha, Aeronáutica, TCU, Tribunais Federais, Ministérios, Correios, Receita Federal, etc.), por que não destacar, por quatro ou cinco anos, um alto funcionário (concursado), do nível de DIREÇÃO/COMANDO/CHEFIA-GERAL/SUPERINTENDÊNCIA, para compor o Congresso Nacional e até a Presidência da República.
Tratar-se-ia de um prêmio para esses profissionais e o reconhecimento pelos bons serviços que eles prestaram à nação, durante toda uma vida pública, acrescentando-lhes, no salário, apenas um pro labore.
Além da economia para os cofres públicos, uma vez que o número de órgãos centrais é bem menor do que o número de assentos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (um exagero descabido para uma nação de milhões de miseráveis), o Brasil teria especialistas em administração pública elaborando as leis que norteiam a vida de todos nós.
Com isso, deixaríamos de assistir uma cambada de facínoras e muitos ladrões (com raras exceções ) serem legitimados como nossos representantes, aqueles que nos fazem de verdadeiros palhaços e idiotas, pois acabam legislando em causa própria.
Outra vantagem seria o fato de acabarmos com a vergonha de assistirmos muitas empresas bancarem livremente a campanha de BANDIDOS, os quais, depois de empossados, passam a defender abertamente os interessas daqueles que os bancaram....outra vergonha descarada.
Agora, a maior recompensa para todos os brasileiros seria assistir essa corja de sem-vergonhas (com raras exceções), que tomou posse do Congresso, ter que sair atrás de emprego para manter a luxúria em que vivem às custas dos impostos de milhões de miseráveis.
Creio que nenhuma dessas empresas que costumam bancar as campanhas de BANDIDOS MENSALEIROS, aceitaria a grande maioria dos congressistas, para absolutamente nenhum cargo em seus quadros de funcionários, pois, além de muitos deles terem fichas SUJAS, pessoas como o SAPO BARBUDO, por exemplo, talvez só tivesse capacidade para ser ascensorista de elevador (parece que ela só sabe contar até 20, mais ou menos).
Já a Guerrilheira-mor (aquela que mentiu a todos os brasileiros que tinha o mestrado) certamente teria maiores dificuldades, pois, durante a juventude, especializou-se em assaltar bancos e outras ações terroristas.
Por isso: ABAIXO O ENTREGUISMO, A CORRUPÇÃO E A IGNORÂNCIA