6 de novembro de 2013

NSA e o escândalo da espionagem americana a serviço da vingança pessoal da Casa Branca


NSA e o escândalo da espionagem americana a serviço da vingança pessoal da Casa Branca

Don Hank
Não há risco de que os órgãos de espionagem dos EUA perderão seus financiamentos como consequência da excessiva espionagem da NSA (National Security Agency, ou Agência Nacional de Segurança) nos aliados dos EUA, apesar dos avisos de fervorosos comentaristas conservadores, que temem que a espionagem, que é uma parte importante da segurança nacional, seja suspensa completamente por causa do que consideram críticas sem importância do que os alemães chamam Celular-Gate (Handygate em alemão) conforme foi noticiado no jornal Bild am Sonntag.
Angela Merkel
No entanto, de todos os comentaristas que vi, nenhum deles menciona a seguinte parte crucial da reportagem do Bild am Sonntag (minha tradução).
“A Casa Branca mais tarde ordenou que a NSA fizesse um dossiê abrangente sobre a chanceler. Aliás, de acordo com o homem mais importante da NSA, Obama não confiava em Merkel, e queria saber tudo sobre a senhora alemã, dizendo: ‘Quem é exatamente essa mulher?’ O relacionamento entre o primeiro presidente negro dos EUA e a primeira mulher na chancelaria alemã fora considerado difícil desde o começo. Merkel inicialmente negou em 2008 o pedido do então candidato presidencial de dar um discurso no Portão de Brandenburg. Então quando Obama se tornou presidente, ele manteve distância do governo alemão.”
Não vi nenhum meio de comunicação, em suas reportagens e comentários, incluir a parte crucial da reportagem acima. O fato de que Obama usou a NSA como parte de sua vingança pessoal contra Merkel por ela ter recusado ajudá-lo em sua campanha eleitoral de 2008 é extremamente importante, mas ninguém nos EUA mencionou isso.
Ocultaram também esta parte:
“Mas não foi apenas Merkel. Seu antecessor Gerhard Schröder havia também sido alvo de espiões dos EUA. O programa secreto de espionagem contra Schröder começara no governo do presidente George W. Bush. O que provocou isso foi o ‘não’ determinado do chanceler alemão à participação de tropas alemãs na guerra do Iraque no ano eleitoral de 2002. Autoridades preocupadas da Casa Branca então ficaram pensando: ‘Qual é a postura dos alemães? Será que podemos confiar em Schröder?’”
Conforme os escritores conservadores mencionados acima afirmam, o fato de que os presidentes dos EUA haviam ordenado que os aliados dos EUA fossem grampeados não era coisa de muita importância. Espiões serão espiões. Mas a parte que deveria nos deixar preocupados é o fato de que os presidentes dos EUA estão ordenando tal espionagem em violação da soberania dos aliados dos EUA e, pior, às vezes como parte de uma vingança pessoal. A Casa Branca jamais tem direito de usar dinheiro público para razões pessoais.
Agora quando a Casa Branca quer invadir um país do Oriente Médio — sem questionar a veracidade e presumindo que tal intervenção fora sempre justificável sob a Constituição dos EUA — os americanos esperam que seu governo faça pressão nos aliados dos EUA para que os ajudem militarmente. Eles esperam que o governo dos EUA faça isso pela diplomacia, não pela extorsão.
Entretanto, principalmente no caso de Obama, a Casa Branca estava evidentemente usando a NSA para descobrir informações comprometedoras sobre um líder nacional que o havia, na opinião de Obama, prejudicado pessoalmente e isso antes mesmo de ele se tornar presidente. Suas exageradas campanhas de espião não tinham nada a ver com a segurança dos EUA e, na melhor das hipóteses, desperdiçaram o dinheiro dos cidadãos que pagam impostos. Pior, ao aceitar que o telefone celular da chanceler Merkel fosse grampeado, ele inadvertidamente estava minando as relações dos EUA com um aliado vital, relações que podem levar anos para reconstruir. Mas não foi só a Alemanha. Ele mostrou ao mundo inteiro o tipo de homem vil e baixo que ocupa a presidência dos EUA e ao fazer isso, minou o prestígio nacional dos EUA.
No final das contas, George W. Bush estava fazendo a mesma coisa, embora possivelmente em grau menor, pois dava para se dizer que o que ele estava fazendo não era necessariamente motivado por questões pessoais. Permita-me ser claro: Não o desculpo por isso.
A questão importante é que esses ataques vis e irascíveis aos aliados dos EUA não têm, nem mesmo de longe, nenhuma ligação com a razão de existência das agências de espionagem dos EUA ou sua base constitucional. E esses ataques violam a soberania de nações aliadas dos EUA.
Por isso, vamos focar na questão real aqui, que não é se os órgãos de espionagem têm o direito de espionar um aliado. Poderia haver justificativa para isso se houvesse, por exemplo, razão para acreditar que um aliado estava agindo diretamente contra os interesses nacionais dos EUA, principalmente em violação das leis internacionais.
Mas o escândalo do governo dos EUA grampeando o celular pessoal de Merkel não é sobre se os EUA podem ou não espionar. É sobre se um maluco na Casa Branca, ávido de controlar tudo nos mínimos detalhes, deveria usar um órgão público para promover seus próprios interesses pessoais.
Traduzido por Julio Severo do artigo do American Daily Herald: NSA and Cellphone Gate: Framing the Issue Correctly
Leitura recomendada:

Um comentário :

Anônimo disse...

Realmente, se Obama espionou Merkel por razões pessoais é mais uma atitude absurda pra coleção dele.

Daniel